quinta-feira, dezembro 23, 2010

Carta aberta à minha cliente Manuela Hilarina Fernandes

Minha Estimada Manuela Hilarina Fernandes:



Quero pedir-lhe desculpa, porque falhou tudo.
Falhou a promessa que lhe fiz em Agosto e o seu sonho de Vascos da Gama, Albuquerques, também esse Camões que lhe corre nas veias, e
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando (...)
Falhou tudo, a começar pelo respeito, que deveriam ter por si, que não por mim; e sobretudo pela Pátria, cada vez mais engolida por políticos incompetentes e funcionários imbecis.
Eu sei - confesso-o humilde e envergonhadamente - que lhe garanti que esta coisa que sobra do Portugal, com que você sonhou, ainda era um país decente.
Lembro-me com hoje do que lhe disse, suportado nas leis, a começar pela Constituição, que assegura aos portugueses o respeito pelos direitos fundamentais.
É verdade que lhe garanti que no dia em que lhe fosse reconhecida a qualidade de cidadã portuguesa, você Manuela Hilarina Fernandes, tinha o direito de pedir um cartão de cidadão e um passaporte português.
Tenho que reconhecer que falhei; e tenho que lhe dar uma explicação, pedindo-lhe que acredite que sou um homem sério e que, se a seriedade falta, é ao País, que não a mim.
Você, Manuela Hilarina, é portuguesa como eu, portuguesa de origem, desde o dia 24 de Agosto de 2010. E deveria ter um cartão de cidadão como eu.
Você é portuguesa como eu ou como um senhor que passa por Ministro dos Negócios Estrangeiros. E vive escondida em Londres, abandonada e agredida pelos que governam a nossa Pátria, conspurcando-lhe a honra, como é próprio de quem não reconhece os documentos emitido sob a sua égide.
Juro-lhe que nunca me passou pela cabeça a simples hipótese de passarmos um Natal tão triste, consigo, portuguesa como eu, escondida, à deriva, sem documentos, como se fosse uma pessoa inexistente. Se eu alguma vez imaginasse que esta canalha que nos governa poderia ir tão longe no desrespeito pelas suas próprias leis, seguramente que lhe teria sugerido que adiasse esse sonho de Gamas, de Albuquerques, Franciscos de Almeida e Camões...
Além disso, o que a tudo enfim me obriga,
É não poder mentir no que disser,
Porque de feitos tais, por mais que diga,
Mais me há-de ficar inda por dizer.
Mas, porque nisto a ordens leve e siga,
Segundo o que desejas de saber,
Primeiro tratarei da larga terra,
Depois direi da sanguinosa guerra.
Você não é uma oportunista.
Você optou por procurar a sua História e o seu Destino, por deixar uma pátria e escolher outra, a sua, a do seu nome, a dos seus pais e dos seus antepassados, no fim de contas a do seu coração.
Talvez eu devesse ter avisado que este já não é o Portugal dos Gamas e dos Albuquerques, que ninguém, neste recanto, onde restam as sobras dos que se semearam pelo Mundo, entende o que é isso de ser português, à semelhança dos desenhos de um Camões, que eles nunca leram e, pior do que isso, não sabem ler.
Talvez eu devesse dizer-lhe que este Portugal são os restos de um país e de uma nação.
Cometi o pecado grave de não ter querido partir o seu sonho. Mas juro-lhe que o fiz, apenas, porque nunca imaginei que esta canalha, de que dependemos, pudesse levar tão longe a sua arrogância e a sua incompentência.
Você, Manuela Hilarina é portuguesa como eu. Disso pode estar segura.
Mas você não existe embora tenha um registo de nascimento que a dá como viva, porque lhe negam a sua identidade, não aceitando entregar-lhe um cartão de cidadão com base no referido registo e no mesmo documento identificador que o permitiu.
O Consulado de Portugal em Londres sabe que você Manuela Hilarina é portuguesa e deixou de ser indiana. Mas o que tem feito não é mais do que criar condições para que você seja expulsa para a Ìndia, que deixou de ser a sua Pátria, por mais que continue a valer o cheiro do chão de Goa que a viu nascer.
Portugal tem tribunais e eu também lhe transmiti uma ideia errada do que são os tribunais portugueses.
E tem um processo especial, de natureza sumária, visando a intimação para a defesa de direitos, liberdades e garantias.
É verdade que eu lhe disse que, perante uma situação tão grave, o tribunal não deixaria de adotar uma decisão num prazo muito curto. E disse isso porque a lei fala em celeridade; e celeridade para quem não existe, porque não tem documentos, é ontem.
Eu não sou mentiroso, Manuela Hilarina Fernandes. Juro-lhe que não sou.
Mas a lei do nosso país é...
E por isso, Manuela Hilarina, você está escondida num canto de Londres, portuguesa como eu ou como o tipo que passa por Ministro e que é pessoalmente o responsável pela sua inexistência e pela crise do seu sonho. Foi ele quem mandou contestar em juizo o seu pedido de um simples cartão de cidadão.
Nem os fascistas tiveram alguma vez a ousadia de fazer isso.
Tenho a certeza que este é o pior Natal das nossas vidas.
Mas não vamos desfalecer.
Vou acompanhá-la e vou seguiu o seu exemplo de reler Camões, à espera que a borrasca passe e que toda esta canalha tenha o destino que os deuses traçaram para quem não merece governar a nobre gente.

Miguel Reis

Cavaco lucrou 147 mil euros com acções da holding do BPN | Esquerda

Cavaco lucrou 147 mil euros com acções da holding do BPN Esquerda

É triste ver um país a transformar-se numa pocilga.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

A falência do BPN e os interesses pessoais

Reproduzo do jornal i:
«O candidato apoiado pelo Partido Comunista acusou, no debate na TVI, Cavaco Silva de "acordo estratégico" com o governo na nacionalização do BPN. "Em 2008, o acordo estratégico entre o Presidente da República e o governo permitiu, que em apenas quatro dias, houvesse um entendimento para a publicação da lei" de nacionalização do banco, referiu. Francisco Lopes garantiu ainda que, se fosse Presidente, "não usaria o poder de promulgação como fez Cavaco Silva para acomodar os prejuízos do BPN no Estado". O candidato lembrou ainda que o ex-presidente do BPN Oliveira e Costa foi "financiador" e "apoiante" de Cavaco Silva nas últimas presidenciais.
O Presidente/candidato, mais moderado nos ataques ao adversário, não respondeu à questão do BPN, garantindo que, se for eleito, irá "exercer uma magistratura activa" no sentido de encontrar soluções principalmente no que diz respeito ao desemprego e à divida externa do país.»
Na altura própria, os jornais noticiaram que o Prof. Cavaco salvou o dinheiro que tinha no BPN.
Em 3/6/2009, o Presidente da República confessava que uma boa parte das suas poupanças estavam no BPN. (Público).
É perfeitamente legítimo questionar se a nacionalização não teve como único objetivo salvar estas poupanças e as de outras pessoas colocadas em situação idêntica.
O que não se compreende é que todos os dias sejam declaradas insolventes empresas que empregam milhares de trabalhadores e que um banco que é insolvente seja nacionalizado, arrastando-se os seus prejuizos para o Estado.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Prostitutas fogem da crise

Prostitutas fogem da crise

Apesar dos benefícios fiscais...

Política - Ana Gomes explica queixa apresentada na Comissão Europeia - RTP Noticias, Áudio

Política - Ana Gomes explica queixa apresentada na Comissão Europeia - RTP Noticias, Áudio

Assim vai Portugal...

Caiu-me esta coisa no correio:

Gestores Públicos com oito cartões de crédito

Os ex-administradores da Gebalis Francisco Teixeira, Clara Costa e Mário Peças receberam, entre Fevereiro de 2006 e Outubro de 2007, oito cartões de crédito daquela empresa municipal. O limite de crédito atribuído àqueles ex-gestores oscilou entre cinco mil euros e dez mil euros por mês. Note-se no entanto que a Gebalis é uma empresa criada pela Câmara Municipal de Lisboa e está falida há muito. Olha se não estivesse falida...

O despacho de acusação do Ministério Público, a que o CM teve acesso, diz que, 'no início do mandato, a cada um dos arguidos foram fornecidos cartões de crédito', apesar de haver 'uma omissão legal e dos próprios Estatutos da Gebalis [sobre essa regalia]', segundo o relatório da Polícia Judiciária.

A Francisco Ribeiro, ex-presidente da Gebalis, foram dados, segundo o despacho de acusação, três cartões de crédito: um do BES com limite de 7500 euros, um do BPI com dez mil euros e um do Millennium bcp com cinco mil euros. Mário Peças, ex-vogal da empresa, teve também três cartões de crédito: um do BES com 7500 euros, um do BPI com dez mil euros e um do Millennium bcp com cinco mil euros.

Já Clara Costa contou com um cartão de crédito do BES com um limite de crédito de 7500 euros e outro do Millennium bcp com cinco mil euros. À excepção do cartão de crédito do BPI atribuído a Mário Peças, todos os cartões tiveram vários números e diferentes datas.

'Com os respectivos cartões de crédito em seu poder, cada um dos arguidos decidiu que os utilizaria para pagamento das despesas relativas a refeições suas e com amigos e outras pessoas de cujo convívio poderiam beneficiar no seu percurso profissional, político ou financeiro, quer nos dias de trabalho, quer em férias ou fins-de-semana, quer, ainda, no decurso de viagens ao estrangeiro', precisa o despacho de acusação do Ministério Público.

Ontem, Clara Costa manifestou a sua 'total inocência'.

SAIBA MAIS

REFEIÇÕES E VIAGENS

De Março de 2006 a Outubro de 2007, Clara Costa gastou 11 530 euros em refeições com o cartão de crédito.

40 145 euros foi a despesa de Mário Peças em refeições, de Março de 2006 a Outubro de 2007, com cartões de crédito.

12 738 euros foi o gasto de Francisco Ribeiro em refeições, de Março de 2006 a Outubro de 2007, com cartões de crédito.

REFEIÇÕES EM RESTAURANTES DE LUXO

MÁRIO PEÇAS

RESTAURANTE DATA/HORA VALOR

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 11-02-006 / 17h12 134,50 euros+10,5 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 05-03-2006 / 17h09 304,40 euros + 25,6 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 29-04-2006 / 15h10 233.55 euros + 16,45 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 21-05-2006 / 16h05 237.75 euros + 12,25 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 10-06-2006 / 15h20 217.60euros + 12,4 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 13-06-2006 / 15h32 261.70 euros + 18,3 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 09-07-2006 / 15h37 253.20 euros + 16,8 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 27-08-2006 / 15h23 247.85 euros + 22, 55 euros de gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 11-11-2006 / 16h56 372.35 euros + 27,65 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 25-11-2006 / 16h25 305.40 euros + 24,6 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 14-01-2007 / 16h35 281.20euros + 38,8 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 05-05-2007 / 16h25 325 euros + 25 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 13-06-2007 / 16h01 287.30 euros + 22,7 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 29-09-2007 / 14h43 251.45 euros + 28,55 euros gratificação

Porto Sta Maria (Estrada do Guincho) 20-10-2007 / 16h11 310.85 euros + 29,15 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 01-12-2006 / 16h09 223.50 euros + 16,5 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 04-12-2006 / 15h58 142 euros + 18 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 14-12-2006 / 16h42 471.20 euros + 28,8 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 05-01-2007 / 15h27 206.50 euros +23,5 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 29-01-2007 / 16h52 262.50 euros + 27,5 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 01-03-2007 / 15h36 212.50 euros + 17,5 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 08-03-2007 / 15h42 225 euros + 25 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 10-03-2007 / 15h04 180.890 euros + 39,1 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 27-03-2007 / 21h50 147 euros + 15 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 28-03-2007 / 14h54 185.30 euros +14,7 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 18-04-2007 / 16h00 458.60 euros + 21,3 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 25-05-2007 / 14h59 318 euros +32 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 12-06-2007 / 22h52 206.90 euros + 13,1 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 25-07-2007 / 15h13 129.40 euros + 15 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 01-08-2007 / 16h06 209.40 euros + 10,6 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 28-08-2007 / 15h25 167.60 euros + 15 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 29- 08- 2007 / 14h56 141 euros + 19 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 18-09-2007 / 15h56 217.30 euros + 22,7 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 17-10-2007 / 15h38 151 euros

Varanda da União s/ data 106 euros + 9 euros gratificação

Varanda da União 20-02-2006 137.75 euros + 12,25 euros gratificação

Varanda da União 16-03-2006 212 euros + 18 euros gratificação

Varanda da União 29-05-2006 141.50 euros + 13,5 euros gratificação

Varanda da União 26-06-2006 90 euros + 10 euros gratificação

Varanda da União 30-10-2006 817 euros + 53 euros gratificação

Varanda da União 29-11-2006 112 euros + 13 euros gratificação

Varanda da União 18-12-2006 223.25 euros + 21.75 euros gratificação

Varanda da União 10-04-2007 204 euros + 16 euros gratificação

Varanda da União 17-04-2007 110 euros + 10 euros gratificação

Varanda da União 10-08-2007 153.25 euros + 16.75 euros gratificação

António do Barrote 03-08-2006 125.95 euros + 14.05 euros gratificação

António do Barrote 17-08-2006 208.95 euros + 11.05 euros gratificação

António do Barrote 18-01-2007 144.50 euros + 15.5 euros gratificação

António do Barrote 13-03-2007 188.85 euros + 21.15 euros gratificação

António do Barrote 29-05-2007 160.85 euros + 14. 15 euros gratificação

Sabores, Artes, Imagens (Parque das Nações) 01-09-2006 96.10 euros + 8,9 euros gratificação

Sabores, Artes, Imagens (Parque das Nações) 07-09-2006 65 euros + 5 euros gratificação

Restaurante o Terreiro do Paço 31-10-2006 213.30 euros + 11,7 euros gratificação

O Nobre 02-11-2006 190 euros + 9,12 euros gratificação

O Nobre 13-11-2006 149.30 euros + 10.7 euros gratificação

Jardim Visconde da Luz (Cascais) 05-11-2006 198.90 euros + 11,1 euros gratificação

Rstaurante A Gondola 15-11-2006 105.30euros + 24.7 euros gratificação

Atanvá 30-11-2006 89.70 euros + 5,3 euros gratificação

Atanvá 29-03-2007 194.70 euros + 25.3 euros gratificação

Atanvá 30-07-2007 62.20 euros + 17,8 euros gratificação

Atanvá 16-08-2007 62.30 euros + 7,7 euros gratificação

Atanvá 27-08-2007 72.55 euros + 7,45 euros gratificação

Atanvá 28-08-2007 114.50 euros + 10.5 euros gratificação

Atanvá 13-09-2007 152.90 euros + 17,1 euros gratificação

Atanvá 11-10-2007 56.80 euros + 8,2 euros gratificação

Antavá 23-10-2007 73.55 euros + 6.45 euros gartificação

Restaurante Paberesbares 12-12-2006 131.50 euros + 13.5 euros gratificação

Restaurante Paberesbares 03-10-2007 113 euros + 17 euros gratificação

Restaurante O Cortador 13-12-2006 152.20 euros + 17,8 euros gratificação

O Jacinto 15-12-2006 125 euros + 15 euros gratificação

O Jacinto 17-12-2006 98.95 euros + 10.05 euros gratificação

O Jacinto 11-04-2007 158.65 euros + 11.35 euros gratificação

Tico Tico 11-03-2007 97.95 euros + 12.05 euros gratificação

A Laurentina 13-04-2007 61.20 euros + 13.8 euros gratificação

Taberna Ibérica 04-06-2007 199.60 euros + 20.4 euros gratificação

O Mercado do Peixe 14-06-2007 160.68 euros + 17.32 euros gratificação

Le Petit 26-07-2007 68.20 euros + 6.8 euros gratificação

O Polícia 22-08-2007 152.20 euros + 17,8 euros gratificação

Casa Gallega 16-08-2007 227.90 euros + 7.1 euros gratificação

Marisqueira Cais Sodré 19-09-2007 89.10 euros + 10.9 euros gratificação

Belcanto 27-09-2007 102 euros + 13 euros gratificação

Belcanto 24-10-2007 77 euros + 8 euros gratificação

1º Direito 04-10-2007 57 euros + 6 euros gratificação

O Galito 29-10-2007 57.55 euros + 7.45 euros gratificação

Ritz Four Seasons (Lisboa) 20-07-2006 321.75 euros + 28.25 euros gratificação

Ritz Four Seasons (Lisboa) 25-01-2007 110 euros

Sete Mares 16-04-2007 510.45 euros + 39.55 euros gratificação

Sete Mares 25-07-2007 251.25 euros + 18.75 euros gratificação

Vela Latina 31-03-2006 99.60 euros + 11,4 euros gratificação

Tertúlia do Paço 20-03-2006 112.20 euros + 7.8 euros gratificação

Restaurante XL 27-03-2006 106.05 euros + 8.95 euros gratificação

Gambrinus (Luxo) 08-05-2007 / 15h43 170.10 euros + 14,9 euros gratificação

Restaurante Paberesbares s/ data 130.50 euros +9.5 euros gratificação

Varanda da União 06-09-2006 102.25 euros + 7.75 euros

FRANCISCO RIBEIRO

Francisco Ribeiro efectuou pagamentos de refeições, utilizando cartões de crédito do BES (...) a partir de 31-05-2007 (...), do BPI (...) a partir de Setembro de 2007 (...) e Millenium (...) a partir de Março de 2007, num valor mensal aproximado e distribuídos pelos seguintes números de dias:

Mês Nº dias Valor/Mês

Março 06 13 794,00 euros

Abril 06 13 415,28 euros

Maio 06 10 321,35 euros

Junho 06 14 675,43 euros

Julho 06 13 302,19 euros

Agosto 06 8 629,29 euros

Setembro 06 14 729,27 euros

Outubro 06 9 297,98 euros

Novembro 06 8 163,41 euros

Dezembro 06 4 295,00 euros

Janeiro 07 4 158,00 euros

Fevereiro 07 6 245,00 euros

Março 07 7 508,00 euros

Abril 07 10 839,00 euros

Maio 07 13 1100,00 euros

Junho 07 13 610,00 euros

Julho 07 8 770,00 euros


É FARTAR VILANAGEM



segunda-feira, dezembro 20, 2010

best of socrates (2009 - 2010)

Peras portuguesas: a fruta mais barata em São Paulo



A fruta mais barata que encontrei hoje no supermercado Compre Bem, em São Paulo: peras rocha, portuguesas, a 3 reais.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

quinta-feira, novembro 04, 2010

Diálogo...

Caiu-me no correio como sendo um texto de Miguel Sousa Tavares
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?


- Assim, como?


- Deserta, magnífica, sem trânsito?


- É, é sempre assim.


- Todos os dias?


- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.


- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?


- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.


- E têm mais auto-estradas destas?


- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.


- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?


- Porque assim não pagam portagem.


- E porque são quase todos espanhóis?


- Vêm trazer-nos comida.


- Mas vocês não têm agricultura?


- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.


- Mas para os espanhóis é?


- Pelos vistos...


Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:


- Mas porque não investem antes no comboio?


- Investimos, mas não resultou.


- Não resultou, como?


- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.


- Mas porquê?


- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.


- E gastaram nisso uma fortuna?


- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...


- Estás a brincar comigo!


- Não, estou a falar a sério!


- E o que fizeram a esses incompetentes?


- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.


- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?


- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km .


Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.


- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?


- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.


- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?


- Isso mesmo.


- E como entra em Lisboa?


- Por uma nova ponte que vão fazer.


- Uma ponte ferroviária?


- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.


- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!


- Pois é.


- E, então?


- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.


Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.


- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...


- Não, não vai ter.


- Não vai? Então, vai ser uma ruína!


- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.


- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?


- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!


- E vocês não despedem o Governo?


- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...


- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?


- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.


- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?


- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.


- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?


- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.


Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:


- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?


- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.


- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?


- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.


- Não me pareceu nada...


- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.


- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?


- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.


- E tu acreditas nisso?


- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?


- Um lago enorme! Extraordinário!


- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.


- Ena! Deve produzir energia para meio país!


- Praticamente zero.


- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!


- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.


- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?


- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.


- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?


- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.


Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:


- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?


- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.


Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:


- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

Este aviso é de 2007

Vale a pena rever este video, que é de 2007.
Clique no link...

À espera de uma nova revolução

O presidente de um dos principais bancos portugueses proferiu, há alguns meses, uma interessante conferência nas instalações do Grémio Lusitano.
Revelou ele, de essencial, que, em sua opinião, estávamos no fim de um ciclo muito semelhante ao que justificou a Revolução Francesa, deixando clara a insustentabilidade da evolução de Portugal e dos demais paises europeus.
Poucos dias depois, viajei para os Estados Unidos, onde assisti a uma outra conferência, em que um reputado economista, numa linguagem semelhante à do Dr. Medina Carreira, criticava o facto de um computador ser mais barato em Nova Iorque do que na fábrica chinesa que o fabrica e exporta, o que só poderia significar que os americanos não estavam a contar pagar o que importavam da China.
Olhando para a Europa constatamos que só não estamos na mesma situação porque os alemães, que são poupados e pouco dados a luxos têm uma balança cujos excedentes permitem compensar as importações de produtos chineses que marcam o défice dos demais paises.
O debate que hoje se encerrou sobre o Orçamento do Estado em Portugal,  em que, mimeticamente os representantes da bancada do Governo justificaram o essencial das suas política com as misérias dos outros, foi marcado, no essencial pelo encobrimento da real situação do país, nomeadamente da sua situação de insolvência e da caminhada vertiginosa para a bancarrota.
Fez o primeiro ministro questão de nos envolver a todos na responsabilidade por políticas que são denonestas e ruinosas para o país, quando o que é certo é que nenhuma responsabilidade temos por tais políticas, que afrontam os direitos dos cidadãos, comprometem o futuro e arruinam completamente o futuro das gerações vindouras.
Não somos nós - os cidadãos - quem terá que prestar contas à justiça. São os responsáveis pela ruina do país e pela criação de um panorama de mentira que apenas favorece uma meia dúzia de canalhas que vivem à custa do crescimento da dívida do Estado.
As coisas assumiram uma tal gravidade que não se vislumbra a possibilidade de o regime se reconverter sem uma nova revolução - uma espécie de 25B - que reponha a ética no lugar da política e crie condições para levar aos tribunais os responsáveis pela gestão criminosa que vem sendo imprimida ao País.
O facto de o maior partido da oposição ter capitulado perante as pressões e ter alinhado com o governo na continuação do endividamento e do despesismo que favorece uns poucos em desfavor dos outros a quem é arruinado o presente e o futuro é, ele próprio, sinal da inviabilidade deste regime.
A situação é de tal forma grave que só uma mudança de regime - que não tem que ser necessariamente autoritário - permitirá travar a marcha para o abismo.
O parlamento acabou de demonstrar a sua inutilidade.
O presidente da república não pode continuar a custar 15 milhões de euros.
Com a deslocação do poder para Bruxelas, onde durante anos e anos não deveremos ter voto no conselho europeu, parece-me que nos bastará eleger os dirigentes municipais e inventar um novo quadro constitucional que substitua o governo por um conselho emergente dos municípios, acabando com todos os órgãos políticos inúteis (porque já não têm qualquer poder) e que consomem milhões ao tesouro.
Ficamos à espera da revolução.

sábado, outubro 30, 2010

Um orçamento à força...

Os bancos aflitos acorreram ao gabinete do primeiro ministro pedindo que apresentasse um orçamento de estado urgentemente, porque não conseguiam obter mais crédito nos mercados estrangeiros.

Parece que o governo não tinha noção desta realidade e que os trabalhos de elaboração do orçamento estavam atrasados de tal forma que era impossível apresentar o documento, de forma estruturada, com a urgência devida.

Depois disso, os banqueiros aflitos reuniram com o líder a oposição, a quem disseram também que precisavam do orçamento como do pão para a boca.

A partir daqui o país entrou numa verdadeira paranoia, com o governo a querer saber como votaria a oposição um orçamento que não existia e com a oposição a dizer que não aprovaria um orçamento que aumentasse os impostos, porque a nação já está de rastos e não aguenta mais.

Passaram os jornais a alinhar no mesmo jogo dos bancos, talvez pela perceção que têm os jornalistas de que lhes faltarão os salários se não apoiarem os bancos.

O país entrou em completa paranoia, como se todos os que têm voz precisassem do orçamento como de pão para a boca e como se o povo, esse povão que trabalha tivesse que pagar tudo. Até parece que o povo é rico e que são pobres os banqueiros, a quem a lei nem sequer permite que abram falência, como se eles fossem uma espécie de divindade inatacável.

As vigarices do sistema bancário são encobertas, porque afetam o bom nome do país, como se o país estivesse obrigado a protegê-las e a calá-las, para além de estar obrigado a garantir a estabilidade financeira, que é o que se chama à operação de garantir que o tal povão vai pagar, nem que tenha que morrer à fome, as trafulhices do sistema financeiro.

O governo e o principal partido da oposição iniciaram negociações visando o estabelecimento de um acordo sobre o orçamento, que se romperam porque, segundo disseram os jornais, o governo não aceitou reduzir despesas.

Perante este incidente, aumentou a pressão, como se todos os pressionadores estivessem à espera do orçamento para sacar dinheiro indispensável a pagar contas adiadas.

O país passou a viver a sensação de que o que lhe dizem não é verdade, que há qualquer coisa encoberta, tanto mais que o próprio ministro da presidência veio dizer às televisões que o orçamento não é para discutir na praça pública.

O próprio presidente da república, que é um dos maiores responsáveis pelo calote nacional, porque muito antes de se transformar num defensor da exploração do mar foi o grande promotor da destruição dos barcos, a troco de uns patacos vindos de Bruxelas, assumiu o papel de pressionador-mor e convocou o conselho de estado para tomar posição sobre a magna questão orçamental.

A nossa economia não consegue funcionar sem recurso ao crédito externo – disse o presidente, com toda a clareza, confirmando que o orçamento servirá apenas para aumentar o calote, que ninguém conta pagar.

Um conselheiro do líder a oposição, Nogueira Leite, manifestava-se um dia antes a favor da passagem do orçamento, dando a entender que as pressões eram de tal ordem que não era possível resistir a elas.

O sistema financeiro português deve 200 mil milhões de euros ao exterior e com as perspetivas que temos de evolução da economia, o exterior não vê como é que vamos honrar os nossos compromissos. A dívida bruta é três vezes o PIB. – disse o conselheiro.

Há números aqui que não batem certo. O governo diz que a dívida pública é de 123 mil milhões. Ninguém sabe bem qual é o valor do PIB, afirmando umas fontes que é de 200 mil milhões e outros que é de 220 mil milhões, constando do Eurostat que é de apenas 166 mil milhões. Se, como diz o conselheiro, a dívida bruta é de três vezes o PIB temos uma dívida de 498 mil milhões, o que dá a cada português um calote de 46.659 € a cada português, contando com velhos e crianças.

São mais de 9 mil contos por cabeça, quando é certo que a maioria dos cidadãos não tem onde cair morto.

Tudo isto vem nos jornais e é, seguramente, do conhecimento dos mercados, que sabem mais do que nós. O que nós conseguimos discernir é que há aqui um buraco enorme, qualquer coisa entre os 323 mil milhões (soma da divida do setor financeiro e da divida soberana) e os 498 mil milhões de que fala o dito conselheiro. É um buraco negro de 175 mil milhões, que ninguém sabe onde está..

As receitas de impostos são inferiores a 20 mil milhões de euros, pelo que os passivos financeiros a constituir para viabilizar o orçamento são, deixando alguns trocos de lado, de mais 137 mil milhões.

O país está literalmente falido ou, para usar a expressão dos legisladores, insolvente. E é por demais óbvio que os tais mercados não vão emprestar dinheiro a Portugal por causa de um orçamento que não tem nenhuma credibilidade, porque, em vez de o salvar, ainda o afunda mais.

O senhor António, que empresta dinheiro a juros, a troco de uma letra sem data de vencimento, faz o mesmo que os mercados. Quando os devedores não lhe pagam chama-os à coleta e diz-lhes: não tens dinheiro para pagar? Eu empresto-te…

Faz as contas, põe-lhes à frente uma letra nova com o antigo e o novo, pelo menos mais 15% ao ano e diz-lhes assina aí. Depois de o devedor assinar, rasga a letra velha e oferece-lhe um copo de vinho.

É o que os credores internacionais, a quem passaram a chamar de mercados, passaram a fazer ao país, tratando-o como insolvente e dando-lhe corda para o afogar.

É evidente que Portugal não vai pagar nada a ninguém, porque quem não tem nem produz não paga.

Claro que os mercados não perdoam, como reconhecem todos os políticos. E num dia destes não vão emprestar mais um tostão, porque não tem por onde pagar uma dívida abissal como é esta que continuará a crescer todos os dias.

A única fórmula que permitiria recuperar a confiança dos credores seria a de cortar toda a despesa inútil, reduzindo as despesas dos gabinetes ao mínimo, eliminando todas as mordomias, copiando os bons hábitos nórdicos, em que os políticos andam no seu carro, de bicicleta ou de transportes públicos, acabando com tudo o que é ajuste direto, que é o mesmo que compadrio.

Os bancos vão equilibrar-se, os credores vão equilibrar os seus balanços com papel novo, mas num dia destes isso vai acabar e a bancarrota, que é o que se chama à insolvência dos países, é inevitável.

É que, para além do mais, o próprio PIB é gerado por um ciclo vicioso que assenta no referido compadrio.

Uma boa parte do PIB, que segundo o Eurostat é de 166 mil milhões de euros é resultante do orçamento que é de 177 mil milhões, o que significa que qualquer corte substancial do orçamento para reduzir a despesa implica uma redução do PIB. Se essa redução fosse para o valor dos impostos teríamos uma baixa do PIB de 166 mil milhões para 20 mil milhões, que é pouco mais de 10 por cento do dito. Ou seja: o PIB per capital baixaria, se reduzíssemos as despesas ao nível das receitas, para 1.874 € anuais, o que daria uma média de 156 € por mês, quando atualmente é de cerca de 15.700 €, segundo o Eurostat.

Mesmo que a receita dos impostos subisse para o dobro, o buraco continuaria a ser enorme.

E todas as políticas que vem sendo desenvolvidas para manter o emprego só acentuam a dívida.

A formação de desempregados para empregos que não existem serve apenas para manter o subemprego e para justificar as contratações de formadores que precisam de mercado, mas que são socialmente inúteis porque de nada vale o conhecimento se não puder ser aplicado.

Os milhões que se gastam em obras de reparação e recuperação de edifícios, muitos dos quais nem delas precisavam, servem o mesmo objetivo e têm a mesma consequência de agravamento do défice.

Os gastos brutais em consultorias, em investimentos informáticos desajustados ou inúteis, até em serviços quase gratuitos no mercado, pelos quais, porém se pagam milhões, como são os da internet e da banda larga, não produzem nenhum resultado em termos de produto e deixam ao estado uma margem de benefício tributário bem inferior ao que o estado gasta.

A subida dos impostos e dos encargos com a segurança social terá, como consequência natural, a fuga das pessoas e das empresas. Ninguém ficará em Portugal se puder trabalhar noutro país pagando impostos mais baixos.

O país não produz nem metade do que come e destruiu todo o aparelho que garantia a sua autonomia alimentar, tanto na agricultura como nas pescas. São precisos pelo menos dois anos para pôr a terra a produzir e é preciso capital para regressar ao mar.

O fantasma da fome está aí à esquina.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Assim vai o ensino

Tal  como o recebi no meu e_mail:
O FUTURO ESTÁ AÍ, PRÓXIMO, E, COM ESTE TIPO DE ESTUDANTES, PORTUGAL TEM UM FUTURO BASTANTE PROMISSOR...




As melhores frases dos piores alunos



*O Convento dos Capuchos foi construído no céculo 16 mas só no céculo 17 foi levado definitivamente para o alto do monte.*

(Claro! Com o peso demorou 100 anos para subir o monte !!!))



*A História divide-se em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais estudada hoje*

(A Futura é particularmente estudada pela "Maya" certamente)



*O metro é a décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre e para o cálculo dar certo arredondaram a Terra! *

(Ups! Até eu me vi atrapalhada para fazer o cálculo. Imaginação tem ele... vai ser matemático de certeza, Portugal precisa de matemáticos com imaginação)

.

*Quando o olho vê, não sabe o que está a ver, então ele amanda uma foto eléctrica para o cérebro que lhe explica o que está a ver.*

(Nada mal pensado. Somos uma máquina fotográfica em potência e em funcionamento contínuo)



*O nosso sangue divide-se em glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e até verdes! *

(Acho que faltam os Azuis!!Ah, mas esses com o apito dourado andam em fuga)



*Nas olimpíadas a competição é tanta que só cinco atletas chegam entre os dez primeiros.*

(Entende-se agora a prestação de Portugal nos jogos olimpicos!!!))



*O piloto que atravessa a barreira do som nem percebe, porque não ouve mais nada.*

(Claríssimo!! Se passou a barreira o som quando chega já ele passou, por isso não o ouve. Será?)



*O teste do carbono 14 permite-nos saber se antigamente alguém morreu.*

(Assim de momento acho que hoje em dia basta verificar se o coração parou ou se respira... quer dizer... digo eu... mas pelo sim pelo não que se faça o teste do carbono 14, se os gajos do CSI descobrem uiui)



*O pai de D. Pedro II era D. Pedro I, e de D. Pedro I era D. Pedro 0*

(E antes foi o Pedro -1, já agora)



*Em 2020 a caixa de previdência já não tem dinheiro para pagar aos reformados, graças à quantidade de velhos que não querem morrer.*

(São uns chatos os velhos! Se o Socras topa o "jogo" deles...)



*O verme conhecido como solitária é um molusco que mora no interior, mas que está muito sozinho.*

("Tadinho", espero que não tenha medo do escuro ou das trovoadas, não merece tanto sofrimento)



*Na segunda guerra mundial toda a Europa foi vítima da barbie!

(Queria dizer, decerto, barbárie! Ainda não existia os Morangos com Açucar... ai então é que seria lindo, não era a barbie que levava a melhor não!)



*O hipopótamo comanda o sistema digestivo e o hipotálamo é um bicho muito perigoso.*

(Nem sei que diga... se a protecção dos animais descobre estamos todos tramados)

*A Terra vira-se nela mesma, e esse difícil movimento chama-se arrotação.*

(não consigo encontrar melhor definição)



*Lenini e Stalone eram grandes figuras do comunismo na Rússia.*

(Exactamente, principalmente o Stalone)



*Uma tonelada pesa pelo menos 100Kg de chumbo.*

(Diabos me levem...!!!)



*A fundação do Titanic serve para mostrar a agressividade dos ice-bergs.*

(Claro, nem a experiência podia ter sido feita de maneira diferente; tinha de ser usado um dos animais mais agressivos que se conhece)



*Para fazer uma divisão basta multiplicar subtraindo.*

(Atenção, não tentem fazer isto em casa, pode ser perigoso. pelo menos complicado é! Pelo sim pelo não, peçam esclarecimentos ao futuro professor catedrático de análise matemática)



*A água tem uma cor inodora.*

(pois... eu também gosto muito dessa cor)



*O telescópio é um tubo que nos permite ver televisão de muito longe.*

(O tipo deve ser "espião" da vizinhança, sinceramente... já ninguém quer aderir ao MEO... anda tudo a "chular" os vizinhos)



*O sul foi posto debaixo do norte por ser mais cómodo.*

(Obviamente que sim. Tinha algum jeito o contrário, e aposto que foi um tolo que teve essa brilhante ideia)



*Os rios podem escolher desembocar no mar ou na montanha.*

(É isso! Ao nascerem podem escolher... viva a liberdade de escolha!)



*Os escravos dos romanos eram fabricados em África, mas não eram de boa qualidade.*

(Racista... só os fabricados na China é que são bons não?!)



*A baleia é um peixe mamífero encontrado em abundância nos nossos rios.*

(todos os dias me cruzo com baleias ao atravessar o rio, é tão giro)



*Newton foi um grande ginecologista e obstetra europeu que regulamentou a lei da gravidez e estudou os ciclos de Ogino-Knaus. *

(Não consigo ter palavras, nem quero pensar o que diria ele sobre a actual lei do aborto)



*Ao princípio os índios eram muito atrasados mas com o tempo foram-se sifilizando.*

(tal qual como quem escreveu, isto digo eu... cheia de esperança!!)



*A Terra é um dos planetas mais conhecidos e habitados do mundo.*

(questão para se perguntar... quantos planetas tem o mundo?)



*A Latitude é um circo que passa por o Equador, dos zero aos 90º.*

(os "circos" deste são mais pequenos que o habitual, mas está bem, é uma opinião a ser estudada!!)



*Caudal de um rio, é quando um rio vai andando e deixa um bocadinho para trás!*

(É claro. Caso contrário ficava vazio depois de passar. Deve ser uma forma de o encontrarem)



*Princípio de Arquimedes: qualquer corpo mergulhado na água, sai completamente molhado. *

(Aí,,, não há dúvida nenhuma, pois não?)

domingo, outubro 24, 2010

Uma fuga para a frente muito perigosa

Em Março de 2010, o eurodeputado David Campbell, do partido britânico Independence Party sustentava que a implosão da dívida pública dos chamados PIGS - Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha - poderia provocar o colapso do euro e criar uma crise sem precedentes na União Europeia e na Zona Euro.

Ninguém lhe deu importância, porque ninguém acreditou que a situação fosse tão grave. A propaganda de todos os países da EU era no sentido de que a Europa estava de boa saúde, cabendo a culpa de tudo aos americanos e às suas políticas de proteção das engenharias de subprime.

À medida que passou o tempo, todos fomos concluindo que as coisas não só não estavam tão boas como não eram tão claras como o revelava a imprensa económica.

Uma das mais importantes características da União Europeia – e sobretudo da União Monetária é a sua opacidade. Para chegar a essa conclusão basta visitar o site do Banco de Portugal, onde podem encontrar-se inúmeras explicações sobre o sistema estatístico sem que, porém, alguém tenha acesso ao mesmo.

Se a transparência existisse, provavelmente não teríamos assistido aos casos BPP e BPN que continuam mais cada vez se afiguram mais obscuros

O tipo de discurso adotado pelos agentes políticos e por representantes do setor financeiro denota uma grande preocupação de encontrar no parlamento a legitimação para a expansão da dívida pública, o mais rapidamente possível.

Mais importante do que a elevação da carga fiscal, que gerará uma receita adicional muito reduzida – e insuficiente, sequer, para tapar o buraco aberto no tesouro nacional com os apoios à banca e a assunção de responsabilidades relativamente ao BPN e ao BPP, todos os agentes se movem no sentido de criar condições para elevar a divida pública em mais de 75.000 milhões de euros.

O que seria razoável era parar, apurar e esclarecer o país acerca do montante efetivo da dívida pública e planificar o seu pagamento.

O que se pretende fazer é, ao invés, aumentar a dívida de forma brutal e absolutamente insustentável, adiando a resolução dos problemas e conduzindo o país a uma situação de falência inevitável.

O Estado assumiu a função do explorador capitalista que tem um protótipo definido nos velhos manuais da teoria marxista, como se pretendesse reciclar a teoria à l’envers.

É ele, hoje, o verdadeiro explorador da classe operária e do povo, agindo em defesa dos exclusivos interesses das suas clientelas partidárias e do sistema financeiro, que com ele se confunde.

Para isso – e para que o sistema não entre em rotura imediatamente – procura influenciar o funcionamento da economia de forma absolutamente insustentável, por via da despesa pública.

O desemprego aumentou vertiginosamente. E o Estado, em vez de criar condições para a criação de emprego, propõe-se gastar milhões de euros em formação profissional que, permitindo embora influenciar a estatística das qualificações, nenhuma repercussão tem na criação de riqueza, pela simples razão de que os formandos não encontrarão emprego e, por isso mesmo, estarão impedidos de produzir.

O que, por regra, deveria ser uma despesa de investimento é um mero subsidio, que nenhum resultado produzirá, para além do crescimento da dívida pública.

De outro lado, propõe-se o Estado desenvolver gigantescos planos de modernização das escolas e demais edifícios públicos, sem que o possa fazer com fundos decorrentes das receitas fiscais e recorrendo, mais uma vez ao endividamento.

A justificação para estas medidas é a de que é obrigação do Estado manter os níveis do emprego e da atividade económica. Mas isso é, no quadro atual, um enorme paradoxo, pois que tanto o emprego como a atividade económica em que redundam estas atividades são negativas, pela simples razão de que agravam o défice público.

O desplante vai ao ponto de se contabilizarem ações de formação por valores exorbitantes, quando muitas delas poderiam ser desenvolvidas por quadros que estão no desemprego e que, com um pequeno suplemento, se disporiam a prepará-las e a desenvolvê-las, em vez de suportar a ameaça de serem condenados a limpar as florestas.

Claro que essa solução não interessa aos titulares dos interesses envolvidos, a quem a crise oferece um negócio que é tanto mais interessante quanto é certo que ninguém os criticará pela qualidade da formação, uma vez que ela acabará por nunca ser testada na prática, porque não existem, nem se perspetivam no curto prazo os empregos a que se destinariam os formandos.

Quanto às obras, o que temos visto é que, para além de serem adjudicadas, em boa parte, por ajuste direto, têm, por regra, orçamentos de valores bem superiores aos correntes no mercado, como se em todas estivesse prevista uma comissão para quem as encomendou ou como se a simples formulação das encomendas fosse coisa tão trabalhosa que justificasse reduzir tal trabalho por via dos aumentos de preço, pois que quanto maior é o preço mas rapidamente se esgota a verba.

O que a atual situação portuguesa justificava é que se reduzissem todas as despesas inúteis, de forma a que a economia pudesse ganhar no curto prazo vantagens competitivas.

E o que se vai fazer é precisamente o contrário. A carga fiscal vai ser de tal ordem que uma boa parte dos nossos quadros ameaça deslocar-se para o estrangeiro e as empresa vocacionadas para a exportação chegarão a breve prazo à conclusão de que tanto o quadro fiscal como os riscos de perturbação social justificam a deslocalização para outros países.

Mesmo que o governo conceda benefícios fiscais ao investimento é prudente para os investidores moldar os seus projetos em termos que lhes permitam abandonar o país quando cessarem os apoios, porque os números atualmente conhecidos não permitem extrair nenhuma conclusão relativamente à inversão do ritmo de endividamento e ao progressivo agravamento da carga fiscal, até que se chegue a um ponto insustentável de rotura.

A falta de liquidez e a dificuldade de encontrar financiamentos no mercado internacional assumiu uma natureza crónica e pode ter consequências dramáticas.

Se é certo que no atual momento ainda poderia encarar-se a hipótese de despedimentos apoiados no setor público, o adiamento de medidas nessa área pode conduzir a que, dentro de pouco tempo, eles tenham que ser processados sem qualquer compensação, por inexistência de recursos, lançando o país numa situação de insustentável turbulência.

E tudo isto se vai desenvolvendo sem que se incentive a população a criar quadros de independência alimentar. Bem pelo contrário, o que o governo português projeta, como último recurso, num quadro algo sinistro – tão sinistro que pode acabar numa guerra – é o confisco das propriedades rurais, quiçá para as vender a empresas de países mais desenvolvidos.

A proposta de re-estruturação fundiária contida na proposta de lei do orçamento do Estado não é mais do que um projeto de confisco das terras que foram abandonadas pelos pequenos agricultores, cuja agricultura foi destruída pelas políticas dos sucessivos governos, a começar pelas do Dr. Cavaco Silva, mais apostados em criar circuitos de distribuição assentes nas grandes superfícies do que em manter a qualidade de vida das populações rurais, que colocaram em situação de completa miséria.

Este quadro não é apenas um quadro português. Com algumas diferenças, ele afeta todos os PIGS, a benefício de uma política agrícola que apenas favorece os interesses franco-alemães.

Parece-nos que esta fuga para a frente, em vez de se encarar a realidade com verdade e com frieza, pode ser muito perigosa, especialmente se não se tomaram iniciativas que permitam a geração de riqueza, seja por via do desenvolvimento de um quadro de autossubsistência alimentar, indispensável em quadros de falta de recursos para pagamento das importações ao estrangeiro, seja por via do comércio de intermediação, para o qual Portugal tem especiais competências, se incrementar as suas relações com os países emergentes e não tiver medo de se transformar na porta privilegiada para a entrada de produtos brasileiros, chineses e indianos na Europa.

Se todos os PIGS não desenvolverem esforços semelhantes e se os países mais desenvolvidos não os tomarem em consideração, se continuar, na falta de alternativa a crescer a dívida pública, todos podemos ir ao fundo. Mas talvez aí se cumpra a profecia de David Campbell e também se afunde o euro, com um lote de bancos que, apostados no negócio da divida, serão arrastados por ela.

sábado, outubro 23, 2010

Um retrato do País que me caiu no correio

REFORMADOS ACTIVOS - SOMOS OS MELHORES



Ao menos num capítulo ninguém nos bate, seja na Europa, nas Américas ou na Oceânia: nas políticas sociais de integração e valorização dos reformados.
 Nos últimos tempos, quase não passa dia sem que haja notíciasanimadoras a este respeito. E nós que não sabíamos!

Ora vejamos:
* O nosso Presidente da República é um reformado;
* o nosso candidato a Presidente da República é um reformado;
* o nosso ministro das Finanças é um reformado;
* o nosso anterior ministro das Finanças já era um reformado;
* o ex-Ministro das Finanças Ernâni Lopes que propõe que se cortem os vencimentos dos Funcionários Públicos em 25 % é Reformado da CGD desde os 47 anos de idade!
* o ministro das Obras Públicas é um reformado;
* gestores activíssimos como o ex-ministro Mira Amaral são reformados;
* o novo presidente da Galp, Murteira Nabo, é um reformado;
* entre os autarcas, "centenas, se não milhares" de reformados - garantiu-o o presidente da ANMP
* o presidente do Governo Regional da Madeira é um reformado .

E assim por diante...
Digam lá qual é o país da Europa que dá tanto e tão bom emprego a reformados?

quinta-feira, outubro 21, 2010

Extinguiu-se a raça dos buiças

A sorte da nossa classe política reside, essencialmente, no facto de se ter extinto a raça dos buiças.


Manuel Buíça, filho do reverendo Abílio da Silva Buíça, pároco de Vinhais e de Maria Barroso cumpriu, seguramente, um projeto de deus, ao assassinar D. Carlos e o príncipe real D. Luis Filipe, em 1 de Fevereiro de 1908.

Tinha duas crianças, Elvira e Manuel, que, à data do regicídio, eram menores de sete anos e quatro meses, respetivamente.

Manuel Buiça foi 2º sargento no regimento de cavalaria de Bragança e ganhou mérito por se revelar um excelente mestre de armas, que ganhou em pouco tempo a medalha de atirador de 1ª classe, atribuída sem favor, como se viu com a demonstração a vivos e a mortos, acertando em D. Carlos e D. Luis Filipe a 8 metros de distância.

Demitido do exército, transformou-se em professor do ensino livre, lecionando no Colégio Nacional, lições particulares de música e de francês.

Na madrugada daquele dia 1 de Fevereiro, Manuel Buíça reuniu-se com Alfredo Costa e outros companheiros, todos da Carbonária, na Quinta do Xexé. Nesse dia, almoçou com Alfredo Costa e outros três carbonários no Café Gelo, no Rossio.

Depois do almoço, foi buscar a Winchester modelo 1907, com o n.º de série 2137, importada da Alemanha por Heitor Ferreira, e colocou-se atrás de uma árvore, frente ao Ministério do Reino, no Terreiro do Paço, enquanto Alfredo Costa, , Fabrício de Lemos e Ximenes se colocavam discretamente debaixo das arcadas, junto ao Martinho.

Ás 5 e 20 da tarde, Manuel Buiça avançou para o meio do Terreiro do Paço e a a oito ou dez metros de distância do landau real, pôs a carabina na cara e um joelho no chão, abrindo fogo sobre o rei, que atingiu no pescoço, partindo-lhe a coluna vertebral.

O segundo tiro foi para o príncipe, mas falhou. Deu mais dois e ao quarto atingiu D. Luis em cheio, com um tiro que lhe entrou na face esquerda e lhe saiu pela nuca.

Buiça morreu pouco depois às mãos do tenente Francisco Figueira, mas tudo indica que morreu feliz.

No dia 28 de Janeiro de 2008, Manuel Buiça escreveu este discreto testamento:

«Manuel dos Reis da Silva Buiça, viúvo, filho de Augusto da Silva Buiça e de Maria Barroso, residente em Vinhaes, concelho de Vinhaes, districto de Bragança. Sou natural de Bouçoais, concelho de Valpassos, districto de Vila Real (Traz-os-Montes), fui casado com D. Herminia Augusta da Silva Buíça, filha do major de cavalaria (reformado) e de D.Maria de Jesus Costa. O major chama-se João Augusto da Costa, viuvo. Ficaram-me de minha mulher dois filhos, a saber: Elvira, que nasceu a 19 de dezembro de 1900, na rua de Santa Marta, número… rez do chão e que não está ainda baptisada nem registada civilmente e Manuel que nasceu a 12 de setembro de 1907 nas Escadinhas da Mouraria, número quatro, quarto andar, esquerdo e foi registado na administração do primeiro bairro de Lisboa, no dia onze de outubro do anno acima referido. Foram testemunhas do acto Albano José Correia, casado, empregado no comércio e Aquilino Ribeiro, solteiro, publicista. Ambos os meus filhos vivem commigo e com a avó materna nas Escadinhas da Mouraria, 4, 4o andar, esquerdo. Minha família vive em Vinhaes para onde se deve participar a minha morte ou o meu desapparecimento, caso se dêem. Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos princípios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos. Lisboa, 28 de janeiro de 1908. Manuel dos Reis da Silva Buiça. Reconhece a minha assignatura o tabelião Motta, rua do Crucifixo, Lisboa".

Ele sabia que ia morrer. Claramente que o sabia.

Uma das principais motivações do ódio que o moveu – e quem diz que o ódio não é um sentimento nobre – foi a dos adiantamentos à casa real, de que Afonso Costa já tinha falado no célebre discurso de 20 de Novembro de 1906:

«As consequências desses costumes, que o Sr. Ministro não quis denunciar-nos como devia, são no entanto bem frisantes e dolorosas, e definem-se em duas palavras: uma dívida pública de perto de 800.000.000$000 réis; uma dívida flutuante que vai até 72.000.000$000 réis; impostos que têm sempre aumentado, até quase quintuplicarem, de 1852 para cá; e, por outro lado, o País sem instrução, nem exército, nem defesa das costas, e fronteiras, nem marinha, nem, auxílio aos operários, nem nada do que se pede e precisa, porque nem sequer temos estradas, já que as existentes, que nos custaram dezenas de milhares de contos de réis, destruiu-as a triste iniciativa e casmurrice do Sr. João Franco num dos seus Ministérios anteriores, não consentindo nas reparações necessárias, e inutilizando assim um importante capital nacional que, pelo contrário, era mister valorizar e aumentar.»

Por muito menos crimes do que os cometidos por D. Carlos I, rolou no cadafalso, em Franca, a cabeça de Luís XVI! – concluiu Afonso Costa, antes de lhe ter sido retirada a palavra.

Peço ordem. Ou o Sr. Dr. Afonso Costa retira as últimas expressões empregadas, ou terá de lhe ser aplicado o Regimento.

E Afonso Costa respondeu: Por muito menos rolou no cadafalso a cabeça de, Luís XVI.

Em 2001, discursava assim o ministro das Finanças, Oliveira Martins:

«Deixem-me que comece por esclarecer um equívoco que parece persistir. E esse equívoco tem a ver com o facto de se esquecer, por vezes, que estamos a cumprir novos objetivos quanto ao défice orçamental. Com efeito, devemos definir com cuidado os termos exatos que caracterizam o momento presente. Todos temos consciência de que estamos no ano de 2001 a realizar algo que há menos de uma década pareceria impossível - e que muitos têm sistematicamente esquecido. Ao propormo-nos atingir um défice orçamental de 1,1% do PIB no Setor Público Administrativo vamos alcançar o valor mais baixo do défice público dos últimos 27 anos. Trata-se de um esforço inédito que obriga a redobrar o rigor e a exigência - cumprindo-se o Programa de Estabilidade e Crescimento, numa lógica consistente e de médio prazo. Nunca este valor foi atingido em democracia e na nossa história financeira apenas foi alcançado nos primeiros exercícios da Primeira República com o Prof. Afonso Costa e depois de 1928 durante a ditadura financeira do Prof. Oliveira Salazar. Em nenhum dos casos anteriores havia economia aberta. Em nenhum dos exemplos anteriores havia um parlamento plural, ainda por cima sem maioria absoluta do Governo, em nenhum dos exemplos havia poder local descentralizado e democrático, finanças regionais, políticas sociais ativas e um sistema de segurança social financeiramente equilibrado. Eis donde temos de partir para que não se façam retratos catastróficos ou idílicos de um país imaginário ou de circunstâncias que não existem.

Estamos, assim, numa conjuntura inédita - que não se pode ou deve comparar com o ciclo imediatamente anterior, no qual não existiam os constrangimentos orçamentais ditados por objetivos que visam garantir um maior equilíbrio entre a iniciativa pública e a iniciativa privada, e apontam para que a despesa pública deva crescer a um ritmo inferior ao do crescimento do produto interno.»

Parecia o fim do regabofe mas as palavras foram levadas pelo vento. O tempo voltou a cheirar a regicídio, mas felizmente para os que estão no lugar do rei que não já não há buíças. Comparando os valores, seriam precisos 300, 400 ou 500, porque em vez de uma família real há milhares de famílias com os mesmos vícios que sugam o sangue do país, no mesmo estilo em que o faziam os príncipes.

Mas, felizmente para eles, também não há afonsos costas, como se numa reciclagem da história, monárquicos e republicanos se tivessem unido sob o mesmo desígnio de esconder ao país a verdadeira realidade da situação financeira.

Não há um partido, não há um político que diga ao país coisas tão claras e inequívocas como esta coisa simples que consiste em o orçamento do estado se destinar apenas a pedir novos empréstimos, que nem sequer são de dinheiro, são apenas de lançamentos contabilísticos, porque Portugal está literalmente falido.

Ninguém tem a coragem de dizer quanto se deve e muito menos como se vai pagar. Nem de confessar a evidência que consiste em reconhecer que o novo orçamento não serve para nada para além de aumentar a dívida de forma estrondosa, como quem aceita uma letra, sem saber como a vai pagar.

Se isto fosse há 100 anos talvez houvesse uma multidão de buiças para resolver o problema. Mas os tempos mudaram…

terça-feira, outubro 19, 2010

Um Orçamento que agrava a crise... e é perigoso


Uma primeira leitura da proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2011 permite extrair imediatas conclusões sobre o que nos espera no próximo.
A já baixa competitividade das empresas portuguesas – que contribuem para a receita do Estado com apenas 8.000 milhões de euros de IRC, contra 12.800 milhões de IRS – será violentamente abalada com o novo regime da tributação das prestações de serviços, pois que, naturalmente, os prestadores (a recibos verdes) serão forçados a repercutir a elevadíssima taxa da prestação para a segurança social (29,5%) a que ficam obrigados a partir de Janeiro, taxa à qual acrescem mais 5% devidos por quem adquire os serviços.
Com este quadro, a única saída de muitos prestadores de serviços será a de engrossar os fluxos da emigração, que serão cada vez mais fortes.
Emigração é, também, o caminho natural dos empregados mais qualificados, para quem, para além do enorme crescimento da carga fiscal, contará mais o acentuado risco de desemprego que a economia portuguesa comporta.
Embora com medidas muito duras no que se refere à tributação dos rendimentos do trabalho, o Orçamento não resolverá a questão essencial do país, que é da divida pública, que continuará a crescer, de forma irreversível.
Os números da divida são astronómicos, fixando-se, como ponto de partida, em 123.000 milhões de euros, com uma perspetiva de endividamento adicional, em 2011, de mais de 74 mil milhões de euros, o que projetará a dívida pública para mais de 197 mil milhões de euros.
Efetivamente, numa análise sumária da proposta de orçamento constata-se que o endividamento global direto pode crescer, se for aprovada a proposta, 11,573 mil milhões de euros (artº 82º da Proposta). Para além disso, o governo pretende autorização para emissão de dívida flutuante até 25 mil milhões de euros e pretende emitir garantias até ao limite de 21,181 milhões de euro e aumentar o endividamento global direto em 9,146 mil milhões de euros.
A concessão de garantias a pessoas coletivas de direito público pode ir até 7,2 mil milhões de euros.
A despesa prevista no orçamento de 2011 é de 177,812 mil milhões de euros, o que significa que, pela primeira vez, a dívida pública acumulada no fim do exercício será superior ao valor do orçamento anual.Tudo isto acontece num país em que as previsões dos impostos sobre o rendimento, mesmo com o agravamento acima referido não ultrapassam os 20,800 mil milhões de euros, ou seja cerca de 11% da despesa.
Os números da despesa são absolutamente escandalosos, mostrando que as entidades públicas continuam dispostas a viver acima das possibilidades do país.
A Presidência da República tem um orçamento de mais de 16 milhões de euros, o que é inaceitável como custo de um cargo individual, num pequeno país como o nosso.
A Assembleia da República tem um orçamento de quase 100 milhões de euros, o que tampouco se justifica, pelo menos numa situação como esta em que o País se encontra.
Os gabinetes dos ministros da República nos Açores e na Madeira, tem orçamentos de, respetivamente, 351 milhões e 250 milhões, quando a verdade é que estes gabinetes deveriam ser extintos, porque, pura e simplesmente, nada os justifica.
Depois, o Conselho Económico e Social, que deveria ser suportado pela sociedade civil, custa ao erário público 1,5 milhões, que também deveriam ser cortados.
Tampouco se justifica que o Conselho Superior da Magistratura tenha um orçamento de 3,7 milhões de euros, quando é certo que a maioria dos seus membros ocupa outros postos e que o seu trabalho é transversal à atuação dos magistrados nos tribunais.
O Tribunal Constitucional, que é caríssimo, tem uma verba de mais de 5 milhões de euros.
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social tem um orçamento de quase 5 milhões de euros e o Provedor de Justiça mais de 5 milhões.
Depois temos o ACIDI – Alto Comissariado para as Minorias Étnicas e Diálogo Intercultural - uma entidade que não faz nenhum sentido, porque a imigração acabou e os imigrantes estão perfeitamente integrados, que consome mais de 15 milhões e o Instituto do Desporto de Portugal que gasta quase 76 milhões.
A Autoridade para a Proteção Civil – num país sem catástrofes – consome mais de 133 milhões de euros.
Escandaloso é que, para além de 11 milhões para os gabinetes dos membros do Governo dependentes da Presidência do Conselho de Ministros, só os serviços de coordenação e os órgãos consultivos do primeiro ministro gastem 194 milhões de euros.
Excessiva, demasiado excessiva, é também a despesa prevista para «serviços gerais de apoio, estudos, coordenação e representação» do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Mais de 208 milhões de euros, uma barbaridade para uma diplomacia discreta como é a nossa.
No Ministério das Finanças, para além de mais de 123 mil milhões para «gestão dívida e da tesouraria pública» temos uma verba de quase 14 mil milhões para «despesas excecionais.
Na justiça os números não são menos chocantes e o ideal é que se reduzissem ao mínimo, para que não tenham dinheiro para fazer mais asneiras. Serão 61 milhões para «serviços gerais de apoio, estudo, coordenação controlo e cooperação».
São inúmeras as entidades inúteis e improdutivas, que consomem, todas elas, milhões e milhões de euros.
Dissecando as verbas dos diversos serviços e organismos chega-se à conclusão de que têm um peso específico elevado as obras de recuperação e remodelação de imóveis e os investimentos em informática, todos com verbas astronómicas.
A experiência – e a análise da base de dados dos contratos públicos – tem-nos mostrado que esse é o campo privilegiado dos boys e dos amigos, que conseguem ajustes diretos por quantias exorbitantes.
A marca essencial da execução orçamental dos últimos anos é a do desperdício e da falta de transparência dos contratos e das operações realizadas.
Eis alguns exemplos:
Foi adjudicada à sociedade SOFTLIMITS, por ajuste direto, a «instalação do serviços de assistência consular em 30 consulados» por mais de 627 mil euros. À mesma sociedade foi adjudicado um sistema de «corporate TV» por mais de 756 mil euros, também por administração direta.
A mesma entidade gastou com os Prémios Talento de 2010 a módica quantia de 60.520 €, só no que se refere à cerimónia.
A tradução do Portal das Comunidades Portuguesas (que não conseguimos encontrar) custou a módica quantia de 46.500 euros, o que é uma barbaridade, atento o reduzido número de textos em língua estrangeira.
Ainda no Ministério dos Negócios Estrangeiros podemos ver a aquisição de 5 routers Cisco 1841 por 11.497,60 € quando o valor de cada um não ultrapassa os 586 dólares.
A pesquisa dos ajustes diretos do Ministério dos Negócios Estrangeiros fornece-nos uma ideia clara de despesismo, que marca, aliás, toda a administração pública.
O mesmo se verifica no Ministério da Justiça onde se gastaram quase 60.000 euros para a produção de um livro, se gastaram 60.000 euros para «auditoria aos sites do Ministério» , ou se pagaram 70.092,00 euros para um livro de propaganda sobre a justiça.
A propaganda do Ministério da Justiça tem custado fortunas, tudo em contratos com preços muito superiores aos correntes no mercado.
Alguns exemplos:
- Filme sobre os serviços online – 64.750 €
- Divulgação de «boas práticas» - 23.126 €
- Xekes cinema – 23.546 €
- Clipping da imprensa – 15.000 €
- Livro Para Além das Prisões – 19.860 €
- Manual de redução de custos – 22.960 €
- Conceção do Manual de redução de custos – 13.450 €
- Pré-impressão, impressão e acabamento do Manuel de redução de custos – 19.860 €
- Criação de Identidade para o Programa de Modernização das Infra-Estruturas Judiciais – 16.500 €
- Conceção de grafismo de um livro – 9.090 €
- Portal Web – 69.710 €
Se analisarmos as aquisições de serviços na área da informática é de pôr as mãos na cabeça, tanto no que toca aos valores como à sobreposição de entidades atuando nas mesmas áreas, o que, por si só, desmonta a ideia de que haveria um instituto (o ITIJ) que teria por função coordenar todas as operações informáticas.
A ideia que nos fica da leitura paralela da proposta do Orçamento do Estado e das adjudicações diretas publicadas no base.gov é a de que este governo assenta a sua conceção de desenvolvimento no despesismo e no endividamento.
Afinal, se não houver despesismo não há produto et pour cause não há impostos. E para que haja impostos é importante que o despesismo seja o mais elevado possível, porque quanto mais elevado for maior é o lucro tributável e maior é a margem do défice orçamental, erradamente definida em função do produto.
Com o peso que a despesa pública tem no PIB, esta realidade constitui, sem dúvida, um valiosíssimo contributo para a reiterada falta de produtividade dos portugueses.
Uma palavra especial merecem as previsões relativas à formação profissional.
Estamos, literalmente, perante outra irracionalidade económica, pela simples razão de que a realidade nos tem demonstrado que a formação serve apenas para iludir as estatísticas e para alimentar um conjunto de operadores parasitários, que cobram os seus serviços por valores exorbitantes, sem que com isso contribuam minimamente para o desenvolvimento.
É óbvio que, para além de interessar aos políticos, cujas clientelas sofrerão com uma adequada política de saneamento financeiro – que necessariamente passa pelo fim do despesismo – o agravamento da dívida interessa especialmente às entidades financeiras.
O clássico poder de emissão de moeda – que todos aprendemos ser um atributo da soberania – perdeu-se a favor de um sistema monetário que assenta na criação de dinheiro por via escritural e em sucessivas operações de anatocismo, adequadas ao aumento da divida por via do aumento da base de cálculo dos juros.
Paradoxalmente, o Banco Central Europeu não empresta dinheiro aos Estados, emprestando-o às instituições financeiras, a taxa zero, que depois o reempresta com spreads que já ultrapassaram os 6% no caso português.
Se a taxa de juro da dívida soberana portuguesa se fixar na casa dos 6%, as instituições financeiras vão ganhar no próximo ano coma divida pública portuguesa qualquer cerca de 12 mil milhões de euros, o que é uma barbaridade.
Quanto maior for a dívida maior é o lucro das instituições financeiras, mas também maior é o PIB, para o qual conta a produção da indústria financeira nacional, embora tal parcela não só seja irrelevante em termos de desenvolvimento (posto que não conta para a tributação) como seja até prejudicial, porque arruína o nosso futuro coletivo.
Se adicionarmos a isto os mais recentes fenómenos do mercado de câmbios, o quadro é desastroso.
Começa, com efeito, a haver indícios de que moedas como o dólar baixam a sua cotação quando as dívidas soberanas vão aos mercados procurando dólares para converter em euros mas sobem nos momentos em que está projetada a liquidação dos empréstimos.
Significa isso que «compramos» muito mais dólares com menos euros quando o dólar está baixo mas que pagaremos muito mais euros quando, no momento da liquidação dos empréstimos tivermos que comprar dólares para tais pagamentos.
Por tudo isto é extremamente arriscado prosseguir o endividamento.
Como já dizia Afonso Costa – depois plagiado por Salazar – a solução é produzir e poupar.
Mas só é possível produzir se não houver fome e se, no mínimo, tivermos dinheiro para a eletricidade.
Com este Orçamento, a considerar a experiência recente dos PEC’s voltaremos a PECar no princípio do ano e afundaremos o país irremediavelmente, porque o quadro traçado é insustentável.


Ver texto com links