terça-feira, janeiro 18, 2005

Mário Soares sempre activo...

Mário Soares continua super-activo. Isto vem na VEJA e é interessante para ler e arquivar.

No mês passado, o líder socialista português Mário Soares completou 80 anos e anunciou sua aposentadoria. Em 62 anos de carreira política, Soares liderou a Revolução dos Cravos, foi presidente duas vezes e primeiro-ministro outras três. De Lisboa, ele conversou com a repórter Camila Antunes sobre política e seus amigos brasileiros

O QUE O SENHOR PRETENDE FAZER NA SUA APOSENTADORIA?
Apenas me retirei da política. Não quero mais cargo público nem participar do partido. Mas vou dar opinião, escrever artigos e aconselhar políticos.

COMO O SENHOR COMPARA OS POLÍTICOS DE HOJE COM OS DE SUA GERAÇÃO?
Minha geração foi presa, exilada e resistiu à ditadura. Eu mesmo fui preso doze vezes. Os novos não são melhores nem piores, mas dão muita importância ao marketing, à imagem e à televisão.

COMO ESTÁ PORTUGAL?
Temos um problema financeiro. Vivemos acima do que podemos pelos critérios da União Européia. O déficit fiscal máximo é de 3% do PIB. O nosso supera 5%. O poder econômico contagiou a política. Os crimes de colarinho branco e o tráfico de influência aumentaram. A corrupção não era habitual.

COMO ISSO SE REFLETE NO DIA-A-DIA?
O desemprego sobe em flecha. Os países, como as pessoas, têm bons e maus momentos. Em Portugal, diz-se: "Atrás de tempo, tempo vem".

PORTUGAL PODE AJUDAR O BRASIL NAS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS COM A EUROPA?
O Brasil não precisa de intermediários. Já para Portugal, a proximidade com o Brasil é estratégica. A união da América Latina com a Europa poderá nos deixar mais à vontade para enfrentar os Estados Unidos, que, às vezes, são um bocado exorbitantes e incômodos.

O QUE O SENHOR PODERIA DIZER SOBRE OS PRESIDENTES BRASILEIROS QUE CONHECEU?
Salvo erro, foram dez. O primeiro foi Jânio Quadros. Conheci Juscelino Kubitschek em seu exílio em Lisboa e Ernesto Geisel numa visita oficial que fiz ao Brasil. Ele presidia a ditadura militar. Eu dirigia um governo de esquerda. Pudemos entender-nos, não obstante o que nos separava. Conheci mal João Figueiredo, mas contribuí para abortar uma vaia que lhe estava sendo preparada em Lisboa pelos deputados portugueses. Não fiz isso por ele, mas pelo Brasil. Tancredo Neves era encantador e arguto. Oferecemos-lhe um jantar na véspera de sua posse. Faltou, disseram, por um "ligeiro incômodo de saúde". Sou amigo de José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique, com quem escrevi um livro. Collor era uma personalidade errática, mas com incontestável charme. Lula é uma referência para a esquerda.

LULA JÁ PODE SER COMPARADO A OUTROS LÍDERES DA ESQUERDA, COMO O INGLÊS TONY BLAIR E O ALEMÃO GERARD SCHRÖEDER?
Blair e Schröeder se deixaram influenciar em excesso pelo neoliberalismo. Sou muito crítico de Blair, porque ele assumiu posição frontal no caso da guerra contra o Iraque. Lula está introduzindo as políticas sociais necessárias e possíveis. É um grande presidente.

O SENHOR VISITA O BRASIL COM FREQÜÊNCIA. O QUE MAIS O ATRAI NO PAÍS?
O que eu gosto mais de tudo é a feijoada. Também dos sucos, da paisagem, da gente, da alegria, das novelas. Devia ser mesmo brasileiro. Fui ao Brasil pela primeira vez aos 40 anos. Se tivesse ido aos 20 anos, teria ficado.

domingo, janeiro 16, 2005

Curiosidades

Interessante o que nos diz Abtavares, de Brampton (Canadá):

«Apenas para repor a verdade dos neologismos cunhados em derredor dos padecimentos da vida "emigramada". O Prof. Onésmimo é de facto o autor da expressão "L(USA)LÂNDIA, que tal como o Snr. Moura afirmou é o título de um livro de crónicas sobre o quotidiano da vida dos luso-americamos em torno do almejado dólar. Creio que foi José Brites quem cunhou o termo "emigramar", poema que consta de um seu livro de poesia. Entendo que fui eu a cunhar o termo
"emigrandar e "emigrandando", presumindo que não tenha havido criação em paralelo e em simiultâneo pela dita "Emigrolândia" cujo autor desconheço.»

Recado ao Casimiro

Sobre a mesma matéria escreveu o Casimiro:

«Sr Manuel Carrelo, "Eleições históricas" porquê?
Só porque novamente, o sistema politico português, novamente rouba todos os lugares de deputadoa que a Diáspora tinha direito? Há histórico, porque agora os dois maiores partidos inovaram, colocando nomes, que se propuseram / aceitaram servir de Espantalhos / Palhaços, para enganar os Emigrantes. Sr Carrelo, de Lisboa, esperava tudo, agora dos Senhores Melo e Carrelo, nunca pensei, aceitassem, tanta paspalhice de vossa parte, a troco de quê? de humilhar mais a Diáspora, vocês se propuseram a isso? Haja decencia meus Senhores!...
Casimiro»
Ainda bem que o Melo e o Carrelo aceitaram. Assim (deixem-me escolher as palavras) as listas são melhores do que seriam sem eles.
As outras questões têm que se discutir depois das eleições. Agora estamos perante factos consumados: ou os eleitores lhes dão força (ao Melo e ao Carrelo...) ou ajudam a eleger os outros.
Isto é que é tão evidente que não tem discussão. A política tem destas coisas...
Perder uma batalha não é perder a guerra...

O apelo de Manuel Carrelo

Manuel Carrelo, que sei ser um homem sério e sensato, lança-me um apelo, que não posso deixar de responder de imediato:
«Um apelo ao Dr. Miguel Reis pela admiração que me suscita, a sua frontalidade e saber e também pela influencia que os seus bons créditos podem exercer.
Que o fim de semana de reflexão e dialogo com o íntimo, o coloque no caminho da reconciliação com o voto no Partido Socialista, para de uma vez por todas se fragilizar uma direita revanchista e fascizante.
Nunca me passou pela cabeça comprometer-me, com o Partido Socialista, que é sempre um compromisso, como é obvio, mas que para mim, significa acima de tudo, um compromisso com a comunidade. E por outro lado não hipotequei a minha independência político/ ideológica.
Assumo-me como um homem de esquerda, sem identidade partidária. E sabendo como sei que este PS é o mais a direita da história do partido, pode, o meu compromisso, parecer um paradoxo, mas creio não o ser.
E a explicação é simples: Se o Partido Socialista varrer nestas eleições, que exigem a união de todos os democratas, e que podem ser históricas, como espero, essa direita revanchista, então diremos que sendo o PS o partido mais a direita do poder significara sempre, uma viragem do poder a esquerda.
Acredito na sorte que estas eleições históricas, vão ditar e importa aqui enfatizar, históricas, porque podem ser mesmo o reduzir a expressão mais simples essa mesma direita, uma vez que não se antevê um líder forte na área do PSD, nos próximos anos, desvanecido que foi o mito Santana Lopes, e por outro lado um PS mais acessível aos homens mais sérios desta formação política, remetendo para P. Portas a responsabilidade de liderar a boa imagem de Le Pen, as forças políticas mais conservadoras, mas pouco expressivas, portuguesas. Se este cenário, que urge na vida política portuguesa, não sair vitorioso, por diferenças mínimas, tempos virão, muito difíceis, para Portugal e os portugueses. Assim vamos todos lutar para que o PARTIDO SOCIALISTA, possa governar em maioria absoluta, na próxima legislatura. Para mim ALEA JACTA EST.»
E aqui fica a resposta...
Esteja descansado que eu vou votar no PS e apelar a toda a gente que está na nossa área política para votar no PS.
Mas há coisas que temos que discutir depois das eleições e relativamente às quais terremos que exigir responsabilidade política a quem for responsável.
No que respeita às eleições do dia 20 de Fevereiro é preciso não pensar que são favas contadas e que o pessoal engole tudo o que lhe queiram enfiar na boca. Penso que, feitos alguns erros, ainda é tempo de devitar alguns danos que são previsiveis se continuarem a humilhar-se as pessoas.
Espero que o meu amigo tenha um bom resultado no circulo Fora da Europa. Espero que o PS ganhe...
Considero que é melhor votar no PS do que votar em branco... Mas não posso deixar de respeitar os companheiros que não têm capacidade para ultrapassar a humilhação de que foram alvo.
Por isso me parece que é preciso acabar com os jogos de força e ter bom senso. Dar um salto em frente, assumir compromissos com arrojo, ganhar a confiança dessa gente.
Não vamos lá com meias tintas, tratando o Cesário como companheiro de jornada em vez de o considerar como adversário principal. A não ser que esteja já planificado que ele deve ganhar...
Do que conheço da emigração fora da Europa - e especialmente no Brasil - ou os candidatos tomam uma posição frontal contra o Cesário, assumindo, nomeadamente o compromisso de repor o Consulado no centro da cidade e de forçar a nomeação de um cônsul que volte a abrir as portas e respeite a comunidade portuguesa, ou vamos apanhar uma enorme banhada.
O que sei é que os nossos camaradas de S. Paulo apresentaram uma plataforma aos candidatos e ainda não receberam qualquer resposta ou qualquer manifestação de vontade de assumir os compromisso nela contidos.
E o tempo passa...

Obrigado Sr. José Martins... pelo esclarecimento

O Sr. José Martins escreveu no PortugalClub este post de resposta às minhas observações, que deixo reproduzido na íntegra:

REPOSTA AO SR: MIGUEL REIS
«Irritado como os cães? Irritado como um "podengo e vira-latas" esteve o Sr. Miguel Reis que insere "mato" num blogo (montureira) a circular, sem primeiro verificar se este serve ou não para fertilizar. Não sei quem é (interessado tão-pouco o desejo de o conhecer), mas deve ser, creio, um "rapazola" que deve andar por aí aos "caídos" e a polir cadeiras dos cafés, armado em prosador/crítico e que tudo que apanha "rasca ou bom" lhe serve para dar largas aos seus instintos maldizentes. No passado dia 8 de Janeiro fiz 70 anos e não são as fotos ou a sua "cochina" prosa que inseriu, no blogo, que afecta a minha dignidade de HOMEM e de cidadão português emigrante há 43 anos que tenho procurado, no estrangeiro, elevar o meu país que é Portugal. Que vergaste quando tiver a certeza que está a vergastar no lombo certo porque do contrário a vergastada lhe virá de volta!
Jose Martins»
Só temos que lhe agradecer pela clarificação que trouxe.
Isto é a resposta possível às dúvidas que suscitei relativamente à assistência aos portugueses no aeroporto de Banguecoque.
Sobre a matéria nada disse, como aqui se vê.
Ficamos a saber que um funcionário da nossa embaixada - a fazer fé no que me disse o Casimiro - escreve coisas destas, o que clarifica a qualidade da nossa representação em Banguecoque. Mais uma razão para eu continuar a defender que essa embaixada deve ser encerrada. Em vez de vender imóveis que lhe fazem falta, pode o Estado vender o excelente edificio, reservando a poupança que faz e a receita que obtém para abrir representações onde elas, efectivamente fazem falta.
Dou de barato os insultos, porque eles não me atingem. Não insulta quem quem... Só insulta quem pode.
Afinal, o Sr. Martins tem um jeito especial para se insultar a ele próprio.
Se quiser continuar a enterrar-se... enterre-se. Com 70 anos deveria ter mais respeito por si próprio.

Os mais insatisfeitos

Os portugueses eram, em finais de 2003, os cidadãos da Europa mais insatisfeitos com a vida que levam.
O relatório passou despercebido na media. Pode ler-se em http://europa.eu.int/comm/public_opinion/archives/eb/eb60/eb60.1_portugal.pdf

Cidadãos de segunda

Escreve o meu amigo Maurício, de Belo Horizonte:
«Os utentes do consulado de Santos têm reclamado que não podem se cadastrar eleitoralmente. Um deles fez o seguinte relato:
Pedi informações quanto ao voto no Consulado de Santos à senhora Ersília e naquele momento estavam presentes outras funcionárias no balcão. Logo que eu perguntei elas deram umas breves gargalhadas e disseram que, como o duplo-cidadão vota no Brasil, fica automaticamente excluído do direito de voto em Portugal. Depois me informei melhor e voltei a fazer a pergunta dizendo que o que elas disseram não procedia, então riram novamente dizendo que lá brasileiros (que também sejam portugueses) não podem ser inscritos como eleitor. E fim de papo, se quiser vai reclamar com o bispo.”
Barbaridades destas ouço-as com muita frequência. São as representações externas que temos...
Temos que esclarecer os cidadãos de que pelo facto de terem outra nacionalidade não perdem os seus direitos políticos em Portugal.
É altura de acabar com a «moldagem» dos colégios eleitorais à vontade do freguês.

O Capitão Verdasca não tem papas na língua...

Este Capitão Verdasca está cada vez mais acutilante:
Vejam o que escreveu no PortugalClub:

«Se TRAIR alguém consiste em voltar-lhe as costas, fugir aos compromissos assumidos, não cumprir solenes promessas feitas colectiva e publicamente aos eleitores, ou, como diz o Lello ( o dicionário), "TRAIÇÃO é o acto ou efeito de TRAIR, daquele que trai, perfídia, infedilidade, falsa fé, cobardemente", então a DIÁSPORA seria TRAÍDA.
Se o secretário de um partido político - infringindo os Estatutos que são a sua constituição, desrespeitando os seus pares que lhe dão sustentação, descumprindo solenes promessas e deveres com a Instituição, e, principalmente, faltando com o respeito a si próprio - passasse por cima de tudo e de todos, e impusesse à Diáspora um candidato de fora, e, que - ainda mais grave - vive à custa de anúncios da mesma.
Mas tal barbaridade, nem sequer teria classificação, na eventualidade de a cúpula do partido passar por cima dos direitos das estruturas locais, humilhando os seus membros, fazendo letra morta dos Estatutos, desprezando as deliberações e recomendações das secções, enfim, se um militante - ignorando os seus iguais - se desse ares de TIRANO, como acontecia na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussulini, ou no nosso querido Portugal Salazarento, quando o Director da Pide ignorava os direitos dos cidadãos, prendendo, torturando, e até matando, como aconteceu a Humberto Delgado, cujo sacrifício TERIA SIDO EM VÃO.
Acabo de ler declarações de José Sócrates:"NÃO VAMOS COMETER OS ERROS DOS OUTROS......e, eu acrescentaria NÃO PODEMOS REPETIR OS NOSSOS PRÓPRIO ERROS, como voltar a IMPOR CAIOS ROQUES, "AZEMÉIS", e outros que tais, que NADA TÊM A VER com a DIÁSPORA, não têm formação nem condições para nos respresentar. A DIÁSPORA TEM MUITA GENTE BOA e CAPAZ, que está disposta a representá-la. (O signatário a seu tempo já disse nada pleitear).
Terminando, se a Comissão Política do P.S. referendar os nomes já anunciados para a DIÁSPORA, estará DESMORALIZANDO tudo e todos, pois, tanto as federações, como os eleitores, rejeitam cabeças de lista de fora. Que o P.S. não siga o exemplo do PSD, a cujos ERROS deve esta eleição, e NÃO a seus próprios méritos. Que o ANO NOVO nos proporcione uma VIDA NOVA, com o EXEMPLO vindo de CIMA, pois só deste modo se tem MORAL para liderar, para arregimentar, para congregar, enfim, para tomar decisões.(...)»

Resposta a Edmundo Figueiredo

Escreve Edmundo Figueiredo, que discorda do que escrevi sobre a necessidade de reforma do sistema político:
«O princípio cientifico, que, se um determinado resultado obtido pela aplicação constante dum sistema pré-definido, resulta razoavelmente igual, então temos uma teoria aceitável para o resultado pretendido. Diz-se válida. A partir desta constatação passa-se à sua adopção e temos as coisas organizadas para nosso sossego.
E toca a esquecer a mínima percentagem causadora do erro!?
É assim com as teorias da queda dos corpos, da impulsão dos liquidos, da sustenção do mais pesado que o ar, da metereologia, etc.
Não considero que o sistema politico instituído em Portugal seja o culpado dos resultados obtidos serem não válidos. Não vamos culpar o vinho por haver bêbados, nem o haxixe por haver drogados. nem o tabaco pelos cancros de pulmão, e, supremo exemplo de todos os exemplos: não vamos culpar a água por haver afogados. Então ninguém bebia água e os médicos que nos zurzerm permanentemente com a necessida de a beber seriam réus de juizo por atentórios da vida humana. Seria uma insensatez.
O hábito de procurar culpados para tudo e por nada só desvia as atenções dos verdadeiros problemas quando se pressente a dificuldade de os resolver. Por isso discordo das simpáticas divagações do compatriota Miguel Reis. E, atenção, não é relevante sabê-lo licenciado ou mestrado ou doutorado. O bom senso e a percepção da coisa exterior não se aprende em nenhum banco de escola. Cita-se sempre o exemplo de Einstein ter sido afastado da escola por pouco inteligente mas gosto mais de citar Newton cuja biografia é mais esclarecedora neste sentido. A história do homem está repleta de exemplos deste tipo.
Até há sábios e sensatos guilhotinados! A culpa foi da guilhotina, certamente.
Mas todos os exemplos que se vasculhem na poeira da história não nos respondem ao nosso problema: a causa do poder corromper. Mas apontam e indíciam causas.
Porquê, então, ele não corrompe todos por igual se o sistema é constitucionalmente igual? Porque uns mais e outros menos, e ainda outros assim assim?
E porquê, também bastantes felizmente, há os que não corrompe?
Heim?
Esta é, na realidade, a verdadeira questão!
Aceitam-se respostas... abertas!
Edmundo Figueiredo »

Não consigo descobre onde estão os pontos da discordância.
Na análise dos pressupostos ou na conclusão? Eu limitei-me a sustentar que, mantendo-se embora as candidaturas por lista, os eleitores possam voltar nominalmente, escolhendo um candidado de uma lista.
Parece-me que isso conferiria maior transparência ao sufrágio e maior legitimidade aos eleitos.

Recordações

Logo de manhã, Luisa Baia deixou-nos esta lembrança na caixa do correio:

"O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (.) O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. (.) A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!"
Eça de Queirós , 1871.

Antologia da emigração

Do PortugalClub:

Se tudo isto é uma merda
Que suja em Portugal o chão
Cagada pela direita e pela esquerda
Quem é que limpa o cu do câo?

Fernando Oliveira - Paris

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Windows Posted by Hello

Sapos vivos

Telefonou-me há pouco um amigo que me dizia: «Vamos todos ter que engolir sapos vivos se quisermos que o Santana não volte a ganhar as eleições».
A conversa começou por causa de um post que aqui coloquei sustentando a legitimidade do voto em branco.
É verdade: o voto em branco tem a virtualidade de permitir protestar contra a escolha de candidatos de merda, como são muitos os que estão nas listas.
Dizia o meu amigo: «merda por merda temos que escolher a nossa ou aguentamos com merda dos outros, que é mais dificil de suportar».
Essa é de antologia, Manuel.
Ainda há pouco fiquei horrorizado porque, nesta Lisboa cada vez mais suja e abandonada, pisei um cagalhão de cão à saída de um restaurante.
Vou reflectir sobre toda essa merda no fim de semana.

Contradições


José Sócrates começou a entrar em grandes contradições.
Depois de um excelente debate político em torno do Orçamento de Estado, Sócrates veio agora dar o dito por não dito e dizer que vai aplicar parte das medidas que criticou.
Isto é absolutamente inaceitável e só pode compreender-se se, antes de ser eleito, Sócrates já é prisioneiro dos interesses envolventes.
É curioso que foram retirados do site do PS os discursos do debate orçamental.
Bagão Félix veio a terreiro atacar o lider do PS afirmando que a posição de recusar repor os benefícios fiscais, emn coerência com os discursos anteriores, «revela três défices: de prudência, competência e de convicção». O fim dos benefícios fiscais foi a justificação dada pelo PS para votar contra o OE para 2005.
Bagão Félix referiu que Sócrates afirmou um défice «de prudência, porque o PS não sabia que o fim dos benefícios fiscais visava uma melhor redistribuição, um défice de de competência, porque os deputados não estudaram a matéria como deve ser e porque não esperavam ser confrontados com a situação passado um mês devido à dissolução da Assembleia da República.
Começa já a falar-se de escolha de ministros e titulares de altos cargos.
O que se diz nos mentideros é que Jaime Gama será o próximo presidente da Assembleia da República, podendo Freitas do Amaral vir a ser convidado para Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Soou hoje em Lisboa que António Costa quer ser o futuro Ministro das Finanças e que Edite Estrela quer ser Ministra das Cidades.
Manuel Pinho, o homem do Espírito Santo poderá ser o Ministro da Economia e Alberto Costa o da Justiça.
O que se fala é que esse governo (que para muitos é já de favas contadas) terá apenas onze ministros e muitos secretários de estado.
Demagogia ou concentração do poder.
Parece-me que o PS está em entrar por caminhos muito perigosos relativamente ao seu próprio eleitorado tradicional.

Voltemos ao comércio

Diz a Lusa que presidente Jorge Sampaio lembrou hoje a empresários chineses que a liberalização do comércio têxtil global, que entrou em vigor no passado dia 1, poderá afectar negativamente um "sector vital" da economia portuguesa.
"É do nosso interesse mútuo evitar que os efeitos dessa liberalização ponham em causa de forma brusca o equilíbrio de um sector que continua a ser vital para a economia portuguesa", disse Jorge Sampaio num fórum empresarial luso-chinês em Xangai.
"Confiamos que a China não deixará de ter esta situação em conta", acrescentou, referindo-se ao "forte impacto competitivo da indústria chinesa" no sector têxtil.
O que é que isto quer dizer?
É evidente que esse sector vital da economia portuguesa não irá a lado nenhum, por não ter nenhuma possibilidade de competir com os chineses.
Aaaa nossa única hipótese nesta área é voltarmos à nossa condição de mercadores.
Instalar fábricas na China (e no Brasil) e abastecer a Europa, com produtos fabricados no exterior.

Um golpe inteligente...

Lisboa, 14 Jan (Lusa) - O PS acusou hoje o Governo de estar a pagar antecipadamente o Apoio Social a Idosos Carenciados (ASIC) para o fazer coincidir com a chegada dos boletins de voto, mas o Executivo considera as acusações "completamente falsas".
"O Partido Socialista denuncia as manobras eleitorais que o Governo está a levar a cabo utilizando os recursos do Estado de forma indevida, neste caso o ASIC, antecipando o seu pagamento no Brasil e noutros países, fazendo-o coincidir com o período em que os eleitores começarão a receber os boletins de voto", refere, em comunicado, o departamento de Comunidades do PS.
De acordo com os socialistas, o Governo já anunciou que os pagamentos do ASIC vão ser feitos entre 27 de Janeiro e 14 de Fevereiro.
O PS refere que os subsídios costumam ser pagos trimestralmente e "com atraso".
"Dado que o último subsídio foi recebido em Dezembro, a fazer as contas pela regularidade do Governo, os próximos montantes só deveriam começar a ser recebidos a partir de Março ou Abril", dizem os socialistas, criticando a "manipulação" dos mais carenciados.
Consideram ainda que o Governo "mais uma vez demonstra estar a usar indevidamente os meios do Estado" para fazer campanha.
Contactado pela Agência Lusa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Carlos Gonçalves, rejeitou as acusações socialistas, considerando-as "completamente falsas".
"As acusações revelam que os candidatos do PS, apesar de já estarem em campanha eleitoral, não apresentaram até ao momento qualquer sugestão ou ideia na área das comunidades portuguesas", disse Carlos Gonçalves.
O secretário de Estado sublinhou que a "ausência de proposta leva a que os socialistas tentem enveredar por falsas informações e pela incúria".
"A ausência de proposta do PS não parece surpreender face à falta de ligação e ao desconhecimento por parte dos cabeças de lista pela Emigração na área das comunidades", criticou.
Comentando em concreto as acusações dos socialistas, Carlos Gonçalves apenas confirmou que os pagamentos do ASIC são feitos trimestralmente e indicou que aquele que vai ser agora liquidado se refere ao último trimestre de 2004.
Adiantou ainda que nos últimos anos o número de beneficiários do ASIC aumentou consideravelmente.
A ASIC é um subsídio atribuído pelo Estado português a emigrantes idosos carenciados.
Estavam à espera de quê?
Já se sabia que estes pagamentos seriam feitos apenas à beira das eleições. O José Cesário não é tão tolo como o fazem...

Resposta do Sr. José Martins, a interpretar as fotos da Tailândia

Reagindo ao post de 12/1 - aquele em que se apresentam as duas bandeiras portuguesas e os avisos afixados no aeroporto de Banguecoque, escreveu o Sr. José Martins o seguinte:

Ao Portugal Club,
Em relação à foto que foi posta a circular pelo Sr. Miguel Reis do blog
"Portugal Global" desejo esclarecer o seguinte:

1. Não se tome a nuvem por Juno nem se acredite em tudo que um qualquer
"pândego", por má fé se tenha lembrado de tirar uma foto a dois cartazes
que estavam colocados em sitio certo, no Aeroporto Internacional de
Banguecoque e na terminal dos vôos domésticos.
2. A pessoa destacada no aeroporto de Banguecoque, desde o início da
tragédia nas praias do sul da Tailândia foi eu José Gomes
Martins jose@loxinfo.co.th e o pai da lusa/tailandesa Maria Pia Gomes
Martins e proprietária do website
www.aquimaria.com, que certamente o
Portugal Club tem conhecimento da existência da sua circulação, na net e
desenvolvido por mim.
3. De 27 de manhã até à chegada dos últimos dois portugueses (dia 6 de
Janeiro) para a um se lhe entregar (e entregou-se) o passaporte e o bilhete
de avião para chegar à sua procedência.
Eu Jose Gomes Martins, assistente administrativo principal da Embaixada de
Portugal em Banguecoque, há 20 anos, estive na terminal doméstica 14,15 e
18 horas esperando os portugueses que estivessem necessitados de apoio,
quer este fosse de acomodação, dinheiro ou ser de imediato encaminhado para
os serviços consulares na eventualidade necessitar de ali lhe ser passado
um documento de viagem.
4. Na altura que o "pândego" tirou a foto eu estava no aeroporto que
corria de uma terminal, dos tapetes rolantes, para outras com os cartazes
em punho para identificar a Embaixada de Portugal e que alguém ali estava
para apoiar os portugueses. Digo estava no aeroporto porque detrás desses
cartazes está um saco branco plástico onde eu tinha o bloco de apontamentos
e outros papeis. Mas, quando eu abandonava o local, no último vôo
doméstico, por volta da meia noite esses cartazes ficam em cima da mesa
para eventualidade de algum português ali chegar (não de vôos porque estes,
os domésticos, náo se efectuaam depois da meia noite), mas talvez perdido
no meio da confusão de um aeroporto gigante como é o internacional de
Banguecoque.
Durante os 11 dias que ali estive, destacado, tive a ajuda de outros
"samaritanos" portugueses que voluntariamente se aprontarem para ajudar os
portugueses naquilo que fosse necessário, que anexo fotos.
5. Aqui se alguma coisa está mal (na opinião do "pândego" que tirou a foto)
quem deveria estar preso não era o Embaixador mas sim a minha pessoa. Como
português residente na Tailândia há 26 anos, me prezo de ter cumprido, quer
oficialmente ou particularmente servir e bem e no melhor que pude todos os
portugueses que por aqui passaram fossem eles de Bem ou Vilões.
E por fim os "Cães Ladram e Não me Mordem" porque são "tinhosos".
Encerrei o assunto.
Com os melhores cumprimentos
José Martins

22-237 Soi Phrom Wat 1/11
Rama II
10150 Bangkok - Thailand
Tele 66 2 8985845
Fax 66 2 416 8344
Mobile 66 1 8293487
E-mail
jose@loxinfo.co.th

O Sr. Martins está irritado com os cães e dá a sua resposta que reproduzo na integra.
Afinal ela é muito importante, pois que serve para confirmar que, nos dias da tragédia, foi afixado aqueles anúncio, que diz apenas isto:
POR FAVOR TELEFONE PARA 018293487 ou 28985845
JOSÉ MARTINS
ESPERE CERCA DE 30/45 MINUTOS QUE CHEGUE PARA ATENDER
Falando de cães, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.
Ninguém acredita que alguém fizesse uma placard deste tipo se tivesse que se ausentar apenas por uma meia hora...
A ideia que o cartaz transmite é a de que, agluém necessitado deveria:
1. Telefonar para aqueles numeros;
2. Depois aguardar 30/45 minutos
De qualquer modo o Sr. José Martins não tem culpa nenhuma de nada disto. Talvez até nem tivesse meios para responder como deve ter a uma situação como esta.
O problema é bem mais profundo: é do Estado.
Houve demasiadas notícias más sobre o comportamento dos nossos representantes na Tailândia.
Está tudo escarrapachado nos jornais...
Por favor não nos atirem areia para os olhos.
Do Inimigo Público de hoje... Posted by Hello

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Aviso premonitório?

O Procurador-Geral da República, Souto Moura considerou que a fraude e corrupção em Portugal voltaram a ser um perigo para os «alicerces do Estado de direito» pelo que o seu combate deve constituir uma prioridade na luta contra o crime.
«Emmanuel Mounier disse que o poder atrai os corrompidos e corrompe os atraídos, onde houver exercício do poder fica aberta a porta para que a corrupção se instale» - disse Procurador-Geral da República.
Ninguém sabe se esta afirmação é premonitória servindo para anunciar alguma coisa, num momento em que, à beira de eleições, não é razoável que se tratem com frontalidade estes assuntos.
O PGR considerou que este tema «ganhou uma dimensão diferente», porque «a corrupção sujeita os fundos do Estado a serem desviados, a ordem de prioridades do interesse público é prostrada, a confiança nos governantes e administração pública desaparece e a autoridade do Estado também».
«Não espanta que seja considerada uma prioridade dos Estados na luta contra o crime, porque é a própria sobrevivência daquele Estado enquanto pessoa de bem que está em causa».
Vale a pena ouvir as declarações que estão na TSF.



A reforma do sistema político


A intervenção de Presidente da República não sendo oportuna, como claramente não é neste tempo pré-eleitoral, teve pelo menos o mérito de lançar um tema para o debate político, num momento em que, não se conhecendo nenhuma alternativa eleitoral, os temas são escassos e difusos.
A sugestão do Presidente Sampaio - de que é necessário mudar o sistema em termos que privilegiem maiorias estáveis - é extremamente perversa e contraditória com as próprias circunstâncias temporais em que foi proferida.
Se Jorge Sampaio não fosse um democrata eu diria que nos tempos mais recentes não houve nenhuma maioria mais estável do que a da União Nacional, que nasceu com esse preciso argumento, contra a "dilaceração" da nação pelos partidos.
O problema não está em qualquer falta de maiorias estáveis. Talvez nunca tenha havido (para além daquela) uma maioria tão estável como a da dupla Santana Lopes/Paulo Portas. E foi o que se viu: se não vivêssemos num sistema semi-presidencial, que faz depender o governo do apoio parlamentar e da confiança presidencial, este governo prolongaria a sua agonia até ao fim da legislatura.
Vimos, de outro lado, que há governos sem maioria que governam melhor do que governos com apoio maioritário, pelo que não é por aí que há-de buscar-se a raiz da estabilidade.
O que está mal é de uma extrema evidência.
O sistema foi pensado e projectado para funcionar com partidos democráticos, activos na organização da intervenção política dos cidadãos. Esses partidos não existem na realidade, o que defrauda o funcionamento do sistema na sua raiz.
Se existissem, o problema teria uma dimensão reduzida, uma vez que os candidatos à representação política seriam naturalmente seleccionados pelo peso das suas ideias, nessa dinâmica relação entre os partidos e a sociedade.
Verdade é que os partidos portugueses se fecharam sobre si mesmos, sobrevivendo não numa relação com a sociedade mas numa relação com a comunicação social e com os diversos grupos de lobby - que constituem hoje o seu espaço comum de convivência - e com o aparelho constituído pelos seus dependentes, que acaba por funcionar como a maior garantia do caciquismo.
É hoje inquestionável a existência de um bloco central de interesses que, passando formalmente à margem da política, é constituído por políticos de todos os quadrantes, a quem a simples justificação de "ganhar a vida" permite tudo, sem nenhum preconceito.
A dimensão dos partidos não depende hoje do número dos seus militantes nem da acção destes na sociedade mas do que os directórios conseguem passar na comunicação de massas.
Estes directórios são escolhidos por um número muito restrito de cidadãos militantes. Mas o mais grave de tudo isso é que mesmo esses militantes, em bom rigor não o são, porque, em bom rigor, não têm qualquer possibilidade de militar.
A militância partidária é um trabalho de grupo. Não pode falar-se de militância partidária em partidos de porta fechada aos próprios militantes e muito menos de partidos de porta fechada à sociedade.
É certo que esta evidência tem obrigado à montagem, por alguns partidos, de operações de imagem destinadas a criar na opinião pública uma ideia de participação social alargada.
Essas operações servem apenas para branquear uma deficiência grave do sistema político, não tocando, porém, na sua essência, que se situa a jusante, no momento da escolha dos candidatos ao exercício de cargos públicos, que essas operações de charme ajudam a promover.
Com o actual sistema político - em que os governos podem ser constituídos, em boa parte, por pessoas absolutamente desconhecidas, sem nenhuma prova de competência e sem qualquer legitimidade sufragada, o parlamento não deveria ter mais do que oitenta deputados, porque deles não precisa, como se poderá concluir de uma análise cuidada do trabalho parlamentar.
A grande maioria dos deputados nada produz, ou tem uma intervenção muito reduzida nos trabalhos parlamentares. Esta realidade facilita uma reforma do sistema, que se torna imperiosa se quisermos evitar a degradação da democracia.
Entendo que os partidos políticos são essenciais ao regime democrático, mas não aceito que possa resumir-se a eles toda a vida democrática. Por isso me parece que, na falta de condições para mudar, por via legislativa a vida dos partidos políticos, é indispensável substituir a actual forma de sufrágio de voto em lista pelo voto uninominal.
Porque me parece que nem tudo é mau no actual sistema de listas e que o método de Hondt tem interessantes virtualidades, se fosse eu o legislafor deixava quase tudo na mesma, com uma pequena diferença: em vez de votar na lista, o cidadão passaria a votar num dos elementos da lista. A distribuição dos mandatos continuaria a fazer-se, como até agora, na base do apuramento dos resultados globais por lista; mas a escolha dos eleitos far-se-ia não pela ordem que tem na lista mas pelo número de votos pessoalmente obtido por cada um dos candidatos.
Acabava de vez este compadrio vergonhoso a que assistimos com a constituição das listas dos diversos partidos marcada não pela lógica democrática mas pela lógica da passagem administrativa.
Tenho a certeza de que alguns cabeças de lista nunca seriam eleitos e de que, ao invés, haveríamos de ganhar políticos esforçados, porque a luta por uma vitória pessoal como a que aponto não resulta se for um trabalho de fim de semana, só resultando se for um trabalho, pelo menos, de todos os fins de semana. Complementarmente, deveria a lei estabelecer a possibilidade de qualquer cidadão se poder candidatar numa base de adesão ao programa apresentado por qualquer dos partidos. Os votos que estes independentes colhessem entrariam no score do partido em causa, mas eles seriam eleitos se obtivessem mais votos individuais que os da lista do próprio partido.
Um dos maiores dramas da nossa democracia está na esclerose que atingiu o sistema político.
Muitos dos actores deram as suas vidas à ao regime. São ex-empregados da classe média que assumiram responsabilidades políticas (traindo muitas vezes as suas origens, como lembra sabiamente o meu amigo Edmundo Pedro) sem terem preparação para tais responsabilidades e que se reproduziram mimeticamente, por obra e graça da única coisa que aprenderam a fazer: intriga, jogos de influência, manobras de bastidor. Coisa para cuja eficácia é preciso um bem precioso que se chama tempo, o que, de certo modo justifica que, para além de uma elite que tem fortuna pessoal, sejam muito poucos os que têm modo de vida próprio a envolver-se na política.
Não me refiro, obviamente aos poetas, para quem o tempo é outro, falecendo os países que os não têm ou onde eles definham.
Refiro-me a toda essa gente que por aí vagueia e que, por falta de formação específica, não pode ansiar outra coisa para além de um assento, onde entra mudo e sai calado, não porque haja censura mas porque o próprio sistema é obrigado a defender-se.
São eles, No fim de contas, os garantes da estabilidade. E já existem em número suficiente o que transforma o apelo do Presidente num apelo patético.