quinta-feira, janeiro 20, 2005

A política do PS para as colónias da emigração

Chegou-me ontem de S. Paulo o que será uma proposta de política do PS para as comunidades portuguesas.
Um texto absolutamente chocante, que seria adequado ao tempo em que as Comunidades Portuguesas se chamavam «colónias portuguesas».
Havia a «colónia do Rio», a «colónia de S. Paulo», a «colónia do Canadá», a «colónia da América», a «colónia da Austrália» e por aí adiante.
Lisboa mandava e procurava influenciar, numa perspectiva colonial.
Já vimos que muito pouco mudou no que se refere à escolha dos representantes.
A postura dos partidos do bloco central assenta nessa lógica de nomear curadores que representem o indígenas no parlamento de Lisboa.
E porque os indígenas se têm mesmo por indígenas nem sequer há preocupação na escolha dos candidatos, que podem, para o efeito, ser perfeitamente indigentes mas que, sobretudo, não devem ter nem assumir compromissos com os ditos.
Assim, temos pelo lado do PSD uma homem de Viseu a representar os portugueses de fora da Europa e pelo lado do PS um homem de Oliveira de Azeméis disputanto do mesmo cargo.
A política colonial para as comunidades emigradas assentou sempre naquela mesma lógica que levou o responsável do Instituto Camões no Brasil a dizer que um dos seus principais objectivos era o de demonstrar que o «novo Portugal» já não é um «país de padeiros».
A gente que pensa estas coisas em Lisboa continua a pensar e a agir como se os emigrantes portugueses fossem uns broncos, que têm como únicas ligações a Portugal as memórias culinárias, o Vira do Milho ou o Bailinho da Madeira.
Por isso continuam a tratar os portugueses do estrangeiro como uma cambada de mentecaptos incultos, a quem é preciso ensinar a língua e oferecer umas oportunidades de fazer formação profissional ou de arranjar emprego em Portugal.
Por isso continuam a pensar que a nossa gente no estrangeiro o que precisa é de melhorar o seu estatuto económico-social nas sociedades de acolhimento e de umas pensõeszecas para minorar a miséria.
Esta postura é absolutamente ofensiva da generalidade dos nossos emigrantes.
O estatuto social médio dos emigrantes portugueses no estrangeiro é superior ao dos portugueses.
É verdade que há portugueses a quem a fortuna abandonou. Alguns - lembro-me de pessoas do Rio de Janeiro - viveram à grande e à francesa, gozaram a vida, divertiram-se como nunca ninguém se divertiu em Portugal. Mas estão na miséria.
Esses portugueses precisam de ajuda. Mas se ela faltar, como tem faltado da parte do Estado, não morrem à fome porque a sociedade civil, sem necessidade as instituições oficiais, se incumbe de os ajudar.
O importante é que a maioria os emigrantes vive bem e está com saúde.
Integrou-se nas sociedades de acolhimento e não precisa de apoios para essa integração.
Precisa é de apoios para se integrar melhor na sociedade portuguesa, precisa de informação, precisa que lhe dêem oportunidade de ter a sua própria voz.
Os nossos emigrantes no estrangeiro não são um grupo de parolos. Há gente colocada, por mérito próprio, ao mais alto nivel das administrações, da universidade, da ciência e da cultura.
Essa gente fica ofendida quanto lhe apresentam propostas políticas de matriz colonial como a que o PS agora apresentou.
Oxalá que ainda tenham tempo para emendar a mão.
Tentem verificar as diferenças que este texto tem por relação ao do PSD, que aqui publicamos...
Eu não vejo nenhuma que seja notória.
«PROGRAMA ELEITORAL DO PS PARA AS COMUNIDADES PORTUGUESAS

Uma política estruturada, coerente e moderna para as Comunidades Portuguesas terá de colocar as prioridades na necessidade de contribuir para a valorização do estatuto social, económico e cultural dos cidadãos portugueses residentes fora de Portugal.
Para o PS, todos os portugueses são iguais em direitos e deveres. Nesse sentido, importará assegurar aos nossos concidadãos a residirem fora de Portugal que o seu país os não abandona e lhes reconhece o seu importante papel na difusão da língua, da cultura e demais valores e referências portuguesas. Por isso, se justificam plenamente todos os esforços para melhorar o funcionamento administrativo das estruturas do Estado no exterior, modernizando e desburocratizando os serviços consulares, subordinando-os a uma estrita lógica de serviço público, para melhor servir os utentes dos consulados.
Com o envelhecimento das primeiras gerações, torna-se particularmente importante atender aos problemas relacionados com fenómenos de exclusão social e de pobreza, bem como, com os demais problemas de natureza social que se têm vindo a intensificar nos últimos anos.
Aprofundar a cidadania, melhorar as ligações a Portugal e dar mais atenção ao movimento associativo, são os vectores mais relevantes desta nova política, mais ousada e ambiciosa que o PS quer implementar para as Comunidades Portuguesas.

VALORIZAR AS NOSSAS COMUNIDADES

A valorização das nossas comunidades passa por uma aposta decidida na elevação do respectivo nível sócio-profissional e educativo. Nesse sentido, um futuro Governo do PS irá:
· Desenvolver iniciativas que visem a valorização das Comunidades Portuguesas, no sentido da promoção do seu estatuto sócio-profissional, do aumento dos respectivos níveis de escolaridade e formação;
· Estimular uma melhor integração nas sociedades de acolhimento, nomeadamente através duma mais activa intervenção cívica e democrática, incentivando o uso e o acesso à língua e cultura portuguesas, como elementos estruturantes do reforço dos vínculos de identidade cultural e afectiva ao nosso país;
· Impulsionar o Programa Estagiar em Portugal e outros mecanismos similares que promovam uma maior ligação dos lusodescendentes à realidade nacional;
· Suscitar a inserção da língua e cultura portuguesas nos programas curriculares dos países de acolhimento;
· Reestruturar a orgânica do Ensino de Português no Estrangeiro, em ordem à racionalização dos recursos humanos e financeiros disponíveis, com vista à melhoria sensível da eficácia do sistema, privilegiando a qualidade técnico-pedagógica, numa perspectiva de serviço público;
· Recorrer às tecnologias de informação e de comunicação que viabilizam o ensino acompanhado à distância, como alternativa mais acessível e consistente às limitações do actual sistema de ensino;
· Reafirmar a certificação dos cursos de língua portuguesa, através de diplomas legais, em ordem a convertê-los em qualificados instrumentos de valorização académica e profissional;
· Utilizar a RTP-I, em parceria com instituições académicas portuguesas, como suporte do ensino da língua e cultura portuguesas no estrangeiro;
· Fomentar o associativismo como elemento de promoção cívica e cultural, contribuindo para uma maior inserção das associações portuguesas no estrangeiro na vida social dos países de acolhimento, como factor de intervenção pública no seio dessas sociedades;
· Encarar a actividade empresarial desenvolvida no seio das Comunidades Portuguesas numa perspectiva estratégica de parcerias com o sistema empresarial português e, para tal, melhorar a informação sobre oportunidades de negócio, especificidades jurídicas envolventes, bases financeiras e programas de incentivos aplicáveis;
· Intervir no sentido da eliminação dos casos de dupla tributação que ainda se verificam.

EFICÁCIA ADMINISTRATIVA

A modernização consular focalizada no estabelecimento de padrões modernos de atendimento consular, pautados pela agilidade e eficácia nos procedimentos e por uma lógica de serviço público, constitui um dos aspectos essenciais que melhor poderão potenciar a ligação dos nossos compatriotas a Portugal. Numa era em que as tecnologias de informação constituem parte determinante nas relações entre cidadãos e administração pública, importará tirar, por isso, o máximo aproveitamento das suas potencialidades. Assim, um futuro Governo do PS irá:

Desenvolver medidas de desburocratização de procedimentos administrativos, simplificando os actos consulares, promovendo a melhoria do funcionamento e a modernização e racionalização da rede consular, designadamente pelo recurso intensivo às tecnologias de informação, em ordem à criação duma plataforma tecnológica que permita que todos os actos consulares não presenciais possam vir a ser efectuados sem implicar a deslocação física a qualquer posto consular;
Melhorar as ligações aos serviços centrais para obtenção de documentos em tempo útil;
Reforçar as acções de formação e actualização para funcionários consulares;
Adequar as modalidades de atendimento consular às necessidades específicas da comunidade de utentes;
Institucionalizar o «Gabinete de Emergência» de forma a responder com prontidão às situações que carecem de apoio urgente.

REFORÇAR AS LIGAÇÕES A PORTUGAL

O reforço da ligação a Portugal constitui factor essencial para que os nossos compatriotas se possam rever nas raízes, na história e cultura do país. A valorização dos que tiveram de partir, dos lusodescendentes e das respectivas actividades – em muitos casos a relevarem apreciável valor sócio-económico – constitui-se em fundamento relevante para que os portugueses possam reconhecer o mérito e importância das Comunidades Portuguesas. Assim, um futuro Governo do PS irá:
· Melhorar a informação sobre equivalências, cursos, bolsas de estudo e oportunidades de emprego em Portugal;
· Difundir em Portugal os exemplos mais marcantes de sucesso de nacionais portugueses oriundos das comunidades, nos domínios da política, cultura, ciência, desporto, espectáculo e economia;
· Fomentar uma ligação estruturada com os eleitos, cientistas, artistas, empresários e demais personalidades relevantes das nossas comunidades;
· Criar concursos para jovens criadores das comunidades nos domínios das artes e das letras;
· Recriar o Prémio de Jornalismo das Comunidades Portuguesas;
· Restabelecer um portal interactivo que sustente uma ligação dinâmica com e entre os jovens lusodescendentes;

MELHORAR A INTERVENÇÃO SOCIAL

Melhorar a intervenção social será uma prioridade no que concerne às políticas dirigidas às as nossas comunidades. Sobretudo, tendo em conta as situações recorrentes de exclusão social com que se confrontam alguns dos nossos compatriotas que emigraram nos anos cinquenta e sessenta, nomeadamente para países onde os mecanismos de protecção social são praticamente inexistentes. Assim, um Governo do PS irá:
· Aperfeiçoar os programas ASIC e ASEC;
· Melhorar a intervenção social dos consulados no âmbito da prevenção e nos casos de emergência;
· Aprofundar a cooperação com as autoridades locais e ONG para melhorar o apoio e protecção social;
· Melhorar os esquemas de apoio jurídico disponíveis para os utentes consulares sobre direitos dos nossos concidadãos nos países de acolhimento, nos casos de reforma, desemprego, doença, invalidez, velhice, etc.…

DAR ATENÇÃO AO MOVIMENTO ASSOCIATIVO

O movimento associativo tem grande importância enquanto factor de apoio e de coesão das nossas comunidades, devendo por isso merecer todo o reconhecimento pelo papel relevante que desempenha. Um futuro Governo do PS irá:
· Desenvolver um novo modelo de apoio mais criativo e eficaz ao associativismo das comunidades;
· Promover acções de formação de dirigentes associativos;
· Integrar a rede do associativismo das comunidades nas acções de divulgação e promoção cultural do nosso país;


APROFUNDAR A CIDADANIA

O Estado tem por obrigação promover políticas activas focalizadas no reforço dos direitos de cidadania e na elevação do estatuto social e económico dos nossos compatriotas residentes fora de Portugal, bem como no estreitamento dos vínculos de relação cultural e afectiva que os ligam ao nosso país. Um governo do PS irá:
· Promover uma comunicação mais directa e imaginativa entre o Estado e os cidadãos das Comunidades;
· Defender nos países da União Europeia os direitos legais de igualdade de tratamento inerentes à condição de cidadania europeia;
· Promover a participação cívica e uma integração consequente nos países de acolhimento;
· Assegurar melhores condições de operacionalidade e de representatividade para o Conselho das Comunidades Portuguesas, salvaguardando o estrito respeito pela sua natureza consultiva e pela sua condição de expoente da democracia participativa.«

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Alguém anda a tramar o Sócrates...

Isto está escrito no site das Novas Fronteiras:

«A meta de crescimento foi especificada: “Três por cento de crescimento é o nosso objectivo numa legislatura”; E José Sócrates explicou que este objectivo era bem mais realista e honesto do que as metas anunciadas há três anos pela maioria política cessante, as quais exigiam uns espantosos seis por cento ao ano, que se traduziriam, afinal, no crescimento negativo e na recessão económica que conhecemos. A frase-síntese de Sócrates é clara e é, toda ela, um programa: “O desígnio de nos aproximarmos das metas europeias é possível!”. A síntese da acção programática do discurso de encerramento dos trabalhos, proferido num improviso por José Sócrates, está contida na afirmação de que “a prioridade da governação económica do PS chama-se Plano Tecnológico”. Este decompõe-se em dois objectivos-alvo, que enformarão outras actividades: o primeiro objectivo é o da promoção de uma “política do conhecimento”; o segundo é o da implantação de uma “cultura de empreendedorismo”. Ao Plano Tecnológico segue-se o “relançamento do investimento em Portugal” (nas áreas em que faz falta e em que alavancará a economia); o “estímulo de uma sã concorrência, como base de um bom mercado, que gere eficiência e protege o consumidor”; e, por último, em quarto lugar, “o combate à burocracia”. Sócrates concretizou a relevância económica da desburocratização: “pretende criar-se um ambiente de funcionamento dos serviços públicos que seja amigo das empresas”, isto é, que ao facilitar a tramitação pública dos seus actos dinamize a economia. “Nada fazer e não fazer tudo isto, tem custos para a economia e para os portugueses”. Por isso, insistiu Sócrates na sua conclusão, “iremos aplicar os quatro pontos da nossa agenda política”.
Meta de 3% no período da Legislatura? Será gaffe? Ou é mesmo verdade?
Parece que alguém está já a tentar tramar o Sócrates.
O resto, tudo é muito vago, muito fraco, com uma ordem mais do que controversa. Chavões cujo conteúdo não sabe qual é.
Que Plano Tecnológico é esse? Procuro no site e não encontro nada. Que vazio e que amargura...»

Novas Fronteiras

Continuo a acompanhar diariamente a evolução do site Novas Fronteiras.
Enviei para lá vários contributos mas nenhum foi publicado, como começo a compreender.
Acho que estou a mais neste PS.
Nem uma palavra sobre os portugueses residentes no estrangeiro, o que só demonstra, para além da insensibilidade, uma enorme ignorância.
Estou cada vez mais convencido que esta gente não têm nenhum interesse nas comunidades, para além do de nomear uns amigos para disputar os quatro lugares de deputado?
E o País? O que interessa ao País?
Encaram-se os emigrantes mais evoluidos como potenciais concorrentes estrangeiros. Uns indesejáveis...
Ainda ontem falei a um amigo meu, que trabalha numa grande empresa de informática, no interessante que seria o apport dos portugueses residentes no estrangeiro para a revolução tecnológica.
Falei de alguns que conheço, no Brasil, nos Estados Unidos, na Índia. Gente que sabe fazer milagres com pouco dinheiro.
Resposta do meu amigo: « Não nos estragues o negócio. Se esses gajos vêm para aí, dão cabo de tudo. São mais evoluidos e mais baratos. Estragam-nos os preços e vamos todos à falência».
Como é que este País, com gente desta, há-de sair do atoleiro?

terça-feira, janeiro 18, 2005

Que modelo de funcionário para a nossa representação externa

José Martins colocou isto no Portugal Club:

«Resposta ao Miguel Reis:
Não abdico de nada daquilo que lhe transmiti! Porque você como homem não vale e não presta para nada! Vozes de "burro" que têm sido as suas "bacoradas" que não chegam ao céu! Não falei em nome da Embaixada de Portugal em Portugal mas em meu nome pessoal! Enterre-se você no "lamaçal" da estrume daquilo que tem escrito como um "apóstolo", oportunista, que vai salvar o Mundo etransformá-lo num paraíso! Tenha tento nessa cabeça oca de ideias que procura guerras com quem o não perturbou!Você sopra ventos e depois abriga-se das tempestades que lhe chegam de volta.
José Martins »
Obviamente que uma mensagem destas não merece resposta. Mas merece uma reflexão...
Como é possivel Portugal ter pessoas com esta estirpe nas suas representações externas?
Muia gente critica o PortugalClub dizendo mundos e fundos sobre os emigrantes portugueses, sobre os erros que dão e não dão...
Acho que tudo isso é compensado - com maior peso - pela generosidade, pela abertura de ideias e pela vontade de participação que os menos letrados de nós trazem a este forum.
Uma coisa é a ileteracia de quem não teve hipótese de frequentar uma universidade. Outra é educação, que vem do berço, da família e se melhora na sociedade.
Os frequentadores deste forum podem ser iletrados, mas são, normalmente, pessoas de bem e pessoas bem educadas.
Mas há sempre uma ovelha que estraga o rebanho.
É triste quando é uma ovelha que vive à custa do orçamento. Aí todos temos o direito de dizer que o Estado não deve dar pasto a ovelhas destas.

Portugal quer o petróleo de S. tomé

é o que diz a Reuter's.

LISBON, Jan 12 (Reuters) - Portugal has told Sao Tome and Principe, a former Portuguese colony, that it wants an oil role for state energy company Galpenergia off the Central African archipelago, a newspaper reported on Wednesday.
Presidency Minister Nuno Morais Sarmento carried a confidential message from Prime Minister Pedro Santana Lopes to Sao Tome counterpart Damiao Vaz Almeida in a trip to the African nation that ended on Monday, Diario Economico newspaper said.
Santana Lopes, who faces snap elections on Feb. 20, told Vaz Almeida that Galpenergia wanted to develop off-shore oil reserves, the newspaper said.
Guido Albuquerque, Galpenergia's executive administrator, met Vaz Almeida to discuss a possible deal, it said.
Economic Affairs Minister Alvaro Barreto, who oversees Galpenergia, said he was unaware of its interest in Sao Tome, private TSF radio said. Barreto was visiting China with Portuguese President Jorge Sampaio and a business group.
A consortium of oil companies, including U.S. majors ChevronTexaco (CVX.N: Quote, Profile, Research) and ExxonMobil (XOM.N: Quote, Profile, Research) , are set to sign the first deal allowing U.S. firms to explore for crude off Sao Tome.
Morais Sarmento, who came under fire for taking a beach holiday during his Sao Tome visit, told a news conference late on Tuesday that he had offered to resign but Santana Lopes had turned it down.

O enigma do regresso de João Rocha

João Rocha foi à China, convidado pelo Presidente Sampaio.
O Presidente ainda lá está, mas este globetrotter já está em Lisboa?
- Então não veio esperou pelo Dr. Sampaio? - perguntei-lhe.
- O meu tempo é escasso... Não tenho tempo a perder...
Cá para mim este abandono tem água no bico. João Rocha é, provavelmente, o português que melhor conhece a China.

Casamento homosexual?

Lê-se no http://portugays.blogspot.com/

«Pela primeira vez Portugal tem a possibilidade de ter um líder homossexual. Votar em José Sócrates é a certeza da liberalização do casamento gay no nosso país.»

Será verdade?
Será que foram desenvolvidas negociações que permitam falar assim, com esta certeza?
Talvez seja mais fácil obter acordo nesta matéria do que para a descriminalização do aborto.
Dizem que são muitos... muitos votos.


Nota curiosa no Giba Um

Lê-se no Giba Um

«As eleições de 20 de fevereiro em Portugal trazem um quadro para lá de curioso. O candidato do PSD (centro-direita) é Pedro Santana Lopes, atual primeiro-ministro boêmio declarado, três casamentos desfeitos, 5 filhos, jovem, extrovertido e elegante, é um orador brilhante, apoiado pela classe artística e odiada pelo banqueiros. Seu imposto de renda é surpreendente: só dívidas e nenhum bem imóvel ou carro para declarar.
Já o líder do Partido Socialista e José Sócrates, também jovem e separado, já faz mais o tipo introspectivo e desconfiado. Rico, mora num dos bons edifícios de Lisboa, tem uma Mercedes último tipo e, entre seus amigos, está o jovem e belo ator Diogo Infante, um ídolo da TV local.»
A propósito do último parágrafo, os colegas da forlegis chamam a atenção para o que vem no blogg http://portugays.blogspot.com.
no fim da tarde.. Posted by Hello
... mas temos um céu maravilhoso... Posted by Hello
... podemos não ter dinheiro... Posted by Hello
Como diz um amigo meu... Posted by Hello

Ainda os votos da emigração

De: Amadeu Moura / Canadá no PortugalClub

«Sapos vivos e elefantes de tromba rija... Se fossem só sapos vivos a engolir a coisa ainda ia!
Mas, no círculo “Resto do Mundo”, com o candidato que temos, vamos ter de engolir elefantes de tromba rija! E isso dói para caraças... sobretudo que alguns de nós ainda têm espinhas encravadas na garganta!

Os manda-chuvas dos estados-maiores do PS, sabendo muito bem que nos encontramos manietados – se não votamos no PS reforçamos a Direita - impõe-nos um candidato à nossa revelia.
E o dilema é esse.

Fica-nos a escolha: ou um Cesário de má memoria e de incompetência atroz (um dia falarei de uma cena a que assisti e que ilustra a vacuidade do personagem) ou o “medalhado” de Oliveira de Azeméis, candidato a deputado e a mais uma arroba de medalhas venham elas donde vierem.

Não pugno pela expressão “venha o Diabo e que escolha”.
Cabe a nós de escolher o mal menor. E como já estamos habituados a sermos traídos...»
Subendende-se... que lá têm que votar no Zé das Medalhas... »
Deixa do Casimiro:
« Amadeu, não tem essa de escolher o menos ruim!... Os dois, são piores, um que o outro!... A solução é!.... Votar!... Votar todos em branco!... fazer chegar o recado!.... Caso Contrário, você estará concordando em alguém que não tem nada a ver!...
Aqui o pior de engolir!... é a traição do Melo e do Carrelo!...»
Da Alemanha escreve o Nelson Rodrigues:
«De facto o Manuel Carrelo e o Manuel de Melo estão a arriscar muito. E é notável, desde que tomaram compromissos perante o partido, já nao dizem nada ou unicamente vem com um "lenga, lenga"! Foi sempre o dilema da Emigrolândia que nunca se criou uma independência. Fomos sempre vasalos, sempre dependentes de outros. Agora somos obrigados a votar no PS para impedir o Cesário. "Engole ou morre" (Friss oder stirb) - assim afirma um provérbio alemão.»
É verdade que esses animais partiram isto tudo.
Mas há um argumento novo e uma tese nova em Lisboa: a de que há gente a apostar muito forte num governo Santana/Sócrates, a quem não interessa a vitória do PS ma emigração.
Dizem que o governo Santana/Sócrates é a solução adequada (para os negócios, naturalmente). Para isso é preciso que o PS não tenha maioria absoluta; e todos nós sabemos o que jogam aí os quatro deputados da emigração.
Quando me disseram isto lembrei-me de alguns discursos que ouvi nos últimos dias na televisão, muito educados, tratando muito bem o Santana. Ainda hoje o Jaime Gama dizia que o PS não vai dizer mal do governo do PSD, de que todos dizemos mal.
Lembrei-me da grande mudança na afirmação da política económica, com o Sócrates a dizer que opta pela estabilidade fiscal e que mantém o orçamento do Santana, que tanto criticou.
Já não é possivel mudar candidatos e não temos margem para apelar a votos em branco. Votar em branco é pior do que votar no PSD. É votar num governo PS/PSD, que seria a pior solução que o país poderia ter.
Por isso me parece que os meus amigos lá têm que engolir sapos, elefantes, hipopótamos e até alguma bicha que apareça por ai. Mas é preciso votar nos candidatos do PS.
Depois, se eles não cumprirem, cá estamos para os crucificar.
Acho que o Carrelo, o Melo e o Carlos Luis não vos vão trair... E volto a dizer o que já aqui escrevi: há coisas que têm que ser discutidas, mas só depois das eleições.
Agora, o que é preciso é encostar os candidatos à parede e obrigá-los a assumir, pública e pessoalmente, compromissos.

Mário Soares sempre activo...

Mário Soares continua super-activo. Isto vem na VEJA e é interessante para ler e arquivar.

No mês passado, o líder socialista português Mário Soares completou 80 anos e anunciou sua aposentadoria. Em 62 anos de carreira política, Soares liderou a Revolução dos Cravos, foi presidente duas vezes e primeiro-ministro outras três. De Lisboa, ele conversou com a repórter Camila Antunes sobre política e seus amigos brasileiros

O QUE O SENHOR PRETENDE FAZER NA SUA APOSENTADORIA?
Apenas me retirei da política. Não quero mais cargo público nem participar do partido. Mas vou dar opinião, escrever artigos e aconselhar políticos.

COMO O SENHOR COMPARA OS POLÍTICOS DE HOJE COM OS DE SUA GERAÇÃO?
Minha geração foi presa, exilada e resistiu à ditadura. Eu mesmo fui preso doze vezes. Os novos não são melhores nem piores, mas dão muita importância ao marketing, à imagem e à televisão.

COMO ESTÁ PORTUGAL?
Temos um problema financeiro. Vivemos acima do que podemos pelos critérios da União Européia. O déficit fiscal máximo é de 3% do PIB. O nosso supera 5%. O poder econômico contagiou a política. Os crimes de colarinho branco e o tráfico de influência aumentaram. A corrupção não era habitual.

COMO ISSO SE REFLETE NO DIA-A-DIA?
O desemprego sobe em flecha. Os países, como as pessoas, têm bons e maus momentos. Em Portugal, diz-se: "Atrás de tempo, tempo vem".

PORTUGAL PODE AJUDAR O BRASIL NAS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS COM A EUROPA?
O Brasil não precisa de intermediários. Já para Portugal, a proximidade com o Brasil é estratégica. A união da América Latina com a Europa poderá nos deixar mais à vontade para enfrentar os Estados Unidos, que, às vezes, são um bocado exorbitantes e incômodos.

O QUE O SENHOR PODERIA DIZER SOBRE OS PRESIDENTES BRASILEIROS QUE CONHECEU?
Salvo erro, foram dez. O primeiro foi Jânio Quadros. Conheci Juscelino Kubitschek em seu exílio em Lisboa e Ernesto Geisel numa visita oficial que fiz ao Brasil. Ele presidia a ditadura militar. Eu dirigia um governo de esquerda. Pudemos entender-nos, não obstante o que nos separava. Conheci mal João Figueiredo, mas contribuí para abortar uma vaia que lhe estava sendo preparada em Lisboa pelos deputados portugueses. Não fiz isso por ele, mas pelo Brasil. Tancredo Neves era encantador e arguto. Oferecemos-lhe um jantar na véspera de sua posse. Faltou, disseram, por um "ligeiro incômodo de saúde". Sou amigo de José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique, com quem escrevi um livro. Collor era uma personalidade errática, mas com incontestável charme. Lula é uma referência para a esquerda.

LULA JÁ PODE SER COMPARADO A OUTROS LÍDERES DA ESQUERDA, COMO O INGLÊS TONY BLAIR E O ALEMÃO GERARD SCHRÖEDER?
Blair e Schröeder se deixaram influenciar em excesso pelo neoliberalismo. Sou muito crítico de Blair, porque ele assumiu posição frontal no caso da guerra contra o Iraque. Lula está introduzindo as políticas sociais necessárias e possíveis. É um grande presidente.

O SENHOR VISITA O BRASIL COM FREQÜÊNCIA. O QUE MAIS O ATRAI NO PAÍS?
O que eu gosto mais de tudo é a feijoada. Também dos sucos, da paisagem, da gente, da alegria, das novelas. Devia ser mesmo brasileiro. Fui ao Brasil pela primeira vez aos 40 anos. Se tivesse ido aos 20 anos, teria ficado.

domingo, janeiro 16, 2005

Curiosidades

Interessante o que nos diz Abtavares, de Brampton (Canadá):

«Apenas para repor a verdade dos neologismos cunhados em derredor dos padecimentos da vida "emigramada". O Prof. Onésmimo é de facto o autor da expressão "L(USA)LÂNDIA, que tal como o Snr. Moura afirmou é o título de um livro de crónicas sobre o quotidiano da vida dos luso-americamos em torno do almejado dólar. Creio que foi José Brites quem cunhou o termo "emigramar", poema que consta de um seu livro de poesia. Entendo que fui eu a cunhar o termo
"emigrandar e "emigrandando", presumindo que não tenha havido criação em paralelo e em simiultâneo pela dita "Emigrolândia" cujo autor desconheço.»

Recado ao Casimiro

Sobre a mesma matéria escreveu o Casimiro:

«Sr Manuel Carrelo, "Eleições históricas" porquê?
Só porque novamente, o sistema politico português, novamente rouba todos os lugares de deputadoa que a Diáspora tinha direito? Há histórico, porque agora os dois maiores partidos inovaram, colocando nomes, que se propuseram / aceitaram servir de Espantalhos / Palhaços, para enganar os Emigrantes. Sr Carrelo, de Lisboa, esperava tudo, agora dos Senhores Melo e Carrelo, nunca pensei, aceitassem, tanta paspalhice de vossa parte, a troco de quê? de humilhar mais a Diáspora, vocês se propuseram a isso? Haja decencia meus Senhores!...
Casimiro»
Ainda bem que o Melo e o Carrelo aceitaram. Assim (deixem-me escolher as palavras) as listas são melhores do que seriam sem eles.
As outras questões têm que se discutir depois das eleições. Agora estamos perante factos consumados: ou os eleitores lhes dão força (ao Melo e ao Carrelo...) ou ajudam a eleger os outros.
Isto é que é tão evidente que não tem discussão. A política tem destas coisas...
Perder uma batalha não é perder a guerra...

O apelo de Manuel Carrelo

Manuel Carrelo, que sei ser um homem sério e sensato, lança-me um apelo, que não posso deixar de responder de imediato:
«Um apelo ao Dr. Miguel Reis pela admiração que me suscita, a sua frontalidade e saber e também pela influencia que os seus bons créditos podem exercer.
Que o fim de semana de reflexão e dialogo com o íntimo, o coloque no caminho da reconciliação com o voto no Partido Socialista, para de uma vez por todas se fragilizar uma direita revanchista e fascizante.
Nunca me passou pela cabeça comprometer-me, com o Partido Socialista, que é sempre um compromisso, como é obvio, mas que para mim, significa acima de tudo, um compromisso com a comunidade. E por outro lado não hipotequei a minha independência político/ ideológica.
Assumo-me como um homem de esquerda, sem identidade partidária. E sabendo como sei que este PS é o mais a direita da história do partido, pode, o meu compromisso, parecer um paradoxo, mas creio não o ser.
E a explicação é simples: Se o Partido Socialista varrer nestas eleições, que exigem a união de todos os democratas, e que podem ser históricas, como espero, essa direita revanchista, então diremos que sendo o PS o partido mais a direita do poder significara sempre, uma viragem do poder a esquerda.
Acredito na sorte que estas eleições históricas, vão ditar e importa aqui enfatizar, históricas, porque podem ser mesmo o reduzir a expressão mais simples essa mesma direita, uma vez que não se antevê um líder forte na área do PSD, nos próximos anos, desvanecido que foi o mito Santana Lopes, e por outro lado um PS mais acessível aos homens mais sérios desta formação política, remetendo para P. Portas a responsabilidade de liderar a boa imagem de Le Pen, as forças políticas mais conservadoras, mas pouco expressivas, portuguesas. Se este cenário, que urge na vida política portuguesa, não sair vitorioso, por diferenças mínimas, tempos virão, muito difíceis, para Portugal e os portugueses. Assim vamos todos lutar para que o PARTIDO SOCIALISTA, possa governar em maioria absoluta, na próxima legislatura. Para mim ALEA JACTA EST.»
E aqui fica a resposta...
Esteja descansado que eu vou votar no PS e apelar a toda a gente que está na nossa área política para votar no PS.
Mas há coisas que temos que discutir depois das eleições e relativamente às quais terremos que exigir responsabilidade política a quem for responsável.
No que respeita às eleições do dia 20 de Fevereiro é preciso não pensar que são favas contadas e que o pessoal engole tudo o que lhe queiram enfiar na boca. Penso que, feitos alguns erros, ainda é tempo de devitar alguns danos que são previsiveis se continuarem a humilhar-se as pessoas.
Espero que o meu amigo tenha um bom resultado no circulo Fora da Europa. Espero que o PS ganhe...
Considero que é melhor votar no PS do que votar em branco... Mas não posso deixar de respeitar os companheiros que não têm capacidade para ultrapassar a humilhação de que foram alvo.
Por isso me parece que é preciso acabar com os jogos de força e ter bom senso. Dar um salto em frente, assumir compromissos com arrojo, ganhar a confiança dessa gente.
Não vamos lá com meias tintas, tratando o Cesário como companheiro de jornada em vez de o considerar como adversário principal. A não ser que esteja já planificado que ele deve ganhar...
Do que conheço da emigração fora da Europa - e especialmente no Brasil - ou os candidatos tomam uma posição frontal contra o Cesário, assumindo, nomeadamente o compromisso de repor o Consulado no centro da cidade e de forçar a nomeação de um cônsul que volte a abrir as portas e respeite a comunidade portuguesa, ou vamos apanhar uma enorme banhada.
O que sei é que os nossos camaradas de S. Paulo apresentaram uma plataforma aos candidatos e ainda não receberam qualquer resposta ou qualquer manifestação de vontade de assumir os compromisso nela contidos.
E o tempo passa...

Obrigado Sr. José Martins... pelo esclarecimento

O Sr. José Martins escreveu no PortugalClub este post de resposta às minhas observações, que deixo reproduzido na íntegra:

REPOSTA AO SR: MIGUEL REIS
«Irritado como os cães? Irritado como um "podengo e vira-latas" esteve o Sr. Miguel Reis que insere "mato" num blogo (montureira) a circular, sem primeiro verificar se este serve ou não para fertilizar. Não sei quem é (interessado tão-pouco o desejo de o conhecer), mas deve ser, creio, um "rapazola" que deve andar por aí aos "caídos" e a polir cadeiras dos cafés, armado em prosador/crítico e que tudo que apanha "rasca ou bom" lhe serve para dar largas aos seus instintos maldizentes. No passado dia 8 de Janeiro fiz 70 anos e não são as fotos ou a sua "cochina" prosa que inseriu, no blogo, que afecta a minha dignidade de HOMEM e de cidadão português emigrante há 43 anos que tenho procurado, no estrangeiro, elevar o meu país que é Portugal. Que vergaste quando tiver a certeza que está a vergastar no lombo certo porque do contrário a vergastada lhe virá de volta!
Jose Martins»
Só temos que lhe agradecer pela clarificação que trouxe.
Isto é a resposta possível às dúvidas que suscitei relativamente à assistência aos portugueses no aeroporto de Banguecoque.
Sobre a matéria nada disse, como aqui se vê.
Ficamos a saber que um funcionário da nossa embaixada - a fazer fé no que me disse o Casimiro - escreve coisas destas, o que clarifica a qualidade da nossa representação em Banguecoque. Mais uma razão para eu continuar a defender que essa embaixada deve ser encerrada. Em vez de vender imóveis que lhe fazem falta, pode o Estado vender o excelente edificio, reservando a poupança que faz e a receita que obtém para abrir representações onde elas, efectivamente fazem falta.
Dou de barato os insultos, porque eles não me atingem. Não insulta quem quem... Só insulta quem pode.
Afinal, o Sr. Martins tem um jeito especial para se insultar a ele próprio.
Se quiser continuar a enterrar-se... enterre-se. Com 70 anos deveria ter mais respeito por si próprio.

Os mais insatisfeitos

Os portugueses eram, em finais de 2003, os cidadãos da Europa mais insatisfeitos com a vida que levam.
O relatório passou despercebido na media. Pode ler-se em http://europa.eu.int/comm/public_opinion/archives/eb/eb60/eb60.1_portugal.pdf

Cidadãos de segunda

Escreve o meu amigo Maurício, de Belo Horizonte:
«Os utentes do consulado de Santos têm reclamado que não podem se cadastrar eleitoralmente. Um deles fez o seguinte relato:
Pedi informações quanto ao voto no Consulado de Santos à senhora Ersília e naquele momento estavam presentes outras funcionárias no balcão. Logo que eu perguntei elas deram umas breves gargalhadas e disseram que, como o duplo-cidadão vota no Brasil, fica automaticamente excluído do direito de voto em Portugal. Depois me informei melhor e voltei a fazer a pergunta dizendo que o que elas disseram não procedia, então riram novamente dizendo que lá brasileiros (que também sejam portugueses) não podem ser inscritos como eleitor. E fim de papo, se quiser vai reclamar com o bispo.”
Barbaridades destas ouço-as com muita frequência. São as representações externas que temos...
Temos que esclarecer os cidadãos de que pelo facto de terem outra nacionalidade não perdem os seus direitos políticos em Portugal.
É altura de acabar com a «moldagem» dos colégios eleitorais à vontade do freguês.

O Capitão Verdasca não tem papas na língua...

Este Capitão Verdasca está cada vez mais acutilante:
Vejam o que escreveu no PortugalClub:

«Se TRAIR alguém consiste em voltar-lhe as costas, fugir aos compromissos assumidos, não cumprir solenes promessas feitas colectiva e publicamente aos eleitores, ou, como diz o Lello ( o dicionário), "TRAIÇÃO é o acto ou efeito de TRAIR, daquele que trai, perfídia, infedilidade, falsa fé, cobardemente", então a DIÁSPORA seria TRAÍDA.
Se o secretário de um partido político - infringindo os Estatutos que são a sua constituição, desrespeitando os seus pares que lhe dão sustentação, descumprindo solenes promessas e deveres com a Instituição, e, principalmente, faltando com o respeito a si próprio - passasse por cima de tudo e de todos, e impusesse à Diáspora um candidato de fora, e, que - ainda mais grave - vive à custa de anúncios da mesma.
Mas tal barbaridade, nem sequer teria classificação, na eventualidade de a cúpula do partido passar por cima dos direitos das estruturas locais, humilhando os seus membros, fazendo letra morta dos Estatutos, desprezando as deliberações e recomendações das secções, enfim, se um militante - ignorando os seus iguais - se desse ares de TIRANO, como acontecia na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussulini, ou no nosso querido Portugal Salazarento, quando o Director da Pide ignorava os direitos dos cidadãos, prendendo, torturando, e até matando, como aconteceu a Humberto Delgado, cujo sacrifício TERIA SIDO EM VÃO.
Acabo de ler declarações de José Sócrates:"NÃO VAMOS COMETER OS ERROS DOS OUTROS......e, eu acrescentaria NÃO PODEMOS REPETIR OS NOSSOS PRÓPRIO ERROS, como voltar a IMPOR CAIOS ROQUES, "AZEMÉIS", e outros que tais, que NADA TÊM A VER com a DIÁSPORA, não têm formação nem condições para nos respresentar. A DIÁSPORA TEM MUITA GENTE BOA e CAPAZ, que está disposta a representá-la. (O signatário a seu tempo já disse nada pleitear).
Terminando, se a Comissão Política do P.S. referendar os nomes já anunciados para a DIÁSPORA, estará DESMORALIZANDO tudo e todos, pois, tanto as federações, como os eleitores, rejeitam cabeças de lista de fora. Que o P.S. não siga o exemplo do PSD, a cujos ERROS deve esta eleição, e NÃO a seus próprios méritos. Que o ANO NOVO nos proporcione uma VIDA NOVA, com o EXEMPLO vindo de CIMA, pois só deste modo se tem MORAL para liderar, para arregimentar, para congregar, enfim, para tomar decisões.(...)»

Resposta a Edmundo Figueiredo

Escreve Edmundo Figueiredo, que discorda do que escrevi sobre a necessidade de reforma do sistema político:
«O princípio cientifico, que, se um determinado resultado obtido pela aplicação constante dum sistema pré-definido, resulta razoavelmente igual, então temos uma teoria aceitável para o resultado pretendido. Diz-se válida. A partir desta constatação passa-se à sua adopção e temos as coisas organizadas para nosso sossego.
E toca a esquecer a mínima percentagem causadora do erro!?
É assim com as teorias da queda dos corpos, da impulsão dos liquidos, da sustenção do mais pesado que o ar, da metereologia, etc.
Não considero que o sistema politico instituído em Portugal seja o culpado dos resultados obtidos serem não válidos. Não vamos culpar o vinho por haver bêbados, nem o haxixe por haver drogados. nem o tabaco pelos cancros de pulmão, e, supremo exemplo de todos os exemplos: não vamos culpar a água por haver afogados. Então ninguém bebia água e os médicos que nos zurzerm permanentemente com a necessida de a beber seriam réus de juizo por atentórios da vida humana. Seria uma insensatez.
O hábito de procurar culpados para tudo e por nada só desvia as atenções dos verdadeiros problemas quando se pressente a dificuldade de os resolver. Por isso discordo das simpáticas divagações do compatriota Miguel Reis. E, atenção, não é relevante sabê-lo licenciado ou mestrado ou doutorado. O bom senso e a percepção da coisa exterior não se aprende em nenhum banco de escola. Cita-se sempre o exemplo de Einstein ter sido afastado da escola por pouco inteligente mas gosto mais de citar Newton cuja biografia é mais esclarecedora neste sentido. A história do homem está repleta de exemplos deste tipo.
Até há sábios e sensatos guilhotinados! A culpa foi da guilhotina, certamente.
Mas todos os exemplos que se vasculhem na poeira da história não nos respondem ao nosso problema: a causa do poder corromper. Mas apontam e indíciam causas.
Porquê, então, ele não corrompe todos por igual se o sistema é constitucionalmente igual? Porque uns mais e outros menos, e ainda outros assim assim?
E porquê, também bastantes felizmente, há os que não corrompe?
Heim?
Esta é, na realidade, a verdadeira questão!
Aceitam-se respostas... abertas!
Edmundo Figueiredo »

Não consigo descobre onde estão os pontos da discordância.
Na análise dos pressupostos ou na conclusão? Eu limitei-me a sustentar que, mantendo-se embora as candidaturas por lista, os eleitores possam voltar nominalmente, escolhendo um candidado de uma lista.
Parece-me que isso conferiria maior transparência ao sufrágio e maior legitimidade aos eleitos.

Recordações

Logo de manhã, Luisa Baia deixou-nos esta lembrança na caixa do correio:

"O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (.) O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. (.) A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!"
Eça de Queirós , 1871.

Antologia da emigração

Do PortugalClub:

Se tudo isto é uma merda
Que suja em Portugal o chão
Cagada pela direita e pela esquerda
Quem é que limpa o cu do câo?

Fernando Oliveira - Paris

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Windows Posted by Hello

Sapos vivos

Telefonou-me há pouco um amigo que me dizia: «Vamos todos ter que engolir sapos vivos se quisermos que o Santana não volte a ganhar as eleições».
A conversa começou por causa de um post que aqui coloquei sustentando a legitimidade do voto em branco.
É verdade: o voto em branco tem a virtualidade de permitir protestar contra a escolha de candidatos de merda, como são muitos os que estão nas listas.
Dizia o meu amigo: «merda por merda temos que escolher a nossa ou aguentamos com merda dos outros, que é mais dificil de suportar».
Essa é de antologia, Manuel.
Ainda há pouco fiquei horrorizado porque, nesta Lisboa cada vez mais suja e abandonada, pisei um cagalhão de cão à saída de um restaurante.
Vou reflectir sobre toda essa merda no fim de semana.

Contradições


José Sócrates começou a entrar em grandes contradições.
Depois de um excelente debate político em torno do Orçamento de Estado, Sócrates veio agora dar o dito por não dito e dizer que vai aplicar parte das medidas que criticou.
Isto é absolutamente inaceitável e só pode compreender-se se, antes de ser eleito, Sócrates já é prisioneiro dos interesses envolventes.
É curioso que foram retirados do site do PS os discursos do debate orçamental.
Bagão Félix veio a terreiro atacar o lider do PS afirmando que a posição de recusar repor os benefícios fiscais, emn coerência com os discursos anteriores, «revela três défices: de prudência, competência e de convicção». O fim dos benefícios fiscais foi a justificação dada pelo PS para votar contra o OE para 2005.
Bagão Félix referiu que Sócrates afirmou um défice «de prudência, porque o PS não sabia que o fim dos benefícios fiscais visava uma melhor redistribuição, um défice de de competência, porque os deputados não estudaram a matéria como deve ser e porque não esperavam ser confrontados com a situação passado um mês devido à dissolução da Assembleia da República.
Começa já a falar-se de escolha de ministros e titulares de altos cargos.
O que se diz nos mentideros é que Jaime Gama será o próximo presidente da Assembleia da República, podendo Freitas do Amaral vir a ser convidado para Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Soou hoje em Lisboa que António Costa quer ser o futuro Ministro das Finanças e que Edite Estrela quer ser Ministra das Cidades.
Manuel Pinho, o homem do Espírito Santo poderá ser o Ministro da Economia e Alberto Costa o da Justiça.
O que se fala é que esse governo (que para muitos é já de favas contadas) terá apenas onze ministros e muitos secretários de estado.
Demagogia ou concentração do poder.
Parece-me que o PS está em entrar por caminhos muito perigosos relativamente ao seu próprio eleitorado tradicional.

Voltemos ao comércio

Diz a Lusa que presidente Jorge Sampaio lembrou hoje a empresários chineses que a liberalização do comércio têxtil global, que entrou em vigor no passado dia 1, poderá afectar negativamente um "sector vital" da economia portuguesa.
"É do nosso interesse mútuo evitar que os efeitos dessa liberalização ponham em causa de forma brusca o equilíbrio de um sector que continua a ser vital para a economia portuguesa", disse Jorge Sampaio num fórum empresarial luso-chinês em Xangai.
"Confiamos que a China não deixará de ter esta situação em conta", acrescentou, referindo-se ao "forte impacto competitivo da indústria chinesa" no sector têxtil.
O que é que isto quer dizer?
É evidente que esse sector vital da economia portuguesa não irá a lado nenhum, por não ter nenhuma possibilidade de competir com os chineses.
Aaaa nossa única hipótese nesta área é voltarmos à nossa condição de mercadores.
Instalar fábricas na China (e no Brasil) e abastecer a Europa, com produtos fabricados no exterior.

Um golpe inteligente...

Lisboa, 14 Jan (Lusa) - O PS acusou hoje o Governo de estar a pagar antecipadamente o Apoio Social a Idosos Carenciados (ASIC) para o fazer coincidir com a chegada dos boletins de voto, mas o Executivo considera as acusações "completamente falsas".
"O Partido Socialista denuncia as manobras eleitorais que o Governo está a levar a cabo utilizando os recursos do Estado de forma indevida, neste caso o ASIC, antecipando o seu pagamento no Brasil e noutros países, fazendo-o coincidir com o período em que os eleitores começarão a receber os boletins de voto", refere, em comunicado, o departamento de Comunidades do PS.
De acordo com os socialistas, o Governo já anunciou que os pagamentos do ASIC vão ser feitos entre 27 de Janeiro e 14 de Fevereiro.
O PS refere que os subsídios costumam ser pagos trimestralmente e "com atraso".
"Dado que o último subsídio foi recebido em Dezembro, a fazer as contas pela regularidade do Governo, os próximos montantes só deveriam começar a ser recebidos a partir de Março ou Abril", dizem os socialistas, criticando a "manipulação" dos mais carenciados.
Consideram ainda que o Governo "mais uma vez demonstra estar a usar indevidamente os meios do Estado" para fazer campanha.
Contactado pela Agência Lusa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Carlos Gonçalves, rejeitou as acusações socialistas, considerando-as "completamente falsas".
"As acusações revelam que os candidatos do PS, apesar de já estarem em campanha eleitoral, não apresentaram até ao momento qualquer sugestão ou ideia na área das comunidades portuguesas", disse Carlos Gonçalves.
O secretário de Estado sublinhou que a "ausência de proposta leva a que os socialistas tentem enveredar por falsas informações e pela incúria".
"A ausência de proposta do PS não parece surpreender face à falta de ligação e ao desconhecimento por parte dos cabeças de lista pela Emigração na área das comunidades", criticou.
Comentando em concreto as acusações dos socialistas, Carlos Gonçalves apenas confirmou que os pagamentos do ASIC são feitos trimestralmente e indicou que aquele que vai ser agora liquidado se refere ao último trimestre de 2004.
Adiantou ainda que nos últimos anos o número de beneficiários do ASIC aumentou consideravelmente.
A ASIC é um subsídio atribuído pelo Estado português a emigrantes idosos carenciados.
Estavam à espera de quê?
Já se sabia que estes pagamentos seriam feitos apenas à beira das eleições. O José Cesário não é tão tolo como o fazem...

Resposta do Sr. José Martins, a interpretar as fotos da Tailândia

Reagindo ao post de 12/1 - aquele em que se apresentam as duas bandeiras portuguesas e os avisos afixados no aeroporto de Banguecoque, escreveu o Sr. José Martins o seguinte:

Ao Portugal Club,
Em relação à foto que foi posta a circular pelo Sr. Miguel Reis do blog
"Portugal Global" desejo esclarecer o seguinte:

1. Não se tome a nuvem por Juno nem se acredite em tudo que um qualquer
"pândego", por má fé se tenha lembrado de tirar uma foto a dois cartazes
que estavam colocados em sitio certo, no Aeroporto Internacional de
Banguecoque e na terminal dos vôos domésticos.
2. A pessoa destacada no aeroporto de Banguecoque, desde o início da
tragédia nas praias do sul da Tailândia foi eu José Gomes
Martins jose@loxinfo.co.th e o pai da lusa/tailandesa Maria Pia Gomes
Martins e proprietária do website
www.aquimaria.com, que certamente o
Portugal Club tem conhecimento da existência da sua circulação, na net e
desenvolvido por mim.
3. De 27 de manhã até à chegada dos últimos dois portugueses (dia 6 de
Janeiro) para a um se lhe entregar (e entregou-se) o passaporte e o bilhete
de avião para chegar à sua procedência.
Eu Jose Gomes Martins, assistente administrativo principal da Embaixada de
Portugal em Banguecoque, há 20 anos, estive na terminal doméstica 14,15 e
18 horas esperando os portugueses que estivessem necessitados de apoio,
quer este fosse de acomodação, dinheiro ou ser de imediato encaminhado para
os serviços consulares na eventualidade necessitar de ali lhe ser passado
um documento de viagem.
4. Na altura que o "pândego" tirou a foto eu estava no aeroporto que
corria de uma terminal, dos tapetes rolantes, para outras com os cartazes
em punho para identificar a Embaixada de Portugal e que alguém ali estava
para apoiar os portugueses. Digo estava no aeroporto porque detrás desses
cartazes está um saco branco plástico onde eu tinha o bloco de apontamentos
e outros papeis. Mas, quando eu abandonava o local, no último vôo
doméstico, por volta da meia noite esses cartazes ficam em cima da mesa
para eventualidade de algum português ali chegar (não de vôos porque estes,
os domésticos, náo se efectuaam depois da meia noite), mas talvez perdido
no meio da confusão de um aeroporto gigante como é o internacional de
Banguecoque.
Durante os 11 dias que ali estive, destacado, tive a ajuda de outros
"samaritanos" portugueses que voluntariamente se aprontarem para ajudar os
portugueses naquilo que fosse necessário, que anexo fotos.
5. Aqui se alguma coisa está mal (na opinião do "pândego" que tirou a foto)
quem deveria estar preso não era o Embaixador mas sim a minha pessoa. Como
português residente na Tailândia há 26 anos, me prezo de ter cumprido, quer
oficialmente ou particularmente servir e bem e no melhor que pude todos os
portugueses que por aqui passaram fossem eles de Bem ou Vilões.
E por fim os "Cães Ladram e Não me Mordem" porque são "tinhosos".
Encerrei o assunto.
Com os melhores cumprimentos
José Martins

22-237 Soi Phrom Wat 1/11
Rama II
10150 Bangkok - Thailand
Tele 66 2 8985845
Fax 66 2 416 8344
Mobile 66 1 8293487
E-mail
jose@loxinfo.co.th

O Sr. Martins está irritado com os cães e dá a sua resposta que reproduzo na integra.
Afinal ela é muito importante, pois que serve para confirmar que, nos dias da tragédia, foi afixado aqueles anúncio, que diz apenas isto:
POR FAVOR TELEFONE PARA 018293487 ou 28985845
JOSÉ MARTINS
ESPERE CERCA DE 30/45 MINUTOS QUE CHEGUE PARA ATENDER
Falando de cães, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.
Ninguém acredita que alguém fizesse uma placard deste tipo se tivesse que se ausentar apenas por uma meia hora...
A ideia que o cartaz transmite é a de que, agluém necessitado deveria:
1. Telefonar para aqueles numeros;
2. Depois aguardar 30/45 minutos
De qualquer modo o Sr. José Martins não tem culpa nenhuma de nada disto. Talvez até nem tivesse meios para responder como deve ter a uma situação como esta.
O problema é bem mais profundo: é do Estado.
Houve demasiadas notícias más sobre o comportamento dos nossos representantes na Tailândia.
Está tudo escarrapachado nos jornais...
Por favor não nos atirem areia para os olhos.
Do Inimigo Público de hoje... Posted by Hello

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Aviso premonitório?

O Procurador-Geral da República, Souto Moura considerou que a fraude e corrupção em Portugal voltaram a ser um perigo para os «alicerces do Estado de direito» pelo que o seu combate deve constituir uma prioridade na luta contra o crime.
«Emmanuel Mounier disse que o poder atrai os corrompidos e corrompe os atraídos, onde houver exercício do poder fica aberta a porta para que a corrupção se instale» - disse Procurador-Geral da República.
Ninguém sabe se esta afirmação é premonitória servindo para anunciar alguma coisa, num momento em que, à beira de eleições, não é razoável que se tratem com frontalidade estes assuntos.
O PGR considerou que este tema «ganhou uma dimensão diferente», porque «a corrupção sujeita os fundos do Estado a serem desviados, a ordem de prioridades do interesse público é prostrada, a confiança nos governantes e administração pública desaparece e a autoridade do Estado também».
«Não espanta que seja considerada uma prioridade dos Estados na luta contra o crime, porque é a própria sobrevivência daquele Estado enquanto pessoa de bem que está em causa».
Vale a pena ouvir as declarações que estão na TSF.



A reforma do sistema político


A intervenção de Presidente da República não sendo oportuna, como claramente não é neste tempo pré-eleitoral, teve pelo menos o mérito de lançar um tema para o debate político, num momento em que, não se conhecendo nenhuma alternativa eleitoral, os temas são escassos e difusos.
A sugestão do Presidente Sampaio - de que é necessário mudar o sistema em termos que privilegiem maiorias estáveis - é extremamente perversa e contraditória com as próprias circunstâncias temporais em que foi proferida.
Se Jorge Sampaio não fosse um democrata eu diria que nos tempos mais recentes não houve nenhuma maioria mais estável do que a da União Nacional, que nasceu com esse preciso argumento, contra a "dilaceração" da nação pelos partidos.
O problema não está em qualquer falta de maiorias estáveis. Talvez nunca tenha havido (para além daquela) uma maioria tão estável como a da dupla Santana Lopes/Paulo Portas. E foi o que se viu: se não vivêssemos num sistema semi-presidencial, que faz depender o governo do apoio parlamentar e da confiança presidencial, este governo prolongaria a sua agonia até ao fim da legislatura.
Vimos, de outro lado, que há governos sem maioria que governam melhor do que governos com apoio maioritário, pelo que não é por aí que há-de buscar-se a raiz da estabilidade.
O que está mal é de uma extrema evidência.
O sistema foi pensado e projectado para funcionar com partidos democráticos, activos na organização da intervenção política dos cidadãos. Esses partidos não existem na realidade, o que defrauda o funcionamento do sistema na sua raiz.
Se existissem, o problema teria uma dimensão reduzida, uma vez que os candidatos à representação política seriam naturalmente seleccionados pelo peso das suas ideias, nessa dinâmica relação entre os partidos e a sociedade.
Verdade é que os partidos portugueses se fecharam sobre si mesmos, sobrevivendo não numa relação com a sociedade mas numa relação com a comunicação social e com os diversos grupos de lobby - que constituem hoje o seu espaço comum de convivência - e com o aparelho constituído pelos seus dependentes, que acaba por funcionar como a maior garantia do caciquismo.
É hoje inquestionável a existência de um bloco central de interesses que, passando formalmente à margem da política, é constituído por políticos de todos os quadrantes, a quem a simples justificação de "ganhar a vida" permite tudo, sem nenhum preconceito.
A dimensão dos partidos não depende hoje do número dos seus militantes nem da acção destes na sociedade mas do que os directórios conseguem passar na comunicação de massas.
Estes directórios são escolhidos por um número muito restrito de cidadãos militantes. Mas o mais grave de tudo isso é que mesmo esses militantes, em bom rigor não o são, porque, em bom rigor, não têm qualquer possibilidade de militar.
A militância partidária é um trabalho de grupo. Não pode falar-se de militância partidária em partidos de porta fechada aos próprios militantes e muito menos de partidos de porta fechada à sociedade.
É certo que esta evidência tem obrigado à montagem, por alguns partidos, de operações de imagem destinadas a criar na opinião pública uma ideia de participação social alargada.
Essas operações servem apenas para branquear uma deficiência grave do sistema político, não tocando, porém, na sua essência, que se situa a jusante, no momento da escolha dos candidatos ao exercício de cargos públicos, que essas operações de charme ajudam a promover.
Com o actual sistema político - em que os governos podem ser constituídos, em boa parte, por pessoas absolutamente desconhecidas, sem nenhuma prova de competência e sem qualquer legitimidade sufragada, o parlamento não deveria ter mais do que oitenta deputados, porque deles não precisa, como se poderá concluir de uma análise cuidada do trabalho parlamentar.
A grande maioria dos deputados nada produz, ou tem uma intervenção muito reduzida nos trabalhos parlamentares. Esta realidade facilita uma reforma do sistema, que se torna imperiosa se quisermos evitar a degradação da democracia.
Entendo que os partidos políticos são essenciais ao regime democrático, mas não aceito que possa resumir-se a eles toda a vida democrática. Por isso me parece que, na falta de condições para mudar, por via legislativa a vida dos partidos políticos, é indispensável substituir a actual forma de sufrágio de voto em lista pelo voto uninominal.
Porque me parece que nem tudo é mau no actual sistema de listas e que o método de Hondt tem interessantes virtualidades, se fosse eu o legislafor deixava quase tudo na mesma, com uma pequena diferença: em vez de votar na lista, o cidadão passaria a votar num dos elementos da lista. A distribuição dos mandatos continuaria a fazer-se, como até agora, na base do apuramento dos resultados globais por lista; mas a escolha dos eleitos far-se-ia não pela ordem que tem na lista mas pelo número de votos pessoalmente obtido por cada um dos candidatos.
Acabava de vez este compadrio vergonhoso a que assistimos com a constituição das listas dos diversos partidos marcada não pela lógica democrática mas pela lógica da passagem administrativa.
Tenho a certeza de que alguns cabeças de lista nunca seriam eleitos e de que, ao invés, haveríamos de ganhar políticos esforçados, porque a luta por uma vitória pessoal como a que aponto não resulta se for um trabalho de fim de semana, só resultando se for um trabalho, pelo menos, de todos os fins de semana. Complementarmente, deveria a lei estabelecer a possibilidade de qualquer cidadão se poder candidatar numa base de adesão ao programa apresentado por qualquer dos partidos. Os votos que estes independentes colhessem entrariam no score do partido em causa, mas eles seriam eleitos se obtivessem mais votos individuais que os da lista do próprio partido.
Um dos maiores dramas da nossa democracia está na esclerose que atingiu o sistema político.
Muitos dos actores deram as suas vidas à ao regime. São ex-empregados da classe média que assumiram responsabilidades políticas (traindo muitas vezes as suas origens, como lembra sabiamente o meu amigo Edmundo Pedro) sem terem preparação para tais responsabilidades e que se reproduziram mimeticamente, por obra e graça da única coisa que aprenderam a fazer: intriga, jogos de influência, manobras de bastidor. Coisa para cuja eficácia é preciso um bem precioso que se chama tempo, o que, de certo modo justifica que, para além de uma elite que tem fortuna pessoal, sejam muito poucos os que têm modo de vida próprio a envolver-se na política.
Não me refiro, obviamente aos poetas, para quem o tempo é outro, falecendo os países que os não têm ou onde eles definham.
Refiro-me a toda essa gente que por aí vagueia e que, por falta de formação específica, não pode ansiar outra coisa para além de um assento, onde entra mudo e sai calado, não porque haja censura mas porque o próprio sistema é obrigado a defender-se.
São eles, No fim de contas, os garantes da estabilidade. E já existem em número suficiente o que transforma o apelo do Presidente num apelo patético.



Vamos embebedar os chineses?

Diz a Lusa que as Caves Arcos do Rei, da Anadia, vão instalar-se na China, através de uma parceria local, e espera produzir e comercializar anualmente 100 milhões de garrafas de vinho, anunciou.
Em declarações à Agência Lusa, Rui Ribeiro, sócio-gerente das Caves Arcos do Rei, referiu que a empresa terá 51 por cento do capital da "joint-venture" e vai investir 250 mil euros na primeira fase de colaboração com uma congénere do município de Dongying, na província de Shandong.
Dongying, a cerca de 700 quilómetros de Pequim, é uma cidade com 1,8 milhões de habitantes, construída na segunda metade do século XX, numa importante região petrolífera da China.
Cem milhões de garrafas não vai dar para embebedar ninguém. É um bom começo e uma esperança.
Com o abandono das vinhas em Portugal, ainda temos esperança de vir a beber no futuro vinho chinês, fabricado por portugueses.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

O silêncio do PCP sobre as políticas para as comunidades

Diz um comunicado da CDU hoje recebido:

«É inacreditável que os candidatos do PSD Carlos Gonçalves e José Cesário venham junto das comunidades afirmar que irão fazer aquilo que, como deputados e membros do Governo, andaram durante estes anos a destruir.
O PSD recusou constitucionalizar o Conselho das Comunidades; fechou consulados; desinvestiu no ensino da língua portuguesa; não deu um só passo para responder aos anseios dos trabalhadores consulares e vem agora candidamente, como se não tivessem qualquer responsabilidade, pedir votos para fazer aquilo que maltratou.
A CDU alerta as comunidades portuguesas para esta conversa de falinhas mansas com vistas a ludibriar os emigrantes.
A CDU insiste no desafio: as comunidades têm de dizer, pelo voto, que já chega, que é tempo de mudar.
A CDU apela às comunidades para uma atitude corajosa que mostre ao PSD e ao PS que se recusa mais do mesmo, que se recusa o prosseguimento do mesmo caminho que marcou estes mais de 25 anos.»
Nem uma palavra sobrer a política do PCP para as comunidades... No site também não há nada...
Será que o PC também sustenta que o futuro do País está na imigração e não no retorno dos emigrantes?

Esta fotografia foi tirada por um cidadão português no aeroporto de Banguecoque, dias a seguir à tragédia. Isto é uma vergonha que nos humulha a todos nós. O melhor é mesmo fechar esta embaixada, para que possamos recorrer às dos outros países da União Europeia. O mínimo exigível é que alguém tenha a coragem de abrir um inquérito a esta situação. E pedem milhões para assistência às vítimas... Esta gente não tem respeito por ninguém. Posted by Hello

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo...

O inefável José Lello escreveu no Bloglello o seguinte:


«Fui bloguista logo na primeira hora, nos endereços jotalello@blogspot.pt e joelello@blogspot.pt..Assim mesmo, identificável, porque repudio atitudes de falta de coragem e de pouca dignidade cívica, típicas daqueles que se escondem debaixo do anonimato, para zurzirem os seus adversários de estimação. Comigo, tendo algo a dizer sobre alguém, a dizê-lo, fá-lo-ei sempre de forma aberta e frontal, sem recurso a fingimentos nem artifícios apócrifos.
Então, porque razões foram os dois referidos blogues assim votados por mim ao ostracismo, pelo menos desde meados de Agosto? Ora, enfastiei-me daquilo, fui para férias e regressei com outras perspectivas e horizontes. Com tanto bloguista a emergir, senti que não tinha tempo nem pachorra para a função.
Aqui é diferente, este é o blogue do parlamentar que sou, no qual, sem pretender competir com o ritmo obsessivo dos tais bloguistas apócrifos, poderei discorrer, com objectividade e em tempo próprio, sobre questões da actualidade política, sobre temáticas específicas do meu próprio círculo eleitoral, enfim, sobre assuntos genéricos que me suscitem particular atenção.
Enfim, de regresso, eu bloguista me confesso!
publicado em quinta-feira, 14 de Outubro de 2004 21:17 »
Esqueceu-se que não há @ nos endereços de blog.
Logo lhe respondeu o jovem Tozé:
«Sr. Deputado: É evidente que é um bloguista dos antigos, daqueles que surgiram ANOS depois do fenómeno surgir na web. Tal como todos os outros que aqui deixaram as suas mensagens, e que se vangloriam de ser pioneiros de uma coisa há muito descoberta conhecida. Enfim...Mas talvez não seja mau aprender duas coisas fulcrais em relação à terminologia utilizada: O símbolo @ usa-se para os endereços de E-MAIL, e não para os endereços HTTP. E há uma diferença entre a terminação .PT e .COM: o .PT está sob a alçada da FCCN, que regulamenta o registo de domínios nacionais; o .COM é um domínio internacional, esse sim, ao qual está associado esse motel de ideólogos digitais serôdios, o Blogger. O seu post inicial, a la grande, comete assim dois erros crassos de vocabulário web, que mostram claramente que fala do que não sabe com galhardo à vontade. Já que passa o tempo a apontar os erros e as azelhices dos outros, talvez não fosse mau olhar para o espelho de vez em quando... Cumprimentos e bons posts!»
Mas há mais. Vale a pena ler...

Blogues do Parlamento

Para quem não saiba, aqui fica registado que o Parlamento e alguns parlamentares tem blogues.
Até o José Lello, que tanta pancada tem levado nos últimos tempos, tem um que se chama bloglello.
Passem por lá e vejam a profundidade dos diversos pensamentos.

A intervenção de Alberto Costa

Vários amigos me telefonaram por causa de um post em que eu me referia à pobreza da intervenção do Dr. Alberto Costa a propósito da reforma da Justiça, pasta para o qual indicam como candidato.
Eu acho que é mesmo pobre, para não dizer negligente... Aqui fica, até para memória futura:
«O estado do sistema da justiça em Portugal converteu-o num factor negativo em relação ao desenvolvimento económico e social, numa altura em que o ritmo desse desenvolvimento é crucial para a nossa inserção na União Europeia e no mundo. Por outro lado, quando se dava por assente que a morosidade era o resultado dum extremo garantismo, verificou-se, com surpresa, que nem sequer direitos fundamentais se encontram devidamente acautelados no funcionamento concreto do sistema judicial. O PS propõe para a justiça um impulso modernizador através de um verdadeiro choque tecnológico, de uma redução drástica da burocracia e da eliminação dos milhões de horas da vida das pessoas e do tempo das empresas que a voracidade do sistema actualmente absorve. Numa legislatura, acabarão os processos de papel nos tribunais, deixarão de ser exigidas certidões no sistema de justiça e desaparecerá a actual duplicação das idas ao notário e ao conservador. Ao mesmo tempo, serão introduzidas as alterações indispensáveis para que direitos e deveres, em áreas fundamentais, não fiquem sem garantia judicial e a confiança no funcionamento da justiça seja recuperada. Uma modernização da justiça que a coloque ao serviço das pessoas, das empresas e do desenvolvimento, uma justiça em que a garantia da efectividade dos direitos e deveres fundamentais a restitua ao respeito e à confiança da comunidade – esses são os objectivos primeiros do PS no domínio da justiça.»

As opções estratégicas de Portugal segundo Nuno Severiano Falcão

Guardo aqui, por me parecer interessante e sintomática a posição de um dos gurus da estratégia internacional do PS, Nuno Severiano Falcão.
Nem uma palavra sobre os portugueses da diáspora, o que confirma a ideia que se vem acentuando de que o bloco central os pretende, pura e simplesmente, excluir do teatro.
«Num mundo em globalização em que se multiplicam e transnacionalizam as redes e cresce a interdependência estrutural nas relações internacionais, o primeiro objectivo para Portugal é o da sua afirmação internacional. Democracia consolidada, pequena potência no plano global, média, no quadro europeu, Portugal tem uma ideia própria para a ordem internacional e uma ideia para o seu papel nas áreas onde se joga o seu interesse nacional. A ideia é a de uma ordem internacional multilateral, e de um papel activo, desde logo, nas questões da agenda global, seja no plano económico e social como no plano político e da segurança. Significa isto, por um lado, o reforço da presença portuguesa nas principais organizações internacionais empenhadas no desenvolvimento sustentável. Por outro, a produção de segurança internacional, com a participação das Forças Armadas Portuguesas em operações humanitárias, de gestão de crises e de manutenção de paz, no quadro das organizações a que pertence e em particular das Nações Unidas. Significa, finalmente, atenção e empenho no debate sobre a reforma do sistema das Nações Unidas. País europeu, Portugal é também um país atlântico que continua a manter fortes relações pós-coloniais e uma relação especial com aquela que é a sua única fronteira terrestre: a Espanha. Assim, para além da ordem global, Portugal enfrenta desafios estratégicos nas suas áreas de interesse histórico: as relações transatlânticas; a construção europeia, as elações no quadro ibérico; e as relações pós coloniais. O primeiro desafio de interesse estratégico para Portugal é a superação da crise transatlântica, aberta pelo conflito do Iraque, e a manutenção da estabilidade e reforço do vínculo transatlântico. Não só porque constitui um garante da segurança internacional e da paz, mas também porque corresponde ao interesse nacional. País, simultaneamente, europeu e atlântico, não interessa a Portugal a clivagem entre os dois lados do Atlântico e muito menos uma opção entre Europa ou Estados Unidos. Interessa, pelo contrário, valorizar a dupla pertença: fazer valer a sua condição de país europeu na relação com os Estados Unidos e rentabilizar a sua relação transatlântica enquanto membro da União Europeia. No quadro nacional e no quadro da União deve trabalhar neste sentido, mas não pode deixar de preparar todos os cenários possíveis. O segundo desafio estratégico para Portugal é o da União Europeia: o sucesso do projecto europeu e a centralidade de Portugal nesse projecto. Potência média mas, geograficamente, periférica, é do interesse de Portugal estar, sempre, no centro da construção europeia. Enquanto membro, não interessam a Portugal “directórios” nem diferentes velocidades. Mas se a evolução da integração europeia impuser quaisquer “geometrias variáveis”, o interesse nacional aconselha a presença portuguesa em todas as “cooperações reforçadas” ou “estruturadas” que vierem a constituir-se. Como foi fundamental a presença no EURO, será fundamental para Portugal, a presença em todos os núcleos duros, inclusive os de natureza militar, como a Política Europeia de Segurança e Defesa e as missões militares sob comando da União Europeia O caminho mais curto e a estratégia mais eficaz para superar a periferia geográfica é conquistar a centralidade política. No quadro da União e em particular no seio do Conselho, onde se expressam por excelência os interesses nacionais, Portugal deverá desenvolver uma diplomacia ágil e alianças flexíveis em função das áreas de interesse e dos aliados em presença. Mas deverá, mais do que isso, desenvolver uma ideia sua para a União Europeia. E bater-se por ela. Na reforma institucional do Tratado de Nice, soube ter essa ideia, soube ter uma estratégia e bater-se por ela. Forjou alianças, liderou a posição dos países pequenos e teve sucesso. Poderá ter que o fazer e deverá fazê-lo no futuro. No curto prazo, a ratificação do Tratado Constitucional e a concretização da Estratégia de Lisboa são imperativos imadiatos. No quadro peninsular e das relações com Espanha reside o terceiro desafio. No modelo tradicional a Espanha era pensada como ameaça e toda a lógica das relações era a lógica da fortaleza. Fortaleza no campo económico, reduzindo ao mínimo as trocas e voltando todo o dispositivo geoeconómico para o mar. No campo diplomático e militar, construindo fortalezas ao longo da fronteira e alianças com as potências marítimas. Até na sociedade e nos costumes esse princípio se traduzia no ditado popular: “de Espanha nem bom vento nem bom casamento”. Hoje, todo este modelo se desvaneceu. Com a democratização e a integração europeia, o dispositivo geoeconómico português continentalizou-se e as alianças externas dos dois países ibéricos unificaram-se. Mas significará essa coincidência que se desvaneceu, também, o interesse nacional? Certamente, que não. O interesse nacional permanece, mas a sua formulação é, hoje, mais exigente e a sua defesa mais complexa. Porque a lógica da fortaleza deixou de funcionar. Numa economia aberta e num espaço sem fronteiras que é o como é o das relações Portugal-Espanha, no quadro da União Europeia, a estratégia não está na construção de fortalezas. Está sim, na competitividade da economia. E é esse o desafio: a capacidade para manter em Portugal, centros de decisão económica em sectores estratégicos para o país e a capacidade de concorrência e penetração das empresas portuguesas no mercado espanhol. Ou de um modo mais lato, no mercado internacional. Em boa medida, o terceiro desafio é o da internacionalização da economia portuguesa. Finalmente, o quarto desafio é o das relações pós coloniais. Aí, o desafio coloca-se não só no plano bilateral como no plano multilateral. No plano bilateral, é óbvio, mas não poderá deixar de se dizer que é do interesse estratégico de Portugal o reforço das relações com os países de expressão portuguesa. E não só no campo político, mas também no domínio económico. Mas para isso, a reforma do sistema da cooperação deve caminhar no sentido de maior coordenação política e institucional como condição essencial para optimizar os recursos e potenciar a eficácia. No plano multilateral, é do interesse português que a CPLP possa constituir um instrumento diplomático credível e operacional para os países de língua portuguesa. Mais, pode e deve alargar as suas áreas de intervenção para além da língua e da cultura, à esfera económica e quiçá da segurança. Mas não pode nem deve tomar-se a CPLP por aquilo que ela não é. Sem contiguidade geográfica e com os membros dispersos por vários continentes e integrados em diferentes organizações regionais, a CPLP não pode substituir-se a essas organizações nem desempenhar as suas funções internacionais. Mas pode e deve constituir um instrumento diplomático e um mecanismo de compensação para que os países de língua portuguesa possam ganhar margem de manobra e poder acrescido nas áreas regionais em que se integram. Num mundo em globalização e em que se multiplicam as redes de pertença, faz todo o sentido uma rede de língua portuguesa e Portugal deve potenciá-la.»
Nuno Severiano Teixeira Professor - Universidade Nova de Lisboa Ex-Ministro da Administração Interna

Progama do PSD para as comunidades portuguesas

A única coisa que se pode dizer é que é muito mau. Aqui fica para memória futura
PROGRAMA ELEITORAL
“UMA POLÍTICA PARA AS COMUNIDADES PORTUGUESAS”

Há pouco mais de 2 anos, em 2002, o PSD colocou à consideração das Comunidades Portuguesas um Programa Eleitoral que serviu de base ao Programa do Governo a que demos sequência desde então.Por razões estranhas e obscuras, até hoje nunca claramente esclarecidas, fomos forçados a interromper o desenvolvimento de tal Programa, encontrando-nos de novo envolvidos em eleições que entendíamos que só se deveriam realizar no fim do nosso mandato, de modo a podermos prestar plenamente contas acerca do que fizemos e do que não fizemos. Porém, o Senhor Presidente da República, condicionado pelos partidos de esquerda não quis que assim acontecesse, antecipando as eleições.Temos porém consciência de que, no curto período em que estivemos em funções, conseguimos cumprir uma grande parte do Programa de 2002.
O Que Fizemos
Em muitas áreas resolvemos problemas que se arrastavam já há longos anos, provocando o desespero de inúmeros compatriotas nossos, senão vejamos:
- Começámos a emitir Bilhetes de Identidade nos postos consulares, passando o tempo de emissão de tal documento de meses ou anos para apenas alguns dias;- Simplificámos de forma decisiva o processo de reaquisição de nacionalidade por parte dos portugueses que a perderam devido à aquisição de uma segunda nacionalidade, antes de 1981;- Criámos em Portugal, em articulação com as Câmaras Municipais, mais de 3 dezenas de Gabinetes de Apoio às Comunidades Portuguesas, que apoiaram até hoje milhares de compatriotas nossos;- Iniciámos um processo de reestruturação da rede consular que permitiu reforçar os meios humanos e informáticos dos postos de maior dimensão e com mais problemas;- Melhorámos ou dotámos de novas instalações postos consulares com grandes problemas no atendimento, com destaque para Londres, São Paulo e Luxemburgo, entre outros;- Iniciámos o processo que visa proceder à contagem de tempo de serviço militar obrigatório dos ex-combatentes emigrantes para efeito de aposentação, acabando com a discriminação cometida pelos nossos antecessores, em início de 2002;- Lançámos os Encontros para a Participação e apoiámos várias campanhas de incentivo à participação cívica e política dos portugueses na vida pública de Portugal e dos países de acolhimento;- Acompanhámos a profunda reestruturação da RTP, que permitiu um claro refrescamento, actualização e despartidarização da programação da RTP Internacional;- Ajudámos a redimensionar a dinâmica associativa das nossas Comunidades, impulsionando o nascimento da Associação Internacional de Jornalistas e da Plataforma Mundial de Jovens, para além da revitalização da Confederação Mundial de Empresários das Comunidades Portuguesas.- Alterámos o enquadramento jurídico e político do Conselho das Comunidades Portuguesas, libertando-o do clima de conflitualidade para que havia sido arrastado.
O Que Queremos Fazer:
Ao longo do mandato a que nos candidatamos pretendemos dar continuidade ao Programa que iniciámos, renovando-o e actualizando-o em função das novas exigências da presente conjuntura. Neste sentido, daremos expressão às seguintes medidas:
1. Língua e Cultura Portuguesa
a) Lançaremos um Programa de Acção para o Ensino Português no Estrangeiro que assentará nas seguintes linhas de orientação:- Certificação de aprendizagens verificadas nos diversos tipos de ensino;- Eliminação da discriminação negativa das comunidades de fora da Europa;- Aposta progressiva nos recursos docentes formados nos países de acolhimento;- Atribuição de prioridade ao ensino integrado;- Aperfeiçoamento de modalidades específicas de formação de professores;- Criação de uma estrutura interministerial de coordenação deste sector de ensino;- Desenvolvimento de mecanismos de ensino à distância;- Lançamento de novos materiais e manuais escolares; - Apoio às diversas experiências de ensino paralelo, sempre que não haja condições para a implementação do ensino integral.
b) Desenvolveremos acções que garantam uma maior ligação do Instituto Camões às Comunidades Portuguesas.
c) Os canais da RTP, RTP Internacional e RTP África deverão dar continuidade à inclusão de programas de índole cultural capazes de transmitirem uma imagem actual de Portugal e da sua cultura.
2. Rede Consular
a) Daremos continuidade à sua modernização, com especial destaque para a generalização do Sistema Integrado de Gestão Consular e para a automatização e aumento da celeridade da emissão dos documentos de identificação (Bilhete de Identidade e Passaporte);b) Aumentaremos o leque de responsabilidades dos postos consulares, conjugando a representação institucional e a ligação às comunidades portuguesas, com a diplomacia económica e a afirmação cultural;c) Ajustaremos a rede consular às reais necessidades de cada comunidade, procurando adequar a tipologia dos postos e os recursos humanos e técnicos à sua dimensão e exigências.
3. Participação Cívica e Política
a) Garantiremos o reforço do papel do Conselho das Comunidades Portuguesas, enquanto órgão consultivo do Governo para as políticas de emigração e de comunidades;b) Daremos continuidade aos Encontros para a Participação, enquanto factor de aproximação entre Portugal e os mais activos elementos de cada comunidade;c) Apoiaremos e dinamizaremos campanhas de incentivo para a participação cívica e política, na vida pública portuguesa e na dos países de acolhimento;d) Daremos especiais incentivos à Confederação Mundial dos Empresários das Comunidades Portuguesas, à Associação Internacional de Jornalistas e à Plataforma Mundial de Jovens das Comunidades Portuguesas.
4. Apoio Social às Comunidades Portuguesas
a) Apostaremos no alargamento da rede de Centros de Apoio às Comunidades Portuguesas, a desenvolver em articulação com as autarquias locaisb) Daremos continuidade ao ASIC, ASEC e outros mecanismos de apoio aos sectores mais desprotegidos das nossas Comunidades, como forma de minorar as suas fragilidades face aos problemas políticos, económicos e sociais dos países de acolhimento;c) Tentaremos acompanhar de forma cada vez mais próxima e actuante os novos fenómenos de exploração de emigrantes expostos a redes sem escrúpulos; d) Prosseguiremos a política de apoio a emigrantes ex-combatentes de modo a garantir a contagem do respectivo tempo de serviço militar obrigatório para efeitos de aposentação;e) Dar-se-á prioridade à actualização ou celebração de acordos bilaterais e multilaterais de segurança social com os países de acolhimento das nossas Comunidades.

A revolta dos emigrantes

Registos do PortugalClub a propósito da escolha de candidatos da Metrópole para representar os da emigração:

«Que nos resta? Um vendaval de lágrimas? Carpir a nossa frustração? Sado-masocar a nossa condição de emigrantes desconsiderados? Mandar tudo às malvas?n Ou devemos reagir?
Mandar recados aos aparelhos partidários, dizendo-lhes que vamos estar feroz e eficazmente atentos, prontos a denunciar todo o gesto que nos pareça contrário aos nossos interesses, independentemente de quem os faça, seja o PS ou o PSD ? É que estamos todos órfãos. Os dirigentes destes dois partidos “cornearam” a emigração. E o PSD ainda foi mais longe! Empurrou pela porta fora um seu deputado, sem razões válidas, pelo menos publicamente, levando ao extremo a sua lógica de compensação de clientelismo ou de bajulice ao chefe. O deputado Neves Moreira tornou-se, involuntariamente, no primeiro deputado “descartável”. Foi jogado no lixo sem quaisquer contemplações, nem explicações. E isso não se faz nem ao mais modesto funcionário de uma empresa, quanto mais a um representante do povo militante de um partido que se diz “social-democrata” e que apregoa “Somos todos Portugal”!
O tratamento que nos foi prodigalizado é bastante elucidativo. Neste caso, há que unir forças. De que maneira? Para começar, questionar os candidatos. Fazer-lhes perguntas sobre as realidades da emigração, a sua vivência, as suas necessidades. E se eles hesitarem ou não souberem a lição, não ter pejo nenhum em ridicularizá-los em público. Obrigá-los também a apresentar um programa político para as comunidades. Exigir garantias que vão intervir na AR e dar-lhes um prazo fixo para apresentar serviço. Se não o fizerem, encher-lhes a caixa de correio electrónico de mensagens acusando-os de sugar o sangue do povo. Intervir nos “Blogs” portugueses, desmascarando-os. Assediá-los em todas as tribunas, não os deixando tranquilos. Fazer-lhes ver a alhada em que se meteram senão cumprem cabalmente o mandato. Nunca lhe dar tréguas.
É bom que os actuais candidatos saibam o que os espera. Que o mandato que lhes foi dado de mão beijada, uma usurpação a nosso ver, não será um passeio romântico nos jardins do Palácio de S. Bento. Talvez assim, eles pensem duas vezes, antes de virem ver os “parvos” da “emigrolândia” .
Amadeu Moura
«Não tenho nada contra ao Deputado Eduardo Neves mas o que aconteceu, mostra o que vem acontecendo em Portugal e não só nas hostes do PS. Na qualidade d e deputado com mandato deveria ter prefewrencia a ser o primeiro da lista. Foi alijado. Portugal, entregue ás "traças". Só nos resta derrubar após a eleição o governo e começar do zero pois é muita incompetencia, muita safadeza, muita roubalheiro e uma falta total de respeito ao emigrante. Esse tal de Jose Cesário, é uma piada de mau gosto. Ou outro do PS cabeça de lista o tal de Anibal das medalhas é um deboche. Isso tudo vai saír muito caro a Portugal e aos emigrantes. Eleição através de listas é coisa do passado».
Delfim Aguiar - Jornalista do Rio de Janeiro
«Vamos lá a entender. Eu Casimiro sou o mais "burrinho" da turma, mas vou explicar. No PSD, o Cabeça de Lista, por uma questão de ordem, pertencia a Dep. Manuela Aguiar. Com a sua determinação em não se recandidatar, o lugar pertencia ao dep. Neves. Não só por direito, mas até principalmente , por seu trabalho, desenvolvido, neste 1/2 periodo, que ficou no Parlamento. Estou á Vontade, para falar do Dep. Neves Moreira. Pois quem nos acompanhou, soube das Divergencias, que sempre tivemos com ele, nas discussões em defesa dos Portugueses, na Diáspora. Ele, com suas razões e a sua maneira, e o PORTUGALCLUB, também segundo suas ideias e métodos. Nosso Objectivo, do PORTUGALCLUB e do Deputado Neves, sempre foram os mesmos: os Interesses e defesas do Cidadão no Estrangeiro. Nos encontramos pessoalmente em quente e acalorada discussão, em reunião na Assembleia Legislativa de Estado do Paraná em defesa da manuntenção do Consulado de Portugal em Curitiba. Nossa Luta, mesmo divergindo , deu nisso, a vitória dos Portugueses do Paraná.
Ganhamos todos. È por isso, e muitas outras... como nossa Luta ( ganha ) conjunta na manuntenção do Consulado de Portugal em Porto Alegre. Outra Grande vitória em beneficio dos Portugueses Gaúchos.
E foi assim e assado... que por sua teimosia amigo Deputado... é que agora lhes estão dando as Contas!...»
Casimiro - Presidente do PortugalClub
«Aproxima-se a data para as eleições para Deputados à Assembléia da República . Por mais avessos que sejamos à política, não há como ignorar- queiramos ou não- que todos nós, emigrantes, nela estamos inseridos, enquanto cidadãos e portugueses. Daí a necessidade de opções refletidas e corajosas.
O caos político e social que e instalou em nosso país, exige de todos nós eleitores, emigrantes ou não, uma clara reflexão que nos leve á avaliação de quão nefastas foram as políticas destes últimos governos – inclusive o do snr. Guterres - que levaram 0 pais á estagnação econômica, ao desemprego e ao agravamento da qualidade de vida dos portugueses.
Um povo que foi capaz de derrubar pacificamente uma ditadura de quase meio século,sem tiros, mortes ou vindictas e abrir-se para a Liberdade e a Democracia, não há porque duvidar das forças construtivas latentes que nele existem. Só falta é os políticos estarem á altura desse Povo !
No atual quadro político português, ninguém duvida que o Partido Socialista está fadado a ganhar as eleições e vir a ser governo; e oxalá que assim seja, ainda que eu não seja seu eleitor . Só o que se torna preocupante é pressentir-se um P.S dúbio, que se desfigurou com suas vacilações não sendo mais a memória de um conjunto digno e vertical de principios, que dele sempre esperaram os seus militantes e eleitores. É claro que não será com a nova tríade de dirigentes tipoJoé Sócrates, Guterres e José Lello que o P.S. se reencontrará. Uma coisa é a fachada mediática e outra coisa é o projeto de governo que tenha como destinatários, o povo e a nação.»
Manuel Lourenço Neto Niterói -RJ
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Sócrates e as tecnologias da informação

Do site do PS:

«O líder socialista encontrou-se hoje com quadros de empresas de tecnologias de informação e garantiu incentivos para uma aposta nos domínios da inovação e da investigação. José Sócrates criticou o facto de Portugal não ganhar nada “em continuar a copiar, em continuar a fazer o que feito sempre no passado” e defendeu como alternativa “um esforço de modernização tecnológica, de informatização e de incentivo à inovação, ao espírito de risco”.
E assegurou que se sair vencedor das próximas legislativas, haverá mais incentivos ao investimento nessas áreas: “Não estamos a apresentar um quadro de incentivos completamente definido mas vai haver incentivos que convidem as empresas a apostar destes domínios, em particular pequenas e médias empresas portuguesas e aquelas que se dirijam à exportação, que competem no mercado global.”
O líder socialista reuniu-se, nomeadamente, com quadros de empresas da Oracle, Microsoft, Novabase, SAP, IBM e Cisco.»
Belas palavras. Mas não ouvi ainda nenhuma crítica clara e objectiva ao escândalo da má gestão nesta área.
É essencial auditar o modo como se gastaram os subsídios dos Estado nesta área e auditar o que nos últimos anos foi feito em matéria de informática e novas tecnologias.
O que se passa com os tribunais é uma vergonha, de que saliento os seguintes aspectos, visíveis a olho nu por qualquer pessoa:
a) O programa Habilus, que gere os processos nos tribunais é uma «coisa» abaixo de tudo o que é razoável. Não gere nada, é lento, não tem capacidade para suportar informação essencial. E parece que custou uma fortuna;
b) O sistema de video-conferência continua a funcionar por telefone na maior parte dos tribunais, quando bastaria uma ligação por cabo ou ADSL e o aproveitamento do que existe no mercado para se produzirem conferências com maior qualidade e... gratuitas.
c) Os tribunais continuam a usar cassettes para gravar os julgamentos, quando, em muitos tribunais, o valor das cassettes que se gasta numa semana seria suficiente para comprar um gravador de DVD, com as consequências que isso tem em matéria de gestão de recursos humanos. Para além da maior fiabilidade e do menor custo, a cópia de um DVD com horas de gravação faz-se em minutos. A cópia de uma cassete demora o tempo da gravação.
O que eu receio é que estes subsidios que se anunciam tenham efeito idêntico aos de muita da formação profissional.
Temos hoje tristes exemplos do pagamento de milhões de euros por programas que não só não são novos nem modernos como, objectivamente, não custaram, nem de perto nem de longe, os valores pagos.
Esta é uma área em que é preciso transparência.
E é uma área em que os portugueses residentes no estrangeiro podem fazer coisas notáveis.
O meu amigo Rodrigo Laranjo, filho de um portuense residente em S. Paulo, que o diga.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Informação sobre a Roménia vendida a preços escandalosos

Todos os políticos dizem que é preciso aumentar o volume das exportações. Todos estamos de acordo com isso e todos sabemos que isso é difícil com a cotação actual do euro.
A Roménia é um país candidato à integração na União Europeia e, até porque é um país latino, é natural que suscite o interesse dos portugueses.
O ICEP é a entidade vocacionada para o apoio à internacionalização das empresas portuguesas. Seria suposto que, porque é um instituto que vive do Orçamento do Estado, fornecesse informação gratuita.
Vejam o site da Libraria Digital e o preço dos e_books. Um caderninho de 16 páginas em .pdf custa 10 €...
É assim que querem melhorar o comércio externo?

Notícia sobre o programa do PSD para a emigração

«Lisboa, 11 Jan (Lusa) - O lançamento de um plano de acção para o ensino do português no estrangeiro é a prioridade do PSD para a área da emigração num programa eleitoral em que a continuidade é a principal aposta.
O programa eleitoral dos social-democratas para a emigração, intitulado "Uma política para as comunidades portuguesas", é hoje apresentado ao final da tarde numa conferência de imprensa em que participam os cabeças de lista do PSD pelo círculo da Europa, Carlos Gonçalves, e por Fora da Europa, José de Almeida Cesário.
De acordo com o documento, a que a Agência Lusa teve acesso, o plano de acção para o ensino do português no estrangeiro prevê a integração do português nos currículos escolares dos países de acolhimento de emigrantes, a criação de uma estrutura interministerial de coordenação do sector, o desenvolvimento de mecanismos de ensino à distância e o lançamento de novos materiais e manuais escolares.
Formação de professores, certificação de aprendizagens, eliminação da discriminação das comunidades fora da Europa (ensino associativo) e a aposta em docentes formados nos países de acolhimento são outras linhas de orientação do referido plano.
No âmbito da língua e cultura portuguesas, o PSD pretende ainda levar a cabo acções que garantam uma maior ligação do Instituto Camões às comunidades portuguesas e dar continuidade à inclusão de programas de índole cultural na RTP Internacional e África.
Caso sejam eleitos nas legislativas de 20 de Fevereiro, os social-democratas pretendem ainda prosseguir a modernização da rede consular, nomeadamente o Sistema Integrado de Gestão Consular e a emissão de bilhetes de identidade nos consulados.
Ajustar a rede consular às reais necessidades de cada comunidade, procurando adequar o tipo de postos e os recursos humanos e técnicos à sua dimensão e exigência, é outra das propostas.
O PSD quer ainda reforçar o papel do Conselho das Comunidades Portuguesas, enquanto órgão consultivo do Governo para as políticas de emigração.
Dar continuidade aos Encontros para a Participação e apoiar campanhas de incentivo à participação cívica e política na vida pública portuguesa e na dos países de acolhimento são igualmente intenções social-democratas.
No programa "Uma política para as comunidades portuguesas" consta ainda como prioridades do PSD o alargamento da rede de Centros de Apoio às Comunidades Portuguesas nas autarquias locais, a continuidade dos programas Apoio Social aos Idosos Carenciados (ASIC) e ao Apoio Social aos Emigrantes Carenciados (ASEC) e de outros mecanismos de apoio aos sectores mais desprotegidos.
Os social-democratas prometem também acompanhar de forma "cada vez mais próxima e actuante" os novos fenómenos de exploração de emigrantes e celebrar acordos bilaterais e multilaterais de segurança social com os países de acolhimento das comunidades.
CMP.»
Comentários:
Como é que nós podemos pretender que a lingua portuguesa faça parte dos curricula dos paises de acolhimento se nada fazemos nesse sentido relativamente aos imigrantes estrangeiros em Portugal? E que poder tem Portugal para impôr que o português faça parte dos curricula dos paises de acolhimento? Parece poder interpretar-se a declaração como uma intenção de acabar com o ensino português no estrangeiro. No fim de contas, a conclusão do trabalho já iniciado pelos governos do PSD/CDS.
Acções de maior ligação do Instituto Camões às comunidades? E os meios? E as pessoas? O que eu tenho visto é deplorável... Gastam-se fortunas e os resultados são muito diminutos.
Adequar a rede consular às necessidades das comunidades? O que temos visto, feito pelos governos do PSD é precisamente o contrário.
Só se adequa a rede a tais necessidades se se adoptar um modelo semelhante ao das lojas do cidadão, com profissionais competentes e informados e com um funcionamento alargado. Não os vejos virados para aí...
Vila Viçosa - pedreiras de mármore Posted by Hello