terça-feira, julho 26, 2005

Atiram a lusa terrra para a lama...

A propósito das minhas criticas ao SEF, escreveu o estimado Dr. Abel Dias Ferreira, no Forlegis:
Caríssimo Forlegista Sr. Dr. Miguel Reis,
O que nos relata deixa-me estupefacto.
Essa coisa do SEF, a quem pagamos com o suor do nosso trabalho, actuou, atentos os factos que nos traz, de forma ignóbil.
Que diabo! Já não me bastava andar farto de sustentar pançudos e ainda tenho de encher a pança a uns incompetentes que atiram a lusa terra para a lama com prepotências pueris.
Se as autoridades brasileiras actuassem do mesmo modo, seria o caos. Os tempos do São Marcos já lá vão. Nem Santa Maria estaria connosco.
Cordialíssimas saudações.
Abel Dias Ferreira

Estas andanças no SEF...

Gostei dos desfechos dos dois casos. E gostei ainda mais da solidariedade dos Colegas.
Mas fiquei hoje com uma preocupação adicional, que coloquei no «forlegis» para ouvir a opinião dos confrades:

A Fabiane entrou porque houve um inspector com bom senso que apurou a realidade e revogou o despacho de recusa de entrada.
Não imaginam como ficou feliz aquele jovem executivo espanhol que quase não arredou pé do aeroporto.
Ontem aconteceu um caso idêntico com a namorada de um espanhol que com ele vive em união de facto, em Burgos. Esse chorava, porque não imaginava que o regime das «parejas de hecho» não fosse conhecido e reconhecido em Portugal.
Também acabou bem…
O SEF funciona melhor durante o dia do que à noite e no fim de semana.
Hoje tive a oportunidade de verificar que têm uma enorme falta de pessoal no aeroporto de Lisboa. E os dramas no chamado «centro de acolhimento» são mais do que muitos.
A esta ora tenho um pequeno drama sobre o qual gostaria da opinião dos Colegas.
Deveria haver um advogado de escala no SEF…
Como não há, porque (ainda não vi bem…) não há apoio judiciário nesta instância administrativa, os detidos pedem às pessoas que consultamos que lhe prestemos apoio jurídico.
Parece-me (na leitura que faço do Estatuto e das regras deontológicas da profissão) que o advogado não deve (numa situação destas, que é de isolamento quase total de pessoas que, na generalidade dos casos, têm apenas horas para exercer o seu direito de reclamação) recusar a prestação de serviços jurídicos.
Outro é, ao que parece, o entendimento do SEF.
Hoje, um inspector de serviço mandou um recado por uma Colega, informando que não podia dar assistência às pessoas detidas que pedem tal apoio através dos clientes que fomos assistir.
Haveria cambão se fizéssemos o que quer que fosse no sentido de «angariar clientes». Mas não: são eles, alguns desesperados, que pedem (porque são curtas as horas) para nos consultar quando ali vamos.
Repugna-me a ideia de que alguém confunda isto com o cambão que sempre combati. Haveria sim cambão se os funcionários arrebanhassem os detidos para recorreram aos nossos serviços.
Mas repugna-me ainda mais dizer não a uma pessoa desesperada que quer ouvir o meu conselho e que, em muitos dos casos, nem sequer tem dinheiro para pagar a consulta.
Gostava de ouvir a vossa opinião sobre isto.


segunda-feira, julho 25, 2005

Resposta a Gil Teixeira

O meu distinto Colega Dr. Gil Teixeira comentou o post antecedente nestes termos:

«'Sem discutir, por ora, o SEF, quiçá o espelho da Administração Pública, e não o pior serviço desta, quedo-me por esta falsa curiosidade; namorando o nosso hermano com a moça brasileira há tanto tempo, o que levou esta a aportar no Terceiro Mundo e não na terra dos Zapateros?»
Minha resposta:
«Muito simples, meu Estimado Colega.
A TAP é a companhia que tem maior número de voos da Europa para o Brasil. Mais do que a própria Varig.
A TAP (passe a propaganda) tem na classe económica um nível de conforto superior ao de qualquer das suas concorrentes. Aquele brasileiro percebeu que tirar duas ou três filas para aumentar o espaço para as pernas.
Mas neste caso concreto… o M… vive em Portugal, onde trabalha para uma empresa espanhola. Não fazia sentido que ela fosse para Espanha.»

Bom senso

A Fabiane saiu ontem, depois do meu requerimento, porque houve um funcionário com bom senso que o analisou, falou com o M..., e verificou que era tudo verdadeiro e razoável.
Foi um final feliz para eles e para mim. Mas aquela jovem ficou - na realidade - presa durante mais de 24 horas, quando é certo que tudo se poderia ter resolvido se houvesse um departamento com um rosto humano que pudesse compensar a eficácia policial.
O que constatei nestes dois dias foi que o SEF/Aeroporto tem uma enormíssima carência de pessoal e está a estoirar pelas costuras.
Ontem vivi um outro caso não menos chocante: o de uma jovem, também brasileira, que vive em união de facto com um espanhol de Burgos e a quem foi impedida a entrada, por falta de visto, apesar de o Ayuntamiento da cidade certificar que ela vive ali, sob aquele regime das «parejas de hecho» que os espanhóis instituiram.
Obrigou-me a função a estudar esse regime, que é bem interessante. Há um registo municipal das uniões de facto dos «vecinos», assente numa declaração de ambos, que os une e compromete num conjunto de situações, mas que, de outro lado clarifica, por via documental, a situação.
Também aqui houve bom senso e a Rendilva foi autorizada a entrar no Espaço Schengen.
Mas nem tudo são rosas.
Há dois dias uma cidadã estrangeira abortou no «centro de acolhimento». E, depois de «curado» o aborto continua presa.
O mais interessante desta situação está em que os «detidos» querem mesmo ir para as suas terras, porque é melhor do que estar preso, e não os mandam.
Tem que se reflectir sobre isto.
Chamem-lhe o que quiserem, os «centros de acolhimento» são, na realidade prisões.
Tem que se inventar um sistema alternativo, que pode ser um hotel com um mínimo de dignidade, com jardins ou espaços amplos onde as pessoas possam circular à vontade.
As companhias de aviação não ficariam mais pobres.

sábado, julho 23, 2005

Horas depois... sem resposta

Logo de manhã tentei contactar o SEF...
Soube pelo M... que Fabiane deveria ter sido repatriada às 9 horas mas não embarcou. Ela própria telefonou a M... dando a noticia.
Há uma esperança de que alguém de bom senso leia o meu requerimento.
Tento contactar o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras mas ninguém responde.
Enviei um e_mail com o seguinte teor:
Ao
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras:

Estou há mais de duas horas a tentar contactar o Inspector de Turno nesse serviço, através dos nºs 218 446 240 / 218 437 567 constantes do site desse serviço.
Responde uma mensagem dizendo «bem-vindo à nossa operadora automática» mas o automatismo serve apenas para repetir a mensagem vezes sem conta, com um trecho musical fastidioso e de má qualidade.
Já ontem aconteceu a mesma falta de respeito, que considero intolerável.
Entreguei esta noite um requerimento pedindo que seja deferido o pedido de entrada no país que formulei em representação de Fabiane ....
Não tenho nenhuma notícia de deliberação proferida sobre esse requerimento, o que mantém num enorme estado de angústia o namorado da senhora, de quem também juntei procuração.
Reitero que o Dr. M... está disponível para assumir perante esses serviços todos os compromissos julgados indispensáveis para a entrada da Fabiane no país.
Saliento que o Dr. M... não trabalha na auto-estrada de Sintra, como consta do auto que a minha cliente não quis assinar. Ele é o director financeiro de uma empresa concessionária de auto-estradas em Portugal, o que é significativamente diferente quando é relevante a capacidade económica do garante.
Solicito que me informem da decisão proferida com a maior urgência, declarando que é intenção dos meus clientes responsabilizar judicialmente o Serviço e os funcionários intervenientes na hipótese de a Fabiane ser repatriada.
Posso ser contactado pelo telefone 932304940.
Os meus cumprimentos
Miguel Reis
Advogado
Cédula 5066L
Duas horas depois o contacto continua a ser impossivel e não há qualquer resposta.

A falta de respeito pelos cidadãos elevada ao limite

Depois de quase duas horas a tentar contactar o SEF por via telefónica resolvir preparar um requerimento escrito e ir ao aeroporto de Lisboa.
O primeiro objectivo era o de contactar Fabiane, a namorada do cliente espanhol que me pediu assistência. Se outra utilidade não tivesse a deslocação, ela haveria de servir, pelo menos, como lenitivo para o acalmar. A jovem tinha-lhe telefonado a meio da tarde, desesperada por não ter roupa e angustiada por ter fome. O homem estava angustiado com o que poderia acontecer, tanto mais que na espera do aeroporto, onde passou o dia tentanto falar com alguém do SEF, lhe disseram que uma outra jovem detida abortara dentro do próprio centro de detenção, sem que lhe fossem prestados cuidados médicos.
Fabiane tinha sido sujeita recentemente a uma cirurgia e não estava na sua melhor forma, o que o preocupava.
Cheguei à primeira barreira e identifiquei-me como advogado. A agente privada da Securitas, que assumiu com toda a sua energia, o papel de falso agente da autoridade, com aquela pose que conhecemos a quem a usa, disse-me com antipatia: «Veja aí o numero e ligue...»
Uma tabuleta afixada na parede tinha uma série de números de telefone, entre os quais um do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Liguei e insisti durante meia hora, sem que alguém me atendesse.
Lembrei-me de ligar para a PSP e de pedir a ajuda desta polícia para me ligar ao SEF. Atenderam-me ao segundo toque e foram de uma grande simpatia.
«É o costume» - comentou o agente, que me deu dois outros números internos, através dos quais consegui falar com a inspectora de turno.
«Fui solicitado para dar apoio juridico a uma cidadã brasileira que está detida nos vossos serviços. Pretendo falar com ela...» - afirmei ao telefone.
«Deixo-o ver o processo mas não pode falar com ela» - respondeu a inspectora.
Insisti, afirmando que era direito daquela cidadã ser assistida por advogado. Trata-se de um direito fundamental de qualquer cidadão e constitui, a meu ver, ilícito criminal a oposição de um funcionário à prestação de apoio jurídico a quem dele careça.
Tive que dizer à inspectora que se não me deixasse falar com a Fabiane apresentaria imediatamente queixa contra ela na Polícia de Segurança Pública.
Aí mudou o tom do discurso...
«Vou mandar buscá-lo...» - disse antes de desligar.
Esperei, 10, 20, 30 minutos. Voltei a ligar protestando pelo abandono a que me votaram.
Passado um bocado lá chegou um agente do SEF que me conduziu ao Serviço.
«Aqui tem o processo...» - disse-me, entregando o dossier do inquérito.
Constava que Fabiane tinha afirmado conhecer mal o País, pelo que vinha a Portugal com a intenção de ficar aqui até Setembro para passar férias com o seu namorado, que identificou rigorosamente e de quem deu o respectivo número de telefone.
Ele já me havia dito que fora efectivamente contactado pelo SEF, a quem confirmara que assumia a estadia de Fabiane em Portugal. Aliás, a mala da namorada estava com ele, que viajara um dia antes, depois de uma estadia em Salvador.
Proposta a recusa de entrada no País porque a senhora não conhece Portugal nem sabe onde quer ir e porque não mostrou ter meios financeiros suficientes para se manter.
Comentei com o agente com quem falei que é natural que alguém pretenda visitar Portugal precisamente porque não conhece o País. E no que se refere aos meios de subsistência, se há quem a convidou, se alguém se responsabiliza pela estadia e pelo suporte da pessoa, onde está o problema?
Comentei que o namorado da Fabiane é director financeiro de uma grande companhia. Ripostaram-me que isso nenhuma importância tem. Até podia ser um vira latas...
Estamos no campo dos paradoxos mais absolutos...
«Já viu a quantidade de brasileiros ilegais que há por ai?»
«Claro que há muitos ilegais... porque os não legalizam. E sabe quantos portugueses há ilegais no Brasil? Se num dia destes o Brasil resolver agir como vocês agem vêm os aviões cheios para trás... As pessoas vão ao Brasil porque não conhecem o Brasil...»
É evidente que no dia em que a Federal começar a perguntar aos portugueses o que é que conhecem e onde vão, ao pormenor com que vai o SEF, ficam metade dos visitantes na fronteira, porque, obviamente, eles vão para conhecer.
Visto o processo pedi de novo para visitar a Fabiane. Depois de alguma insistência comunicaram-me que a inspectora, a titulo excepcional, me autorizava a conversar com ela durante quinze minutos.
Lá me levaram para a prisão em que se encontrava, no edificio do aeroporto.
Chamam-lhe Centro de Detenção, mas na realidade é uma prisão, com todos os rituais de um sistema prisional, apenas com a diferença de que é gerida por uma empresa de segurança privada.
Antes de aceder a essas instalações e apesar de ser advogado e de ir acompanhado por um funcionário do SEF fizeram passar todos os meus objectos por um sistema de raios X. Até o cinto me obrigaram a tirar, o que nunca me aconteceu nas centenas de viagens de avião que fiz até hoje.
Curiosamente este dispositivo de segurança é agora assegurado por agentes privados da empresa Prossegur, que exercem funções normalmente cometidas às autoridades.
A prisão é, como já disse, gerida também por uma empresa privada.
A porta abre-se com aquele ruido tradicional das fechaduras das prisões e todo o aspecto é de uma prisão. As pessoas estão «guardadas», para além dessa porta, em compartimentos também fechados à chave.
Se isto não é uma prisão, então o que é uma prisão?
Na realidade, as pessoas têm a sua liberdade completamente limitada. Tendo embora o direito de circular na área internacional do aeroporto, não o podem fazer, estando impedidas de se deslocar a um café ou a uma loja e tendo a liberdade de comunicação absolutamente limitada. Ao que me disseram, se a pessoa tiver um computador, apesar de estar numa zona internacional com Wifi, não o pode usar, o que é absolutamente ilegal.
As pessoas são «guardadas» sem os seus haveres, com a roupa que têm no corpo e não lhes é dada a possibilidade de mudar de roupa.
Depois de alguma espera e do repetir de barulhos de fechaduras, lá chegou a Fabiane.
Estava deprimida, preocupada com as preocupações do namorado. Com dores, porque fez uma operação recentemente e não tinha sequer uma aspirina.
Falei com ela durante os tais quinze minutos e perguntei-lhe por que razão não quis assinar o auto de declarações.
«Não está lá o que eu disse. O que escreveram não corresponde ao essencial do que afirmei. Eu disse que o M... é director financeiro de uma companhia que é concessionária de auto-estradas. Eles escreveram que trabalha na auto-estrada, como quem que dar a ideia de que trabalha nas obras. Expliquei que é o meu namorado há mais de quatro anos, que esteve comigo no Brasil até ontem, que até trouxe a minha mala porque não posso fazer esforços. Ele vive em Lisboa e eu vim passar três meses com ele. Como já estive em Espanha... A gente ainda está a namorar e passamos assim temporadas. Estamos a pensar casar mas não é para já... Isto tem alguma coisa de anormal?»
O passaporte prova, efectivamente, que Fabiane passou temporadas em Espanha, mas parece que a isso não foi atribuida nenhuma relevância.
Deixei Fabiane e voltei aos Serviços onde entreguei o requerimento que levava elaborado.
Juntei duas procurações, uma da Fabiane e outra do M....
Pedir o livro de reclamações e protestei pelas dificuldades que me levantaram ao exercício da minha profissão. Voltei a salientar que estava ali no aeroporto o namorado da Fabiane, disposto a assumir todas as responsabilidades.
Deixei atrás de mim pessoas com rostos marcados pela prepotência e pela irresponsabilidade, como se a autoridade lhes tivesse subido a todos à cabeça e os advogados fossem uma merda a que não têm que dar importância.
Lembro-me do tempo fascismo. E também do que ocorria no Leste antes da queda do muro de Berlim. Lembro-me do que ocorre hoje em todas as «democracias» musculadas ou corruptas.
Encontrei no hall do aeroporto um homem amargurado e perplexo.
«Como é possivel isto acontecer num país da União Europeia? Isto é terceiro mundo puro...»
Infelizmente é verdade.
Na Europa somos meros macacos de imitação dos países mais desenvolvidos. Mas imitamos mal, muito mal.
Há aspectos em que o nível de respeito pelos direitos humanos desceu a um patamar insustentável.

sexta-feira, julho 22, 2005

Que vergonha...

INFORMAÇÕES

Estou com um cidadão espanhol na minha frente, tentando falar com o inspector do SEF, de turno no aeroporto de Lisboa.
Responde uma gravação dizendo «bem vindo à nossa operadora automática» mas ninguém atende.
Cubro o meu rosto de vergonha, tanto mais que pus o telefone em alta-voz para que o cliente ouvisse...
Estamos no Terceiro Mundo...
O SEF é claramente um dos piores serviços da administração pública portuguesa.
Vou desistir... E vou ao aeroporto tentar libertar a namorada deste cidadão.
Ela é brasileira e mantém um relacionamento com ele há mais de cinco anos.
Ele é director financeiro de uma grande empresa espanhola.
Lisboa, Expo. Fim de tarde... Posted by Picasa

Finanças...

Dinheiro Digital

Um dia depois da mudança do Ministro das Finanças - caiu Campos e Cunha e subiu Teixeira Santos - os portugueses jogaram como nunca no Euromilhões. Gastaram 36 milhões deu euros para tentar ganhar 96 milhões.
Ainda há quem sonhe...

Porque é que a Novis não se mexe?

Não é estranho que a PT faça tudo o que está ao seu alcance para prolongar o peso que lhe vem do monopólio.
Mas já é estranho que a Novis (grupo SONAE) cruze os braços e não reaja, como deveria, para defender os interesses dos seus accionistas.

Deixo aqui algum correio do «episódio»:


Mensagem de e_mail ao Bruno Afonso, que tem sido o meu interlocutor na Novis:

«Meu Caro Bruno Afonso:
Estou francamente decepcionado com a Novis. Porque os serviços da Telepac e da Netcabo são péssimos, tentamos há quase um ano mudar para a Novis, aconselhados por alguns amigos que nos deram boas referências da vossa empresa.
Entregamos a proposta de migração de todos os nossos telefones em Novembro de 2004, na expectativa de podermos ter acesso aos vossos serviços quatro semanas depois.
No dia 3 de Junho de 2005 17:24, enviei-lhe uma mensagem em que afirmava o
seguinte:

«Estou francamente insatisfeito com o tipo de relacionamento com a Novis, o que me leva a reponderar tudo o que falamos antes.
Desde Novembro do ano passado que encetamos um processo de mudança das nossas contas telefónicas para a Novis. Lamentavelmente, não exigimos confirmação escrita do que nos foi afirmado em termos de prazos e continuamos "agarrados" à Portugal Telecom, contra a nossa vontade.
Se um operador novo negligencia assim a contratação com um novo cliente, o que ocorrerá quando precisarmos efectivamente de assistência.
Referiu-me o Sr. que o atraso derivava do facto de a PT criar dificuldades à portabilidade. Pedi que me enviasse documentos comprovativos de tais dificuldades para apresentar queixa na Anacom, mas isso não foi feito, o que me leva a descrer da veracidade da informação.
Não podemos esperar mais tempo e teremos que encontrar uma solução com outro operador na hipótese de continuarem a não nos dar respostas satisfatórias.
Anoto que continuamos a aguardar o IP fixo do nosso escritório da Rua D. Francisco Manuel de Melo, 13, que tem o nº 213873767 o que inviabiliza a construção da VPN entre os dois escritórios (aquele e o 213852138 , da Rua Marquês de Fronteira.
Solicito que me informe qual o prazo previsto para a solução destes problemas».

Respondeu-me nos termos seguintes:


«Reitero toda a informação e esclarecimentos no contacto telefónico realizado no dia 06 de Junho de 2005.
Lamento que até ao momento ainda não tenhamos conseguido activar o serviço contratado pelo Dr. Miguel Reis para Acesso Directo. Tais dificuldades prendem-se, no fundamental, por ainda não termos conseguido junto do operador incumbente, a necessária concordância e uma data para que ocorra a passagem das linhas telefónicas para a Novis Telecom SA.
Reafirmo que já solicitamos novamente à PT que nos comunique uma data para que seja feita a transferência das linhas, mas até ao momento continuamos a aguardar uma resposta.
No que concerne ao envio de documentação, a troca e partilha de informações entre a PT e a Novis, é feita de forma informática. A única documentação que é partilhada é aquela, também no caso da Sociedade de Advogados do Dr. Miguel Reis, que é solicitada aos clientes, isto é, Declaração Denúncia / Alteração do Contrato de SFT, cópia legível do responsável legal da empresa ou sociedade e documento de constituição de sociedade.
Relativamente ao serviço de Internet de Acesso Indirecto contratado connosco, o mesmo foi activo para a Rua Marquês da Fronteira e mais tarde atribuído o IP Fixo como solicitado. No Caso da Rua D. Francisco Manuel de Melo, o mesmo não foi activo, uma vez que a Novis quando solicitou à PT a activação do serviço em causa, este foi recusado com o motivo de que o cliente tinha o serviço de Internet por outro operador. Lamento apenas que
na altura não tenha sido informado dessa situação.
Por último, e tal como combinado, irei solicitar a instalação de mais dois acessos básicos, um para cada escritório. Para isso, receberá brevemente a visita de um parceiro da área comercial, para assinatura de contrato com pedido de mais duas linhas básicas.»

Passou mais de um mês e continuamos na mesma.
Não foram mudadas as nossas comunicações para a Novis nem foram instaladas novas linhas.
Encontraram uma solução de remendo sobre linhas da PT. Mas nós não queremos isso.
Se outras razões não houvesse, por tudo o que se está a passar seria nosso desejo cortar todos os laços que temos com o grupo PT, porque este estado de coisas é atentório da nossa liberdade.
É absolutamente infame um proteccionismo que não nos permite exercer o direito à portabilidade e a opção de escolha do operador.
Admitimos até a hipótese de, com prejuízo nosso, instalarmos duas novas linhas Novis, mantendo temporariamente as da PT. Mas nem isso conseguimos.
Não pretendo que a Novis defenda os nossos direitos. Mas estranho que não defenda os seus.
Esta situação está a prejudicar-nos gravemente, pois que fizemos um investimento de monta num sistema de comunicações que não podemos usar porque a Netcabo não nos fornece um serviço com um nível mínimo de qualidade e de segurança.
Não consigo, francamente, compreender por que não reage mais energicamente a este estado de coisas.
Fico a aguardar as suas notícias.
Os meus cumprimentos
Miguel Reis
Vamos esperar pelos próximos desenvolvimentos.

Pobre País...

Cada vez são maiores os indícios de que este País tem um futuro dificil. A cada passo damos uma topada na incompetência ou num qualquer «esquema» dos múltiplos que alimentam esta economia artificial.
Em tese vivemos num quadro de livre concorrência. Pura mentira...
Desde Novembro do ano passado que tentamos, na sociedade de advogados que eu integro, mudar de operador de telecomunicações.
Estamos fartos da má-criação e da incompetência do Grupo PT. Estamos fartos de apanhar sustos, que vão desde a ameaça do corte das comunicações quando temos as contas em ordem até à mudança pura e simples, sem qualquer comunicação prévia, dos endereços de IP, o que constitui a mais acabada prova da falta de sensibilidade deste grupo para as questões da sociedade de informação.
Em Novembro negociamos a mudança dos nossos telefones para a Novis, na perspectiva de cortar definitivamente relações com a PT. Fizemo-lo, para além do mais, numa atitude cívica, desejosos de punir um operador que abusa e que deve ser penalizado pelo mercado, que somos todos nós.
Fizemo-lo porque consideramos ofensiva a sua publicidade que oferece produtos que não existem, como se fôssemos todos uns saloios. Contratamos um acesso à Internet a determinada velocidade e a velocidade real é confrangedoramente mais baixa.
Tudo começou em Novembro do ano passado... e ainda não conseguimos.
Estamos na Europa apenas virtualmente... obr

domingo, julho 17, 2005

Alterações à Lei da Nacionalidade

Os jornais de hoje trazem alguns detalhes da proposta de alteração à Lei da Nacionalidade. Procurei o texto da proposta mas não o encontrei em lado nenhum.
Em sintese, as novidades anunciadas são as seguintes:
a) Será atribuida a nacionalidade originária aos filhos de cidadãos estrangeiros que residam legalmente em Portugal há mais de seis anos;
b) Será atribuída a nacionalidade originária aos filhos dos imigrantes que tenham nascido em Portugal e aqui residam, mesmo que de modo ilegal.
Dizem os jornais que deixará de ser exigido o requisito da «ligação efectiva à comunidade portuguesa» bem como o da prova de idoneidade civica e de capacidade para assegurar a sua subsistência.
O que vem nos jornais é muito superficial e não permite formular uma opinião definitiva sobre o assunto.
Receio bem que estejamos perante uma reforma mal preparada.
Nesta alteração da lei deverão ser tomados em consideração os princípios constantes da Convenção Europeia sobre Nacionalidade e as implicações que essa convenção têm na situação dos filhos de imigrantes nascidos em Portugal.
Essa é uma questão incontornável no plano dos direitos humanos.
Mas não podem deixar de ser considerados, com toda a frontalidade, os problemas que se suscitem nas comunidades da diáspora portuguesa.
Os problemas da nacionalidade não se resolvem com uma simples alteração da lei. É preciso mexer, de forma profunda no Regulamento e alterar, de forma não menos profunda, o funcionamento dos serviços.
Logo que tenha a proposta, prometo escrever sobre o assunto.