sábado, julho 23, 2005

Horas depois... sem resposta

Logo de manhã tentei contactar o SEF...
Soube pelo M... que Fabiane deveria ter sido repatriada às 9 horas mas não embarcou. Ela própria telefonou a M... dando a noticia.
Há uma esperança de que alguém de bom senso leia o meu requerimento.
Tento contactar o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras mas ninguém responde.
Enviei um e_mail com o seguinte teor:
Ao
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras:

Estou há mais de duas horas a tentar contactar o Inspector de Turno nesse serviço, através dos nºs 218 446 240 / 218 437 567 constantes do site desse serviço.
Responde uma mensagem dizendo «bem-vindo à nossa operadora automática» mas o automatismo serve apenas para repetir a mensagem vezes sem conta, com um trecho musical fastidioso e de má qualidade.
Já ontem aconteceu a mesma falta de respeito, que considero intolerável.
Entreguei esta noite um requerimento pedindo que seja deferido o pedido de entrada no país que formulei em representação de Fabiane ....
Não tenho nenhuma notícia de deliberação proferida sobre esse requerimento, o que mantém num enorme estado de angústia o namorado da senhora, de quem também juntei procuração.
Reitero que o Dr. M... está disponível para assumir perante esses serviços todos os compromissos julgados indispensáveis para a entrada da Fabiane no país.
Saliento que o Dr. M... não trabalha na auto-estrada de Sintra, como consta do auto que a minha cliente não quis assinar. Ele é o director financeiro de uma empresa concessionária de auto-estradas em Portugal, o que é significativamente diferente quando é relevante a capacidade económica do garante.
Solicito que me informem da decisão proferida com a maior urgência, declarando que é intenção dos meus clientes responsabilizar judicialmente o Serviço e os funcionários intervenientes na hipótese de a Fabiane ser repatriada.
Posso ser contactado pelo telefone 932304940.
Os meus cumprimentos
Miguel Reis
Advogado
Cédula 5066L
Duas horas depois o contacto continua a ser impossivel e não há qualquer resposta.

A falta de respeito pelos cidadãos elevada ao limite

Depois de quase duas horas a tentar contactar o SEF por via telefónica resolvir preparar um requerimento escrito e ir ao aeroporto de Lisboa.
O primeiro objectivo era o de contactar Fabiane, a namorada do cliente espanhol que me pediu assistência. Se outra utilidade não tivesse a deslocação, ela haveria de servir, pelo menos, como lenitivo para o acalmar. A jovem tinha-lhe telefonado a meio da tarde, desesperada por não ter roupa e angustiada por ter fome. O homem estava angustiado com o que poderia acontecer, tanto mais que na espera do aeroporto, onde passou o dia tentanto falar com alguém do SEF, lhe disseram que uma outra jovem detida abortara dentro do próprio centro de detenção, sem que lhe fossem prestados cuidados médicos.
Fabiane tinha sido sujeita recentemente a uma cirurgia e não estava na sua melhor forma, o que o preocupava.
Cheguei à primeira barreira e identifiquei-me como advogado. A agente privada da Securitas, que assumiu com toda a sua energia, o papel de falso agente da autoridade, com aquela pose que conhecemos a quem a usa, disse-me com antipatia: «Veja aí o numero e ligue...»
Uma tabuleta afixada na parede tinha uma série de números de telefone, entre os quais um do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Liguei e insisti durante meia hora, sem que alguém me atendesse.
Lembrei-me de ligar para a PSP e de pedir a ajuda desta polícia para me ligar ao SEF. Atenderam-me ao segundo toque e foram de uma grande simpatia.
«É o costume» - comentou o agente, que me deu dois outros números internos, através dos quais consegui falar com a inspectora de turno.
«Fui solicitado para dar apoio juridico a uma cidadã brasileira que está detida nos vossos serviços. Pretendo falar com ela...» - afirmei ao telefone.
«Deixo-o ver o processo mas não pode falar com ela» - respondeu a inspectora.
Insisti, afirmando que era direito daquela cidadã ser assistida por advogado. Trata-se de um direito fundamental de qualquer cidadão e constitui, a meu ver, ilícito criminal a oposição de um funcionário à prestação de apoio jurídico a quem dele careça.
Tive que dizer à inspectora que se não me deixasse falar com a Fabiane apresentaria imediatamente queixa contra ela na Polícia de Segurança Pública.
Aí mudou o tom do discurso...
«Vou mandar buscá-lo...» - disse antes de desligar.
Esperei, 10, 20, 30 minutos. Voltei a ligar protestando pelo abandono a que me votaram.
Passado um bocado lá chegou um agente do SEF que me conduziu ao Serviço.
«Aqui tem o processo...» - disse-me, entregando o dossier do inquérito.
Constava que Fabiane tinha afirmado conhecer mal o País, pelo que vinha a Portugal com a intenção de ficar aqui até Setembro para passar férias com o seu namorado, que identificou rigorosamente e de quem deu o respectivo número de telefone.
Ele já me havia dito que fora efectivamente contactado pelo SEF, a quem confirmara que assumia a estadia de Fabiane em Portugal. Aliás, a mala da namorada estava com ele, que viajara um dia antes, depois de uma estadia em Salvador.
Proposta a recusa de entrada no País porque a senhora não conhece Portugal nem sabe onde quer ir e porque não mostrou ter meios financeiros suficientes para se manter.
Comentei com o agente com quem falei que é natural que alguém pretenda visitar Portugal precisamente porque não conhece o País. E no que se refere aos meios de subsistência, se há quem a convidou, se alguém se responsabiliza pela estadia e pelo suporte da pessoa, onde está o problema?
Comentei que o namorado da Fabiane é director financeiro de uma grande companhia. Ripostaram-me que isso nenhuma importância tem. Até podia ser um vira latas...
Estamos no campo dos paradoxos mais absolutos...
«Já viu a quantidade de brasileiros ilegais que há por ai?»
«Claro que há muitos ilegais... porque os não legalizam. E sabe quantos portugueses há ilegais no Brasil? Se num dia destes o Brasil resolver agir como vocês agem vêm os aviões cheios para trás... As pessoas vão ao Brasil porque não conhecem o Brasil...»
É evidente que no dia em que a Federal começar a perguntar aos portugueses o que é que conhecem e onde vão, ao pormenor com que vai o SEF, ficam metade dos visitantes na fronteira, porque, obviamente, eles vão para conhecer.
Visto o processo pedi de novo para visitar a Fabiane. Depois de alguma insistência comunicaram-me que a inspectora, a titulo excepcional, me autorizava a conversar com ela durante quinze minutos.
Lá me levaram para a prisão em que se encontrava, no edificio do aeroporto.
Chamam-lhe Centro de Detenção, mas na realidade é uma prisão, com todos os rituais de um sistema prisional, apenas com a diferença de que é gerida por uma empresa de segurança privada.
Antes de aceder a essas instalações e apesar de ser advogado e de ir acompanhado por um funcionário do SEF fizeram passar todos os meus objectos por um sistema de raios X. Até o cinto me obrigaram a tirar, o que nunca me aconteceu nas centenas de viagens de avião que fiz até hoje.
Curiosamente este dispositivo de segurança é agora assegurado por agentes privados da empresa Prossegur, que exercem funções normalmente cometidas às autoridades.
A prisão é, como já disse, gerida também por uma empresa privada.
A porta abre-se com aquele ruido tradicional das fechaduras das prisões e todo o aspecto é de uma prisão. As pessoas estão «guardadas», para além dessa porta, em compartimentos também fechados à chave.
Se isto não é uma prisão, então o que é uma prisão?
Na realidade, as pessoas têm a sua liberdade completamente limitada. Tendo embora o direito de circular na área internacional do aeroporto, não o podem fazer, estando impedidas de se deslocar a um café ou a uma loja e tendo a liberdade de comunicação absolutamente limitada. Ao que me disseram, se a pessoa tiver um computador, apesar de estar numa zona internacional com Wifi, não o pode usar, o que é absolutamente ilegal.
As pessoas são «guardadas» sem os seus haveres, com a roupa que têm no corpo e não lhes é dada a possibilidade de mudar de roupa.
Depois de alguma espera e do repetir de barulhos de fechaduras, lá chegou a Fabiane.
Estava deprimida, preocupada com as preocupações do namorado. Com dores, porque fez uma operação recentemente e não tinha sequer uma aspirina.
Falei com ela durante os tais quinze minutos e perguntei-lhe por que razão não quis assinar o auto de declarações.
«Não está lá o que eu disse. O que escreveram não corresponde ao essencial do que afirmei. Eu disse que o M... é director financeiro de uma companhia que é concessionária de auto-estradas. Eles escreveram que trabalha na auto-estrada, como quem que dar a ideia de que trabalha nas obras. Expliquei que é o meu namorado há mais de quatro anos, que esteve comigo no Brasil até ontem, que até trouxe a minha mala porque não posso fazer esforços. Ele vive em Lisboa e eu vim passar três meses com ele. Como já estive em Espanha... A gente ainda está a namorar e passamos assim temporadas. Estamos a pensar casar mas não é para já... Isto tem alguma coisa de anormal?»
O passaporte prova, efectivamente, que Fabiane passou temporadas em Espanha, mas parece que a isso não foi atribuida nenhuma relevância.
Deixei Fabiane e voltei aos Serviços onde entreguei o requerimento que levava elaborado.
Juntei duas procurações, uma da Fabiane e outra do M....
Pedir o livro de reclamações e protestei pelas dificuldades que me levantaram ao exercício da minha profissão. Voltei a salientar que estava ali no aeroporto o namorado da Fabiane, disposto a assumir todas as responsabilidades.
Deixei atrás de mim pessoas com rostos marcados pela prepotência e pela irresponsabilidade, como se a autoridade lhes tivesse subido a todos à cabeça e os advogados fossem uma merda a que não têm que dar importância.
Lembro-me do tempo fascismo. E também do que ocorria no Leste antes da queda do muro de Berlim. Lembro-me do que ocorre hoje em todas as «democracias» musculadas ou corruptas.
Encontrei no hall do aeroporto um homem amargurado e perplexo.
«Como é possivel isto acontecer num país da União Europeia? Isto é terceiro mundo puro...»
Infelizmente é verdade.
Na Europa somos meros macacos de imitação dos países mais desenvolvidos. Mas imitamos mal, muito mal.
Há aspectos em que o nível de respeito pelos direitos humanos desceu a um patamar insustentável.

sexta-feira, julho 22, 2005

Que vergonha...

INFORMAÇÕES

Estou com um cidadão espanhol na minha frente, tentando falar com o inspector do SEF, de turno no aeroporto de Lisboa.
Responde uma gravação dizendo «bem vindo à nossa operadora automática» mas ninguém atende.
Cubro o meu rosto de vergonha, tanto mais que pus o telefone em alta-voz para que o cliente ouvisse...
Estamos no Terceiro Mundo...
O SEF é claramente um dos piores serviços da administração pública portuguesa.
Vou desistir... E vou ao aeroporto tentar libertar a namorada deste cidadão.
Ela é brasileira e mantém um relacionamento com ele há mais de cinco anos.
Ele é director financeiro de uma grande empresa espanhola.
Lisboa, Expo. Fim de tarde... Posted by Picasa

Finanças...

Dinheiro Digital

Um dia depois da mudança do Ministro das Finanças - caiu Campos e Cunha e subiu Teixeira Santos - os portugueses jogaram como nunca no Euromilhões. Gastaram 36 milhões deu euros para tentar ganhar 96 milhões.
Ainda há quem sonhe...

Porque é que a Novis não se mexe?

Não é estranho que a PT faça tudo o que está ao seu alcance para prolongar o peso que lhe vem do monopólio.
Mas já é estranho que a Novis (grupo SONAE) cruze os braços e não reaja, como deveria, para defender os interesses dos seus accionistas.

Deixo aqui algum correio do «episódio»:


Mensagem de e_mail ao Bruno Afonso, que tem sido o meu interlocutor na Novis:

«Meu Caro Bruno Afonso:
Estou francamente decepcionado com a Novis. Porque os serviços da Telepac e da Netcabo são péssimos, tentamos há quase um ano mudar para a Novis, aconselhados por alguns amigos que nos deram boas referências da vossa empresa.
Entregamos a proposta de migração de todos os nossos telefones em Novembro de 2004, na expectativa de podermos ter acesso aos vossos serviços quatro semanas depois.
No dia 3 de Junho de 2005 17:24, enviei-lhe uma mensagem em que afirmava o
seguinte:

«Estou francamente insatisfeito com o tipo de relacionamento com a Novis, o que me leva a reponderar tudo o que falamos antes.
Desde Novembro do ano passado que encetamos um processo de mudança das nossas contas telefónicas para a Novis. Lamentavelmente, não exigimos confirmação escrita do que nos foi afirmado em termos de prazos e continuamos "agarrados" à Portugal Telecom, contra a nossa vontade.
Se um operador novo negligencia assim a contratação com um novo cliente, o que ocorrerá quando precisarmos efectivamente de assistência.
Referiu-me o Sr. que o atraso derivava do facto de a PT criar dificuldades à portabilidade. Pedi que me enviasse documentos comprovativos de tais dificuldades para apresentar queixa na Anacom, mas isso não foi feito, o que me leva a descrer da veracidade da informação.
Não podemos esperar mais tempo e teremos que encontrar uma solução com outro operador na hipótese de continuarem a não nos dar respostas satisfatórias.
Anoto que continuamos a aguardar o IP fixo do nosso escritório da Rua D. Francisco Manuel de Melo, 13, que tem o nº 213873767 o que inviabiliza a construção da VPN entre os dois escritórios (aquele e o 213852138 , da Rua Marquês de Fronteira.
Solicito que me informe qual o prazo previsto para a solução destes problemas».

Respondeu-me nos termos seguintes:


«Reitero toda a informação e esclarecimentos no contacto telefónico realizado no dia 06 de Junho de 2005.
Lamento que até ao momento ainda não tenhamos conseguido activar o serviço contratado pelo Dr. Miguel Reis para Acesso Directo. Tais dificuldades prendem-se, no fundamental, por ainda não termos conseguido junto do operador incumbente, a necessária concordância e uma data para que ocorra a passagem das linhas telefónicas para a Novis Telecom SA.
Reafirmo que já solicitamos novamente à PT que nos comunique uma data para que seja feita a transferência das linhas, mas até ao momento continuamos a aguardar uma resposta.
No que concerne ao envio de documentação, a troca e partilha de informações entre a PT e a Novis, é feita de forma informática. A única documentação que é partilhada é aquela, também no caso da Sociedade de Advogados do Dr. Miguel Reis, que é solicitada aos clientes, isto é, Declaração Denúncia / Alteração do Contrato de SFT, cópia legível do responsável legal da empresa ou sociedade e documento de constituição de sociedade.
Relativamente ao serviço de Internet de Acesso Indirecto contratado connosco, o mesmo foi activo para a Rua Marquês da Fronteira e mais tarde atribuído o IP Fixo como solicitado. No Caso da Rua D. Francisco Manuel de Melo, o mesmo não foi activo, uma vez que a Novis quando solicitou à PT a activação do serviço em causa, este foi recusado com o motivo de que o cliente tinha o serviço de Internet por outro operador. Lamento apenas que
na altura não tenha sido informado dessa situação.
Por último, e tal como combinado, irei solicitar a instalação de mais dois acessos básicos, um para cada escritório. Para isso, receberá brevemente a visita de um parceiro da área comercial, para assinatura de contrato com pedido de mais duas linhas básicas.»

Passou mais de um mês e continuamos na mesma.
Não foram mudadas as nossas comunicações para a Novis nem foram instaladas novas linhas.
Encontraram uma solução de remendo sobre linhas da PT. Mas nós não queremos isso.
Se outras razões não houvesse, por tudo o que se está a passar seria nosso desejo cortar todos os laços que temos com o grupo PT, porque este estado de coisas é atentório da nossa liberdade.
É absolutamente infame um proteccionismo que não nos permite exercer o direito à portabilidade e a opção de escolha do operador.
Admitimos até a hipótese de, com prejuízo nosso, instalarmos duas novas linhas Novis, mantendo temporariamente as da PT. Mas nem isso conseguimos.
Não pretendo que a Novis defenda os nossos direitos. Mas estranho que não defenda os seus.
Esta situação está a prejudicar-nos gravemente, pois que fizemos um investimento de monta num sistema de comunicações que não podemos usar porque a Netcabo não nos fornece um serviço com um nível mínimo de qualidade e de segurança.
Não consigo, francamente, compreender por que não reage mais energicamente a este estado de coisas.
Fico a aguardar as suas notícias.
Os meus cumprimentos
Miguel Reis
Vamos esperar pelos próximos desenvolvimentos.

Pobre País...

Cada vez são maiores os indícios de que este País tem um futuro dificil. A cada passo damos uma topada na incompetência ou num qualquer «esquema» dos múltiplos que alimentam esta economia artificial.
Em tese vivemos num quadro de livre concorrência. Pura mentira...
Desde Novembro do ano passado que tentamos, na sociedade de advogados que eu integro, mudar de operador de telecomunicações.
Estamos fartos da má-criação e da incompetência do Grupo PT. Estamos fartos de apanhar sustos, que vão desde a ameaça do corte das comunicações quando temos as contas em ordem até à mudança pura e simples, sem qualquer comunicação prévia, dos endereços de IP, o que constitui a mais acabada prova da falta de sensibilidade deste grupo para as questões da sociedade de informação.
Em Novembro negociamos a mudança dos nossos telefones para a Novis, na perspectiva de cortar definitivamente relações com a PT. Fizemo-lo, para além do mais, numa atitude cívica, desejosos de punir um operador que abusa e que deve ser penalizado pelo mercado, que somos todos nós.
Fizemo-lo porque consideramos ofensiva a sua publicidade que oferece produtos que não existem, como se fôssemos todos uns saloios. Contratamos um acesso à Internet a determinada velocidade e a velocidade real é confrangedoramente mais baixa.
Tudo começou em Novembro do ano passado... e ainda não conseguimos.
Estamos na Europa apenas virtualmente... obr

domingo, julho 17, 2005

Alterações à Lei da Nacionalidade

Os jornais de hoje trazem alguns detalhes da proposta de alteração à Lei da Nacionalidade. Procurei o texto da proposta mas não o encontrei em lado nenhum.
Em sintese, as novidades anunciadas são as seguintes:
a) Será atribuida a nacionalidade originária aos filhos de cidadãos estrangeiros que residam legalmente em Portugal há mais de seis anos;
b) Será atribuída a nacionalidade originária aos filhos dos imigrantes que tenham nascido em Portugal e aqui residam, mesmo que de modo ilegal.
Dizem os jornais que deixará de ser exigido o requisito da «ligação efectiva à comunidade portuguesa» bem como o da prova de idoneidade civica e de capacidade para assegurar a sua subsistência.
O que vem nos jornais é muito superficial e não permite formular uma opinião definitiva sobre o assunto.
Receio bem que estejamos perante uma reforma mal preparada.
Nesta alteração da lei deverão ser tomados em consideração os princípios constantes da Convenção Europeia sobre Nacionalidade e as implicações que essa convenção têm na situação dos filhos de imigrantes nascidos em Portugal.
Essa é uma questão incontornável no plano dos direitos humanos.
Mas não podem deixar de ser considerados, com toda a frontalidade, os problemas que se suscitem nas comunidades da diáspora portuguesa.
Os problemas da nacionalidade não se resolvem com uma simples alteração da lei. É preciso mexer, de forma profunda no Regulamento e alterar, de forma não menos profunda, o funcionamento dos serviços.
Logo que tenha a proposta, prometo escrever sobre o assunto.

segunda-feira, julho 11, 2005

Terrorismo...

O discurso a que assistimos nos nossos dias é igual, igualzinho ao que ouviamos no tempo do fascismo quando os «terroristas», apoiados nomeadamente pelas democracias europeias, liquidavam os colonos portugueses em África ou detonavam objectivos estratégicos em Portugal.
Terroristas eram, também, os lutadores da liberdade em Timor.
Hoje são todos heróis.
Os atentados terroristas são normais e eram esperados nos paises que estiveram contra a intervenção estrangeira no Iraque.
Toda a gente sabe que os nacionalismos existem e continuarão a existir e que os povos rejeitam - até por uma questão de orgulho - a intervenção estrangeira.
Temos todo o direito de nos defender. Mas não temos o direito de ingerir nos assuntos internos de outros estados e muito menos o de invadir países que participam do concerto das nações, mesmo que possamos criticar as suas políticas.
As democracias não se exportam. Só subsistem se forem criadas e alimentadas pelos próprios povos.
A Europa tem que se defender de agressões externas, criando um aparelho de defesa adequado. Mas não pode continuar a ingerir nos assuntos internos de outros povos, sob pena de sofrer retaliações como as de Madrid e de Londres.
É urgente retirar do Iraque... Os iraquianos saberão encontrar o seu destino.
Quando deixarmos de lançar a desordem ou de apoiar quem lança a desordem noutras sociedades teremos legitimidade para dizer que não admitimos que terceiros façam intervenções assassinas na nossa casa.
Até lá, teremos que estar disponiveis para assistir a cenas macabras como a de Londres, na semana passada. Os 50 mortos de Londres são muito poucos por relação aos milhares de iraquianos que as tropas ocidentais assassinaram depois da invasão.
É normal que as suas famílias os vinguem.
Acho que seriamos todos terroristas se um dia nos invadissem e tentassem marcar pelo fogo o nosso destino.

Tempo de mentiras...

Hoje foi dia de propaganda, na sequência da posição adoptada pelo governo inglês no sentido de exigir da União Euripeia uma maior monitorização das mensagens trocadas por telefone e pela Internet.
As televisões passaram o dia com debates sobre a matéria.
Estamos perante uma gigantesca fraude informativa.
Todas as comunicações telefónicas e electrónicas processadas na Europa são já monitorizadas e gravadas, há vários anos.
A privacidade acabou na Europa, há muito tempo, com o sistema Echelon.
Já nos habituamos a viver neste estado de coisas. E só quem for tolo é que fala ao telefone como se não estivesse a ser ouvido.
Há mesmo suspeitas de que, por vezes, as «gravações» que aparecem nos processos judiciais não são feitas directamente, depois da ordem judicial, mas retiradas do «grande irmão».
Como já estamos habituados e não é viável alterar este estado de coisas a única coisa que podemos fazer é denunciar as manobras adequadas a multiplicar os negócios que os «novos» projectos propiciam.
É uma vergonha o estado a que as coisas chegaram.
Não encontrei ainda melhor praia do que a de Odeceixe, sobretudo quando o nevoeiro a cobre em dias muito quentes... Posted by Picasa
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Importante será que toda esta área central da aldeia se transforme me zona estritamente pedonal. De outro modo a praia não durará um ano. E perde toda a sua graça com os camiões e os automóveis a perturbar a paz dos que ali se sentam. Posted by Picasa
Há quem não goste da «nova» praia da aldeia de Odeceixe, cuidadosamente reformada, como convém em tempo de eleições. Por mim acho-a interessante e cómoda, para boas conversas nos fins de dia. Posted by Picasa
Odeceixe tem um encanto especial no fim do dia, neste tempo de verão. Posted by Picasa

sexta-feira, julho 08, 2005

A resposta de Manuel de Melo

Reacção de Manuel de Melo publicada no Portugal Club

«Os comunas raivosos
«Soube, por intermédio de pessoas idóneas, que durante a última reunião plenária do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), que decorreu em Lisboa, um grupo de comunas raivosos proferiu contra mim ataques do mais baixo nível, numa linguagem ordinária, que depressa qualificou os seus autores. Estou consciente que o Manuel de Melo incomoda muita gente, nomeadamente o grupo de reles comunistas que gravitam em torno do CCP. Mas nunca pensei que a cobardia e desonestidade desse grupelho fosse tão longe. A “coragem” desses palhaços adveio-lhes, certamente, pelo facto de saberem que estavam a falar nas costas do Manuel de Melo (recordo que não estive presente no circo comunista montado na Assembleia da República). O cão-de-fila do PCP que tem vindo a terreiro desferir atoardas contra a minha pessoa e outros ilustres membros do CCP, não passa disso mesmo. Tal personagem representa apenas aqueles que se têm servido do Conselho das Comunidades para fins pessoais e partidários e que, estando agora a ver o chão a fugir-lhe debaixo dos pés — o actual CCP tem os dias contados — vem disparar a trouxe-mouxe, contra tudo e contra todos, denotando o mais profundo desespero. É por demais notório e já ultrapassou os limites do tolerável que o Partido Comunista tem procurado (e conseguido), na retaguarda, conduzir os destinos do CCP, manipulando meia dúzia de conselheiros seus militantes. Só assim se compreende que na tal reunião plenária do CCP tenha decorrido um encontro da responsabilidade do CCP/Europa, encontro esse alegadamente para discutir os fluxos migratórios para Europa e que teve o cuidado de convidar para participar no mesmo uma tal de ARE (Associação de Reencontro dos Emigrantes) que mais não é do que um apêndice do Partido Comunista e, mais escandaloso ainda, foi a participação da CGTP-Intersindical, esquecendo-se o convite à outra central sindical, a UGT, esta não comunista. É para isto que tem servido o actual Conselho das Comunidades pelo que, como já o afirmei antes, está a tornar-se imperioso acabar com o mesmo. Mas antes de se acabar com o actual CCP é necessário que o Tribunal de Contas faça uma auditoria rigorosa às contas do Conselho das Comunidades Portuguesas, a nível de todos os seus órgãos, nomeadamente às contas do Conselho Regional da Europa e do CCP/Holanda. Para que tudo fique bem claro, essa auditoria deve abarcar todos os anos económicos desde a existência do CCP. Enquanto tal auditoria não for feita, os cidadãos têm todo o direito de desconfiar da forma como são gastos os dinheiros públicos destinados ao funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas. MANUEL DE MELO / Suíça»

Muito interessante

Muito interessante este post que retiro do Portugal Club. O seu autor é um dos mais representantivos elementos do PC nas Comunidades da Europa, José Xavier, da Holanda. Sé tenho que lhe dar os parabéns. O velho PCP está em forma, com todo o apoio da SEC e do PSD :


«ACABE-SE COM O MELO!

Sempre ao seu bom estilo de trauliteiro frustrado, aqui temos de novo o Sr. Conselheiro Melo a opinar no CCP, francamente!! ( aliás pergunto, ainda é conselheiro das comunidades?, já não sei nada da sua pessoa desde 2003!!!, afinal prometeu trabalho e nunca mais apareceu). Então e porque não foi a Lisboa?....não concorda, com os conselhos regionais, mas da mesma forma nunca respondeu a qualquer convocatória do CRCPE nos últimos dois anos, estranho foi esse silêncio!....a isso chamo de “mal criado” e “arrogante”.

Então num texto o Sr. diz que ACABE-SE COM O CCP e para a Agência Lusa o Senhor defende que vai continuar no CCP. Hó Homem!! não espere pelos outros demita-se, se essa a sua vontade !!!, não continue naquilo que não gosta, aliás ganhe coragem.! SERÁ QUE ISTO É PRÓPRIO, DE ALGUÉM QUE PRETENDIA SER DEPUTADO?....estariam os emigrantes bem representados, com pessoas desta natureza!!! Afinal você esquece-se que tem responsabilidades políticas no programa do actual governo para as comunidades!
Afinal foi você que me enviou “carradas” de e-mails defendendo muitas coisas, para as comunidades, do programa eleitoral, onde também incluía o CCP.
AFINAL ONDE ESTÁ A SUA COERÊNCIA POLITICA SR. MANUEL DE MELO?...
Quem pretende dizer que está e não está no CCP?!....SUGIRO-LHE QUE ACABE DE UMA VEZ POR TODAS COM ESTAS “PALHACADAS”. Deixe trabalhar quem quer, e não se venha intrometer, pela via de e-mails e ainda estabelecer confusões e a passar certificados de incompetentes aos membros do CCP. O Senhor não acredite, que existem muitos as quererem sair do CCP. Olhe demita-se de vez, e leve alguns, daqueles seus “lacaios” que venenosamente foram na semana a Lisboa, para o tentar defender, de coisas que ninguém sabe se foram como membro do CCP ou como funcionário consular. Isso ainda voce não explicou aos seus colegas, nem da Suiça nem da Europa, afinal onde anda a sua ética?! Talvez no meio de tanta promiscuidade!!!!. Você diz : o Conselho das Comunidades Portuguesas que, como já se viu, apenas serve para sorver uns milhares de euros e somar sucessivos atropelos à lei,... Eu pergunto: Então agora o CCP já não lhe serve?.....enquanto viajou em muitas viagens de um CP ilegal ( entre 1997 e 2001) isso sabia-lhe bem.( se esse era seu belo prazer, porque o meu decerto não é, porque até nem gosto de viajar de avião!!) Manuel de Melo, diga aos seus pares para deixarem trabalhar o CCP, e você não tenha “dor de cotovelo”, porque desta forma você nunca soube trabalhar. Aqueles que foram a correr logo de telefone na mao a dar-lhe as boas novas, decerto estão enganados dentro do CCP, esses estiveram em Lisboa a tentar trabalhar para o protagonismo deles, onde nem abriram boca, nem demonstraram trabalho feito, foram de mãos vazias de trabalho, e voltaram da mesma forma. Alguns saíram antecipadamente, pois deixaram essa missão para alguém, porque não queriam dar a cara!!!. Sobre o Partido Comunista, utilizar-se do CCP, para ter visibilidade, Francamente, conforme já lhe disse uma vez, o meu amigo ainda vive no tempo, que se davam as “tais injeções atraz das orelhas dos velhos” e “comiam-se as criancinhas”. O seu anti-comunismo é para si mais importante, que trabalhar em prol das comunidades portuguesas. Coitado de si, quando despeja o seu ódio, fá-lo de uma forma muito deselegante e antiquada.....alias de si, muitas vezes poderei dizer que ......”nem sabe o diz, nem diz o que sabe”.... Demita-se do CCP, faz-lhe muito bem.....e já agora dê uma melhor imagem de homem candidato a deputado do Partido Socialista, pois isso também daria muito jeito a muitos amigos que tenho no seu partido, e que estão fartos destas suas atitudes!!! Isto sei que o vai deliciar, porque tal como alguns dos seus pares, adoram responder a estas coisas, porque nada mais fazem que responder a estas coisas e procurarem distrair-nos com coisas sem qualquer importância, mas digo-lhe, chega!!!.»

quinta-feira, julho 07, 2005

Deformação

Aborreci-me há uns tempos com Casimiro Rodrigues por mor das alterações que ele, da sua lavra, resolve fazer nos textos que publica no Portugal Club.
Deixei passar o tempo e até já falei com ele por telefone, depois disso. Não tenho nada contra o homem e o seu voluntarismo; mas é meu direito o de exigir que não aponham a minha assinatura no que não escrevi e que não façam montagens com textos meus e de estranhos, de forma a iludir os leitores sobre as mensagens e a sua autoria.
Casimiro passou por aqui, copiou meia dúzia de textos e publicou-os, com o arranjo gráfico que entendeu, como se eu lhos tivesse mandado para publicação.
Não gostei.
Enviei-lhe um post com o seguinte teor:
«Não tenho nada contra o facto de o Sr. Casimiro Rodrigues reproduzir o que vou escrevendo no meu blogue…
É público e está acessível para todos.
O que não posso aceitar é que coloque a minha assinatura no que não escrevi e que deforme, por via do tratamento gráfico que dá aos textos, o que efectivamente escrevi.
Para que as pessoas possam comparar o que escrevi com o que consta do texto original, agradeço que as remeta para o endereço de onde tirou os textos.
Pode citar á vontade mas não pode deformar indevidamente o que vou escrevendo noutro local e apresentá-lo como mensagens que eu tenha enviado ao Portugal Club.
Cumprimentos

Miguel Reis»

quarta-feira, julho 06, 2005

Surreal... Posted by Picasa

O discurso de Braga

Reproduzo a notícia da Lusa, tal como ela me chegou:
«O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, anunciou hoje que o modelo de recenseamento eleitoral para os portugueses que vivem no estrangeiro vai ser alterado, ficando os emigrantes automaticamente recenseados quando recorrerem ao consulado.
"Nenhum acto consular ficará consumado sem que se preencha o campo de recenseamento", disse António Braga na sessão de encerramento do plenário mundial do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), que decorreu entre quarta-feira e hoje na Assembleia da República, em Lisboa.
O novo modelo de recenseamento eleitoral dos emigrantes insere- se na reorganização dos serviços consulares que o Governo quer fazer e irá permitir aos portugueses que residem no estrangeiro efectuar actos consulares através da Internet. De acordo com o secretário de Estado, o Executivo está actualmente a fazer uma avaliação das necessidades e só depois é que se iniciará a reorganização dos consulados.
António Braga adiantou ainda que a figura dos cônsules honorários também será alterada e passará a não praticar actos consulares.
"A nossa ambição é no final da legislatura ter cônsules honorários a realizar a sua missão, que passa pela representação de Portugal, abrir portas para Portugal e para os portugueses nos países de acolhimento", afirmou, acrescentando que os actos consulares serão praticados nos postos consulares.
Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado garantiu ainda que o CCP não vai ser consagrado na Constituição portuguesa no âmbito da alteração que o Governo pretende fazer na estrutura daquele órgão consultivo.
A consagração na Constituição daquele órgão de consulta do Governo é uma das principais reivindicações dos conselheiros das comunidades portuguesas.
"O programa do Governo não atende a essa pretensão (consagrar na Constituição o CCP) e não será essa a nossa proposta", sublinhou, escusando-se a avançar com os projectos de alteração à estrutura orgânica do CCP.
António Braga garantiu ainda que o Governo vai ouvir o CCP sobre estas e outras matérias relacionadas com as questões dos emigrantes. Sobre outra preocupação dos conselheiros, a contagem do tempo de serviço militar para efeitos de reforma, o responsável pela pasta da Emigração afirmou estar a cooperar com os ministérios da Defesa e do Trabalho no sentido de apresentarem uma alteração legislativa que abranja os emigrantes nessas situações.
No entanto, garantiu que só os emigrantes residentes na União Europeia ou em países com acordos bilaterais no âmbito da segurança com Portugal irão beneficiar da contagem do tempo de serviço militar.
Por outro lado, realçou que durante o seu mandato pretende incluir nas visitas que efectua junto das comunidades portugueses empresários "para que se estimulem parcerias".
Mobilizar as comunidades portuguesas para a inserção e participação cívica nos países de acolhimento é outro dos objectivos do secretário de Estado das Comunidades, que pretende igualmente integrar o movimento associativo dos emigrantes na rede nacional das associações portuguesas para que realizem parcerias. »
Não se pode exigir mais de quem está há 100 dias no Governo... O secretário de estado não está, claramente, dentro dos assuntos de que tem de tratar. Mas se tiver vontade, aprenderá.
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Poluição subsidiada

Outra carta sem resposta foi a que enviei no dia 4 de Maio ao Ministro do Ambiente.
Enviei cópia à Quercus na mesma data. Também a associação ambientalista não disse nada.
Interessante é observar os resultados das análises que chegaram há dois dias do Canadá.
Revelá-las-ei depois de enviar a queixa que estamos a preparar para enviar à Comissão Europeia e a diversas organizações ambientalistas internacionais.


Exmº Senhor
Ministro do Ambiente do Ordenamento
do Território e do Desenvolvimento Regional
Engº Francisco Nunes Correia


Representamos a sociedade Jorgen Mortensen - Sociedade de Investimentos Imobiliários S.A., com sede na Marinha Grande.
Esta sociedade adquiriu, em 1993, à Comissão Liquidatária da Fábrica Escola Irmãos Stephens S.A., o imóvel em que se encontra instalada a antiga fábrica de cristais com essa denominação.
A fábrica passou a ser explorada por uma empresa participada pela referida sociedade – a Jorgen Mortensen Limitada.
No momento da aquisição constatou o gerente dessas sociedades, Sr. Jorgen Mortensen, que existiam tanto nos terrenos que adquiriu como num terreno anexo, grandes quantidades (muitas toneladas) de escórias com metais pesados, provenientes da indústria.
Perante a gravidade da situação, o Sr. Jorgen Mortensen condicionou a aquisição do prédio à emissão pela referida comissão liquidatária de uma declaração que o desresponsabilizava pelos danos ambientais decorrentes de tais depósitos (Ver.
http://photos1.blogger.com/img/244/2904/1024/Carta%20FEIS.jpg ).
O maior volume das escórias, com elevadas doses de chumbo e de cádmium, de acordo com as análises então mandadas fazer pelo Sr. Jorgen Mortensen, estava, porém, situado num terreno adjacente, denominado “Terreno da Cerca”.
Parte deste terreno foi arrendado à Jorgen Mortensen Imobiliária, tendo sido posteriormente dado em pagamento ao Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social e por este instituto vendido à Câmara Municipal da Marinha Grande.
A comissão liquidatária da Fábrica Escola Irmãos Stephens deu de arrendamento à nossa constituinte uma parcela do referido terreno da Cerca, com a área de 1972 m2, área essa destinada à instalação de depósitos de gás, destinados ao abastecimento da fábrica.
Nem o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social nem a Câmara Municipal da Marinha Grande deram conhecimento à nossa constituinte do projecto de venda, sendo certo que a Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários S.A. era, indicutivelmente titular do direito de preferência na aquisição do imóvel.
A Comissão Liquidatária da Fábrica Escola Irmãos Stephens e o Sr. Jorgen Mortensen estabeleceram, formalmente, um pacto de preferência a favor deste para as hipóteses de venda ou dação em pagamento, obrigando-se expressamente o vendedor ou o dador a informar o comprador ou o beneficiário da dação do ónus que gravava a transmissão.
Com o maior desprezo por estas obrigações o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social e a Câmara Municipal da Marinha Grande negociaram entre si a compra e venda do referido imóvel, sem notificarem a nossa constituinte para que exercesse, querendo, o direito de preferência.
Procurando cooperar com as autoridades municipais, a nossa constituinte disponibilizou-se para renunciar ao direito de preferência de que é titular, contra uma compensação pecuniária e a mudança dos depósitos de gás para outras instalações. Acordaram-se valores e condições para a resolução do contrato de arrendamento em que a nossa cliente é arrendatária.
Todavia, a Câmara Municipal da Marinha Grande, tendo embora acordado com a nossa constituinte numa saída negociada, que foi inclusivamente aprovada pelo executivo municipal, veio posteriormente a dar o dito por não dito, o que nos obriga a alterar o posicionamento que adoptamos, na expectativa da conclusão do negócio.
A Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários S. A. só não introduziu em juízo a adequada acção de preferência porque, na base da boa fé, acordou numa solução negociada com a Câmara Municipal da Marinha Grande.
Não pode, por isso, aceitar que essa Câmara Municipal venha, como se adivinha, sustentar que caducou o direito de preferência da nossa constituinte, quando é certo que ela só não o exercer porque foi ludibriada pelo Presidente da Câmara Municipal.
Vai, por isso mesmo, a Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários S.A. – pedir em juízo que lhe seja reconhecido o direito de preferência na aquisição do imóvel em causa.
Acontece que as obras realizadas pela Câmara Municipal o desvalorizam de forma insustentável.
Explicitando...
Seria absolutamente impossivel a um particular construir o que quer que fosse no referido terreno sem proceder previamente à sua despoluição. Todavia, a Câmara Municipal, com o mais grotesco desrespeito pelas leis e pelos direitos dos cidadãos, espalhou pelo terreno milhares de toneladas de escórias poluentes, que prejudicam a possibilidade de utilização daqueles solos.


São milhares e milhares de toneladas de resíduos com chumbo, cadmium e outros poluentes, que ali se foram acumulando ao longo de mais de 200 anos e que deveriam ter sido tratados com os devidos cuidados, em vez de serem enterrados à força de máquinas pesadas pelas autoridades municipais, junto de um curso de água.

No dia 28 de Abril de 2005, o Sr. Jorgen Mortensen, acompanhado por um engenheiro que lhe vem dando assistência nas questões ambientais, procurou recolher amostras de terra, na área do terreno que lhe está arrendada, tendo sido impedido de o fazer.
Os sacos com as amostras foram-lhe retirados por empregados de uma empresa contratada pela Câmara Municipal.
Só depois de ter sido chamada a polícia é que a esposa do Sr. Jorgen Mortensen, Ana Mortensen, conseguiu colher algumas amostras, no espaço limitado de terreno.
As fotografias da fase final do incidente podem ser vistas neste endereço:
http://jorgenmortensen.blogspot.com/
Pode Vª Exª ver no mesmo endereço fotos das alterações que a paisagem sofreu nos últimos dias.

É para nós muito sintomático o facto de as autoridades municipais terem adoptado os procedimentos que adoptaram, quando Jorgen Mortensen quis recolher amostras para análise e o impediram de o fazer. Quem não deve... não teme análises...
Mortensen não é um ecologista de ocasião.
Um dos compromissos que assumiu com o Estado português quando comprou os dois maiores «cancros» da indústria vidreira portuguesa (a J.Ferreira Custódio e a Fábrica Escolha Irmãos Stephans) foi o de produzir cristais sem chumbo, num tempo em que o Estado subsidiava generosamente os poluidores que usavam essa matéria-prima para dar toque ao vidro.
Talvez resida nessa circunstância uma das justificações da perseguição sistemática de que vem sendo alvo.

O Sr. Jorgen Mortensen está habituado a não ser ouvido.
Sabotaram-lhe a fábrica e nenhuma investigação foi realizada, apesar dos instantes apelos às diversas autoridades e poderes. O processo da sabotagem da fábrica foi literalmente abafado. Jorgen Mortensen ainda foi acusado de ofensa às autoridades judiciárias portuguesas apenas porque citou o relatório das Nações Unidas sobre o desenvolvimento humano, no qual Portugal figura nas primeiras linhas da corrupção.
Há toneladas de provas da sabotagem da fábrica, que ninguém quer investigar.

A empresa vidreira que melhor performance tinha no ano 2000 sofreu num curto período três violentos ataques:
a) O da sabotagem das suas instalações industriais, que a impediu de produzir durante vários meses;
b) O da paralisação com uma greve selvagem, logo após a descoberta da sabotagem, que a levou a perder o seus melhores clientes;
c) O da sabotagem do seu aparelho comercial por via da concertação de um ministro da Administração Interna e de um governador civil que, com o mais frontal desrespeito pelas leis, deixaram o poder cair na rua e permitiram, sem nenhuma reacção visivel, que a via publica fosse ocupada por entulhos, impedindo-se a entrada e saída de viaturas da fábrica.

Perdeu-se, com essa concertação toda a clientela... Foi um processo muito escuro, que carece de ser investigado, ao menos para que se faça história.

Senhor Ministro:

Vive-se na Marinha Grande um ambiente absolutamente mafioso... e eu quero acreditar que Vª Exª não estará disposto a envolver-se nele.
O nosso cliente comprou a Fábrica Escola Irmãos Stephens, assumindo consigo próprio o compromisso de a viabilizar e lhe traçar um novo destino.
Sempre lhe foi dito que aquele era um elemento essencial do património da cidade e da região. Agora, ao que tudo indica, está a ser torpedeado por uma operação de especulação imobiliária, talvez patrocinada pela própria Câmara Municipal que de um lado afirma que aquele espaço será sempre um espaço industrial e museológico e, do outro, vai montando uma negociata de terrenos, à custa do Polis, preparando-se para absorver, por métodos pouco claros, a área ocupada pelas instalações fabris da nossa constituinte.
O mais estranho é que tudo isto se faça com o alto patrocínio do Estado, das autoridades públicas e do próprio sindicato, afecto ao Partido Comunista, que tudo fez para lançar no desemprego os melhores trabalhadores vidreiros da Marinha Grande, não se sabe bem porquê.
Mais do que uma operação de requalificação urbana, o Polis da Marinha Grande é uma operação de especulação imobiliária sobre os terrenos da cerca da Fábrica Sthephens.

Os nossos clientes não são politicamente correctos e vão lutar até ao fim das suas energias, step by step.
Porque Vª Exª é, também, ministro do Ordenamento interpelam-no, por meu intermédio, questionando se o Governo tem algum projecto específico para a zona em que se encontra instalada a referida Fábrica, projecto esse que seja tão importante que justifique a destruição da única unidade vidreira da Marinha Grande com capacidade para satisfazer os padrões de qualidade exigidos no mercado internacional.
Mas é sobretudo em matéria de ambiente que os meus clientes reclamam a intervenção de Vª Exª, na qualidade de gerentes da Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários S.A. e de cidadãos.

Consideram os meus constituintes que é fundamental proceder a uma imediata suspensão dos trabalhos do Programa Polis na parta que se reporta aos terrenos da Cerca pelas seguintes razões:
Havia milhares de toneladas de escórias com metais pesados nesse terrenos, que foram ou enterradas ao deslocalizadas, não existindo nenhuma informação sobre o seu destino;
O enterramento e a dissimulação dessas escórias, tenha ele sido feito no próprio terreno da Cerca, como tudo indica ter acontecido ou em outros terrenos, tem implicações da maior gravidade para o ambiente e para a saúde pública, pelos danos que causa nos solos e nas águas;
Na hipótese de as escórias em causa terem sido enterradas no Terreno da Cerca afectaram-se, de forma gravíssima os recursos ambientais de tal espaço e do curso de água que o atravessa, agravando-se a situação nos próximos anos, se não houver a prudência de retirar tais escórias para destino em que possa evitar-se a contaminação dos solos e da água.
Se as escórias referidas não forem encontradas no Terreno da Cerca, terá que apurar-se onde se encontram, retirando-se do facto todas as consequências.

O que não pode fazer-se é cobrir o sol com a peneira em nenhum dos aspectos que indiciem violação das normas legais que protegem o ambiente e que nos escusamos, por ora, de citar.
O Sr. Órfão, distinto Presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, disse aos jornais que o Sr. Mortensen deu um tiro no pé ao tornar público que tinha uma declaração afirmando que comprou um terreno com depósitos poluentes...
Não percebeu o Sr. Órfão que esta declaração vale, sobretudo, para afirmar que os poluentes já lá estavam quando Mortensen comprou o prédio ao Estado, não podendo ele ser responsabilizado pelas respectivas consequências.
Não precisava Mortensen de ter pedido uma declaração de que existiam milhares de toneladas de escórias poluentes nos terrenos limítrofes, porque elas ali estavam a olho nu.
O que ninguém podia fazer era enterrá-las pura e simplesmente, sem sequer dizer onde, ainda por cima c o apoio de fundos da União Europeia destinados á protecção do ambiente.
Por isso, requerem os meus clientes a Vª Exª que adopte as providências adequadas à reparação dos danos e à responsabilização de quem for efectivamente responsável.
Urge, antes de tudo, ordenar a imediata suspensão dos trabalhos em curso para que não sejam maiores os danos e o encobrimento.

Os meus melhores cumprimentos

Miguel Reis

Cartas sem resposta

Um dos maiores defeitos do governo de José Sócrates é o de não responder a quem se lhe dirige, mesmo quando as questões são importantes e prementes.
No dia 6 de Maio dirigi a carta que se segue ao Ministro da Economia.
A carta fala por si e a realidade pode ser observada.
O mínimo razoavelmente exigível seria que o Ministro mandasse apurar o que se passava.
Mas não... Fechou-se em copas.
Eu sei que há interesses imobiliários que falam mais alto do que o interesse em manter o emprego de umas dezenas de trabalhadores.
Mas fico triste quando assisto a este silêncio.
Nem o Ministro disse nada nem o gabinete de José Sócrates, a quem enviei cópia, deu qualquer resposta.
De fábrica fechada - como reacção ao ataque da Segurança Social, que deixa descansados outros empresários que lhe devem muito mais do que a Jorgen Mortensen - o casal Mortensen continua a fazer encomendas a outras fábricas na Marinha Grande e, ao que me dizem, será neste momento a principal fonte das exportações daquela região vidreira para o estrangeiro.
Aqui fica a carta e a denúncia do desinteresse que a falta de resposta implica.

Exmº Senhor
Ministro da Economia
Doutor Manuel de Pinho
Rua Laura Alves, 4 - 11º
1050 - 138 LISBOA




MUITO URGENTE
Lisboa, 6 de Maio de 2005
Assunto: Insolvência da Jorgen Mortensen Limitada

Representamos os Srs. Jorgen Mortensen e Ana Mortensen e as sociedades Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários e Participações, S. A. e JM Glass Vidros da Marinha Grande S.A., com sede na Marinha Grande.
Reporto-me nesta carta à insolvência da sociedade Jorgen Mortensen Limitada, de que os meus clientes são sócios ou a que estão associados, começando por afirmar, como convém numa carta que se dirige a um ministro – meia dúzia de verdades que tenho por axiomáticas:

a) Esta declaração de insolvência, consequência de um pedido da próprio gerência, é a consequência natural da aplicação da lei vigente;
b) Se a lei fosse respeitada, muitas das empresas concorrentes já teriam sido declaradas insolventes porque estão em pior situação do que a Jorgen Mortensen Limitada;
c) A declaração de insolvência, com o quadro que tem no novo Código da Insolvência obriga a uma postura diferente da adoptada na lei anterior, sob pena de se sacrificar ao equilibrio das contas o essencial do valor das empresas como entidades sociais e de qualquer credor poder manipular o mercado;
d) No caso concreto da Jorgen Mortensen Limitada há indícios fortes do envolvimento de entidades públicas num projecto para a destruição desta empresa, com vista ao favorecimento de um cartel controlado pelo Estado, que lhe faz concorrência, utilizando fundos públicos.
d) A Jorgen Mortensen Limitada, agora declarada insolvente é a única empresa de cristalaria da Marinha Grande com capacidade e know how para a produção de vidros de «segmento alto» em termos de qualidade.
e) A empresa insolvente tem trabalhadores qualificadíssimos, tem clientes no estrangeiro e tem encomendas, que não podem ser fabricadas em nenhuma outra fábrica em Portugal.
f) Não há nenhum interesse público que possa justificar o encerramento definitivo de uma unidade que é economicamente viável e altamente lucrativa e que é a única que tem potencialidades para operar na produção de vidro de «Segmento alto».
g) Se o Governo estiver efectivamente interessado em manter o emprego em vez de o destruir e em proteger unidades industriais de topo, encontrar-se-à em curto prazo uma solução que permitirá repor em funcionamento a fábrica dos Mortensen e recriar os postos de trabalho que se anularam.

Parto para estes axiomas de uma leitura atenta dos pressupostos do actual Código da Insolvência e dos textos comunitários que lhe servem de base.
Quando a situação financeira das empresas se degrada, é urgente adoptar medidas adequadas a proteger os interesses de todos aqueles com quem elas têm uma vida de relação.
Essa é a única maneira de salvaguardar os valores patrimoniais e não patrimoniais que as empresas acumulam. Na sociedade global, é precisamente este último grupo de valores o mais relevante.
O know-how, os métodos e processos e a qualidade não são levados ao balanço – ao menos nas situações críticas, em que nunca se discute o valor do good-will – mas são, seguramente, os mais importantes quando deixamos de pensar no núcleo e pensamos no País.
Penso que se justifica que, nesse pressuposto, Vª Exª perca uns minutos a informar-se sobre a realidade do «caso Mortensen», que aqui esboço em traços largos.

O Sr. Jorgen Mortensen é considerado uma da maiores autoridades mundiais em matéria de vidro.
Em 1993, Jorgen Mortensen comprou ao Estado os activos da Fábrica Escola Irmãos Stephens S. A., na Marinha Grande e refundou essa unidade secular.
Já antes tinha adquirido a empresa J. Ferreira Custódio Lda, outro cancro da indústria vidreira da Marinha Grande.
Mortensen conseguiu fazer renascer das cinzas estas duas empresas, que se fundiram na Jorgen Mortensen Limitada, e demonstrou que a indústria vidreira é altamente lucrativa e pode viver sem subsídios desde que produza com qualidade.
Conhecedor da história dos Stephens ( para melhor informação ler o livro «Glass» de Jenifer Roberts, publicado pela Templeton, em 2003) ele tentou repetir a sua proeza, porém sem os favores públicos que aquele houve do Marquês. E conseguiu-o até ao momento em que contra ele abriram uma guerra total, que envolveu sobretudo por via de omissões cúmplices, importantes figuras do Estado.
Em 1999, a Jorgen Mortensen Lda exportou 7.254.385 €.
Em 2000, apesar de uma grave crise que a afectou, exportou 7.064.783 €.
No verão de 2001, a empresa foi afectada por uma greve que quase a destruiu e cujos contornos são muito mal conhecidos, tanto pelo público como pela maior parte da classe política.
Não temos nenhuma dúvida de que o poder político se envolveu demasiado, no sentido de destruir a Jorgen Mortensen Limitada, como forma de privilegiar os interesses concorrentes. Essa matéria está suficientemente documentada e não vamos repisar nela.
É matéria para um livro que em breve virá a público, como forma de denúncia de um neo-corporativismo e de novo condicionamento industrial.

Escrevo esta carta a Vª Exª apenas porque quero acreditar que à mudança do discurso político poderá corresponder a efectiva vontade de uma mudança de políticas.
Os meus constituintes não tem conseguido passar (sobretudo junto do poder político e da comunicação social) a verdade efectiva da situação para que se arrastou a Jorgen Mortensen Limitada, que é sistematicamente deformada, ao sabor dos interesses que se jogam em torno da crise que afecta a indústria da cristalaria.
Seria imperioso, antes de tudo, que o Governo nomeasse uma comissão, constituída por gente séria e independente - desligada do sector da cristalaria – para analisar a situação.

Resumimo-la, de forma muito sintética, nos termos seguintes:
1. Jorgen Mortensen trouxe à Marinha Grande um design novo e novas técnicas de produção de cristal sem chumbo, que colocaram a sua fábrica no topo do ranking mundial da qualidade do vidro. Esta é uma verdade indiscutível. Apesar da crise, a Jorgen Mortensen Limitada ganhou o prémio “Estrela Internacional WQC”, categoria ouro, atribuído para o ano de 2004 pelo Comité Internacional de Selecção do Business Initiative Directions (
www.bid-quality.com).
2. Esta fábrica é a única com capacidade e know-how indispensáveis para a produção de peças de alto valor acrescentado (peças acima dos 7 quilos), dispondo de equipamentos preparados para tal fim e, sobretudo, de uma equipa de operários que tem uma preparação e um conhecimento técnico inigualável e inaproveitável no quadro de qualquer outra empresa.
3. Os Mortensen (ao contrário da generalidade da concorrência) têm encomendas, todas dos mercados internacionais, a preços que são lucrativos. Estão a fabricar algumas encomendas, com qualidade diminuída, noutras fábricas; mas não conseguem produzir em nenhuma outra fábrica do País a parte mais importante dessas encomendas, constituída por peças de maior dimensão com tipos de acabamento que a generalidade das empresas não domina.
4. A evolução da situação nos últimos cinco anos, leva-nos a concluir que o cerco que tem sido feito aos Mortensen, visando a sua eliminação do mercado tem a ver com dois tipos de questões:
4.1. Em primeiro lugar com projectos imobiliários para a área em que se encontra instalada a fábrica há quase 300 anos;
4.2. Em segundo lugar com o interesse da concorrência (em que pauta o Estado) na eliminação de padrões de qualidade que, alegadamente, lhe prejudicam os negócios.
5. Só com um intervenção pública enérgica, no sentido de garantir uma efectiva concorrência, em vez de permitir que os organismos públicos, à mercê de interesses particulares, estrangulem as empresas, será possivel recuperar esta unidade industrial e permitir a sobrevivência de uma indústria vidreira de alta qualidade, como a que os Mortensen têm desenvolvido.

O Estado procedeu em 1993 (há muito pouco tempo) à venda dos activos da Fábrica Escola Irmãos Stephens, que foi durante duas décadas um sorvedouro de dinheiros públicos. Entre esses activos estava um prédio, no centro da Marinha Grande, que é apetecível por potenciar grandes lucros se o conseguirem colocar no mercado imobiliário. Para isso é preciso destruir a fábrica.
De outro lado, a indústria vidreira portuguesa foi moldada nos últimos cinquenta anos em função de um conjunto de interesses privados, misturados, de forma sempre promiscua, com um aparente interesse público.
O paternalismo/proteccionismo foi sempre uma constante. E continua a sê-lo, o que em nada beneficia a indústria, mas protege, de forma escandalosa interesses de funcionários, de políticos e de dirigentes associativos.
Apregoa-se ao país que há um agrupamento complementar de empresas denominado Vitrocristal ACE, no qual estarão reunidas todas as empresas vidreiras da Marinha Grande.
Mas isso não passa de um enorme embuste: a Vitrocristal ACE não é um agrupamento de empresas (tem apenas uma que com ele litiga). É uma empresa em que pautam, como sócios com papel predominante, dois institutos públicos (o ICEP e o IAPMEI) que, sendo como são entidades infuentes na distribuição de subsídios, se locupletam a si mesmos, subsidiando uma empresa de são sócios, com detrimento das demais.
Temos para nós que a Vitrocristal ACE não é mais do que uma peça de um esquema adequado a subsidiar (por via indirecta) empresas que, por deverem dinheiro ao fisco e à Segurança Social, não teriam condições para haver subsídios em condições de transparência.
Nada produzindo – porque não produz – a Vitrocristal despende recursos públicos para a comercialização de produtos de empresas que, devem dinheiro ao Estado e à Segurança Social, não poderiam candidatar-se a quaisquer subsídios.
A marca MGlass – que falta de imaginação – foi lançada como operação ad homine contra Jorgen Mortensen, que é, há muitos anos titular da marca JMGlass. Foi, obviamente, uma sujeira, que só indignifica quem o fez, com o alto patrocínio do Estado.
Mas mais grave do que essa sujeira é o Estado, com manifesto patrocínio de concorrência desleal, ter permitido a deformação da marca, transformando-a de marca regional em marca de produto, como se a um fabricante pertencesse, com a óbvia intenção de enganar os consumidores.
Isto tem custado milhões ao Estado e não levará a nenhum lado, para além da destruição da indústria da cristalaria.
É por demais evidente que num sistema como este não pode permitir-se que existam empresas eficazes e lucrativas, que conseguem competir nos mercados internacionais e ganhar dinheiro, como acontecia com a Jorgen Mortensen Limitada.
É evidente que num sistema como este não pode permitir-se que existam empresas que paguem pontualmente os seus impostos e encargos com a Segurança Social.

O que aconteceu com a Jorgen Mortensen Limitada é demasiado chocante:
1. Quando a empresa procurava expandir a produção, sabotaram-lhe pelo menos um forno, sendo a investigação de tal crime completamente abafada;
2. Quando, depois de descoberta a sabotagem, a empresa retomou o seu curso normal, foi decretada uma greve, com contornos ainda hoje estranhos, tendo sido bloqueada a saída de mercadorias com o entulhamento das entradas da fábrica.
3. O bloqueio da entrada da fábrica foi permitido pelo então governador civil de Leiria, hoje administrador da Vitrocristal, apesar de não se lhe conhecer nenhuma ligação à indústria.
4. Durante a greve, Jorgen Mortensen foi pressionado a vender a fábrica, numa reunião em que participaram os principais dirigentes políticos e representantes do Governo.
5. Com esse bloqueio, a empresa perdeu os seus principais clientes, sendo certo que se as mercadorias tivesse seguido os seus destinos a empresa ficaria com uma situação equilibrada, solvendo todos os compromissos vencidos.
6. Antes da referida greve a Jorgen Mortensen Limitada não devia um cêntimo ao Estado ou à Segurança Social.
7. Restaurada a paz social nos finais de 2001, foi introduzido no Tribunal Judicial da Marinha Grande um processo especial de recuperação, sendo a final aprovada uma medida de recuperação de empresa de que relevam, como elementos principais, os seguintes:
7.1. Fusão da Jorgen Mortensen Limitada ( a empresa que explorava a fábrica) com a Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários Lda, por absorção da primeira;
7.2. Envolvimento de todo o património imobiliário dos sócios no projecto de recuperação da empresa;
7.3. Dação em pagamento dos imóveis dos sócios (cerca de 4 milhões de euros) ao BCP, com a celebração simultânea de uma operação de leasing que permitiria a recuperação desses património.
7.4. Pagamento aos credores comuns em quinze anos e ao Estado e à Segurança Social (que entretanto passaram a ser credores) no prazo de cinco anos.
7.5. Manutenção de 140 postos de trabalho.
8. Na assembleia de credores surgiram duas propostas: uma que previa a entrega da gestão da empresa a terceiros, patrocinada pelo gestor judicial, e outra apresentada pela própria empresa, elaborada por uma equipa liderada pelo Prof. Fernando de Carvalho, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
9. Esta última proposta de medida de recuperação – da iniciativa da empresa - foi aprovada por cerca de 80% dos credores, mas mereceu a oposição dos responsáveis da Segurança Social e do representante do Estado, apesar de se ter feito a demonstração de que uma tal posição constituía uma acto de manifesta gestão danosa, pois que o valor que o sistema de segurança social teria que suportar no curto prazo era incomparavelmente maior do que o do crédito naquele momento, que, vistas as contas, claramente não podia ser pago no imediato.
10. O Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social e o Fundo de Garantia Salarial recorreram da decisão homologatória da deliberação adoptada pela assembleia de credores, tendo sido dado provimento ao recurso, apesar da demonstração da sua falta de senso, com o único fundamento de que a lei exige a não oposição dessa entidades públicas para que a moratória seja possivel.
11. Perante o estrangulamento a que foi sujeita pelas posições adoptadas pelas entidades públicas, a Jorgen Mortensen Limitada viu-se obrigada a reduzir os trabalhadores activos a cerca de metade, porque, tendo embora encomendas, não dispunha de fundos para os combustíveis e matérias primas e não tinha, no quadro de instabilidade em que passou a laborar, acesso ao crédito.
12. Essa decisão de gestão mereceu a aprovação da Mmª Juiz do Tribunal Judicial da Marinha Grande, tendo sido contestada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira, que sempre preferiram, estranhamente, ver todos os trabalhadores no desemprego, em vez de manter os postos de trabalho que era possivel manter.
13. Essa decisão inteligente e corajosa da juíza da Marinha Grande foi impugnada com o patrocínio do Sindicato e obteve provimento da Relação de Coimbra, que condenou a sociedade a readmitir os trabalhadores inactivos e a pagar-lhes os salários correspondentes ao período da inactividade.
14. O Sindicato notificou a empresa para dar cumprimento a essa decisão.
15. Neste quadro, tinham os responsáveis da empresa duas saídas:
15.1. Ou desrespeitavam a decisão judicial, continuando a laborar e a pagar apenas aos trabalhadores que trabalhavam, incorrendo num crime;
15.2. Ou respeitavam a decisão judicial, rateando os fundos disponíveis para pagamento de salários e abrindo uma crise que conduziria ao encerramento da fábrica. Atento o tempo que o Tribunal da Relação demorou a tomar uma decisão, estaríamos perante o paradoxo de ter que pagar aos trabalhadores inactivos milhares de euros e aos activos uns magros cêntimos.
16. Perante este quadro, no último dia de Janeiro deste ano – dia em que se procedeu ao pagamento da retribuição desse mês – a gerência da empresa explicou aos trabalhadores que, perante esta decisão judicial, não lhe era possivel pagar os salários do mês de Fevereiro e que se iria apresentar à insolvência.
17. A insolvência foi declarada no dia 15/02/2005, sendo certo que a produção cessou no dia 1 de Fevereiro de 2005.
18. A empresa apresentou-se á insolvência com os salários em dia, tendo pago inclusivamente os montantes descontados aos trabalhadores para entrega á Segurança Social e ao fisco.

O processo de recuperação de empresa correu sob um espectro muito estranho.
Durante o seu curso verificaram-se manifestações várias que me causaram a maior estranheza e a maior perplexidade.
Numa belo dia foi-me proposto que baixasse as mãos e cooperasse no sentido de permitir a viabilização de uma proposta de recuperação assente na gestão controlada e no afastamentos dos Mortensen da empresa. Ganharia com isso 250.000 €...
Reuni nesse mesmo dia com os Mortensen e falei nesse mesmo dia com o Prof. Fernando de Carvalho, a quem, em nome dos meus cliente pedi que preparasse o projecto que acabou por ser aprovado.
O gestor judicial apresentou outro projecto que, curiosamente, previa o afastamento dos sócios principais da empresa.

Apesar da forte votação que aprovou a medida de recuperação, as entidades públicas opuseram-se-lhe por via de recurso, o que colocou a empresa numa situação muito dificil.

Atenta a completa falta de crédito mercantil e a insegurança que os clientes passaram a manifestar, aconselhamos os gerentes e alguns clientes a associarem os seus interesses e a constituir uma nova sociedade vocacionada especialmente para o comércio.
Esta sociedade – a JMGlass – Vidros da Marinha Grande S.A., absorveu os trabalhadores da área comercial e encontrou os meios para financiar a continuação da produção.
Neste momento, em Maio de 2005, apesar de muitos clientes terem suspendido os seus pedidos, a JMGlass tem uma carteira de encomendas de mais de 500.000 € para os próximos dois meses. E ao invés de ser apoiada é sabotada pelas entidades públicas.
Na última reunião da assembleia de credores, lancei um repto ao IAPMEI no sentido de encontrar fábricas onde possam ser produzidas estas encomendas, recebendo da parte do seu representante, o Dr. Amadeu Boleixa, um simples sorriso amarelo.
As entidades públicas envolvidas não manifestaram o mínimo interesse em que continue a produzir-se cristal sem chumbo, de alto valor acrescentado, por encomenda dos Mortensen ou dos seus clientes internacionais. Bem pelo contrário, agem como quem esteja interessado em que essas encomendas não se realizem em Portugal.
Tudo tem sido feito, de forma directa e indirecta, para encobrir a realidade e para inviabilizar a retoma do funcionamento desta unidade industrial.
Podia ler-se há dias no «Diário Económico»:

«A marca Mglass, associada à criação da região demarcada de vidro da Marinha Grande já envolveu um investimento superior a 22 milhões de euros, contabilizando apenas os dois contratos programa aprovados desde 2001. A comparticipação pública rondou os 75%.
Apesar dos montantes, o presidente da AIC chama atenção para o facto de não haver exemplo de marcas internacionais criadas em tão pouco tempo e com investimento tão reduzido. Sobre alegadas dificuldades na execução, o dirigente lembra que o Estado, através do IAPMEI, tem uma participação no capital da Vitrocristal, não podendo por isso distanciar-se de eventuais responsabilidades. Quanto ao envolvimento das empresas da região com o projecto, Fernando Esperança reconhece que “houve desconfianças”.“As pessoas sentiram que se estava a tentar criar uma imagem, a apontar para um segmento de mercado que não era o que as empresas detinham, que se queria concorrer com Lalique, Baccarat, Waterford. Temos noção de que o objectivo é o segmento alto. Agora para quem está no segmento médio ou baixo, passar imediatamente para o alto não é possível. A menos que se injecte muito milhões de euros que sustentem essa mudança. Não existindo esses meios, é muito difícil à empresa dar esse salto.”
Ainda assim, sublinha, “a marca foi indispensável para aumentar competências. Não houve melhorias do ponto de vista económico/financeiro, mas se não tivesse existido, provavelmente, o sector já teria morrido”.»

Há neste momento um fortíssima pressão de lobbying visando a obtenção de subsídios para um projecto que não tem nenhuma hipótese, por manifesta falta de qualidade da sua execução.
Não é possivel entrar no «segmento alto» do vidro sem competências ou destruindo competências. Por isso, tudo o que se tem feito e o que se projecta fazer redundará em dinheiro lançado à rua, como ainda há dias afirmou numa conferência sobre o uso das marcas o antigo ministro da Economia , Prof. Daniel Bessa.
O que se vem fazendo na Marinha Grande, com o meticuloso envolvimento de representantes do Estado é a tentativa de destruição da única unidade cujos produtos, pela sua qualidade e pelo seu valor, se colocam no segmento alto.
E compreende-se que seja assim porque há fortes interesses envolvido, alguns com um peso político determinante.
Seria muito interessante que Vª Exª mandasse analisar o escândalo da gestão dos dinheiros públicos envolvidos no caso Mandata, a diferença de postura dos agentes do Estado no mesmo caso e no caso Mortensen.
Seria muito interessante que o Governo mandasse apurar porque é que, deliberadamente, sabendo que isso causaria prejuízos de milhões de euros aos cofres públicos, os representantes da Segurança Social se opuseram à medida de recuperação aprovada pela assembleia de credores.
Seria muito interessante que o Governo mandasse apurar porque razão se registou uma manifesta diferença do tratamento dado pelas instituições da Segurança Social à sociedade Jorgen Mortensen Limitada e às demais empresas do sector, quando é certo que, antes da referida greve, a Mortensen nada devia ao Estado nem à Segurança Social.

A insolvência foi decretada e tinha que ser decretada, por ser absolutamente inviável a recuperação da sociedade, depois das tropelias feitas pelas entidades públicas.
Mas existem os elementos indispensáveis para o aproveitamento dos elementos do activo desta empresa e o relançamento da única unidade industrial com capacidade e know how para se situar no escalão mais alto da qualidade da cristalaria.

É possivel repor esta fábrica em funcionamento no prazo de quinze dias, desde que se associem os diversos interesses em jogo.

a) Em primeiro lugar, é preciso evitar a sanha das entidades públicas (ao que parece acompanhadas pelo próprio sindicato) no sentido do desmantelamento da fábrica. Os maiores receios reportam-se ao papel do IAPMEI, que tem tido em todo este processo um comportamento muito obscuro e que tem, objectivamente, interesse no encerramento desta empresa, atenta a sua posição na Vitrocristal.
O equipamento é perfeitamente actual e não vale nada se for desintalado.
Em contrapartida, a instalação de uma unidade deste tipo (não há nenhuma em Portugal com esta capacidade) custaria um mínimo de 15 milhões de euros.
b) Existe – ainda não foi desfeita – uma equipa de vidreiros que tem um conhecimento técnico único no País. Este conhecimento não é utilizável por outras empresas nem é transmissível, porque não se produzem em Portugal peças do padrão em que ele é exigível.
Os próprios centros de formação não dispõem desses conhecimentos.
Jorgen Mortensen considera que, na hipótese de não ser possivel reabrir a fábrica nos próximos seis meses, se perdem quase 400 anos de trabalho, tempo cumulado necessário para se conseguir uma equipa idêntica.
c) Há encomendas e possibilidades de as expandir. Mas isso só é possivel desde que os Mortensen permaneçam associados ao projecto, pois que este tipo de cliente exige uma garantia de qualidade que passa por uma relação muito estreita com o criador.

Pergunta-se-à agora o que é necessário fazer para repor esta unidade em funcionamento.
Na nossa opinião é viável reiniciar a actividade e dar emprego imediato a cerca de 40 trabalhadores, seguindo-se os seguintes passos:

I. Negociação entre a Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários e o BCP
A Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários e Participações S.A. ofereceu garantia hipotecária a favor da insolvente ao Banco Comercial Português.
No quadro do processo especial de recuperação de empresa foi aprovada uma medida de recuperação que passava pela dação em pagamento ao BCP do imóvel em que se encontra a fábrica, com a celebração simultânea de um contrato de leasing, o que permitiria recuperar o património, pois que a Mortensen Imobiliária absorveria a agora insolvente por fusão.
Foi feita a dação em pagamento, para recriar a confiança do banco, mas não se preencheram as condições do seu enquadramento, porque, tendo a Segurança Social oferecido oposição à medida aprovada, deixou de haver condições para a fusão e porque, de outro lado, o banco não celebrou o contrato de leasing.
A Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários e Participações S.A. propôs uma acção contra o BCP, em que peticiona a anulação da dação em pagamento.
A Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários e Participações S.A. continua com a posse do imóvel e está interessada em solver os seus compromissos, como garante, e em reaver o edifício.
É indispensável encontrar uma solução negociada com o BCP, visando a celebração do contrato de leasing a favor da dadora.
É indispensável racionalizar a utilização do espaço e obter receitas que permitam suportar as rendas do leasing.
A Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários e Participações S.A., celebrado o contrato de leasing com o BCP apresentaria à administradora da insolvência proposta de compra de todos os elementos do activo do estabelecimento industrial.
A Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários e Participações S.A. é uma outra sociedade, agora com outros accionistas e está numa situação em que sobreleva o interesse na recuperação do imóvel.

II. Constituição de uma nova sociedade que reabra a unidade fabril
Afigura-se-nos que o melhor caminho para reabrir a unidade fabril será o da constituição de uma nova sociedade (anónima eventualmente com apelo à subscrição pública e ao capital de risco) que
a. Celebre com a Jorgen Mortensen – Sociedade de Investimentos Imobiliários e Participações S. A. um contrato de cessão de exploração, por valor que permita suportar os encargos daquela com o contrato de leasing na proporção do espaço ocupado;
b. Contrate os trabalhadores indispensáveis ao relançamento da produção;
c. Celebre com os fornecedores os contratos indispensáveis à produção.
d. Adquira à massa insolvente a parte do stock não acabado.

Os Mortensen estão dispostos a colocar alguns activos nesta sociedade e a dar o seu melhor contributo para a gestão industrial, mas veriam como muito interessante que ela fosse administrada por gestores profissionais afectos aos novos investidores.

III. Consolidação da JMGlass – Vidros da Marinha Grande S. A. como empresa comercial
Para acelerar o crescimento da produção industrial é indispensável encontrar apoios para a consolidação da JMGlass – Vidros da Marinha Grande S. A., em termos que evitem a distorção da concorrência e que têm que ser aferidos pelo volume efectivo das exportações.
É absolutamente inadmissível que a Vitrocristal receba milhões de euros para o exercício da sua actividade com um reduzidíssimo valor de exportações e que a principal concorrente tenha que suportar todos os seus custos de promoção comercial e seja discriminada em todas as operações em que operam entidades públicas.

O Sr. Jorgen Mortensen e a Srª D. Ana Mortensen estão absolutamente disponíveis para cooperar com qualquer entidade que se apresente de forma séria para o desenvolvimento de um projecto assente na concertação dos diversos interesses em jogo.
Mas não estão, naturalmente, interessados em dormir com o seu próprio inimigo, pelo que descartam qualquer entendimento com os representantes dos interesses que têm procurado liquidá-los.
Veriam os Mortensen com muito interesse a intervenção de entidades de capital de risco, associadas a jovens gestores sem vícios, no quadro da iniciativa recentemente anunciada por Vª Exª e pelo Sr. Primeiro Ministro. Seria possivel aproveitar, por tal via, parte do trabalho feito pelo Prof. Fernando de Carvalho, da Faculdade de Economia de Coimbra, no quadro do processo de recuperação.
Para que Vª Exª possa apreciar, de forma ponderada a situação da empresa insolvente no quadro do sector da cristalaria, indispensável se torna que mande apreciar o que aqui se passa por alguém independente e descomprometido.
E para que consiga mudar o que está mal é preciso coragem e é preciso passar por cima de muitos interesses instalados e habituados há dezenas de anos a mamar na teta orçamental.
É um crime deixar acabar o melhor da indústria vidreira da Marinha Grande, sobretudo quando é possivel ganhar muito dinheiro neste sector, porque, como diz Jorgen Mortensen, estão aqui os melhores vidreiros do Mundo.
Estranha é que o seu próprio sindicato os queira ver no desemprego.
Cada dia que passa é uma perda. Perdem-se os clientes, perdem-se as memórias e perde-se o domínio de técnicas que se apuraram durante anos e anos.
Não foi por acaso que se fez nesta fábrica o maior copo de vinho do Porto do Mundo.
Se deixarem acabar esta equipa sem que ela transmita os conhecimentos que acumulou isso nunca mais será possivel.
O Sr. Mortensen e eu próprio manifestamos a nossa disponbilidade para um encontro com Vª Exª em data da sua conveniência.

Os meus melhores cumprimentos



Miguel Reis





Sócrates em alta

Excelente entrevista de José Sócrates à SIC.
Discurso coerente e optimista, O país precisa disto.
Pena é que a rectaguarda esteja a funcionar mal e que alguns ministérios não deem resposta a questões prementes.
O homem tem vontade mas o terreno está completamente minado, em muitos locais pelos seus próprios adversários.
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terça-feira, julho 05, 2005

Comunidades: Conselheiro Suíça propõe substituição do Conselho por observatório

Notícia da Lusa

«O conselheiro das comunidades portuguesas da Suíça Manuel de Melo propôs hoje que o órgão de consulta do Governo para as questões da emigração seja substituído por um observatório permanente sedeado em Lisboa.
"É necessário pôr fim ao Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) que apenas serve os interesses pessoais de meia dúzia de conselheiros", disse à Agência Lusa Manuel de Melo, adiantando que "não se identifica com o actual CCP".
O conselheiro, que não esteve presente na reunião plenária do CCP que decorreu na semana passada em Lisboa, sublinhou que o "Governo tem o caminho aberto para acabar com o conselho" e em sua substituição deveria criar um observatório permanente para as comunidades portuguesas. De acordo com Manuel de Melo, o observatório seria sedeado em Lisboa, com pólos espalhados pelo mundo e a sua direcção seria constituída por figuras públicas que conhecem as comunidades.
"O observatório permitiria um acompanhamento mais estreito dos problemas dos emigrantes e qualquer português residente no estrangeiro poderia dar o seu contributo", referiu. Questionado sobre a sua ausência no plenário, sustentou que não estava de acordo que a reunião mundial se realizasse na mesma altura que os encontros das secções regionais do CCP.
"Não aconteceu nada de novo no plenário que decorreu na semana passada em Lisboa. Apenas serviu para trocar de presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas (CPCP)", criticou, acrescentando que "foi ilegal" a eleição do novo responsável do CPCP. No plenário mundial, o conselheiro do Brasil António de Almeida e Silva renunciou ao cargo de presidente do CPCP, tendo sido eleito para o lugar o membro de França Carlos Pereira. "Um presidente pode renunciar ao cargo a qualquer momento, mas neste caso houve uma ilegalidade porque a renuncia já tinha sido acordada há dois anos", explicou Manuel de Melo.
Como não se identifica com um "conselho que não defende os interesses dos emigrantes", Manuel de Melo está a encetar contactos com outros membros do CCP para apresentarem uma "proposta colectiva de demissão".
"Uma demissão isolada não resolveria qualquer problema. Como tenho o pressentimento que um quarto dos conselheiros está descontente com o actual CCP, estou a contactar outros membros para apresentarmos a demissão", salientou.
Caso não consiga reunir um consenso, Manuel de Melo afirmou que vai continuar a desempenhar o seu papel de conselheiro para o qual foi eleito. "Um conselheiro pode desenvolver um papel a nível local e individual", argumentou.
A Suíça tem sete conselheiros e Manuel de Melo é membro do CCP desde a sua criação em 1997. O Conselho das Comunidades Portuguesas é um órgão de consulta do Governo para as questões da emigração, composto por 96 membros, tutelado por um Conselho Permanente constituído por 15 conselheiros e está divido em secções locais e regionais.»
Tenho dúvidas acerca desta estratégia que aparece a público pela voz de Manuel de Melo.
Conhecia a sua posição sobre a substituição do presidente do CCP e conheço as suas posições críticas por relação à santa aliança dos conselheiros afectos ao PCP e ao PSD.
É claro, para quem observa as movimentações das lideranças das Comunidades, que os dirigentes afectos ao PS estão colocados numa posição muito débil, isolados pelo seu próprio partido, cuja política se não conhece, para além dos indícios de que haverá um projecto para liquidar tudo o que, em termos de organização, tenha ligações ao Manuel de Melo e ao Carlos Luis.
Isto passa absolutamente despercebido em Lisboa, mas é claro nas movimentações que verificamos sobretudo na Europa e na América Latina.
Neste contexto - e depois de ter sido punido pelas posições políticas que tem assumido (nomeadamente na defesa das crianças portuguesas na Suiça - compreende-se que Manuel de Melo lance a ideia de uma alternativa ao Conselho.
Estranho é que seja um Observatório com sede em Lisboa.
Pessoalmente parece-me um erro, mas reservo-me para opinião posterior, depois de colher informações sobre o projecto.
Parece-me é que, independentemente do que quer que seja e sobreviva ou não o CCP, é hora de os emigrantes se organizarem para poderem ter uma voz na sociedade civil.
O Manuel de Melo, que vive na Suiça conhece bem o Organização dos Suiços nos Estrangeiro. É uma associação pujante e cheia de iniciativa.
Mas é, talvez por isso, uma organização respeitada e respeitável.
O que é preciso fazer é uma Organização dos Portugueses no Estrangeiro. Até pode chamar-se OPTE, com o PT a verde e vermelho. O importante é que defenda genuinamente os interesses dos portugueses residentes no estrangeiro, que os apoie e que os ajude a defender os seus direitos.
Se para mais não valesse, a experiência do CCP poderia, seguramente, servir para base de lançamento de uma plataforma deste tipo, que pode nascer já, de forma paralela ao próprio conselho e com a participação de pessoas que integram o Conselho.
O drama do Conselho está em que ninguém o ouve e muita gente deseja que esteja calado.
O Manifesto aprovado no último plenário não é tão mau como foi dito em post que já citei. O problema é que, mesmo sendo o que é, não passa de um chover no molhado.
Há anos que as mesmas coisas são reclamadas, sem que alguma vez tenham sido satisfeitas.
E o que para aí se anuncia é de mau presságio tanto no que se refere ao ensino como no que se refere à actividade consular.
Ou os emigrantes se organizam numa estrutura forte e independente do Estado e participam na vida pública ou continuará a política das sardinhadas e dos bailinhos da Madeira. Essa é que é a questão.