quinta-feira, setembro 22, 2005

Não podemos andar de cavalo para burro...

O secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, anunciou, ontem, em Lisboa, o fim do destacamento de professores de Português no estrangeiro a partir do ano lectivo de 2006/07. "Em 2006, há um novo concurso de professores de Português no estrangeiro, com novas regras", disse Jorge Pedreira no final de uma reunião com a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), na qual debateram o ensino do Português no estrangeiro. De acordo com o secretário de Estado, actualmente Portugal está a destacar professores para leccionarem Português no estrangeiro, mas no futuro "a situação normal será a via da contratação". "Cerca de 60% dos professores de Português no estrangeiro são destacados, o que representa um encargo muito grande para Portugal, que não se justifica", acrescentou. Além do salário correspondente à sua categoria, os professores contratados têm direito a um suplemento de residência. A partir do próximo ano lectivo, os 300 professores actualmente destacados vão ser muito menos, indicou o governante, garantindo que existe "muita gente disponível e qualificada para desempenhar essas funções em regime de contratação".

In «Jornal de Notícias», 22.09.2005

Mário Soares em S. Paulo

Fantástica entrevista de Mário Soares à TV Bandeirantes, ontem à noite. Pena que não passe em Portugal. Posted by Picasa

quarta-feira, setembro 21, 2005

Será possivel? Leio e não consigo acreditar...

TSF Online

Tudo é possível, mesmo que seja indecoroso.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal meteu uma cunha ao Ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela para que desenvolva esforços no sentido de acelerar o julgamento do piloto português detido naquela país por suspeita de particiapação numa operação de tráfico de estupefacientes.
O MNE da Venezuela disse que ia falar co PGR de lá...
E tudo isto se diz com a maior naturalidade.
Ninguém fala das outras senhoras, que também são portuguesas e se presumem inocentes como o referido piloto.
A cunha parece que foi só para o piloto.
Mas o mais interessante de tudo isto é que Portugal legitima por esta via que qualquer estado que tenha cidadãos esperando por julgamento em Portugal há onze meses tem o direito de pressionar o Palácio das Necessidades para que o MNE pressione a Justiça a acelerar os respectivos julgamentos.
Então, porque é que os próprios portugueses que esperam há mais tempo por julgamento não hão-de pressionar no mesmo sentido?

terça-feira, setembro 20, 2005

Não é possivel

PUBLICO.PT

Leio e não acredito... Vou ficar à espera, porque, tanto quanto sei não é possivel.

Mudou o dia das mentiras?

Se fosse na edição de 1 de Abril... eu acreditaria. A 19 de Setembro, trata-se, obviamente, de uma mentira. Posted by Picasa

Que grande bordoada...

Martins da Cruz descasca brutalmente em Freitas do Amaral, no «Diário de Notícias» de hoje.
É de antologia. Reproduzo e fico à espera da resposta:

«MNE. Quis o ministro dos Negócios Estrangeiros dar-me a honra de responder à minha última crónica com uma carta aos leitores do DN. Infelizmente estava desfocada.
Diz o prof. Freitas do Amaral que assistiu em Luanda a toda uma tarde da reunião ministerial da CPLP. É certamente verdade que fez a sua intervenção.
E depois parece que terá tido que atender a questões de política interna portuguesa. Mas não esteve presente nas sessões onde se decidiu.
Não se sentou à mesa com os seus colegas, criando confiança pessoal.
Não foi visto nos encontros onde se expressa a afectividade. Faltou aos serões onde em África se criam cumplicidades.
Por outro lado, a rigidez da análise jurídica e da ciência política pode levar a confundir reuniões com diálogo fluido.
Em política externa, a quantidade das cortesias não significa a qualidade das confluências. Americanos e norte-coreanos reúnem-se muito, mas não há fluidez. A nuance será aplicável a muitas outras situações.
Invoca ainda reuniões que teve com altos dirigentes angolanos e aconselha-me a não falar com base em escassa informação. Não a terei certamente toda. Mas creio que não teria valido a pena referir a reunião de uma hora com o Presidente de Angola.
Na verdade foi um encontro de trabalho entre José Eduardo dos Santos e Jorge Sampaio em Roma, a que assistiu, entre outros, o MNE português.
Por pudor, não refiro detalhes sobre esta e as outras reuniões citadas na carta. Eu não gostaria de fragilizar a política externa portuguesa.
O problema do MNE é que conhece mal África e os africanos. Com todas as responsabilidades políticas que teve desde 1974, só foi a Luanda pela primeira vez o ano passado 29 anos depois da independência.
E os outros países de língua portuguesa de África e da Ásia?É verdade que, para alguns, a kizomba não tem o glamour do festival de Salzburgo.»

Resposta a J. Eduardo

J. Eduardo, português, residente na Alemanha há mais de 40 anos, gostava de ter podido votar nas eleições de ontem. Porém, não o pode fazer por não ter adquirido a nacionalidade alemã. Não o fez, para não deixar de se sentir português…
Interessante conflito este: vontade de votar em eleições que são importantes para o futuro da sociedade em que ele está integrado, mas contenção dessa vontade (desse desejo) para não cometer o pecado de ferir um nacionalismo que não admite a plurinacionalidade.
Isto não tem nada de grave nem de censurável.
É a consequência natural de uma filosofia e de uma educação que marcou longamente a sociedade portuguesa.
O 25 de Abril foi em 1974.
A lei da nacionalidade da ditadura esteve em vigor até 1981… Só em 1981 Portugal aderiu a uma concepção da nacionalidade, que, no essencial, aceita a plurinacionalidade e proíbe a perda forçada da nacionalidade de que no cidadão seja sujeito. E essa lei só pode ser implementada em 1982, pois só nessa ano foi publicado o regulamento que permitiu a sua aplicação.
E isto foi assim, apesar de a nova Constituição ser de 1976.
Até 1981, um cidadão português que adquirisse outra nacionalidade perdia a nacionalidade portuguesa. Uma cidadã portuguesa que casasse com um estrangeiro perdia a nacionalidade portuguesa.
Milhares de cidadãos que eram portugueses, por educação, porque serviram o exército português, porque sempre viajaram com passaporte português, perderam a nacionalidade portuguesa porque adquiriram outras nacionalidades com a descolonização.
Só nos anos 80 o país olhou para o lado. E verificou que havia milhares de portugueses que tinham adquirido a nacionalidade de outros Estados por razões de conveniência e para melhor integração nas respectivas sociedades.
O que se via da prática era que eles participavam na vida das sociedades de acolhimento mas continuavam a comportar-se como portugueses, a afirmar a sua condição de portugueses, a animar a vida de instituições portuguesas.
Verificou-se também que nalguns países a naturalização era praticamente uma condição de sobrevivência. Sem a qualidade de nacional do país de acolhimento, o cidadão via as suas condições de vida extremamente limitadas.
A partir dos anos 80, Portugal passou a aceitar o princípio de que a nacionalidade não constitui monopólio de um estado.
Na velha concepção (nacionalista) ser nacional de determinado Estado implicava uma vinculação exclusiva a tal Estado.
A nova concepção (de plurinacionalidade) aceita que o mesmo individuo possa ter uma relação jurídica com diversos estados.
A Convenção Europeia sobre Nacionalidade qualifica a nacionalidade como o vínculo jurídico entre um indivíduo e um Estado, «não indicando, contudo, a origem étnica desse indivíduo». O conceito de «pluralidade de nacionalidades», nos termos da mesma Convenção, designa a posse simultânea, por um mesmo indivíduo, de duas ou mais nacionalidades.
A Convenção contém alguns princípios inovadores, por relação ao quadros dos nacionalismos que marcaram os três primeiros quartéis do século passado. Cito apenas alguns:
1. Cada Estado determinará quem são os seus nacionais nos termos do seu direito interno.
2. Tal direito será aceite por outros Estados na medida em que seja consistente com as convenções internacionais aplicáveis, com o direito internacional consuetudinário e com os princípios legais geralmente reconhecidos no tocante à nacionalidade.
3. As normas de cada Estado sobre a nacionalidade basear-se-ão nos seguintes princípios:
a) Todos os indivíduos têm direito a uma nacionalidade;
b) A apatridia deverá ser evitada;
c) Nenhum indivíduo será arbitrariamente privado da sua nacionalidade;
d) Nem o casamento ou a dissolução de um casamento entre um nacional de um Estado Parte e um estrangeiro, nem a alteração de nacionalidade por um dos cônjuges durante o casamento, afectará automaticamente a nacionalidade do outro cônjuge.
4. As normas de um Estado Parte sobre nacionalidade não conterão distinções nem incluirão qualquer prática que conduza à discriminação em razão de sexo, religião, raça, cor ou origem nacional ou étnica.
5. Cada Estado Parte regular-se-á pelo princípio da não discriminação entre os seus nacionais, independentemente da nacionalidade ter sido adquirida por nascimento ou em qualquer momento subsequente.
O mais importante desta Convenção – que define a essência dos princípios gerais de uma nova concepção de nacionalidade - está num jogo de duas liberdades:
- a liberdade de cada Estado definir os quadros de acesso à sua nacionalidade;
- a liberdade de cada cidadão poder estabelecer relações de cidadania relativamente a um outro estado sem perder a nacionalidade de que já era titular.
A nacionalidade é um vínculo entre um indivíduo e um Estado, estabelecido de acordo com o direito interno desse Estado, mas que não reporta a origem étnica do indivíduo, ficando o Estado proibido de discriminar os seus cidadãos em função da origem étnica.
Nesta moderna concepção de nacionalidade, os estados têm, naturalmente, o direito de definir os quadros em que os cidadãos podem aceder à sua nacionalidade; mas não podem discriminar os cidadãos em razão da plurinacionalidade nem forçar a perda de nacionalidade em razão da aquisição de nova nacionalidade, da origem étnica ou da mudança do estado civil.
Um dos vectores mais interessantes da Convenção é o liberdade que qualquer cidadão tem de escolher uma nova nacionalidade sem perder a nacionalidade que tinha.
J. Eduardo tinha todo o direito de adquirir a nacionalidade alemã (que nada tem a ver com a sua origem étnica) mantendo a nacionalidade portuguesa.
Ele está ligado a Portugal pelo sangue, pela saudade, pelo amor às origens e por isso a Convenção (de que Portugal é aderente) lhe garante que não perderá a nacionalidade portuguesa se adquirir a nacionalidade alemã. E, afinal, trabalhando na Alemanha há mais de quarenta anos, é justo que ele possa adquirir a nacionalidade alemã e influenciar a vida alemã, sem prejuízo de continuar a ser português.
O que não é justo – o que até é inadmissível à luz dos princípios da Convenção – é que o Estado português lhe reduza os direitos de cidadania na hipótese de ele adquirir a nacionalidade alemã.
Esse esvaziamento perverte completamente o sentido da Convenção.
É nesse sentido que a Lei Orgânica nº 5/2005, de 8 de Setembro é perversa.
Ela anula a essência de princípios estruturantes da Convenção Europeia sobre Nacionalidade.

Contra o exercício de voto dos bi-nacionais

Chegou-me hoje esta critica a um dos meus escritos recentes:
«Geralmente estou de acordo com os artigos do senhor Miguel Reis.
Porém, desta vez não posso deixar de discordar. Melhor, estou totalmente em desacordo. É que, em meu entender, das duas uma ou somos cidadãos portugueses ou somos de qualquer outra nacionalidade.
Eu próprio estou a viver há mais de 40 anos noutro País, onde me sinto totalmente integrado. Naturalmente que, a título de exemplo, não escondo que ontem gostaria de ter votado nas eleições deste País, até porque também participei activamente na campanha eleitoral.
Não pude votar porque optei que manteria apenas a minha nacionalidade portuguesa, e isto por uma questão de consciencia. É que, ao requerer uma outra nacionalidade eu penso que perderia parte da minha propria identidade.
E, das duas uma, ou mantinha a minha nacionalidade portuguesa ou adquiria a alemã e, não obstante poder manter as duas penso que ficaria como que uma coisa indefenida. Em que ficávamos, era Portugues ou era Alemão.
Ora e repito, não obstante viver neste País há mais de quarenta anos, não obstante me sentir aqui bem e totalmente integrado quer na vida civil quer na política, (sou membro do conselho de estrangeiros há mais de duas décadas e sou autarca a caminho do terceiro mandato, para alem de outras actividades cívicas), não consigo imaginar-me português e ao mesmo tempo alemão. Como disse, acho que não seria nem uma coisa nem outra, perderia a minha identidade.
Não posso por isso concordar que pelo facto de ter adquirido duas nacionalidades um cidadão possa participar activamente nos dois países.
Parece-me correcto o que acontece por exemplo com os cidadãos da União Europeia, emigrados num País da mesma comunidade que, em eleições autarcas tenham o direito de escolher no País em que vivem e nas eleições para o Parlamento Europeu tenham que decidir se querem votar nos Países de origem ou nos de residencia.
Do ponto de vista do senhor Miguel Reis, estes cidadãos deveriamos também poder votar nos dois países, o que era uma situação de desigualdade em relação aos que vivem e residem no mesmo País. Ora eu não me sinto cidadão de segunda pelo facto de ter um tratamento igual a todos os outros, cidadãos.
Quanto ao voto para o Presidente da República, igualmente não me teria sentido descriminado, caso tivesse optado pela nacionalidade alemã e me fosse retirado o direito de votar para o Presidente da República de Portugal.
E é por isso, e porque me parece que perderia parte da minha identidade, caso optasse por uma segunda nacionalidade, que decide manter como unica a nacionalidade portugesa. E digo isto sem qualquer sentido de nacionalismo, que de facto não sinto. Como em todas as coisas ou se é carne ou se é peixe.
As duas coisas ao mesmo tempo é que me parece impossível. Por isso optar-se por ambas as nacionalidades só porque isso traz benefícios é que não me parece correcto para não dizer honesto.
Concordo que para o Presidente da República apenas aqueles que são apenas portugueses possam votar e continuo a discordar com a história das duplas nacionalidades em que se não é nem uma coisa nem outra.
Os meus melhores cumprimentos
J. Eduardo»

segunda-feira, setembro 19, 2005

Mais dinheiro para um saco sem fundo...

Ainda estou no «país dos mensalões» e cai-me na caixa de correio um interessante telegrama da Lusa sobre uma promessa de apoio às «empresas de cristalaria que sejam viáveis»
Diz o telegrama:

«Marinha Grande, Leiria, 17 Set (Lusa) - O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, disse hoje à Lusa que o governo vai apoiar as empresas de cristalaria que sejam viáveis.
Vieira da Silva falava à Lusa à margem da inauguração do Centro de Formação Profissional para o Sector da Cristalaria (Crisform), na Marinha Grande.
"Estamos empenhados em favorecer as condições para que as empresas viáveis possam ultrapassar as dificuldades", adiantou Vieira da Silva, que, no entanto, deixou claro que o Governo não ajudará a manter "artificialmente unidades que não são viáveis".
O ministro - que é da Marinha Grande - adiantou que, "do ponto de vista estratégico e da competitividade", o Crisform "é um passo muito importante porque aqui se vai moldar uma nova geração, que vai pegar um pouco no testemunho dos vidros da Marinha Grande e vai adaptá-la à exigência dos novos tempos".
Em relação ao mercado, Vieira da Silva disse que "existe uma procura de produtos do sector", realçando que "é uma procura que aposta e exige diversidade e qualidade do produto".
"Já não existe a velha procura de produtos banalizados de baixo preço e suportado por baixos salários", sustentou.
Para a evolução do sector, o governante salientou no discurso de inauguração "o carácter estratégico e decisivo do Centro em que se dedicar à formação contínua", a qual considerou de extrema importância.
Na cerimónia inaugural, o Crisform formalizou dois protocolos - com a Universidade de Aveiro e com o Instituto Politécnico de Leiria - "com vista a equiparar alguns dos cursos com o grau de bacharel", disse à Lusa Figueiredo Nunes, presidente do Centro.
Um outro protocolo foi assinado com o Colégio de Vidreiros, constituído por "oito mestres com grande experiência, que podem dar formação e servir de incentivo aos mais jovens", disse o mesmo responsável.
O edifício do Crisform, instalado na Zona Industrial da Marinha Grande, representou um investimento de "três milhões de euros, 2,5 milhões dos quais para o edifício e o restante em equipamentos", disse Figueiredo Nunes.
Comparticipado integralmente pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, via FEDER, o edifício foi concebido como uma mini-fábrica, tendo fornos e equipamentos para que todos os processos possam ali ser ensinados.
Sete salas de formação, gabinetes de apoio, uma mediateca e um auditório com 83 lugares, compõem o Crisform, que se divide em dois pisos.
Infra-estruturas "com condições para dar formação actual, que responde às necessidades das empresas", disse Figueiredo Nunes, esclarecendo o plano de formação para 2006 está a ser feito com base na auscultação de empresários, associação e peritos do sector e do Centro de Emprego local.»
Defendo há muito tempo que a questão dos subsídios e dos apoios do Estado à indústria da cristalaria deveria ser investigada pelas autoridades policiais, por haver fortíssimos indícios de favorecimento pessoal e de discriminação, para além de tudo indicar que os «esquemas» adoptados para a gestão dos fundos públicos indiciarem mecanismos de fraude na obtenção dos subsídios.
O Estado investiu milhões no projecto Vitrocristal e na Crisform. Para quê? Quais são os resultados? Que vidros se produziram e que vidros se exportaram? Quais são os valores?
Em contrapartida, tudo fez o Estado e tudo fizeram as instituições da Segurança Social para estoirar e conduzir ao encerramento da única empresa que nos últimos anos, apesar de todas as dificuldades, sempre teve fluxos crescentes de encomendas, que só não realizava integralmente porque foi completamente estrangulada - a Jorgen Mortensen Lda.
É um escândalo que o governo venha prometer apoios às empresas de cristalaria «que sejam viáveis» e tenha deixado fechar, sem qualquer apoio a fábrica dos Mortensens, que poderia ser reposta em funcionamento com a simples capitalização dos subsidios de desemprego.
Sobre a matéria escrevi uma carta ao ministro da Economia, da qual não obtive sequer resposta acusando a recepção.
A generalidade das empresas deve centenas de milhar de euros ao fisco e à Segurança Social. Como podem estas empresas ser subsidiadas?
No que se refere à formação profissional, a ideia que tenho é que o Centro de Formação não passa de um expediente para encobrir o desemprego. Como pode funcionar um centro de formação na cristalaria sem ter um forno?
Como se pode falar de formação quando, tanto quanto sei, a dita está absolutamente ultrapassada, não dominando os formadores o essencial das técnicas modernas da alta cristalaria?
Criminoso é que, em contrapartida - e como que para acabar as referências de qualidade - se faça tudo para destruir uma equipa qualificadissima, como é a da Jorgen Mortensen, quando bastariam uns reduzidos cobres para a repor em laboração.
Pena tudo isso não ocorrer no Brasil... Já haveria uma investigação policial.
O que se passa na Marinha Grande no sector do vidro é muito mais grave que algumas das histórias dos «mensalões» que ocupam os jornais brasileiros.

domingo, setembro 18, 2005

Folha Online - Brasil - Cartas sinalizam que Palocci participava de decisões de fundos - 18/09/2005

Folha Online - Brasil - Cartas sinalizam que Palocci participava de decisões de fundos - 18/09/2005

Outra notícia interessante...
Curiosamente as actividades do Citigroup estão a ser questionadas em vários países.
Portugal é um excepção...
Tudo é oculto.

Folha de S.Paulo - PF investiga elo entre PT e doleiro da Operação Uruguai - 18/09/2005

Folha de S.Paulo - PF investiga elo entre PT e doleiro da Operação Uruguai - 18/09/2005

Interessante... Será que há uma «conexion» Collor/PT?
O Jefferson foi, quando era gordo, um dos homens do Collor...
Este Brasil é uma caixa de surpresas.
... Posted by Picasa

Yahoo! Grupos : vnews Mensagens : Mensagem 45 de 53

Yahoo! Grupos : vnews Mensagens : Mensagem 45 de 53

Como é que uma coisa destas valia, pouco depois 400 milhões de dólares?

Observatório da Imprensa - 11/1/2005

Observatório da Imprensa - 11/1/2005

Para memória futura...

Gazeta Mercantil - 14/02/2000

Gazeta Mercantil - 14/02/2000

Uma noticia a guardar...
Interessante recordar... Posted by Picasa

A PT, o BES e os mensalões...

Oficialmente não há quaisquer conclusões relacionadas com as deslocações de Valério a Lisboa e com os contactos que ai realizou.
O que veio nos jornais é conhecido. E a posição da PT foi de... dar o assunto como encerrado. O mesmo com o BES.
Há um velho ditado que diz que quando ralham as comadres se descobrem as verdades.
E o que aqui me disseram foi que «há investigações sobre coisas passadas».
Que coisas?
A privatização da Telesp Celular?
A compra da Zipnet?
Pois...
A Zipnet era um pequeno portal de valor diminuto... Foi comprada por 400 milhões de dólares...
Mas o interessante não é isso... É que foram pagos cerca de 50 milhões de dólares a advogados, segundo foi revelado numa assembleias gerais da PT.
Tudo muito estranho e capaz de catalizar especiais curiosidades nos tempos e hoje.

O papel do Ministério da Justiça

Um dos aspectos mais notáveis desta crise tem a ver com o funcionamento do Ministério da Justiça, que está a dar uma imagem de que não encrava nada e que adopta todas as diligências consentêneas com a celeridade das investigações.
«O Ministério da Justiça brasileiro encaminhou anteontem à noite ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos o pedido de quebra de sigilo da conta bancária da empresa offshore Dusseldorf Company, do publicitário Duda Mendonça, naquele país e de outras 17 que a abasteciam.

Essas contas são de pessoas fisicas e jurídicas que faziam depósitos para a offshore. Entre elas, duas teriam sido usadas por doleiros de Minas Gerais. O governo brasileiro espera começar a receber as informações em um mês. »

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Como se vê se um político é ladrão...

No meio desta agitada vida política do Brasil, tive o privilégio de conversar esta semana com um juiz desmbargador e dois procuradores do Ministério Público, na cidade de S. Paulo.
Foi uma conversa amena introduzida por uma amigo jornalista que com eles tem uma relação muito especial.
O facto de eu ser português e de ter sido jornalista antes de ser advogado melhorou a abertura que todos demos a um franco debate de ideias.
Logo no princípio da conversa - quase a introduzi-la - manifestei a minha opinião, enfaticamente negativa, relativamente ao que estava a ocorrer com a prisão de Paulo Maluf e de seu filho.
Não me parece aceitável que um político que já foi governo do estado, prefeiro e até candidato à presidência da República possa ser lançado numa cela colectiva como um detido de delito comum, em fase de inquérito.
Se um polícia ou um magistrado são conduzidos para prisões especiais, porque é que um homem que esteve na primeira linha da politica brasileira é preso e colocado no estabelecimento com as mesmas condições de um vulgar ladrão ou assassino.
Parece-me que isto de uma violência incrível e que atenta inclusivamente contra os interesse público da segurança. Se fosse um cidadão comum, ninguém falaria dele. Mas de Paulo Maluf está a televisão a falar a cada momento e em termos que causam na opinião pública um sentido de ódio, passivel de gerar situações de retaliação.
Responderam-me com a «versão oficial» de que os estabelecimentos especiais servem para proteger a função que não as pessoas. Por isso o juiz Lalau, que há uns anos deu uma palmada de uns milhões e reais na administração da obra de um tribunal, foi para um estabelecimento especial (uma vez que continua a ser juiz) como teria ido Maluf se fosse prefeito ou governador, que já não é.
É uma desculpa descabelada, que não me convenceu, mas em que não repisei para não estragar o ambiente nem prejudicar a confiança dos meus interlocutores.
Para quem vem da Europa - avancei - faz alguma confusão ver o Ministério Público e as policias a investigar ao vivo, seguidas pela televisão.
De outro lado as notícias deste tipo de acontecimentos são muito opinativas. E o que os magistrados dizem as televisões também o é...
Aí começou uma conversa nova... E começou assim:
«Se fulano foi para deputado há X anos e não tinha nada, ou tinha qualquer coisa pouca, como é que ele hoje pode ter um império?»
Respondi: pode ter jogado na lotaria, por ter recebido uma herança, pode ter descoberto um poço de petróleo...
Um dos meus interlocutores fechou a questão dizendo mais ou menos isto:
«Ou o homem é rico e aí a sua fortuna pode continuar a crescer enquanto ele gasta dinheiro na política, ou então é ladrão... Não tem duas vias...»
Mas - disse eu - do que sei o Maluf sempre foi rico... Por essa teoria é normal que a sua fortuna tenha crescido.
«Pois cresceu, mas cresceu muito mais do que era admissivel».
A ideia que me ficou desta conversa é a de que há hoje na sociedade brasileira um movimento de depuração da classe política, que conta como actores principais os jornalistas, os magistrados e os polícias.
A onda é muito justicialista e peca em muitos aspectos pelo exagero, nomedamente no quadro da comunicação social.
Mas, de outro lado, fiquei com a ideia de que esta gente sabe o que está a fazer, tendo analisado cuidadosamente os erros, nomeadamente, dos magistrados italianos e espanhois.
A investigação conta com meios incriveis e está a desenvolver métodos novos de recolha de informação que nem me passava pela cabeça que pudessem vir da Europa.
Um dos meus interlocutores chamou-me a atenção para o que já se está a fazer na Europa em termos de convite á denúncia e à delação, indicando-me inclusivamente o site da UE em que os magistrados e os polícias do Brasil encontraram inspiração (o OLAF).
«Mas porquê agora? Apenas para liquidar o governo do PT? Ou só este governo é corrupto e outros eram sérios?».
Tudo tem o seu tempo... Há acções que só se desenvolvem quando há condições para isso. Talvez nunca essas condições estivessem tão amadurecidas como estão hoje.
Por isso é que Maluf, que não tem nada a ver com o PT, só agora foi preso - explicaram-me. Ao que me disseram, a polícia anda em cima dele há anos, mas nunca houve condições para avançar com a investigação como se avançou agora.
Deu para perceber que o movimento não se restringe ao espectro do partido do governo. Deu para perceber que, provavelmente, do próprio partido do governo sairão informações para abrir outras investigações em áreas diversas.
A regra de ouro parece ser esta: «quem durante X anos só poderia ganhar Y e tem fortunas de mil ou duas mil vezes provavelmente roubou...»
Pergunto-me o que é que acontecerá em Portugal se alguém algum dia resolver aplicar este método.

Uma edição a não perder... Com lições para retirar...

Imperdivel esta edição da Veja... Posted by Picasa