sábado, fevereiro 03, 2007
A mesa do poder
A «mesa do poder» do almoço das 5ªs, na Casa de Portugal em S. Paulo, é liderada, desde há anos pelo Dr. André Pinto de Sousa.
Na última 5ª feira realizou-se o primeiro almoço do ano e o primeiro em que se sentiu o vazio da falta de Joaquim Magalhães.
Na foto o consul de Cabo Verde, Dr. Aguinaldo Rocha, o Dr. André Pinto de Sousa e a Ana Contreiras.
Na última 5ª feira realizou-se o primeiro almoço do ano e o primeiro em que se sentiu o vazio da falta de Joaquim Magalhães.
Na foto o consul de Cabo Verde, Dr. Aguinaldo Rocha, o Dr. André Pinto de Sousa e a Ana Contreiras.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Á conquista da China
O primeiro-ministro de Portugal tem que ter bom senso.Por isso não pode escrever, no site que faz sobre a sua visita à China, que Portugal partiu à conquista daquele País...Passamos hoje mais de uma hora a explicar o que está no site:
«Sócrates e 71 empresários à conquista da China
Pudesse o tamanho e a importância da comitiva ditar o sucesso de uma visita oficial do primeiro-ministro, e José Sócrates podia já começar a congratular-se com os resultados da sua visita à China...»
Diplomaticamente dissemos que isto são ainda resquícios de um país com mentalidade imperialista e com uma grande influência chinesa no plano da linguagem. Boa parte dos jornalistas portugueses - e até o actual presidente da União Europeia - foi maoista.
Portugal quase não tem exército e não vai invadir a China...
A infantilidade de um site sobre uma visita á China
O primeiro-ministro português, José Sócrates, colocou on-line um site destinado a divulgar a sua visita à China, que está a gerar uma enorme confusão.
O site está em língua portuguesa, sem tradução para nenhum dos principais idiomas da China e apresenta erros do tipo «Microsoft VBScript runtime error '800a01f4' Variable is undefined: PAGE_ACHINA_GOVERNO' /includes/header.asp, line 38» quando se pretende aceder à comitiva ou ao teor dos comunicados e notícias.
Alguns dos nossos clientes chineses ficaram muito nervosos e pediram-nos a tradução do site e esclarecimentos sobre o seu conteúdo.
O que nos vale é que o nosso escritório está no border do China-town de São Paulo e temos correspondentes na China que respondem aos pedidos de esclarecimento.
O site está em língua portuguesa, sem tradução para nenhum dos principais idiomas da China e apresenta erros do tipo «Microsoft VBScript runtime error '800a01f4' Variable is undefined: PAGE_ACHINA_GOVERNO' /includes/header.asp, line 38» quando se pretende aceder à comitiva ou ao teor dos comunicados e notícias.
Alguns dos nossos clientes chineses ficaram muito nervosos e pediram-nos a tradução do site e esclarecimentos sobre o seu conteúdo.
O que nos vale é que o nosso escritório está no border do China-town de São Paulo e temos correspondentes na China que respondem aos pedidos de esclarecimento.
Concorrência desleal na visita de Sócrates à China...
A lista elaborada pelo Ministério da Economia e difundida em lingua inglesa aos chineses é ofensiva dos princípios da livre concorrência e constitui um instrumento de propaganda e favorecimento de algumas empresas e empresários, em desfavor de outros.
O conselho que damos ao chineses - em mensagens que produzimos na sua lingua - é que desconsiderem os elementos da lista governamental e se informem sobre os concorrentes, pois que haverá provavelmente em Portugal empresas com quem possam fazer negócios mais interessantes.
O simples facto de ter sido publicada uma lista que não é exaustiva justifica que se afirmem dúvidas sobre a seriedade da selecção. Portugal é muito melhor do que o que a lista em referência contém. E, como bem sabem os chineses, os grandes timoneiros também se enganam.
O conselho que damos ao chineses - em mensagens que produzimos na sua lingua - é que desconsiderem os elementos da lista governamental e se informem sobre os concorrentes, pois que haverá provavelmente em Portugal empresas com quem possam fazer negócios mais interessantes.
O simples facto de ter sido publicada uma lista que não é exaustiva justifica que se afirmem dúvidas sobre a seriedade da selecção. Portugal é muito melhor do que o que a lista em referência contém. E, como bem sabem os chineses, os grandes timoneiros também se enganam.
segunda-feira, janeiro 29, 2007
O peso do dinheiro
Caiu-me na caixa do correio, enviada pelo Portugal Club, esta carta interessantíssima, que reproduzo sem comentários...
Caro Eng. João Cravinho
Foste ministro, foste deputado. No teu percurso de político medíocre, nunca deslumbrei em ti nem acordes de génio, nem acordes da boa causa da Nação.
O tempo passa e para contrariar e castigar a minha falta de desvelo por ti, vejo nascer na tua íntegra pessoa o apelo às grandes causas: inconformidade e vergonha pelos males generalizados que assolam as coisas da Pátria.
Tornaste-te o arauto da luta anti - corrupção com normas, pesos e medidas que até o teu grande chefe – também engenheiro e de nome Sócrates – te criticou pelo destemperado excesso de zelo, transformando em “asneiras” muitas das tuas ideias.
Saía assim do manto negro da política nacional alguém de alvas vestes, tal Hércules empunhando vara de ferro, com coragem para matar a Hidra das sete cabeças da grave crise nacional.
Mas eis que para o lado de Londres soam ventos de bonança, ventos do tal BERD. O convite é tal que não dá para resistir à tentação da fama e do dinheiro.
Puseste os papéis na gaveta – a corrupção e a Nação que espere – fizeste as malas e trataste da vida.
O Durão Barroso cora agora de vergonha por não ser o único a vangloriar-se de tão magno acto “ que prestigia Portugal”.
Os portugueses ainda com alma e sentir fazem votos que do pantanal da política nacional surja alguém que dignifique a Nação e ponha cobro à promiscuidade do capital e política, e que, em nome da dignidade humana, impeça que
os ricos sejam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Atenciosamente
rancisco de Miranda
Paulo Tock rebate Políbio
Paulo Torck, brasileiro residente em Portugal escreveu um interessante artigo no Portugal Digital, comentando o escrito de Políbio Braga.
Vale a pena ler.
Apetece-me escrever o mesmo quando portugueses, não menos labregos do que Políbio, dizem mal de um Brasil que não conhecem.
terça-feira, janeiro 23, 2007
Comentário de António Braga ao meu desabafo de ontem:
«Soube agora. Obrigado por me fazer chegar esse seu texto, escrito pelos afectos e ditado pelas cumplicidades civicas e pessoais que partilhou com o Joaquim Magalhães.
É uma homenagem, sentida, que retrata uma vida cheia. Confesso que me apanhou de surpresa este desfecho ... sempre tão inesperado.
Tinhamos conversado, muito recentemente, no decorrer do congresso último do PS e senti o Joaquim Magalhães tão animado, cheio de propostas para iniciativas junto da comunidade de S.Paulo.
Conheci-o, aliás, assim: um role imenso de acções que me dirigiu, para se fazerem "já"! Sim, desde o início, a visita de José Sócrates era uma delas. Espero podermos corresponder a essa ambição do Joaquim Magalhães e concretizá-la em tempo oportuno.
Sei da vossa amizade. Conheci em Joaquim Magalhães a nobreza da entrega às causas, com a vivacidade de quem tinha posição, sempre. Aceitava a diferença sem conceder mas ajudava a construir a solução.
Sei da vossa amizade. Conheci em Joaquim Magalhães a nobreza da entrega às causas, com a vivacidade de quem tinha posição, sempre. Aceitava a diferença sem conceder mas ajudava a construir a solução.
O Dr. Miguel Reis sabe disso melhor que eu. É apenas o meu testemunho, singelo ... mas de quem sente igualmente a perda de um amigo. »
Meu Caro António Braga:
Há pessoas insubstituíveis e o Magalhães é uma delas.
Isso tem a ver com afectos, modos de agir, estilos de intervenção... Não é possivel encontrar em S. Paulo, no horizonte das nossas vidas, pessoa que substitua o Magalhães.
Eu, que saí do PS, espero estar aqui para ver se alguém aproveita e respeita o trabalho que o Joaquim aqui vos legou ou se, ao invés, o destrói.
E não vou mais além no que escrevo em público.
É gratificante constatar que, apesar da velocidade dos acontecimentos, há diplomatas que tem a noção dos valores da cidadania e se empenham em representar condignamente o Estado desenhado na Constituição, como a marca da dignidade dos cidadãos. Francisco Seixas da Costa provou, mais uma vez, que é um diplomata notável.
Da velocidade da morte
Nunca tinha imaginado que uma morte normal tem diversas velocidades, consoante o tempo histórico e geográfico em que ela se dá.
A morte dos papas e dos reis é uma coisa prolongada, mesmo que a maioria dos convivas tenha avião particular. Dura sempre vários dias, como temos visto nos casos que guardamos na memória.
A morte dos que são assassinados é, por regra, uma coisa muita rápida e discreta, mesmo que se trate de figura pública, como foi o caso recente de Saddam Hussein.
Não imaginava que a morte de uma pessoa normal e decente pudesse ser tão expedita como o que vi hoje relativamente ao meu querido amigo Joaquim Magalhães.
Às quatro da manhã de hoje ele tinha deixado de respirar, mas o médico ainda não tinha certificado o óbito.
Passamos a notícia aos amigos que conseguimos contactar e às 10 horas da manhã sabíamos que o corpo do Joaquim seria «liberado» por volta das 14 horas e que o funeral se realizaria às 16 horas, precisamente 12 horas depois do passamento.
O tempo marchou a uma velocidade incrível.
Às 15 horas, um padre de jeans e camisa de manga curta, com uma estola ao pescoço e um estilo afável e esperançoso procedeu aos rituais da praxe, encomendando-lhe a alma.
Às 16 horas em ponto os serviços municipais carregaram a urna e as coroas de flores e todos nos dirigimos para o crematório de Vila Alpina, onde entregamos o esquife, ao som de música brasileira, terminando com Elis Regina.
Foi a única falha do programa...
Nenhum de nós se lembrou de levar connosco um disco do Chaínho, daqueles em que a guitarra fala à alma, como bem precisava o Magalhães neste fim de tarde.
Ainda não passaram 24 horas sobre o momento em que me me apertou a mão e se despediu de mim e já tenho a sensação de que, apesar de toda esta velocidade, a grande cidade e a nossa comunidade nesta metrópole mudaram.
É que o peso deste homem franzino, de olhar vivo, no mundo português de S. Paulo nada tinha a ver com os 40 quilos que hoje entregamos ao crematório.
O Magalhães nunca concordava, em absoluto, com nada.
Criticava, discutia, forçava soluções, negociava, avançava para ganhar e cedia quando era preciso ceder.
Era, intimamente, um perfeccionista, no que se refere à construção de soluções políticas.
A virtude em que levava o perfeccionismo mais longe era a da fidelidade.
Fiel aos amigos, fiel àqueles com quem colaborou, fiel às ideias políticas e ao partido que abraçou, era, todavia, estimado pelos adversários, que criticava mas respeitava.
Apesar da velocidade com que tudo isto se processou - menos doze horas, que começaram às 4 da manhã - o Joaquim viu-se homenageado, na última viagem, por uma coroa de flores enviada pelo embaixador de Portugal em Brasília, o que, por si só, é nota expressiva do reconhecimento da sua intervenção cívica mas também da competência da actual representação diplomática de Portugal no Brasil.
O Joaquim Magalhães era, de facto, uma personalidade impar. Se o não fosse não veriamos a pegar-lhe em peso, pessoas como o Dr. Júlio Rodrigues, presidente do banco Banif, o Dr. Paulo Esteves e o Dr. Paulo Porto, sem agravo para dos demais que o cansaço e a emoção não me deixam recordar.
Gostei especialmente de ver ali o Capitão José Verdasca. Apesar das relações difíceis que ambos tiveram, foi das primeiras pessoas, a oferecer a sua solidariedade económica ao Magalhães, após o seu internamento. Dei-lhe o recado de agradecimento que o Joaquim não teve tempo de dar.
Tudo foi demasiado rápido, como se a morte nas grandes cidades fosse uma questão política.
Acabo este post vinte horas depois de a médica me ter dito que o meu amigo estava morto mas que ela ainda não tinha comprovado a morte.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Morreu Joaquim Magalhães
O telefone acordou-me às 4 da manhã, no meu apartamento de S. Paulo.
Era a Susana a informar que o Joaquim Magalhães acabara de sucumbir, depois de mês e meio de intensa luta pela vida.
Visitei-o ontem à tarde, quando se debatia corajosamente pela vida, procurando aproveitar cada segundo do oxigénio que lhe alimentava o pulmão desfeito.
Todos, a começar por ele próprio, tinhamos a noção de que era muito dificil.
À noite, com voz quase imperceptivel, pediu para chamar os amigos, como se quisesse despedir deles.
Chamou-me a mim, ao Luís Cláudio, ao Toninho Reis, à Renata. Pediu para ligar ao Almeida e Silva e sorriu como se as palavras que este lhe transmitiu pelo telefone, a partir de Buenos Aires, lhe inundassem a alma.
Eram 23 horas e o Joaquim tinha nos olhos o brilho da lucidez e nos lábios, dos quais já não saiam palavras, o sorriso de quem encara a vida e a morte com a mesma naturalidade.
Quase impercetivel, ainda chacoteou dizendo «deixa a vida me levar...».
Se ele pudesse, gostaria que estivessem ali todos os seus amigos, para uma grande despedida. O Carlos do Carmo, o Vitorino, o Janita Salomé, o Rao Kyao, o Sérgio Godinho, a Fáfá, a Joana, o Jô, todos os demais das artes e dos espectáculos, mas também o Mário Soares, o Sócrates, o António Braga, o Manuel de Melo, o Amílcar Casado, o Gabriel Cipriano e tantos outros de que me falou nas últimas semanas, a propósito e a despropósito, como se tivesse uma enorme agenda com coisas a fazer, agenda essa que uma tempestade de vento levou.
Há uma semana, antes da minha partida para o Ceará, que ambos prometemos encarar como uma viagem normal, que não podia ser interrompida por qualquer incidente, deixou-me dois recados e dois pedidos, como se tivesse um premonição. Um no sentido de lembrar ao António Braga que é importante agendar a visita de José Sócrates às comunidades portuguesas de S. Paulo e Rio de Janeiro. Outro no sentido de dar um recado ao José Verdasca, a quem devia uma palavra de atenção.
Como prometido, o meu amigo aguentou esta semana como um herói e esperou que eu regressasse a esta grande urbe, para nos despedirmos um do outro.
Lá se foi esta madrugada, deixando atrás de si um imenso vazio.
Joaquim Magalhães foi, apenas, o mais activo promotor cultural que Portugal teve no Brasil nas últimas décadas. Que o digam os artistas portugueses.
Dedicado, desde que o conheço, às causas cívicas esteve em todas as acções políticas importantes para a comunidade portuguesa no Brasil, em especial para a comunidade portuguesa de S. Paulo.
Militante fervoroso do Partido Socialista ainda participou no último congresso. E morreu com o PS (que eu abandonei há algum tempo) no coração.
Custa muito perder uma amigo assim...
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Melo sai do PortugalClub e funda blog
Um dos mais aguerridos activistas dos direitos dos imigrantes, Manuel de Melo, abandonou a participação no PortugalClub e fundou o blog « CAUSA EMIGRANTE », um Blog de leitura obrigatória para quem se interessa pelas questões relacionadas com as Comunidades Portuguesas no mundo.
www.causaemigrante.blogspot.com
www.causaemigrante.blogspot.com
Questionável... por quem tem dúvidas
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) acusou o Governo de «abandonar os portugueses que vivem nas zonas rurais do interior do país», na sequência da decisão de encerrar mais 900 escolas do primeiro ciclo em 2007, escreve a Lusa.
«A decisão de encerrar milhares de escolas (1.500 em 2006 e 900 em 2007) significa que o Governo decidiu abandonar os portugueses que vivem nas zonas rurais do interior do país», acusa a Fenprof, em comunicado divulgado, acrescentando que dois terços destas escolas são no centro do país.
O secretário de Estado Adjunto e da Educação anunciou quarta-feira em Viana do Castelo o encerramento de «pelo menos» mais 900 escolas do 1º ciclo, em 2007, no âmbito do processo de reordenamento da rede escolar, já em curso.
Segundo Valter Lemos, o fecho destas escolas assentará em dois critérios, os mesmos que ditaram o encerramento de quase 1.500 escolas no início deste ano lectivo: ou terem menos de 20 alunos e uma taxa de sucesso escolar inferior à média nacional ou menos de 10 alunos.
Para a Fenprof, o Governo vai avançar com o encerramento de mais 900 escolas, «sem que tenha sido resolvido um conjunto de problemas e dificuldades resultantes do encerramento decidido em 2006».
A maior federação de professores diz ainda ter «elementos» que apontam para o encerramento de estabelecimentos de ensino com mais de 20 alunos, nomeadamente no distrito de Viseu, que acolheram crianças de outras escolas, o que gera «grandes perturbações na vida das famílias e nas condições de aprendizagem das crianças».
«As crianças deslocadas estão a ser obrigadas a usar transportes que estão muito longe de observar as mais elementares regras de segurança. Por exemplo, 12 e mais crianças transportadas em carrinhas de nove lugares - caso de Continge, no concelho de Sátão», denuncia a Fenprof.
A estrutura sindical aponta ainda outras situações como no Seixo, concelho de Sernancelhe, onde as crianças têm de levar para a escola acolhedora os pratos e os talheres, ou em Aguiar da Beira, onde o agrupamento de escolas comprou capas de plástico para nos dias de chuva as crianças irem almoçar à EB 2,3, devido à ausência de transporte.
«Em São João da Pesqueira, algumas crianças saem meia hora mais cedo das aulas para que usem os transportes organizados e são forçadas a chegar à escola uma hora antes do início das actividades, com evidentes prejuízos para as aprendizagens», acrescenta o comunicado.
Dados divulgados quarta-feira pelo Ministério da Educação (ME) dão conta que as 1.500 escolas já encerradas acolhiam um total de 11 mil alunos, que foram transferidos para 847 escolas «acolhedoras».
Para uma escola poder ser considerada «acolhedora» tem que funcionar em regime normal (de manhã e de tarde), garantir almoço e assegurar transportes.
O primeiro-ministro, José Sócrates, recusou hoje uma proposta do Partido Ecologista «Os Verdes» para suspender o encerramento de cerca de 900 escolas do Ensino Básico, sublinhando que esta reforma vai continuar para «melhorar a educação», noticia a Lusa.
«A reorganização e a modernização do parque escolar vai prosseguir, é uma das prioridades do Governo e será apoiada por verbas do próximo Quadro Comunitário de Apoio», disse Sócrates, em resposta a uma intervenção do deputado de «Os Verdes» Francisco Madeira Lopes.
Segundo o primeiro-ministro, as mudanças em curso visam acabar com escolas que têm só dez alunos e dotar os estabelecimentos de ensino da capacidade para servir refeições, assim como diminuir índices de insucesso escolar».
Pelo contrário, para Madeira Lopes, a política de encerramento de estabelecimentos de ensino está a «transferir alunos para escolas de acolhimento, em que as aulas são dadas dentro de contentores e com inúmeros problemas».
«Não há qualquer reordenamento nesta política, que está a trazer graves problemas às escolas e aos alunos», contrapôs o deputado ecologista, que acusou ainda o primeiro-ministro de «nada esclarecer sobre como será o novo sistema de financiamento do Ensino Superior» e sobre as condições em que os estudantes terão acesso ao novo sistema de empréstimos.
Segundo Valter Lemos, o fecho destas escolas assentará em dois critérios, os mesmos que ditaram o encerramento de quase 1.500 escolas no início deste ano lectivo: ou terem menos de 20 alunos e uma taxa de sucesso escolar inferior à média nacional ou menos de 10 alunos.
Para a Fenprof, o Governo vai avançar com o encerramento de mais 900 escolas, «sem que tenha sido resolvido um conjunto de problemas e dificuldades resultantes do encerramento decidido em 2006».
A maior federação de professores diz ainda ter «elementos» que apontam para o encerramento de estabelecimentos de ensino com mais de 20 alunos, nomeadamente no distrito de Viseu, que acolheram crianças de outras escolas, o que gera «grandes perturbações na vida das famílias e nas condições de aprendizagem das crianças».
«As crianças deslocadas estão a ser obrigadas a usar transportes que estão muito longe de observar as mais elementares regras de segurança. Por exemplo, 12 e mais crianças transportadas em carrinhas de nove lugares - caso de Continge, no concelho de Sátão», denuncia a Fenprof.
A estrutura sindical aponta ainda outras situações como no Seixo, concelho de Sernancelhe, onde as crianças têm de levar para a escola acolhedora os pratos e os talheres, ou em Aguiar da Beira, onde o agrupamento de escolas comprou capas de plástico para nos dias de chuva as crianças irem almoçar à EB 2,3, devido à ausência de transporte.
«Em São João da Pesqueira, algumas crianças saem meia hora mais cedo das aulas para que usem os transportes organizados e são forçadas a chegar à escola uma hora antes do início das actividades, com evidentes prejuízos para as aprendizagens», acrescenta o comunicado.
Dados divulgados quarta-feira pelo Ministério da Educação (ME) dão conta que as 1.500 escolas já encerradas acolhiam um total de 11 mil alunos, que foram transferidos para 847 escolas «acolhedoras».
Para uma escola poder ser considerada «acolhedora» tem que funcionar em regime normal (de manhã e de tarde), garantir almoço e assegurar transportes.
O primeiro-ministro, José Sócrates, recusou hoje uma proposta do Partido Ecologista «Os Verdes» para suspender o encerramento de cerca de 900 escolas do Ensino Básico, sublinhando que esta reforma vai continuar para «melhorar a educação», noticia a Lusa.
«A reorganização e a modernização do parque escolar vai prosseguir, é uma das prioridades do Governo e será apoiada por verbas do próximo Quadro Comunitário de Apoio», disse Sócrates, em resposta a uma intervenção do deputado de «Os Verdes» Francisco Madeira Lopes.
Segundo o primeiro-ministro, as mudanças em curso visam acabar com escolas que têm só dez alunos e dotar os estabelecimentos de ensino da capacidade para servir refeições, assim como diminuir índices de insucesso escolar».
Pelo contrário, para Madeira Lopes, a política de encerramento de estabelecimentos de ensino está a «transferir alunos para escolas de acolhimento, em que as aulas são dadas dentro de contentores e com inúmeros problemas».
«Não há qualquer reordenamento nesta política, que está a trazer graves problemas às escolas e aos alunos», contrapôs o deputado ecologista, que acusou ainda o primeiro-ministro de «nada esclarecer sobre como será o novo sistema de financiamento do Ensino Superior» e sobre as condições em que os estudantes terão acesso ao novo sistema de empréstimos.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Reforma consular agita Comunidades
António Braga vem agindo prudentemente e com sabedoria na gestão dos assuntos consulares.
Anunciou agora que tem a intenção de encerrar diversos consulados e de alterar o estatuto de outros, o que está a causar uma onda de contestação em alguns locais do costume.
Diz, a propósito uma notícia da Lusa:
Lisboa, 14 Dez (Lusa) - O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), Carlos Pereira, manifestou-se hoje contra a intenção do Governo de encerrar consulados no estrangeiro, principalmente em França, Brasil e África do Sul.
De acordo com o projecto de reestruturação consular, a que agência Lusa teve hoje acesso, o Governo pretende encerrar no próximo ano 17 consulados, em oito países, e um escritório consular.
Segundo o projecto, deverão ser extintos os consulados portugueses em Sevilha, Bilbao e Vigo (Espanha), Toulouse, Lille, Orléans, Tours, Versailles e Nogent (França), Roterdão (Holanda), Milão (Itália), Nova Iorque, Nova Bedford e Providence (Estados Unidos), Hamilton (Bermudas), Santos (Brasil) e Durban (África do Sul).
"Somos contra o encerramento de postos consulares, mas somos a favor da adaptação e transformação", disse à agência Lusa o presidente daquele órgão de consulta do Governo para as questões da emigração.
Carlos Pereira criticou a extinção de postos consulares, considerando que os casos mais graves são os encerramentos de consulados em França, Brasil e África do Sul.
No que caso de França, o mesmo responsável colocou dúvidas sobre a concentração dos serviços de Versailles e Nogent no Consulado de Portugal em Paris.
"Como é que um só cônsul consegue gerir cerca de 800 mil pessoas", referiu.
Carlos Pereira afirmou que o encerramento do consulado de Portugal em Roterdão "não é grave", pois vai ser criado uma secção consular na Embaixada em Haia, onde o atendimento ao público "está garantido".
A nova reestruturação consular prevê igualmente a criação de 10 consulados honorários, medida contestada pelo presidente do CCP.
"Nos sítios onde não há qualquer estrutura portuguesa não é preocupante a criação de consulados honorários, o problema reside quando são colocados em locais onde vão fechar os consulados", salientou.
Carlos Pereira lamentou ainda que a proposta do Governo não implica abertura de novos consulados. O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, apresentou hoje ao CCP a proposta de reestruturação da rede consular.
De acordo com Carlos Pereira, António Braga referiu que esta "não é uma proposta fechada, nem definitiva", estando disponível para dialogar com o CCP.
O secretário de Estado e o CCP vão reunir-se novamente a 12 de Janeiro para debater este assunto. Em declarações aos jornalistas na quarta-feira, o titular da pasta da Emigração referiu que a reestruturação consular vai ser lançada no início do próximo ano, devendo estar concretizada no terreno até final de Junho de 2007.
CMP. Lusa/Fim»
De acordo com o projecto de reestruturação consular, a que agência Lusa teve hoje acesso, o Governo pretende encerrar no próximo ano 17 consulados, em oito países, e um escritório consular.
Segundo o projecto, deverão ser extintos os consulados portugueses em Sevilha, Bilbao e Vigo (Espanha), Toulouse, Lille, Orléans, Tours, Versailles e Nogent (França), Roterdão (Holanda), Milão (Itália), Nova Iorque, Nova Bedford e Providence (Estados Unidos), Hamilton (Bermudas), Santos (Brasil) e Durban (África do Sul).
"Somos contra o encerramento de postos consulares, mas somos a favor da adaptação e transformação", disse à agência Lusa o presidente daquele órgão de consulta do Governo para as questões da emigração.
Carlos Pereira criticou a extinção de postos consulares, considerando que os casos mais graves são os encerramentos de consulados em França, Brasil e África do Sul.
No que caso de França, o mesmo responsável colocou dúvidas sobre a concentração dos serviços de Versailles e Nogent no Consulado de Portugal em Paris.
"Como é que um só cônsul consegue gerir cerca de 800 mil pessoas", referiu.
Carlos Pereira afirmou que o encerramento do consulado de Portugal em Roterdão "não é grave", pois vai ser criado uma secção consular na Embaixada em Haia, onde o atendimento ao público "está garantido".
A nova reestruturação consular prevê igualmente a criação de 10 consulados honorários, medida contestada pelo presidente do CCP.
"Nos sítios onde não há qualquer estrutura portuguesa não é preocupante a criação de consulados honorários, o problema reside quando são colocados em locais onde vão fechar os consulados", salientou.
Carlos Pereira lamentou ainda que a proposta do Governo não implica abertura de novos consulados. O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, apresentou hoje ao CCP a proposta de reestruturação da rede consular.
De acordo com Carlos Pereira, António Braga referiu que esta "não é uma proposta fechada, nem definitiva", estando disponível para dialogar com o CCP.
O secretário de Estado e o CCP vão reunir-se novamente a 12 de Janeiro para debater este assunto. Em declarações aos jornalistas na quarta-feira, o titular da pasta da Emigração referiu que a reestruturação consular vai ser lançada no início do próximo ano, devendo estar concretizada no terreno até final de Junho de 2007.
CMP. Lusa/Fim»
Há evidências que nenhuma pessoa séria pode deixar de considerar e uma delas é a do peso do custo dos diplomatas na rede consular.
A deslocação ou a simples mudança de um cônsul custa fortunas e a sua remuneração é suficiente para suportar mais de meia dúzia de funcionários.
Em muitos das repartições, atentos os serviços por elas prestados, a presença do cônsul é pura e simplesmente dispensável e até há casos, como o do importante Consulado-Geral de Portugal em S. Paulo em que as repartições funcionavam melhor sem os diplomatas do que com eles.
O que os portugueses residentes no estrangeiro e os estrangeiros com negócios em Portugal precisam é de escritórios que prestem bons serviços, onde possam ser atendidos por funcionários conhecedores e competentes.
De um ponto de vista jurídico, não há, na generalidade dos países, obstáculos a que de um consulado dependam vários escritórios consulares, dirigidos por funcionários, com as categorias de chanceler ou vice-cônsul.
Há consulados que estão meses e meses nessa situação e que funcionam bem, nalguns casos até melhor do que quando têm um cônsul à sua frente.
Parece-me errado o encerramento puro e simples dos consulados existentes, alguns dos quais com um património documental importante, sob todos os pontos de vista. Mas nada me choca que os mesmos sejam transformados em escritórios consulares, dependentes em cada país, do mesmo cônsul.
Um abraço do tamanho do Mundo para o Joaquim Magalhães
O Joaquim Magalhães, promotor cultural da Casa de Portugal de S. Paulo, precisa de uma abraço do tamanho do Mundo, no momento difícil que está a atravessar.
Homem de combates, gigante naquele corpo pequenino, dedicado desde que o conheço às causas dos outros, precisa que todos lhe digamos que tem que pensar nele próprio e lutar sem desistência pela vida.
Encontrei-o hoje desanimado e triste no quarto 326 do Hospital da Beneficência Portuguesa, ainda mal refeito do choque de um diagnóstico terrível.
Nenhum diagnóstico é fatal quando se quer viver e a isso somos encorajados pela família e pelos amigos.
O Magalhães precisa, neste momento dificil, do apoio e do incitamento de todos nós para que, com a mesma coragem que o vimos em outras lutas, lute pela sua própria vida.
Escrevam-lhe e enviem-lhe mensagens para o quarto nº 326 do Hospital da Beneficência Portuguesa, rua Maestro Cardim, número 769, no bairro do Paraíso. São Paulo Capital.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Dúvidas sobre a política de imigração
Acompanhamos com muita atenção e prestamos muito serviço cívico quando a «onda» e imigrantes do Leste invadiu Portugal.
A massa humana era enorme e havia situações dramáticas que não podiam ser facilmente resolvidas com a ligeira estrutura do Alto Comissário para as Minorias Étnicas, então liderado por José Leitão.
O governo do PSD lançou mãos à obra e criou uma estrutura forte (o ACIME). Logo na altura criticamos algumas das linhas de orientação, por nos parecer que estava ali a nascer um elefante branco, mas pior do que tudo uma entidade que potenciaria a própria não inclusão dos imigrantes, sob pena de não se justificar.
Os problemas de comunicação dos imigrantes dos anos 90 desapareceram, com a completa integração na sociedade e a aprendizagem da lingua.
Há problemas pontuais que são comuns aos imigrantes e aos portugueses. Eles continuam a ser tratados de forma separada, como se vê no Plano Nacional para a Inclusão, a fls 8245.
Cumulativamente, o governo anunciou agora, em sobreposição, um Plano para a Integração dos Imigrantes, que tem medidas sobrepostas às do Plano Nacional para a Inclusão.
Boa parte das medidas não só não se justificam como são, por natureza, segregadoras. Para dar um exemplo, hoje não se justifica uma multiplicidade de centros com intérpretes de várias linguas. quando a generalidade dos imigrantes fala português.
Mas, sobretudo, não se justificam medidas discriminatórias, cujo sentido único é o da alimentação de um conjunto de estruturas artificiais, que vive à custa dos imigrantes ou do orçamento e que custa ao País milhões de euros.
A dignificação dos imigrantes passa por eles serem tratados como iguais, serem recebidos nas mesmas repartições que recebem os cidadãos portugueses, terem os mesmos direitos sociais, em vez de serem engaiolados em repartições especiais, que geram elas próprias a segregação.
A massa humana era enorme e havia situações dramáticas que não podiam ser facilmente resolvidas com a ligeira estrutura do Alto Comissário para as Minorias Étnicas, então liderado por José Leitão.
O governo do PSD lançou mãos à obra e criou uma estrutura forte (o ACIME). Logo na altura criticamos algumas das linhas de orientação, por nos parecer que estava ali a nascer um elefante branco, mas pior do que tudo uma entidade que potenciaria a própria não inclusão dos imigrantes, sob pena de não se justificar.
Os problemas de comunicação dos imigrantes dos anos 90 desapareceram, com a completa integração na sociedade e a aprendizagem da lingua.
Há problemas pontuais que são comuns aos imigrantes e aos portugueses. Eles continuam a ser tratados de forma separada, como se vê no Plano Nacional para a Inclusão, a fls 8245.
Cumulativamente, o governo anunciou agora, em sobreposição, um Plano para a Integração dos Imigrantes, que tem medidas sobrepostas às do Plano Nacional para a Inclusão.
Boa parte das medidas não só não se justificam como são, por natureza, segregadoras. Para dar um exemplo, hoje não se justifica uma multiplicidade de centros com intérpretes de várias linguas. quando a generalidade dos imigrantes fala português.
Mas, sobretudo, não se justificam medidas discriminatórias, cujo sentido único é o da alimentação de um conjunto de estruturas artificiais, que vive à custa dos imigrantes ou do orçamento e que custa ao País milhões de euros.
A dignificação dos imigrantes passa por eles serem tratados como iguais, serem recebidos nas mesmas repartições que recebem os cidadãos portugueses, terem os mesmos direitos sociais, em vez de serem engaiolados em repartições especiais, que geram elas próprias a segregação.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
quinta-feira, dezembro 14, 2006
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