sábado, abril 28, 2007

Parar para pensar melhor

Há momentos em que é preciso parar para reflectir mais cuidadosamente sobre a realidade que nos rodeia.
Foi o que aconteceu neste espaço, nos últimos meses.
O Mundo muda todos os dias; mas nós próprios também mudamos. À medida que e reduz a nossa capacidade de ver ao perto aumenta a capacidade de ver ao longe, sobretudo de olhos fechados.
Há, para além disso, um outro factor muito interessante: quando passamos a ser mais velhos que os responsáveis politicos que, durante décadas, nos habituamos a olhar como mais idosos que nós próprios, descobrimos que a política é coisa bem diversa daquela em que acreditávamos como uma arte nobre.
Há coisas que dão vontade de chorar. Porque tristezas não pagam dívidas, o melhor caminho que temos é deixá-las passar ao lado e rir delas a bandeiras despregadas, cientes de que o ridiculo move mais facilmente montanhas do que as move a contestação à moda antiga.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A máquina de Alberto João

Os meus amigos madeirenses, emigrantes nas sete partidas do mundo receberam nos seus e_mails o discurso de Alberto João Jardim, com uma pequena mensagem a final.
O lider da Madeira não dorme.
Reproduzo:
Madeirenses e Portossantenses:
Violando a Constituição da República;
Violando o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira;
Violando, portanto os Direitos de cada um dos Madeirenses e Portossantenses, o poder socialista de Lisboa, com a cumplicidade e a traição de socialistas locais, publicou hoje a lei de finanças regionais, subtraindo-nos assim, pelo menos até 2014, à volta de 450 milhões de euros.
Cada um de Vós compreende o que significa para a Economia do arquipélago, uma quebra tão grande no dinheiro em circulação.
Sobretudo, cada um de Vós percebe as consequências em termos de aumento do desemprego.
Mais a mais que este ataque socialista à Madeira, propositadamente coincide com uma igual volumosa redução de apoios da União Europeia.
Redução de apoios que obrigava o Estado português a assegurar a coesão económica e social do País, através de solidariedade com o Povo Madeirense, bem como com outras Regiões de Portugal Continental.
Só que os socialistas, instrumentalizando o Estado para fins partidários, recusaram tal solidariedade.
Pelo contrário.
As Regiões mais desfavorecidas de Portugal Continental vêem a maioria dos Fundos Europeus ficar em Lisboa, a Região mais rica, com o pretexto da Ota e do TGV.
Quanto à Madeira, os socialistas desencadeiam uma série de medidas que visam retirar Direitos ao Povo Madeirense, especialmente através de leis, feitas à medida exclusiva de circunstâncias concretas na Região.
E, para além de não honrarem os anteriores compromissos do Estado para com o Povo Madeirense, os socialistas não pagam o total que o Estado deve à Região Autónoma, nem devolvem o Património regional que, indevidamente, ainda ocupam.
Pior ainda.
Os socialistas procedem à retenção ilegítima de verbas que são do Povo Madeirense, numa descarada manobra partidária para nos tornar a vida impossível.
Madeirenses e Portossantenses:
Isto sucede quando a Assembleia Legislativa da Madeira e o Governo Regional se encontram a meio de um mandato democraticamente eleito.
Trata-se de uma inadmissível alteração ditatorial e fora de tempo das regras democráticas, bem como de uma violação das expectativas legitimamente adquiridas.
Trata-se da violação do Princípio da Estabilidade e do Princípio da Confiança no Estado de Direito democrático.
(A situação criada aos Madeirenses, é como uma pessoa estar a fazer uma casa com o dinheiro que tem no Banco e, de um dia para outro, o Banco lhe tirar esse dinheiro, com o argumento de que não gosta dessa pessoa).
Como é evidente, sobretudo trata-se de uma falta de respeito pelas decisões democráticas do Povo Madeirense, na medida em que os socialistas, com a força que o poder central lhes dá, por razões partidárias querem impedir a concretização do Programa de Governo que os Madeirenses e Portossantenses decidiram em eleições livres.
Caras Cidadãs, Caros Cidadãos:
Ao longo destes anos, o Povo Madeirense viu-me transformar a Madeira e o Porto Santo, sempre num clima de absoluta estabilidade, a nossa Revolução Tranquila.
O Povo Madeirense viu-me criar Emprego, mudando uma terra condenada à emigração, num território de imigração.
O Povo Madeirense viu-me mudar as tenebrosas condições sociais anteriores, sempre num clima de paz democrática.
O Povo Madeirense viu que o meu “Partido” é a Madeira, perante seja quem for.
É tudo isto que, com a Autonomia Política, fomos capazes de conquistar, que os socialistas de Lisboa e os seus cúmplices de cá, pretendem forçar a um recúo para o passado.
Um recúo para o passado que traria dificuldades tremendas para cada Família residente no arquipélago, incluso para os que, enganados, votaram nos socialistas.
Não tenho, nem nunca tive, medo dos obstáculos.
Mas agora que, com uma gravidade sem precedentes, nos impõem uma alteração substancial e dramática das condições em que o Povo me elegeu em 2004, não estou em posição de enfrentar esta multiplicação de novos problemas, sem um mandato claro do eleitorado da Região Autónoma da Madeira.
Em Democracia, a fonte do poder é o Povo.
Em Democracia, o voto é o grande momento da Verdade.
Este é um momento de o Povo Madeirense tomar posição.
Decidi apresentar a demissão do Governo Regional, o que implica a dissolução da Assembleia Legislativa da Madeira já que a maioria social-democrata inviabiliza a formação de qualquer novo executivo.
Assim, nos termos e prazos da Constituição da República, terão de ocorrer eleições regionais para um mandato até 2011.
É a oportunidade para os Madeirenses e os Portossantenses mostrarem ao País e ao mundo, através do Direito de voto de cada um, que repudiam a maldade e a injustiça feitas contra cada um de nós, contra todos nós, seja qual for o Partido em que cada um votou.
É a ocasião para dizermos o que queremos.
Para provarmos que sabemos o que queremos.
Face às graves ofensas aos Direitos do Povo Madeirense, abster-se é fazer como Pilatos. É se render.
É hora de afirmação.
Afirmação de cada um de nós.
Temos de pôr as coisas claras:
- ou desejamos – e exigimo-lo democraticamente pelo voto – prosseguir no Desenvolvimento Integral da nossa terra;
- ou, mais uma vez fatalidade na História da Madeira, curvamo-nos às imposições de Lisboa.
Ao me demitir, provo não estar agarrado ao poder.
Coloco-me nas mãos do Povo.
Mas, ao me recandidatar à liderança do Governo Regional, demonstro que não fujo, nem abandono, quando as circunstâncias estão insuportavelmente muito mais difíceis.
Recandidato-me porque, em minha opinião pessoal, acho que a Madeira não merece passar a ter um Governo de medíocres, de incultos, de traumatizados sociais e de subservientes a Lisboa.
Se o eleitorado entender me atribuir um novo mandato de quatro anos, então, apesar destas novas dificuldades inesperadas:
- eu terei tempo para concretizar serenamente o Programa de Governo;
- eu terei tempo de proceder á mudança estruturante de um novo ciclo económico, caracterizado por mais investimento privado e por maior internacionalização da Economia do arquipélago;
- eu terei tempo para produzir novas leis regionais que sirvam de contrapeso às indecentes manobras partidárias dos socialistas;
- eu terei tempo, porque religitimado democraticamente, para avançar, no plano nacional, com novas iniciativas que possam alterar as dificuldades presentes;
- eu terei tempo para apresentar o alargamento e reforço da Autonomia, na revisão constitucional de 2009, bem como para as sequências que se lhe impuserem;
- eu terei tempo para ajudar os Portugueses a mudar este Governo da República, em 2009, e desta maneira recuperar novas perspectivas positivas para o Povo Madeirense.
Cabe a cada Madeirense e Portossantense, corajosamente decidir se quer, ou não, continuar o Desenvolvimento, em Paz e com Estabilidade.
Em Democracia, o voto é a arma do Povo soberano.
A arma de cada Cidadã e de cada Cidadão.
A partir de agora, é com a Consciência de cada um de Vós.
Comunicação ao Povo Madeirense em 19 de Fevereiro de 2007
O Presidente do Governo Regional da Madeira
Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim

O PRESIDENTE, DR. ALBERTO JOÃO JARDIM, JÁ ANUNCIOU QUE SE VOLTA A CANDIDATAR PARA MAIS QUATRO ANOS COMO PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA E, AO QUE TUDO INDICA, AS ELEIÇÕES TERÃO LUGAR A 6 DE MAIO PARA MAIS QUATRO ANOS DE GOVERNO.

O DR. ALBERTO JOÃO JARDIM FEZ APELO AOS MADEIRENSES PARA QUE O APOIEM.
POR FAVOR PASSE ESTA MENSAGEM A TODAS AS PESSOAS DO SEU CONHECIMENTO.

Há outras formas de racismo e discriminação...

A forma mais imbecil de racismo e de discriminação é a da criação de serviços especiais que assentam a sua justificação, essencialmente, na discriminação.
Veja-se esta notícia do ACIME:

«Em funcionamento desde o final de 2006, este Gabinete vai desenvolver as suas actividades através do Programa “Cigadania” que apoia projectos de intervenção e capacitação no terreno, como a formação de professores, de técnicos de intervenção social e de mediadores ciganos.
O serviço, que era até agora prestado através do Gabinete de Apoio Técnico às Associações de Imigrantes e Minorias Étnicas (GATAIME), vai também trabalhar na área da informação e comunicação, estando previsto o lançamento de um site para fomentar um melhor conhecimento das populações ciganas e uma maior divulgação dos projectos e actividades que as envolvem.
O GACI prevê também continuar a publicar a “Colecção Olhares”, que trata a inclusão das comunidades ciganas, bem como editar guias e brochuras temáticas inéditos.»
A continuação da discriminação dos ciganos passa, antes de tudo, pela criação de órgãos especiais para tratar da «cigadania».
Importante era que os ciganos fossem tratados na base dos princípios da cidadania.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

... os bois pelos nomes

Tudo esclarecido por Manuel de Melo, que escreve no seu blog o seguinte:

Em despacho divulgado ontem pela agência LUSA, o auto-denominado director do Departamento de Comunidades do PS, Paulo Pisco, faz uma série de afirmações completamente disparatadas que, por si só revelam a existência de uma bandalheira completa a nível da organização interna do PS e uma completa irresponsabilidade do Secretariado Nacional do Partido Socialista no que respeita às estruturas do Partido na emigração.
Anunciando a sua deslocação a França e outros países para contactos com os militantes socialistas, Paulo Pisco refere que «o PS quer renovar as estruturas do partido no estrangeiro e torná-las mais dinâmicas e activas» e que «é necessário dar maior autonomia e capacidade de iniciativa às estruturas e reforçar a ligação (...)».
Ainda de acordo com Paulo Pisco, «o partido está a preparar o regulamento das estruturas nas comunidades portuguesas, estando nesta fase a estabelecer contactos com os militantes» e que «vão ainda realizar-se eleições em todas as secções do PS no estrangeiro».
Para lá do absurdo das suas afirmações, Paulo Pisco não tem qualquer legitimidade para falar em nome do Partido Socialista.
Primeiro porque o mesmo não passa de um simples funcionário do partido, não tendo qualquer cargo dirigente no mesmo.
Segundo, porque se assume como director de um suposto Departamento de Comunidades do PS que efectivamente não existe.
A organização interna do PS e das suas estruturas no estrangeiro estão bem definidas nos Estatutos do Partido Socialista.
Apesar dos estatutos do PS preverem no seu art. 113º que «o Secretariado Nacional pode criar Departamentos correspondentes a áreas relevantes da vida política, social, económica e cultural (...)», o que é certo é que não foi criado qualquer Departamento específico relativo às Comunidades Portuguesas, existindo apenas o mesmo nas mentes bolorentas de Paulo Pisco e de José Lello, este último o mentor dessa falácia.
Nos termos do n.º2 do referido artigo 113º dos estatutos, os Departamentos são ainda obrigados a ter «um Conselho, cujas funções são definidas pelo Secretariado Nacional, composto por membros da comissão especializada da Comissão Nacional, que lhe corresponde, Deputados da Comissão Parlamentar respectiva, membros do Gabinete de Estudos e de outras estruturas do Partido para o efeito relevantes».
Ora, nada disto existe relativamente às Comunidades Portuguesas.Quanto às estruturas do PS no estrangeiro (artigos 28º e 29º dos estatutos), as mesmas regem-se basicamente pelas mesmas normas estatutárias que regulam as estruturas do partido em território nacional, gozando de plena autonomia e liberdade acrescida de auto-organização, tendo em conta os condicionalismos geográficos, comunitários e político-administrativos próprios do País em que se localizem, sendo estes poderes complementares de auto-organização exercidos pelas Comissões Políticas Federativas no estrangeiro.
elo que afirmar a necessidade em dar maior autonomia e capacidade de iniciativa às estruturas socialistas na emigração é uma parvoíce completa.
Quanto ao regulamento das estruturas do PS no estrangeiro que Paulo Pisco diz que o partido está a preparar, tal afirmação releva de puro delírio mental.
As eleições dos órgãos das secções do PS no estrangeiro estão devidamente regulamentadas pelo disposto nos artigos 32º e seguintes dos estatutos do partido, sendo estes aprovados pelo Congresso Nacional, não sendo por isso um pisco qualquer que irá impor às secções e federações do partido no estrangeiro um regulamento quanto à sua forma de organização.
José Lello, enquanto director financeiro do Partido Socialista, não pode continuar a esbanjar verbas do partido para pagar as passeatas ao estrangeiro do seu delfim – Paulo Pisco – que mais não servem do que para alimentar a ambição desmedida deste último que, desta forma apenas está a preparar a sua candidatura a deputado pela emigração nas próximas eleições legislativas.
Do que padecem as estruturas do PS no estrangeiro é de falta de apoio financeiro para o seu funcionamento e a existência de bloqueios permanentes à sua acção, da única e exclusiva responsabilidade de alguns gangsters com assento no Largo do Rato.

O PS e a Emigração...

Acabo de chegar do Brasil. Tenho no meu e_mail uma mensagem do Adé Caldeira que diz o seguinte:

«Hoje a Federação de França teve uma reunião com Paulo Pisco.
Fiquei surpreendido com duas afirmações :
- A federação de São Paulo não é legal porque "teria" lá gente no Secretariado Ncional que nem militantes são !
- A federação da Suiça já "haveria" 10 anos que não faz eleições !
Quem proclamou tais afirmações foi o nosso Director do Departamento Comunidades.
Como gosto de saber as verdades directamente pelos envolvidos, gostaria que me dissessem o que pensam disto ?
É verdade ?
Isto é sem polémicas, mas é uma curiosidade pessoal como militante de França ... sou curioso e gosto de saber !»


Respondi-lhe assim:


Meu Caro Adé:

Quero esclarecer, antes de tudo, que não sou a pessoa indicada para responder.
Não tenho nada a ver com o PS, do qual me auto-exclui há quase um ano.
Não conheço esse Pisco e tenho dele as piores referências, nomeadamente através do meu amigo Joaquim Magalhães, que faleceu no passado dia 22.
Só te respondo porque, na hora da morte, o Joaquim me pediu para evitar que procurasse evitar que o Pisco lhe mijasse na cova…
Não mija, em primeiro lugar , pela simples razão de que lhe preservamos as cinzas.
Não mijará sobre a memória de Joaquim Magalhães porque há evidências, há fotos e há pessoas envolvidas, a todos os niveis, que hão-de evitar que um ordinário qualquer possa faltar ao respeito de quem deu uma boa parte da sua vida dos últimos anos pelo Partido Socialista.
O Sr. Pisco ( que eu não conheço), a ser verdade o que reproduzes , é (literalmente) um ordinário, que envergonha o Partido Socialista e deve ser repudiado pelos que tiveram que abandonar o País para ganhar o pão no estrangeiro.
A única coisa que posso recomendar aos meus amigos do PS que militam no Brasil é que façam como eu: demitam-se e mandem o PS bugiar, porque o que o dito Pisco afirmou em Paris, seguramente com o apoio da direcção do PS, é uma ofensa a todos os que estiveram envolvidos na constituição da Federação do Brasil.
A verdade nua e crua é que sem uma intervenção do tipo da que tinha Joaquim Magalhães, que gastava várias horas, todos os dias, com o trabalho partidário, o PS não tem nenhuma hipótese no Brasil como partido sério. Claro que tem hipóteses como mercador de comendas ou negociante de influências, como já ocorreu em momentos passados. Mas toda essa história passada nos merece nojo, por não ser própria do escol de pessoas que Joaquim Magalhães arrebanhou para o PS.
No Brasil tenho que dar os meus parabéns ao Caldas (PSD). Se tiver alguns juizo e for sensato elimina o PS da cena política.
A grande vantagem do PSD sobre o PS, na área da emigração, está em que o PSD respeita a autonomia dos seus dirigentes locais e o PS não respeita sequer o período do nojo…
Parafraseando o meu amigo Emidio Guerreiro, sugiro-vos que se o Pisco aparecer no Brasil o recebam com merda…
Saí do PS, por razões que conheces, mas é aí que tenho os meus melhores amigos.
Nunca pensei apoiar outro partido. Mas se a canalhice evoluir podes ter a certeza de que terão que me encarar como inimigo.
Não conseguirei ficar silencioso perante ordinarices deste tipo...
Prometo escrever mais sobre a matéria.

Miguel Reis



sábado, fevereiro 03, 2007

São Paulo - Centro


Ouro continua em alta...
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A mesa do poder

A «mesa do poder» do almoço das 5ªs, na Casa de Portugal em S. Paulo, é liderada, desde há anos pelo Dr. André Pinto de Sousa.
Na última 5ª feira realizou-se o primeiro almoço do ano e o primeiro em que se sentiu o vazio da falta de Joaquim Magalhães.
Na foto o consul de Cabo Verde, Dr. Aguinaldo Rocha, o Dr. André Pinto de Sousa e a Ana Contreiras.
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quarta-feira, janeiro 31, 2007

Á conquista da China


O primeiro-ministro de Portugal tem que ter bom senso.Por isso não pode escrever, no site que faz sobre a sua visita à China, que Portugal partiu à conquista daquele País...Passamos hoje mais de uma hora a explicar o que está no site:
«Sócrates e 71 empresários à conquista da China
Pudesse o tamanho e a importância da comitiva ditar o sucesso de uma visita oficial do primeiro-ministro, e José Sócrates podia já começar a congratular-se com os resultados da sua visita à China...»
Diplomaticamente dissemos que isto são ainda resquícios de um país com mentalidade imperialista e com uma grande influência chinesa no plano da linguagem. Boa parte dos jornalistas portugueses - e até o actual presidente da União Europeia - foi maoista.
Portugal quase não tem exército e não vai invadir a China...

A infantilidade de um site sobre uma visita á China

O primeiro-ministro português, José Sócrates, colocou on-line um site destinado a divulgar a sua visita à China, que está a gerar uma enorme confusão.
O site está em língua portuguesa, sem tradução para nenhum dos principais idiomas da China e apresenta erros do tipo «Microsoft VBScript runtime error '800a01f4' Variable is undefined: PAGE_ACHINA_GOVERNO' /includes/header.asp, line 38» quando se pretende aceder à comitiva ou ao teor dos comunicados e notícias.
Alguns dos nossos clientes chineses ficaram muito nervosos e pediram-nos a tradução do site e esclarecimentos sobre o seu conteúdo.
O que nos vale é que o nosso escritório está no border do China-town de São Paulo e temos correspondentes na China que respondem aos pedidos de esclarecimento.

Concorrência desleal na visita de Sócrates à China...

A lista elaborada pelo Ministério da Economia e difundida em lingua inglesa aos chineses é ofensiva dos princípios da livre concorrência e constitui um instrumento de propaganda e favorecimento de algumas empresas e empresários, em desfavor de outros.
O conselho que damos ao chineses - em mensagens que produzimos na sua lingua - é que desconsiderem os elementos da lista governamental e se informem sobre os concorrentes, pois que haverá provavelmente em Portugal empresas com quem possam fazer negócios mais interessantes.
O simples facto de ter sido publicada uma lista que não é exaustiva justifica que se afirmem dúvidas sobre a seriedade da selecção. Portugal é muito melhor do que o que a lista em referência contém. E, como bem sabem os chineses, os grandes timoneiros também se enganam.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

O peso do dinheiro

Caiu-me na caixa do correio, enviada pelo Portugal Club, esta carta interessantíssima, que reproduzo sem comentários...
Caro Eng. João Cravinho

Foste ministro, foste deputado. No teu percurso de político medíocre, nunca deslumbrei em ti nem acordes de génio, nem acordes da boa causa da Nação.
O tempo passa e para contrariar e castigar a minha falta de desvelo por ti, vejo nascer na tua íntegra pessoa o apelo às grandes causas: inconformidade e vergonha pelos males generalizados que assolam as coisas da Pátria.
Tornaste-te o arauto da luta anti - corrupção com normas, pesos e medidas que até o teu grande chefe – também engenheiro e de nome Sócrates – te criticou pelo destemperado excesso de zelo, transformando em “asneiras” muitas das tuas ideias.
Saía assim do manto negro da política nacional alguém de alvas vestes, tal Hércules empunhando vara de ferro, com coragem para matar a Hidra das sete cabeças da grave crise nacional.
Mas eis que para o lado de Londres soam ventos de bonança, ventos do tal BERD. O convite é tal que não dá para resistir à tentação da fama e do dinheiro.
Puseste os papéis na gaveta – a corrupção e a Nação que espere – fizeste as malas e trataste da vida.
O Durão Barroso cora agora de vergonha por não ser o único a vangloriar-se de tão magno acto “ que prestigia Portugal”.
Os portugueses ainda com alma e sentir fazem votos que do pantanal da política nacional surja alguém que dignifique a Nação e ponha cobro à promiscuidade do capital e política, e que, em nome da dignidade humana, impeça que
os ricos sejam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Atenciosamente
rancisco de Miranda

Paulo Tock rebate Políbio

Paulo Torck, brasileiro residente em Portugal escreveu um interessante artigo no Portugal Digital, comentando o escrito de Políbio Braga.
Vale a pena ler.
Apetece-me escrever o mesmo quando portugueses, não menos labregos do que Políbio, dizem mal de um Brasil que não conhecem.

terça-feira, janeiro 23, 2007


Joaquim Magalhães por Bernardo Reis (Nov. 2004)
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Comentário de António Braga ao meu desabafo de ontem:

«Soube agora. Obrigado por me fazer chegar esse seu texto, escrito pelos afectos e ditado pelas cumplicidades civicas e pessoais que partilhou com o Joaquim Magalhães.
É uma homenagem, sentida, que retrata uma vida cheia. Confesso que me apanhou de surpresa este desfecho ... sempre tão inesperado.
Tinhamos conversado, muito recentemente, no decorrer do congresso último do PS e senti o Joaquim Magalhães tão animado, cheio de propostas para iniciativas junto da comunidade de S.Paulo.
Conheci-o, aliás, assim: um role imenso de acções que me dirigiu, para se fazerem "já"! Sim, desde o início, a visita de José Sócrates era uma delas. Espero podermos corresponder a essa ambição do Joaquim Magalhães e concretizá-la em tempo oportuno.
Sei da vossa amizade. Conheci em Joaquim Magalhães a nobreza da entrega às causas, com a vivacidade de quem tinha posição, sempre. Aceitava a diferença sem conceder mas ajudava a construir a solução.
O Dr. Miguel Reis sabe disso melhor que eu. É apenas o meu testemunho, singelo ... mas de quem sente igualmente a perda de um amigo. »
Meu Caro António Braga:
Há pessoas insubstituíveis e o Magalhães é uma delas.
Isso tem a ver com afectos, modos de agir, estilos de intervenção... Não é possivel encontrar em S. Paulo, no horizonte das nossas vidas, pessoa que substitua o Magalhães.
Eu, que saí do PS, espero estar aqui para ver se alguém aproveita e respeita o trabalho que o Joaquim aqui vos legou ou se, ao invés, o destrói.
E não vou mais além no que escrevo em público.

É gratificante constatar que, apesar da velocidade dos acontecimentos, há diplomatas que tem a noção dos valores da cidadania e se empenham em representar condignamente o Estado desenhado na Constituição, como a marca da dignidade dos cidadãos. Francisco Seixas da Costa provou, mais uma vez, que é um diplomata notável.
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Da velocidade da morte

Nunca tinha imaginado que uma morte normal tem diversas velocidades, consoante o tempo histórico e geográfico em que ela se dá.
A morte dos papas e dos reis é uma coisa prolongada, mesmo que a maioria dos convivas tenha avião particular. Dura sempre vários dias, como temos visto nos casos que guardamos na memória.
A morte dos que são assassinados é, por regra, uma coisa muita rápida e discreta, mesmo que se trate de figura pública, como foi o caso recente de Saddam Hussein.
Não imaginava que a morte de uma pessoa normal e decente pudesse ser tão expedita como o que vi hoje relativamente ao meu querido amigo Joaquim Magalhães.
Às quatro da manhã de hoje ele tinha deixado de respirar, mas o médico ainda não tinha certificado o óbito.
Passamos a notícia aos amigos que conseguimos contactar e às 10 horas da manhã sabíamos que o corpo do Joaquim seria «liberado» por volta das 14 horas e que o funeral se realizaria às 16 horas, precisamente 12 horas depois do passamento.
O tempo marchou a uma velocidade incrível.
Às 15 horas, um padre de jeans e camisa de manga curta, com uma estola ao pescoço e um estilo afável e esperançoso procedeu aos rituais da praxe, encomendando-lhe a alma.
Às 16 horas em ponto os serviços municipais carregaram a urna e as coroas de flores e todos nos dirigimos para o crematório de Vila Alpina, onde entregamos o esquife, ao som de música brasileira, terminando com Elis Regina.
Foi a única falha do programa...
Nenhum de nós se lembrou de levar connosco um disco do Chaínho, daqueles em que a guitarra fala à alma, como bem precisava o Magalhães neste fim de tarde.
Ainda não passaram 24 horas sobre o momento em que me me apertou a mão e se despediu de mim e já tenho a sensação de que, apesar de toda esta velocidade, a grande cidade e a nossa comunidade nesta metrópole mudaram.
É que o peso deste homem franzino, de olhar vivo, no mundo português de S. Paulo nada tinha a ver com os 40 quilos que hoje entregamos ao crematório.
O Magalhães nunca concordava, em absoluto, com nada.
Criticava, discutia, forçava soluções, negociava, avançava para ganhar e cedia quando era preciso ceder.
Era, intimamente, um perfeccionista, no que se refere à construção de soluções políticas.
A virtude em que levava o perfeccionismo mais longe era a da fidelidade.
Fiel aos amigos, fiel àqueles com quem colaborou, fiel às ideias políticas e ao partido que abraçou, era, todavia, estimado pelos adversários, que criticava mas respeitava.
Apesar da velocidade com que tudo isto se processou - menos doze horas, que começaram às 4 da manhã - o Joaquim viu-se homenageado, na última viagem, por uma coroa de flores enviada pelo embaixador de Portugal em Brasília, o que, por si só, é nota expressiva do reconhecimento da sua intervenção cívica mas também da competência da actual representação diplomática de Portugal no Brasil.
O Joaquim Magalhães era, de facto, uma personalidade impar. Se o não fosse não veriamos a pegar-lhe em peso, pessoas como o Dr. Júlio Rodrigues, presidente do banco Banif, o Dr. Paulo Esteves e o Dr. Paulo Porto, sem agravo para dos demais que o cansaço e a emoção não me deixam recordar.
Gostei especialmente de ver ali o Capitão José Verdasca. Apesar das relações difíceis que ambos tiveram, foi das primeiras pessoas, a oferecer a sua solidariedade económica ao Magalhães, após o seu internamento. Dei-lhe o recado de agradecimento que o Joaquim não teve tempo de dar.
Tudo foi demasiado rápido, como se a morte nas grandes cidades fosse uma questão política.
Acabo este post vinte horas depois de a médica me ter dito que o meu amigo estava morto mas que ela ainda não tinha comprovado a morte.

segunda-feira, janeiro 22, 2007


Joaquim Magalhães em Novembro de 2006, no Shopping Vasco da Gama em Lisboa
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Morreu Joaquim Magalhães

O telefone acordou-me às 4 da manhã, no meu apartamento de S. Paulo.
Era a Susana a informar que o Joaquim Magalhães acabara de sucumbir, depois de mês e meio de intensa luta pela vida.
Visitei-o ontem à tarde, quando se debatia corajosamente pela vida, procurando aproveitar cada segundo do oxigénio que lhe alimentava o pulmão desfeito.
Todos, a começar por ele próprio, tinhamos a noção de que era muito dificil.
À noite, com voz quase imperceptivel, pediu para chamar os amigos, como se quisesse despedir deles.
Chamou-me a mim, ao Luís Cláudio, ao Toninho Reis, à Renata. Pediu para ligar ao Almeida e Silva e sorriu como se as palavras que este lhe transmitiu pelo telefone, a partir de Buenos Aires, lhe inundassem a alma.
Eram 23 horas e o Joaquim tinha nos olhos o brilho da lucidez e nos lábios, dos quais já não saiam palavras, o sorriso de quem encara a vida e a morte com a mesma naturalidade.
Quase impercetivel, ainda chacoteou dizendo «deixa a vida me levar...».
Se ele pudesse, gostaria que estivessem ali todos os seus amigos, para uma grande despedida. O Carlos do Carmo, o Vitorino, o Janita Salomé, o Rao Kyao, o Sérgio Godinho, a Fáfá, a Joana, o Jô, todos os demais das artes e dos espectáculos, mas também o Mário Soares, o Sócrates, o António Braga, o Manuel de Melo, o Amílcar Casado, o Gabriel Cipriano e tantos outros de que me falou nas últimas semanas, a propósito e a despropósito, como se tivesse uma enorme agenda com coisas a fazer, agenda essa que uma tempestade de vento levou.
Há uma semana, antes da minha partida para o Ceará, que ambos prometemos encarar como uma viagem normal, que não podia ser interrompida por qualquer incidente, deixou-me dois recados e dois pedidos, como se tivesse um premonição. Um no sentido de lembrar ao António Braga que é importante agendar a visita de José Sócrates às comunidades portuguesas de S. Paulo e Rio de Janeiro. Outro no sentido de dar um recado ao José Verdasca, a quem devia uma palavra de atenção.
Como prometido, o meu amigo aguentou esta semana como um herói e esperou que eu regressasse a esta grande urbe, para nos despedirmos um do outro.
Lá se foi esta madrugada, deixando atrás de si um imenso vazio.
Joaquim Magalhães foi, apenas, o mais activo promotor cultural que Portugal teve no Brasil nas últimas décadas. Que o digam os artistas portugueses.
Dedicado, desde que o conheço, às causas cívicas esteve em todas as acções políticas importantes para a comunidade portuguesa no Brasil, em especial para a comunidade portuguesa de S. Paulo.
Militante fervoroso do Partido Socialista ainda participou no último congresso. E morreu com o PS (que eu abandonei há algum tempo) no coração.
Custa muito perder uma amigo assim...