quarta-feira, maio 09, 2007

Operação Furacão: O meu depoimento III

Procurei conter-me no que escrevi, perante a emoção que, a 5 de Janeiro de 2005, sofriam os meus amigos e camaradas do PS de São Paulo.
Antes tinham acontecido muitas coisas que procurarei relatar, com a maior fidelidade nos próximos escritos.
O mais importante havia sido um trabalho partidário limpo e o desafio ao envolvimento das personalidades independes mais prestigiadas da comunidade portuguesa no Brasil.
Por mim nunca morri de amores por José Sócrates e apoiei João Soares na candidatura alternativa de João Soares.
Tinham-se gerado sinergias com este e com Carlos Luis, as quais tinham produzido excelentes resultados no trabalho partidário realizado no Brasil e, eleito o novo secretário-geral, nunca acreditei que ele pudesse ser tão estúpido que pretendesse liquidar, por mera vingança, o excelente trabalho político realizado pelos camaradas da Federação do PS no Brasil, nascida de uma união de esforços locais com o apadrinhamento do próprio Carlos Luis, do Rui Cunha e do Alberto Antunes, que estiveram presentes no congresso fundador.

terça-feira, maio 08, 2007

Operação Furacão

Duas notícias, sem comentários
Brasil: PS recusa polémica sobre gastos nas últimas eleições legislativas

Lisboa, 08 Mai (Lusa) - O porta-voz do PS, Vitalino Canas, recusou hoje a existência de motivos para polémica sobre os gastos do partido, no Brasil, na campanha das eleições legislativas, dizendo que todas as despesas foram fiscalizadas pelo Tribunal Constitucional.
"Os gastos do PS na última campanha para as eleições legislativas foram feitos de acordo com a lei [de financiamento dos partidos] e as contas foram fiscalizadas pelo Tribunal Constitucional", declarou Vitalino Canas à agência Lusa.
Na edição de hoje do jornal "Público" o ex-militante socialista (de São Paulo) e advogado Miguel Reis, que se demitiu do PS por desacordo com a escolha do cabeça de lista do partido pelo círculo da emigração fora da Europa, disse que na campanha do PS no Brasil "havia dinheiro a rodos para avionetas e acções de grande impacto".
Ainda de acordo com o mesmo jornal, a campanha do cabeça de lista do PS por este círculo, Aníbal Araújo, foi financiada pelo empresário Licínio Soares Bastos, recentemente detido por suspeitas de pertencer à chamada máfia dos bingos e que chegou a ser nomeado cônsul honorário no Brasil pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga.
Miguel Reis afirmou ainda que a estrutura socialista no Brasil escolheu António Almeida e Silva como candidato a deputado do PS nas últimas eleições legislativas - nome que acabou por ser recusado pela direcção nacional do partido, que optou por Aníbal Araújo, de Oliveira de Azeméis, proprietário de jornais e revistas ligados à comunidade emigrante.
Interrogado sobre o processo de escolha do cabeça de lista do PS pelo círculo da emigração fora da Europa, Vitalino Canas assegurou "foram cumpridas rigorosamente todas as normas estatutárias do partido".
Fonte da direcção dos socialistas adiantou à agência Lusa que a escolha de Aníbal Araújo se deveu "à sua reputação de homem sério, residente em território nacional, mas que possui grandes ligações às comunidades lusas nos Estados Unidos, Canadá, Brasil e África do Sul".
Já em relação ao facto de a estrutura do Brasil ter preferido António Almeida e Silva, a mesma fonte referiu que se trata de uma "personalidade de prestígio, mas que se encontra mais próximo do PSD do que do PS".
PMF.
Lusa/fim
Jornal Público

Socialistas do Brasil enviaram carta a Sócrates a denunciar o caso

08.05.2007, Nuno Amaral, Rio de Janeiro
O nome de Aníbal Araújo desagradou à Federação do PS Brasil, tendo, na altura, alguns militantes apresentado a demissão



A escolha do candidato do PS ao círculo fora da Europa em 2005 pode ter sido "comprada" pelo financiador do candidato, o empresário português Licínio Soares Bastos, detido na Operação Furacão, que desmantelou um grupo ligado à "Máfia dos Bingos", no Brasil. O nome de Aníbal Araújo desagradou à Federação do PS Brasil, tendo, na altura, alguns militantes apresentado a demissão, considerando, em carta enviada a José Sócrates, que José Lello tinha "desautorizado e ignorado as deliberações" da estrutura brasileira. "Numa reunião realizada em Janeiro de 2005, em São Paulo, concluímos, eu e um grupo de amigos, que só qualquer coisa muito forte, que podia significar muito dinheiro, permitia que as deliberações de uma federação partidária, legal e organizada, fosse pisada a pés, com absoluto desrespeito pelas pessoas e, sobretudo, pelos métodos de trabalho que elas haviam adoptado", escreveu o advogado e antigo militante socialista Miguel Reis, no blogue portugalglobal.blogspot.com. Contactado pelo PÚBLICO, o jurista, com escritório em São Paulo, frisou que se demitiu do PS na sequência deste caso. "Não havia quaisquer provas de que as listas haviam sido vendidas, como ainda hoje não há. Mas o que tem vindo a público pode ajudar a esclarecer o enigma. Será que o PS vendeu a lista para as últimas eleições no círculo fora da Europa?", disse ao PÚBLICO. A mesma tese foi exposta por outros socialistas radicados no Brasil, que não se quiseram identificar.

Reis lembra que o congresso de São Paulo, fórum onde se tinha decidido que António Almeida e Silva seria o candidato pelo PS ao círculo fora da Europa, foi ignorado e que a documentação aí lavrada desapareceu. Miguel Reis frisa que José Lello, que na altura coordenava a campanha do PS nas comunidades, sabia desta situação. "Quando constatámos que Lisboa não respeitava a vontade dos órgãos locais e substituía o excelente candidato que era o dr. Almeida e Silva por uns broncos cuja acção mais relevante consistiu em distribuir uma pagela com o Santo Expedito de um lado e uma oração de voto no PS no outro, percebemos todos que interesses mais altos se levantavam", assinalou. Os "sinais" da suspeita, refere, começaram a sentir-se pouco depois. "Depois começou a ver-se que havia dinheiro a rodos para avionetas, acções de grande impacto, etc. E constatou-se que fizeram desaparecer os documentos do congresso constitutivo da federação para branquear a situação", garante.
A campanha de Aníbal Araújo foi financiada por Licínio Soares Bastos, o empresário português detido por suspeitas de pertencer à "Máfia dos Bingos", que chegou a ser nomeado cônsul honorário no Brasil pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga. Os nomes de Araújo e António Braga são referenciados numa escuta telefónica a outros dos detidos na Operação Furacão como os de elementos capazes de convencer um autarca, também do PS, a desembargar uma obra. Contactado pelo PÚBLICO, Paulo Pisco, coordenador do gabinete do PS de Relações Internacionais e Comunidades, optou por não prestar declarações. Apesar das insistentes tentativas, não foi possível recolher declarações do deputado socialista José Lello.
Viagens e obras pagas
Em 2005, um mês depois das legislativas, Aníbal Araújo, que não foi eleito deputado, reuniu-se com a Prefeitura de João Pessoa, capital do estado de Paraíba. "O prefeito em exercício da capital, Manoel Júnior (PMDB), recebeu na manhã desta quinta-feira (14) o comendador da cidade portuguesa de Ovar, Aníbal Araújo. Os dois dirigentes públicos reativaram o convénio de geminação entre as duas cidades e também agendaram para o próximo dia 4 de Julho uma viagem do prefeito Ricardo Coutinho (PSB) ao município português", lê-se numa notícia publicada a 14 de Abril de 2005 no sítio do Governo Municipal da Cidade de João Pessoa. Mais à frente no mesmo texto, frisa-se que Aníbal Araújo convidou uma comitiva para visitar Ovar, alegando que as despesas seriam pagas "por portugueses". "Ele falou ainda que a visita do prefeito Ricardo Coutinho a Ovar poderá envolver também uma comitiva de empresários, artistas, jornalistas e professores (...) proposta de Aníbal Araújo é que representantes da prefeitura possam ir a Portugal e ter todos os gastos de hospedagem e translado financiados por aquele país." No encontro, foi sugerida a construção de uma praça em João Pessoa, "A Praça de Ovar". As despesas seriam igualmente suportadas por "portugueses". "O local ainda não foi definido, mas todo o material para a obra será custeado com recursos portugueses. A Prefeitura de João Pessoa entrará com a mão-de-obra", lê-se no sítio. Contactado pelo PÚBLICO, Manuel Oliveira, o socialista que preside actualmente à Câmara de Ovar, garantiu que "a autarquia não teve qualquer despesa" e adianta que, quando chegou à presidência, em 2006, quebrou o protocolo com a Prefeitura de João Pessoa. "Enviei um ofício dizendo que a geminação só continuaria em termos institucionais, carecendo de formalização os acordos até aí estabelecidos", explicou. Apesar dos contactos realizados, o PÚBLICO não conseguiu ouvir Armando França, antigo presidente da Câmara de Ovar.
O deputado José Lello é acusado de ter "desautorizado e ignorado as deliberações" da estrutura brasileira do PS.


Prefeitura Municipal de João Pessoa

Prefeitura Municipal de João Pessoa

Prefeitura renova convênio com a cidade portuguesa de Ovar

17h34 14/04/2005
O prefeito-em-exercício da Capital, Manoel Junior (PMDB), recebeu na manhã desta quinta-feira (14) o comendador da cidade portuguesa de Ovar, Aníbal Araújo. Os dois dirigentes públicos reativaram o convênio de geminação entre as duas cidades e também agendaram para o próximo dia 4 de julho uma viagem do prefeito Ricardo Coutinho (PSB) ao município português.
Manoel Junior explicou que o convênio é importante pela troca de experiências que vai proporcionar entre as duas cidades e também pela expectativa de estreitamento das relações comerciais. "O convênio tem importância, tanto pela troca de experiências entre as cidades envolvidas, quanto pela expectativa que poderá advir dessa relação", disse.
Ele falou ainda que a visita do prefeito Ricardo Coutinho a Ovar poderá envolver também uma comitiva de empresários, artistas, jornalistas e professores, para que a proposta de integração entre estas duas cidades possa ocorrer de fato. "Quando Ricardo Coutinho retornar de Salvador, ele irá tratar dos detalhes dessa viagem, mas o convite já nos deixa muito animados com a possibilidade de estreitarmos os laços entre os dois municípios", considerou o prefeito-em-exercício.
A proposta de Aníbal Araújo é que representantes da Prefeitura possam ir a Portugal e ter todos os gastos de hospedagem e translado financiados por aquele país. O comendador também falou de um projeto que está desenvolvendo em conjunto com um arquiteto brasileiro para a construção de um praça no bairro de Manaíra. O local ainda não foi definido, mas todo o material para a obra será custeado com recursos portugueses. A Prefeitura de João Pessoa entrará com a mão-de-obra.
A cidade de Ovar tem uma população de 60 mil habitantes e arrecada aproximadamente 25 milhões de euros por ano. A taxa de desemprego na cidade é uma das menores do mundo, atingindo apenas a 3% de seus moradores.

Ovar tira tapete a Araujo... mas não esclarece

Caiu-me na caixa de correio esta mensagem, que se reporta a um post aqui publicado.
A Câmara de Ovar não toma posição sobre as negociações feitas por Aníbal Araujo em seu nome e mete os pés pelas mãos no que escreve.
É o site oficial do município de João Pessoa que informa que aquele municipio renovou o convénio que tem com a Câmara de Ovar...




Exmo. Senhor Carlos Santos,

Em resposta à sua solicitação (insistências) de V. Exa. cumpre-nos informar o seguinte:

1. A Câmara Municipal desconhece quem é o responsável pelas informações dadas à Prefeitura da Cidade de João Pessoa, a que alude no seu email, pelo que, é alheia a toda e qualquer afirmação de quem quer que seja que envolva o nome da cidade de Ovar.

2. A Câmara Municipal não suportou despesas com qualquer eventual comitiva da Prefeitura a que alude (conforme já comunicado a V. Exa. em email enviado em 18 de Abril de 2007).

3. Não tem o actual executivo qualquer conhecimento (e muito menos responsabilidade) com qualquer eventual ou alegada praça em João Pessoa.

4. Não têm existido contactos ou reciprocidades do actual executivo com João Pessoa. A serem retomadas acções de natureza institucional, se-lo-ão entre representantes e responsáveis dos Municípios, no respeito pelo espírito e pressupostos que presidem às geminações e à sua pertinência para as populações dos dois Municípios.

5. Acresce referir que a Câmara Municipal remeterá, de imediato, comunicação à Prefeitura de João Pessoa a solicitar a eliminação da notícia a que V. Exa. alude, do seu site oficial, uma vez que a mesma não traduz a realidade, conduzindo a interpretações erróneas das relações existentes entre os dois Municípios.

O Gabinete de Apoio à Presidência
Câmara Municial de OVAR

Operação Furacão: O meu depoimento II

Não me interessa hoje saber se alguém ganhou muito dinheiro ou não com a campanha eleitoral no circulo Fora da Europa.
O que sei é que as contas sobre as quais tive o cuidado de me informar não espelham, nem de perto nem de longe, o espalhafato que a equipa liderada por José Lello para a promoção de Araújo desenvolveu.
Mas nem isso tem, para mim, nenhum interesse. Nunca vivi à conta do partido ou do Estado e sempre paguei as minhas viagens os meus alojamentos quando se tratou de participar em actividades políticas, mas não invejo os que não agem assim e preferem comprometer o futuro com compromissos privados sem os quais nunca teriam alcançado os postos que têm.
Não vamos, com isto criticar as prostitutas; temos que lhes reconhecer o direito à liberdade, mas, em simultâneo reclamar a liberdade de o não ser e a afirmação do princípio de que só é puta quem quer.
Todos aqueles que, há alguns anos, convivem com as comunidades portuguesas da diáspora sabem que há umas enorme promiscuidade de interesses na actividade política que se desenvolve nestas comunidades.
As comendas, por mais respeitáveis que sejam os presidentes da República, são muitas vezes vendidas, mesmo que quem as «vende» nada tenha feito para que o beneficiário as obtenha. Claro que estas coisas não se falam a ninguém e ninguém fala delas excepto quanto há precipitação.
Lembra-me isto uma prática de alguns advogados que pedem aos clientes dinheiro para dar aos juizes, com a promessa de devolução de 50% se eles não proferirem decisão de libertação de determinada pessoa.
Se o advogado tem sucesso e obtém a libertação, fica com a totalidade do que se «destinou» ao juiz e o cliente fica satisfeito porque o suborno deu resultado. Se não teve sucesso, fica-lhe igualmente grato, porque o homem correu um risco e até podia ser preso.
Ninguém dá nada de grande valor a ninguém, a não ser que tenha contrapartidas. E ninguém aceita correr riscos em matéria de «esquemas de dinheiro» se disso não houver vantagens.
Isso é o que resulta da experiência comum...
Não acredito que alguém invista numa campanha política ostentatória, com aviões e publicidade na rádio e na televisão sem que que lhe sejam prometidas contrapartidas.
No caso da campanha do PS no Rio de Janeiro, o desaforo foi de tal modo ostensivo que o PSD se viu obrigado a apresentar queixa na Comissão Nacional de Eleições, o que provocou a repulsa de alguns dirigentes de São Paulo, especialmente do meu amigo Joaquim Magalhães, que receava poder confundir-se a sua gente com aquelas manobras.
Não havia dúvidas de que rolava muito dinheiro, mas não se sabia de onde ele vinha.
Pensavam que era de uma escola de samba, mas logo isso foi desmentido, ficando no ar o enigma, porque as relações era muito tensas e havia sido perdida a confiança entre o grupo do Rio, ligado ao Lello e ao Paulo Pisco e a Federação de São Paulo.

Poesia de José Verdasca

Lisboa, terna guarida
Dos filhos expatriados
Mas que anda fora de rota
A Câmara de cá está falida
Obra de políticos falhados
Que só sabem fazer batota

Alguns deles estão na Baía
A discutir assuntos rascas
E a depredar as finanças
Lá o interesse é seu guia
Mas faltam as verdascas
P´ra liquidar suas caganças

Lembranças, JVerdasca

Furacão - Citação do Público

Acusam José Lello de escolha polémica

Membro do Conselho das Comunidades Manuel Melo afirma que Lello não pode negar desconhecer financiamentos

Numa nota enviada ontem a um fórum de socialistas na Internet, o antigo dirigente do PS Manuel Melo, também membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, atribuiu a José Lello e a Paulo Pisco a responsabilidade pela situação "dúbia" criada com as ligações do PS no Brasil. "Aqui está o resultado do rico trabalho de Lello, Pisco e Caio Roque", afirma.
"Há muito tempo que, juntamente com outros dirigentes do PS nas comunidades (Suíça, França, Alemanha e Benelux), denuncio o trabalho sujo desses senhores. Mas a direcção nacional do PS sempre lhes deu cobertura", escreveu. Contactado posteriormente pelo PÚBLICO, Manuel Melo esclareceu o sentido dessa afirmação: "A situação instalada é muito delicada e, certamente, envolverá outro tipo de responsabilidades, para lá da meramente partidária", disse.
Este elemento do Conselho das Comunidades Portuguesas na Suíça contesta ainda as declarações de José Lello ao PÚBLICO na sexta-feira - o dirigente socialista alegava desconhecer quem financiou a campanha de Aníbal Araújo no Brasil. "José Lello não pode negar que desconhecia quem apoiou financeiramente a campanha eleitoral do PS no Brasil porque foi ele que impôs o candidato Aníbal Araújo", sublinha. Nuno Amaral - Publico
acusam José Lello de escolha polémica
A opção por Aníbal Araújo levou a várias demissões. Antigo responsável do PS é acusado de ter "destruído" a federação no Brasil
A escolha do candidato do PS ao círculo fora da Europa em 2005, numa campanha financiada por um dos detidos na Operação Furacão, Licínio Soares Bastos, levou à demissão de alguns elementos socialistas no Brasil, que responsabilizaram José Lello e apelaram ao voto em branco nesse escrutínio.
O desagrado causado pela selecção de Aníbal Araújo chegou mesmo a ser exposto por carta ao então responsável do PS pelas comunidades, José Lello, e a José Sócrates. "No entendimento dos nossos camaradas do Brasil, o Aníbal Araújo não tem nem a confiança nem o prestígio suficiente para poder representar os nossos compatriotas na Assembleia da República. É conhecido na comunidade como um mero angariador de anúncios para uma publicação que poucos conhecem, porque não tem difusão. E nada tem a ver com as comunidades no exterior", escreveu o antigo militante socialista Miguel Reis ao actual primeiro-ministro.
Nas várias missivas que circularam por esses dias, os militantes do Brasil atribuíam a Lello, que coordenou a campanha do PS no exterior, a "responsabilidade" pela escolha do candidato.
A campanha de Aníbal Araújo foi financiada por Licínio Soares Bastos, o empresário português detido por suspeitas de pertencer à "máfia dos bingos" e que chegou a ser nomeado cônsul honorário no Brasil pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga.
Os nomes de Araújo e António Braga são referenciados numa escuta telefónica a outro dos detidos na Operação Furacão como os de elementos capazes de convencer um autarca, também do PS, a desembargar uma obra.
Imposição de candidato
Antes das legislativas de 2005, a Federação do PS no Brasil reuniu-se em congresso e decidiu avançar com o nome de António Almeida Silva, então presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, como candidato ao círculo fora da Europa - a comunidade portuguesa no Brasil têm um peso estratégico na eleição deste deputado.
Troca de correspondência
Numa extensa troca de correspondência entre a Federação do PS do Brasil e a direcção nacional do partido a que o PÚBLICO teve acesso, a direcção nacional do PS não reconheceu a legitimidade do congresso realizado em Setembro 2004 e avançou com a escolha de Aníbal Araújo. "Não nos merecendo confiança os candidatos apresentados em nome do Partido Socialista e como forma de assegurarmos a autonomia do nosso futuro na escolha dos nossos representantes, decidimos não participar activamente numa campanha eleitoral para a qual não fomos solicitados a participar, nem ouvidos e sequer respeitadas as decisões que democraticamente tomamos", escreveu, em comunicado, Joaquim Magalhães, secretário-coordenador do PS, entretanto falecido.
Como forma de protesto, a federação socialista recomenda o voto em branco e acusa Paulo Pisco, do gabinete de relações internacionais das Comunidades Portuguesas, e José Lello de terem boicotado o processo. "Toda a documentação do congresso foi entregue no partido por duas vezes. Por mim próprio, pessoalmente, quando estive em Portugal no Congresso Nacional do Partido. Se os documentos desapareceram, estaremos perante um caso de polícia que deve ser denunciado. Nada há a discutir com o camarada José Lello sobre a federação. Se, como parece, o camarada também entende que a Federação é falsa... ponto final", escreveu Magalhães a Lello.
O PÚBLICO tentou, insistentemente, ouvir o deputado José Lello, mas, apesar dos diversos contactos realizados, não foi possível recolher declarações do dirigente socialista - nenhuma chamada telefónica foi atendida. O PÚBLICO tentou também, por diversas vezes sem êxito, contactar Paulo Pisco e o assessor de imprensa do secretário de Estado das Comunidades, Eduardo Saraiva (e antigo assessor de José Lello, quando este ocupou o cargo).
Os militantes do PS no Brasil dizem que foi José Lello que coordenou a campanha do partido no exterior.

Nuno Amaral - Publico

segunda-feira, maio 07, 2007

Operação Furacão: O meu depoimento I

A Operação Furacão, desencadeada pela Policia Federal do Brasil, vem revelando todos os dias novos dados, que se afiguram da maior importância para a percepção de alguns enigmas da política portuguesa.
O elemento mais surpreendente é o de que dois dos presos teriam sido os financiadores da última campanha eleitoral do Partido Socialista no circulo «fora da Europa».
Não sei se isso é verdade ou se é mentira.
Se for verdade estaremos a meio caminho de demonstrar que aconteceu alguma coisa que tem que ser qualificado como gravíssimo na vida política portuguesa.
Temos que ser muito prudentes e que analisar cuidadosamente todos os dados disponíveis, tomando sempre em consideração o sagrado princípio da presunção de inocência,
Mas a política é política e tem que ser encarada como tal.
Hoje estou absolutamente liberto das obrigações partidárias para reflectir sobre esta matéria, em público e sem nenhumas restrições.
Nunca fui dirigente do Partido Socialista, em que militei mais de trinta anos.
Fui sempre um militante de base e um militante activo. Por isso não resisti à tentação de ajudar os companheiros que, no Brasil, se empenharam, a partir de 2003, numa tentativa de criar uma estrutura que permitisse desenvolver um trabalho político sério, visando obter uma clara vitória eleitoral no círculo de fora da Europa, nas primeiras eleições que se realizassem.
Participei em dezenas de reuniões, convivi com centenas de pessoas, falei com a maioria dos lideres das comunidades do Brasil, da Argentina e do Canadá, troquei milhares de e_mails.
Procurei contribuir, à minha maneira, para o fim da política colonialista de Lisboa sobre as estruturas externa do Partido Socialista, defendendo como princípio fundamental o de que os deputados da diáspora devem sair das próprias comunidades.
Assisti a um trabalho metódico e sério feito pelos companheiros do Brasil, centrados em São Paulo.
A direcção do Partido Socialista decidiu escolher como cabeça de lista para as eleições de 2005 no circulo de fora da Europa o Sr. Aníbal Araujo, personalidade que nada tinha a ver nem com as Comunidades, como as entendemos, nem com o Partido Socialista.
Numa reunião realizada em Janeiro de 2005, em São Paulo, concluimos, eu e um grupo de amigos, que só qualquer coisa muito forte, que podia significar muito dinheiro, permitia que as deliberações de uma federação partidária, legal e organizada, fosse pisada a pés, com absoluto desrespeito pelas pessoas e, sobretudo, pelos métodos de trabalho que elas haviam adoptado.
Não havia quaisquer provas de que as listas haviam sido vendidas, como ainda hoje não há.
Mas o que tem vindo a público pode ajudar a esclarecer o enigma.
Será que o PS vendeu a lista para as últimas eleições no circulo fora da Europa?
Vamos tentar perceber se isso faz sentido, devagarinho, nos próximos dias.

Furacão

Citação:

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "Operação Furacão (continuação...)":

Anibal Araújo deveria ser investigado pela PJ para que se apuressem as responsabilidades e todos os subsídios que ele recebeu do ICS.

Citação

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "A voz de Eulália e o Furacão":

Pois, não se podem meter todos no mesmo saco, podem meter-se apenas os de Anibal Araújo. Está tudo dito, ivestiguem. Está tudo Claro.
Investiguem também os constantes subsídios do presidente da câmara de Espinho ao jornais e revistas de Anibal Araújo, revista Acontecimentos Lusiadas e Portugal em Foco. A Câmara Municipal de Espinho está tecnicamente falida mas continua a financiar a revista Acontecimentos Lusiadas e jornal Portugal em Foco, sob a capa de publicidade. Mas há mais: a Câmara de Espinho tem nas suas contas verbas atribuidas a instituições brasileiras, algumas delas no Rio de Janeiro. Somas que vão aos milhares de contos, falando em moeda antiga. Tudo isto terá de ser investigado.
Vergonha foi Anibal Araújo ser distinguido com a medalha da Ordem do Infante D. Henrique e agora andar nas bocas do mundo por causa destas noticias.

Comentário de Manuel de Melo sobre os financiamentos

07.05.2007

Manuel Melo afirma que Lello não pode negar desconhecer financiamentos
Numa nota enviada ontem a um fórum de socialistas na Internet, o antigo dirigente do PS Manuel Melo, também membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, atribuiu a José Lello e a Paulo Pisco a responsabilidade pela situação "dúbia" criada com as ligações do PS no Brasil. "Aqui está o resultado do rico trabalho de Lello, Pisco e Caio Roque", afirma.
"Há muito tempo que, juntamente com outros dirigentes do PS nas comunidades (Suíça, França, Alemanha e Benelux), denuncio o trabalho sujo desses senhores. Mas a direcção nacional do PS sempre lhes deu cobertura", escreveu. Contactado posteriormente pelo PÚBLICO, Manuel Melo esclareceu o sentido dessa afirmação: "A situação instalada é muito delicada e, certamente, envolverá outro tipo de responsabilidades, para lá da meramente partidária", disse.
Este elemento do Conselho das Comunidades Portuguesas na Suíça contesta ainda as declarações de José Lello ao PÚBLICO na sexta-feira - o dirigente socialista alegava desconhecer quem financiou a campanha de Aníbal Araújo no Brasil. "José Lello não pode negar que desconhecia quem apoiou financeiramente a campanha eleitoral do PS no Brasil porque foi ele que impôs o candidato Aníbal Araújo", sublinha.

Furacão

Notícia do Jornal « PÚBLICO» de hoje (07.05.2007)

Socialistas do Brasil acusam José Lello de escolha polémica

07.05.2007, Nuno Amaral, Rio de Janeiro

A opção por Aníbal Araújo levou a várias demissões. Antigo responsável do PS é acusado de ter "destruído" a federação no Brasil

A escolha do candidato do PS ao círculo fora da Europa em 2005, numa campanha financiada por um dos detidos na Operação Furacão, Licínio Soares Bastos, levou à demissão de alguns elementos socialistas no Brasil, que responsabilizaram José Lello e apelaram ao voto em branco nesse escrutínio.
O desagrado causado pela selecção de Aníbal Araújo chegou mesmo a ser exposto por carta ao então responsável do PS pelas comunidades, José Lello, e a José Sócrates.
"No entendimento dos nossos camaradas do Brasil, o Aníbal Araújo não tem nem a confiança nem o prestígio suficiente para poder representar os nossos compatriotas na Assembleia da República. É conhecido na comunidade como um mero angariador de anúncios para uma publicação que poucos conhecem, porque não tem difusão. E nada tem a ver com as comunidades no exterior", escreveu o antigo militante socialista Miguel Reis ao actual primeiro-ministro.
Nas várias missivas que circularam por esses dias, os militantes do Brasil atribuíam a Lello, que coordenou a campanha do PS no exterior, a "responsabilidade" pela escolha do candidato.
A campanha de Aníbal Araújo foi financiada por Licínio Soares Bastos, o empresário português detido por suspeitas de pertencer à "máfia dos bingos" e que chegou a ser nomeado cônsul honorário no Brasil pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga.
Os nomes de Araújo e António Braga são referenciados numa escuta telefónica a outro dos detidos na Operação Furacão como os de elementos capazes de convencer um autarca, também do PS, a desembargar uma obra.

Imposição de candidato

Antes das legislativas de 2005, a Federação do PS no Brasil reuniu-se em congresso e decidiu avançar com o nome de António Almeida Silva, então presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, como candidato ao círculo fora da Europa - a comunidade portuguesa no Brasil têm um peso estratégico na eleição deste deputado.

Troca de correspondência

Numa extensa troca de correspondência entre a Federação do PS do Brasil e a direcção nacional do partido a que o PÚBLICO teve acesso, a direcção nacional do PS não reconheceu a legitimidade do congresso realizado em Setembro 2004 e avançou com a escolha de Aníbal Araújo.
"Não nos merecendo confiança os candidatos apresentados em nome do Partido Socialista e como forma de assegurarmos a autonomia do nosso futuro na escolha dos nossos representantes, decidimos não participar activamente numa campanha eleitoral para a qual não fomos solicitados a participar, nem ouvidos e sequer respeitadas as decisões que democraticamente tomamos", escreveu, em comunicado, Joaquim Magalhães, secretário-coordenador do PS, entretanto falecido.

Como forma de protesto, a federação socialista recomenda o voto em branco e acusa Paulo Pisco, do gabinete de relações internacionais das Comunidades Portuguesas, e José Lello de terem boicotado o processo.

"Toda a documentação do congresso foi entregue no partido por duas vezes. Por mim próprio, pessoalmente, quando estive em Portugal no Congresso Nacional do Partido. Se os documentos desapareceram, estaremos perante um caso de polícia que deve ser denunciado. Nada há a discutir com o camarada José Lello sobre a federação.
Se, como parece, o camarada também entende que a Federação é falsa... ponto final", escreveu Magalhães a Lello.
O PÚBLICO tentou, insistentemente, ouvir o deputado José Lello, mas, apesar dos diversos contactos realizados, não foi possível recolher declarações do dirigente socialista - nenhuma chamada telefónica foi atendida. O PÚBLICO tentou também, por diversas vezes sem êxito, contactar Paulo Pisco e o assessor de imprensa do secretário de Estado das Comunidades, Eduardo Saraiva (e antigo assessor de José Lello, quando este ocupou o cargo).
Os militantes do PS no Brasil dizem que foi José Lello que coordenou a campanha do partido no exterior.

Furacão

Citação:

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "Os portugueses da «Operação Furacão»":

Chancelaria das
ORDENS HONORÍFICAS PORTUGUESAS

DESTAQUES
(…)
10 de Junho
Imposição de insígnias na Sessão Solene Comemorativa do
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
Porto • 2006

Foram agraciadas diversas personalidades, na Sessão Solene Comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Porto, em cerimónia de imposição solene de insígnias das Ordens Honoríficas, presidida pelo Presidente da República Portuguesa, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva.

• Lista de agraciados:
(…)
Ordem do Infante D. Henrique
(…)
Comendador
(…)
Aníbal de Oliveira Araújo

in http://www.ordens.presidencia.pt/txt_destaques.htm

Furacão

Citação:

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "Mais notícias da Máfia dos bingos...":

Incentivos específicos
concedidos em 1999

Entidade
Aníbal Oliveira Araújo

Iniciativa
Colóquios integrados na Comemoração do aniversário do jornal "A Voz de Azeméis"

Incentivo atribuído
750.000

in http://www.ics.pt/index.php?op=cont〈=pt&Pid=1&area=419

Furacão

Citação:

Polícia do Brasil investiga ligações a elementos do PS

Autoridades suspeitam de que detidos recorressem à influência do secretário de Estado das Comunidades e de Aníbal Araújo.


"Você sabe que o de Lisboa não foi nada de licitação não, inclusive a licitação do chinês lá de Macau", continua o advogado. O presidente da Associação de Bingos completa que "o de Macau é um gigante".

Nuno Amaral, Rio de Janeiro
A Polícia Federal do Brasil está a investigar as ligações entre os detidos na Operação Furacão e alguns elementos do Partido Socialista. Depois de ter já pedido às autoridades portuguesas para bloquearem contas bancárias pertencentes a off-shores registados na ilha da Madeira, o Ministério Público brasileiro solicitou a intervenção da Interpol para averiguar as ligações do grupo, nomeadamente em Portugal. A Polícia Federal (PF) suspeita de que pelo menos dois dos detidos recorressem à influência do secretário de Estado das Comunidades, António Braga, e de Aníbal Araújo, candidato socialista em 2005, e a autarcas do PS para expandir os negócios do grupo, conhecido como "Máfia dos Bingos", em Portugal e Macau. O grupo é suspeito de envolvimento na compra e venda de sentenças judiciais e decisões políticas para beneficiar casas de bingo e de máquinas de jogos de azar. Dois dos 25 detidos nesta megaoperação são empresários portugueses, sendo certo que um deles, Licínio Soares Bastos - que chegou a ser nomeado cônsul pelo Governo de José Sócrates - foi o principal financiador da campanha do PS no Brasil em 2005, que teve como cabeça de lista Aníbal Araújo, e é proprietário do imóvel onde está instalada a sede dos socialistas no Rio de Janeiro.
Numa das escutas telefónicas registadas pela PF a 2 de Setembro de 2006, o advogado brasileiro Jaime Garcia Dias pede a outro homem de nome "Adolfo" para falar com um presidente de câmara da região de Braga, dizendo que é "conhecido de António Braga, secretário de Estado" das Comunidades - o governante é também presidente da Assembleia Municipal de Braga.
Os dois brasileiros estudavam a forma de desembargar um obra e colocar máquinas de jogo num hotel. "O presidente de câmara é do PS?", pergunta Jaime Garcia Dias, entretanto detido, a "Adolfo", que, na altura, estava em Portugal. Na mesma escuta, o advogado brasileiro sugere a intervenção de "Aníbal", dizendo que "ele resolve isso na hora". A Polícia Federal suspeita de que os dois se referissem a Aníbal Araújo, candidato do PS ao círculo fora da Europa em 2005, cuja campanha foi apoiada por Licínio Soares Bastos, um dos empresários portugueses detidos nesta operação.
Um ano depois das legislativas de 2005, o empresário português veio a ser nomeado pelo secretário de Estado António Braga cônsul honorário de Portugal em Cabo Frio, perto do Rio de Janeiro, em despacho datado de 16 de Maio de 2006. Ontem, o Governo português fez saber que travou a nomeação de Licínio Bastos para esse cargo "assim que se soube das investigações das autoridades brasileiras no processo conhecido como "Máfia das Sentenças" (ou "Máfia dos Bingos").
Contactado pelo PÚBLICO, Aníbal Araújo, que também preside à União Portuguesa da Imprensa Regional (Unir), que realiza durante este fim-de-semana um congresso em Salvador da Bahia, no Brasil, optou por não prestar declarações. Também presente neste encontro, António Braga, secretário de Estado das Comunidades, fez saber, através do assessor de imprensa, que "conheceu apenas Licínio Bastos, pessoa que considera um benemérito da comunidade portuguesa até que haja uma condenação". "O sr secretário de Estado desconhece por completo os restantes detidos nessa operação", disse o assessor de imprensa, Eduardo Saraiva, que, em 2005, participou, "enquanto cidadão", frisou, na campanha de Aníbal Araújo no Rio de Janeiro.
Casino, Lisboa e deputados
No congresso da Unir, organizado por Aníbal Araújo em Salvador da Bahia para debater a imprensa regional portuguesa e as relações com as comunidades, participou também o presidente da Câmara de Espinho, o socialista José Mota, deputados do PSD, jornalistas e o embaixador de Portugal no Brasil, Seixas da Costa.
Em Outubro de 2006, a Polícia Federal intercepta também um telefonema do advogado brasileiro Jaime Garcia Dias, que na altura estava em Portugal, para José Renato Granado, presidente da Associação de Bingos no Rio de Janeiro. "Eu já tive uma reunião com aquele outro negócio daquele outro investimento", diz Garcia Dias. A PF suspeita que se referissem à abertura de um casino em Portugal. "Você sabe que o de Lisboa não foi nada de licitação não, inclusive a licitação do chinês lá de Macau", continua o advogado. O presidente da Associação de Bingos completa que "o de Macau é um gigante".
Neste telefonema, datado de 20 de Outubro de 2006, Jaime Garcia Dias admite que está por conta de um presidente de câmara e expõe que se vai reunir com deputados. "Ficaram uns deputados de marcar um encontro comigo na terça ou quarta-feira. Que eu falei: a gente tem que tratar desse ponto aqui, agora a gente tem que chegar num ponto de valor, chegou no ponto da data da licença", anuncia. "Beleza", responde o responsável pelos bingos no Rio de Janeiro.
Em escutas realizadas dias mais tarde, Jaime Garcia Dias expõe a Evandro da Fonseca, também detido nesta operação, que irá encontrar-se com portugueses numa feira de Londres para "avançar com aquilo para a gente". Os dois combinam depois um encontro em Portugal, sem especificar onde.
António Braga é citado numa das escutas da polícia, mas já afirmou desconhecer o homem que fala no seu nome

Nuno Amaral publico.pt

Furacão

Citação:

17h34 14/04/2005
O prefeito-em-exercício da Capital, Manoel Junior (PMDB), recebeu na manhã desta quinta-feira (14) o comendador da cidade portuguesa de Ovar, Aníbal Araújo. Os dois dirigentes públicos reativaram o convênio de geminação entre as duas cidades e também agendaram para o próximo dia 4 de julho uma viagem do prefeito Ricardo Coutinho (PSB) ao município português.

Manoel Junior explicou que o convênio é importante pela troca de experiências que vai proporcionar entre as duas cidades e também pela expectativa de estreitamento das relações comerciais. "O convênio tem importância, tanto pela troca de experiências entre as cidades envolvidas, quanto pela expectativa que poderá advir dessa relação", disse.

Ele falou ainda que a visita do prefeito Ricardo Coutinho a Ovar poderá envolver também uma comitiva de empresários, artistas, jornalistas e professores, para que a proposta de integração entre estas duas cidades possa ocorrer de fato. "Quando Ricardo Coutinho retornar de Salvador, ele irá tratar dos detalhes dessa viagem, mas o convite já nos deixa muito animados com a possibilidade de estreitarmos os laços entre os dois municípios", considerou o prefeito-em-exercício.

A proposta de Aníbal Araújo é que representantes da Prefeitura possam ir a Portugal e ter todos os gastos de hospedagem e translado financiados por aquele país. O comendador também falou de um projeto que está desenvolvendo em conjunto com um arquiteto brasileiro para a construção de um praça no bairro de Manaíra. O local ainda não foi definido, mas todo o material para a obra será custeado com recursos portugueses. A Prefeitura de João Pessoa entrará com a mão-de-obra.

A cidade de Ovar tem uma população de 60 mil habitantes e arrecada aproximadamente 25 milhões de euros por ano. A taxa de desemprego na cidade é uma das menores do mundo, atingindo apenas a 3% de seus moradores.

Furacão...

Citação:
«Fontes da comunidade luso-brasileira no Rio de Janeiro garantem ser voz corrente que os dois portugueses presos por ligação com a mafia dos bingos - Licínio Soares Bastos e Laurentino Freire dos Santos - beneficiavam do apoio do deputado José Lello, responsável pela área das comunidades portuguesas do PS.
Um dos líderes da comunidade luso-brasileira no Rio de Janeiro, que pediu para não ser identificado, disse ao DN que Licínio e Laurentino se faziam passar por grandes empresários, com alta influência política.
Ninguém pode provar que deram dinheiro ao PS, mas eles referiam constantemente, nos encontros da comunidade, o apoio que diziam ter do deputado José Lello.
Tudo indica que Licínio seria proprietário do imóvel onde está instalada a sede do PS, na Barra da Tijuca. A ligação dos portugueses com José Lello e o PS é tema de conversa no Rio de Janeiro, mas não se sabe até onde isso reflectirá perdas para o partido.
O PS poderá alegar, em geral, que os políticos se aproximam de empresários influentes e com posses e não de simples trabalhadores ou profissionais da classe média.
As mesmas fontes adiantaram que embora o seu cargo de consul honorário de Cabo Frio não tivesse chegado a ser formalizado, Licínio Soares Bastos era assim que se apresentava e era recebido com distinção nos eventos da comunidade.
Só após o escândalo - do jogo ilegal, operação de máquinas de moedas, proibidas pela justiça - é que a embaixada se apressou a esclarecer que o cargo de consul honorário de Licínio não foi concretizado junto ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Como o DN já havia adiantado, este grupo português da Mafia dos Bingos tinha projectos para abrir casinos e casas de bingo noutros países, como Portugal, Macau e até mesmo nos Estados Unidos.
O presidente da Casa da Vila da Feira e Terras de Santa Maria - um dos principais centros de reunião da comunidade no Rio de Janeiro - António Simões, afirmou que, para a comunidade, quanto mais depressa for esclarecido o envolvimento de cidadãos portugueses no caso da Operação Furacão - mafia dos Bingos, melhor será para todos.
"Não é agradável ver dois cidadãos portugueses presos por envolvimento com jogo ilegal. Seria bom que a justiça chegasse a uma conclusão sem muita demora ", disse.Observadores afirmam que dificilmente Licínio e Laurentino sofrerão penas muito severas - excepto a execração pública a que estão actualmente submetidos - pois, embora ilegais, os bingos funcionavam com base em licenças dadas pelo poder judicial.
Há presunção de que os bingos faziam lavagem de dinheiro para os chefes do crime - como Anis Abraão David, o "Anísio", presidente da Escola de Samba Beija-Flor e Ailton Guimarães, o "capitão" Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba, ambos notórios "banqueiros" do ilegal jogo do bicho.
No entanto, provar lavagem de dinheiro sempre foi difícil, mormente depois de os bicheiros negarem conhecer os portugueses e estes deram depoimentos no mesmo sentido. Quanto ao uso de máquinas de moedas, se não for provada relação com a importação ilegal, trata-se de crime menor.

SÉRGIO BARRETO MOTTA, Rio de Janeiro

domingo, maio 06, 2007

Que obsessão para queimar Braga?

Lidos os jornais e vistos os comentários dos últimos dias pergunto o que é que pode justificar o que parece ser uma obsessão para queimar António Braga.
Esta perseguição e este levantamento de suspeitas parece-me de uma extrema injustiça, por várias razões.
António Braga não tem, tanto quanto sei, nenhuma responsabilidade no que se refere ao passado, como muitos aspectos escuros, do funcionamento da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e do departamento de emigração do Partido Socialista.
Temos vindo a acompanhar o seu percurso como secretário de Estado e constatamos que tem adoptado propostas e medidas que primam pela qualidade e pelo rigor.
Sabemos - todos os que conhecem minimamente as comunidades portuguesas no exterior - que há interesses locais muito fortes e que as politicas para estas comunidades continua marcadas por uma lógica colonialista, à boa maneira do Século XIX.
Sabemos também que a «escuridão» passa e perpassa pelas próprias estruturas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que são um Estado dentro do Estado e que há coisas tão paradoxais mas tão fortes que ninguém consegue mudá-las.
O exemplo mais claro dessa realidade está na contradição de, por um lado, fechar consulados para reduzir a despesa e, do outro, delapidar toda a recenta emolumentar num Fundo (O Fundo de Relações Internacionais) que tem uma gestão mais do que suspeita e arbitrária.
Claro que o Braguinha, como lhe chama a minha amiga Eulália, não tem poderes para acabar com estes vícios, que julgo que vêm do tempo de Jaime Gama.
Claro que a política tem riscos e quem anda mal acompanhado sofre as consequências...
O António Braga deveria pensar duas vezes antes de vir para o estranho «Congresso da UNIR». Pelo menos deveria ter-se perguntado por que razão a UNIR faz sistemáticos congressos na Baia, onde a presença de portugueses é diminuta.
António Braga sabia - porque não podia deixar de saber - da pouca vergonha que tem ocorrido no Rio de Janeiro, que foi ao ponto de uma assessor de José Lello ter aconselhado os militantes do PS a não comparecer no Congresso federativo, com a promessa de fazer «uma Federação no Rio».
Sabia-se, politicamente, que alguém tinhas comprado a lista do PS do círculo de fora da Europa e que havia dinheiro a rodos. A única coisa que não se sabia era quem tinha pago...
O próprio primeiro-ministro tem conhecimento da pouca vergonha anti-democrática que, nessa matéria, ocorreu no Brasil.
Isto estava tudo abafado e agora veio a lume.
Já começaram a definir-se as vitimas: uma parece ser António Braga, que nada tem a ver com essa pouca vergonha. O outro parece ser o Aníbal Araujo, popularizado no Brasil como Zé das Medalhas, que não é mais do que um intermediário.
Já vimos o mesmo filme noutro momento, com a liquidação de Victor Caio Roque que, respeitando a umertá, nunca denunciou quem seriam os responsáveis das operações fraudulentas de que foi acusado.
Será que aqui alguém vai acreditar que o Aníbal Araújo é que beneficiou do brutal investimento financeiro feito pelos empresários dos bingos?
Há muitas fumaça no ar, lembrando o uso de técnicas de contra-fogo. Operações de diversão para adiar a descoberta da verdade de muitas coisas que se passam no Brasil.
Quando aparecerem as listas das «conections» com políticos portugueses vai ser o lindo e o bonito.
PS - Estou em São Paulo e até estava para ir a Salvador, antes de saber que ali estava a ocorrer o Congresso da UNIR. Resolvi não ir quando soube disso... Lembro-me sempre daquela história do cão bom que foi à rua e, confundido com os vadios, foi apanhado pela carroças camarária.

A voz de Eulália e o Furacão

Eulália Moreno escreve sobre o Furacão, com o estilo que lhe conhecemos.
Acho que exagera relativamente ao António Braga, que continuo a considerar uma pessoa séria e competente.
Agora que há por aqui pelo Brasil muita matéria suspeita, lá isso há. E se as investigações forem ao fundo, vai haver porcaria nas ventoinhas de diversos partidos.
Ao que parece nem sequer os políticos a quem se conhecem negócios no Brasil tem registo desses negócios no Tribunal Constitucional. E há políticos no activo que passam aqui quase tanto tempo como em Portugal.
O interessante desta história é que ela talvez venha permitir o esclarecimento das razões pelas quais José Lello e os seus assessores anularam a Federação do Brasil do Partido Socialista, da qual desapareceram os registos no departamento de dados.
Faz muita falta o Joaquim Magalhães, que vivia na esperança de poder apurar, com certezas, que interesses económicos justificavam a vontade de Lello e Pisco de montarem uma estrutura federativa no Rio.
Uma parte já está explicada.
Em 2005 todos ficamos com a convicção de que alguém tinha pago para isto e para impôr um candidato.
Hoje temos mais do que uma convicção...
«Parabéns ao deputado Neves Moreira pela coragem de, finalmente, fazer declarações supra-partidárias e denunciar o que a maioria das pessoas desconhecia. É hora de investigar a fundo essa questão da ligação da Mafia das Sentenças com o Partido Socialista e que passa pela Federação do Rio de Janeiro. Saber, por exemplo, onde nesse puzzle poderá entrar , por exemplo, o presidente da Câmara de Espinho e as suas constantes viagens ao Rio.
Vários são os autarcas socialistas que adoram o Rio de Janeiro, que se hospedam em hotéis cinco estrelas de Ipanema, que ganham páginas inteiras de destaque no jornaleco " Portugal em Foco" da " talentosa" Benvinda Maria ( recentemente galardoada pela Secretaria de Estado das Comunidades), que são recebidos com pompa no Real Gabinete Portugues de Leitura onde reina o todo-poderoso-cancro-da-comunidade Gomes da Costa ( eminência parda do jornaleco supra-citado), que são homenageados em jantaradas onde os manos detidos eram vistos circulando , etc... É só levantar mais um pouco esse véu que muitas cabeças coroadas e dinossáuricas do Partido Socialista, rolarão.

Os manos detidos, Laurentino e Licínio, patrocinaram a candidatura socialista do medalhudo Anibal Araujo a deputado pelo Círculo Fora da Europa. Aníbal, um dos maiores " mamões" do porte pago e " magnata da imprensa folha de couve".
Como os manos são " empresários", nada mais estão fazendo do que investimentos para , à conta da campanha milionária, obter dividendos. A primeira " retribuição" vem através de Antonio Braga, o Braguinha,lambe-botas do Mesquita Machado, autarca da câmara de Braga, que nomeou Licínio como Cônsul Honorário em Cabo Frio, cargo meramente decorativo mas que lhe daria acesso, por exemplo, a passaportes em branco, informações privilegiadas, malotes, etc... Ficou à porta por um triz.

Este Congresso que decorre aqui em Salvador está agendado desde finais de 2006 e como é mais um evento para prestígiar o Aníbal Araujo, as "bocas" aqui são mais do que muitas de que tudo está correndo por conta dos implicados na Mafia das Sentenças. Ou seja, o regabofe que tambem beneficia gente do PSD , teria o alto patrocínio dos manos Laurentino e Licínio.
O que talvez nunca se venha a saber é quais as negociatas,acobertadas por um aparente inocente Congresso da UNIR, estão acontecendo nos corredores e beiras de piscina. Negociatas partidárias ou em benefício próprio.

A pouca vergonha que se apoderou da Secretaria de Estado das Comunidades desde a gestão Jose Lello , com Caio Roque a reboque, passando por patrocínios de eleições para vereadores aqui em São Paulo, com finais de semana românticos no litoral norte de São Paulo, das eleições, pouco claras, para as Federações socialistas de São Paulo e Rio de Janeiro, etc... certamente darão ao PSD munição suficiente. O eco dos tiros pouco repercutirá em Lisboa. Este escândalo só está nas primeiras páginas dos jornais portugueses graças a insistência e a coragem de alguns, caso contrário, seria apenas mais um caso abafado.
De Salvador, do Congresso da Imprensa Folha de Couve, às minhas custas

Eulalia»

Operação Furacão (continuação...)

Citamos o Mundo Lusiada, numa versão actualizada:

«O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, foi citado por um dos empresários portugueses detidos no Rio de Janeiro, no âmbito da ‘Operação Furacão’, que desmantelou uma rede de branqueamento de capitais, conforme anunciou o “Expresso on-line”. Fonte da secretaria de Estado disse que António Braga conhecia Licínio Soares Bastos (um dos detidos) de quem tinha as “melhores referências”.
Jaime Garcia Dias, advogado e um dos detidos pela Polícia Federal (PF) brasileira no caso da "máfia das sentenças", foi escutado a conversar com o pai, dizendo a este que o secretário António Braga poderia ser um contato para desembargar uma obra em Portugal.
Na conversa, que consta do relatório da PF a que o jornal “Expresso” teve acesso, foi feita uma referência a um presidente de câmara socialista da região de Braga. No processo foram detidos dois portugueses: Laurentino Santos e Licínio Soares Bastos, nomeado, em 2006, Cônsul Honorário em Cabo Frio (onde reside um número insignificante de portugueses, não justificando a implementação de serviços diplomáticos).
O Jornal “Público” divulgou em 5 de maio que o PSD deve exigir esclarecimentos por parte do PS “com urgência”, sobre as ligações dos socialistas aos detidos no Rio. O grupo é acusado de, a partir do Brasil, negociar sentenças judiciais e decisões políticas para beneficiar casas de bingo e de máquinas de jogos de azar. Segundo as investigações, o português Licínio Soares Bastos, é um dos maiores financiadores do PS no Brasil e suportou grande parte das despesas da campanha do candidato socialista ao círculo fora da Europa nas legislativas de 2005, Aníbal Araújo.
Licínio é também proprietário do imóvel onde está instalada a sede do PS na Barra da Tijuca (RJ). O empresário viria a ser nomeado cônsul honorário de Portugal em Cabo Frio, um ano depois de José Sócrates chegar ao poder, mas o processo nunca chegou a ser formalizado junto do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. A Polícia Federal (PF) brasileira suspeita que o português fosse o intermediário do grupo nas negociações para abrir cassinos em Portugal e no Brasil. Numa das escutas anexadas ao processo, outro detido, o advogado e empresário Jaime Garcia Dias, admitia ao vice-presidente da Associação dos Bingos do Rio de Janeiro, José Renato Granado, que estava em Portugal reunido com deputados e que as despesas da estadia estavam a ser suportadas “pelo presidente da câmara”. Na transcrição da escuta, o empresário brasileiro nunca revelava o nome ou o partido dos deputados e do autarca. José Cesário, deputado do PSD e antigo secretário de Estado das Comunidades, disse que o PS e o Governo têm de “clarificar esta situação com urgência”, referindo que é o nome de Portugal e das comunidades portuguesas “que está em risco”.
Licínio Soares Bastos é natural de Oliveira de Azeméis, de onde é também oriundo o candidato do PS ao círculo de fora da Europa em 2005, Aníbal Araújo. O primeiro é fundador de alguns dos jornais administrados por Aníbal Araújo.
“É um benemérito que muito ajuda a comunidade portuguesa, não há qualquer promiscuidade”, enfatiza Araújo.Antes das legislativas de 2005, a confusão instalou-se na secção do PS no Rio de Janeiro, sem se saber quem dirigia esta estrutura.
Terá sido por essa altura que se tornaram públicas as relações entre Aníbal Araújo e Licínio Bastos - alguns elementos do PS defendem que o empresário brasileiro impôs o nome do futuro candidato. “Foi então que o Sr. Licínio disse que foi contatado pela direção do PS para ajudar o partido. Aí, criou a sede e pagou a campanha de Aníbal Araújo”, disse ao jornal “PÚBLICO” Eduardo Neves Moreira, ex-deputado do PSD para o círculo fora da Europa e residente no Rio de Janeiro. A ostentação da campanha motivou uma queixa do PSD à Comissão Nacional de Eleições, apresentada a 20 de abril de 2005. “Utilizaram aviões, cartazes em autocarros [ônibus], programas de rádio e televisão aqui no Brasil. É óbvio quem suportou tudo isso”, expõe o social-democrata.
“Eu desconheço se o Sr. Licínio, de quem sou amigo, financiou ou não a minha campanha”, contrapôs Aníbal Araújo. O deputado José Lello, antigo secretário de Estado e responsável pela área das Comunidades Portuguesas do PS, também alega desconhecer a origem do financiamento. “Isso é da responsabilidade do candidato. Conheci Licínio Soares Bastos durante essa campanha, foi-me apresentado por Aníbal Araújo. Não sei se foi ele o financiador”, afirmou, argumentando também ignorar que a sede do PS no Rio funciona em instalações do empresário agora detido.
O atual responsável pelo departamento de Relações Internacionais e Comunidades Portuguesas do PS, Luís Pisco, admite e desvaloriza o fato de a sede do PS no Rio de Janeiro estar instalada numa propriedade de Licínio Bastos. “É normal isso acontecer, ele quis ajudar o partido. Posso garantir que as reuniões políticas do partido se realizam noutro lugar”, frisou. Pisco não soube, no entanto, identificar os atuais dirigentes socialistas no Rio de Janeiro. Colocando a tônica na sede do partido e na “generosidade” do empresário agora detido, o social-democrata Eduardo Moreira recorda conversas antigas.
“Eu não sei se há promiscuidade ou não, sei é que o Sr. Licínio dizia que o apoio ao PS lhe renderia contrapartidas comerciais em Portugal”, sublinhou. Um ano depois de o PS chegar ao poder, Licínio Soares Santos foi nomeado cônsul honorário de Portugal em Cabo Frio, a 150 quilômetros do Rio de Janeiro.
A nomeação, despachada pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga, foi publicada no Diário da República dia 16 de Maio de 2006, mas foi suspensa meses depois quando se constatou que Licínio Bastos vinha sendo investigado pelas autoridades brasileiras. A secretaria de Estado justificou a suspensão pela disponibilidade manifestada por Licínio Bastos para suportar todas as despesas do posto consular.
“O Estado português não teria qualquer despesa com esse consulado, Licínio Bastos ofereceu-se para suportar todo o investimento para ajudar a comunidade portuguesa, ele é um benemérito e até ser condenado merece a presunção de inocência”, explicou ao “PÚBLICO” Eduardo Saraiva, assessor de imprensa do secretário de Estado das Comunidades, António Braga. Um argumento que não colhe, pelo menos junto de Eduardo Moreira, que também já presidiu o Conselho das Comunidades Portuguesas no Rio de Janeiro.
“Em Cabo Frio residem no máximo 20 portugueses, não faz sentido abrir aí um consulado e encerrar o de Santos, onde habitam cerca de 15 mil pessoas [na verdade passam de 30 mil] com ligações a Portugal”, disse. Na Bahia, a jornalista Eulália Moreno lembrou que o jornal “O Globo”, do Rio de Janeiro, fez questão de referir que ambos os acusados [Laurentino e Licínio], eram financiadores do Partido Socialista no Brasil, no entanto o secretário nada sabe. “E o ‘Braguinha’ também não sabe que está com a sua presença prestigiando um encontro da dita Imprensa Regional organizado pelo ‘medalhudo’ Aníbal Araújo, de Oliveira de Azeméis, a mesma terra dos detidos? E ele também não sabe que aqui em Salvador os jornalistas idôneos presentes estão cansados de saber que este encontro foi patrocinado pelos manos, hoje detidos?”, interpela a jornalista. Eulália ainda garantiu que o “Expresso” está vasculhando mais informações e completa: “o José Cesário que não se fique a rir porque a hora dele também está chegando”. “E por onde andará o Eduardo [?], o diretor do Primeiro de Janeiro que era o que mais se governava com a imprensa dita regional já que nas gráficas de sua propriedade eram impressos milhares de jornalecos folha de couve e paroquiais que se governavam com o ‘porte pago’ forjando tiragens que nunca tiveram? Esse era do PSD, mas transitava por todos os partidos. Até conseguiu um terreno magnífico na Boa Vista, da cidade do Porto, alegando que ali seria construída a sede do Primeiro de Janeiro, o jornaleco que nunca pagou aos seus profissionais da informação”, denuncia Eulália. Ainda de Salvador, Eulália disse ter-se encontrado com várias “personalidades” e, segundo ela, a maioria delas com ar de “não me comprometa”. A jornalista diz ainda que, “em declarações ao jornalista da Lusa que também está aqui à custa do contribuinte português, o secretário das Comunidades, Antonio Braga, à boa maneira do que se diz no Minho, de onde é originário, ‘fugiu com o rabo à seringa’ quando foi interpelado acerca do processo da ‘Máfia das Sentenças’. Ai, ai, ai que isto ainda vai parar no escândalo do ‘BragaParques’, passando pelos financiadores do Partido Socialista no Brasil, os manos Licínio e Laurentino que se encontram devidamente encarcerados no Rio de Janeiro acusados de envolvimento nos negócios dos bingos”. E encerra seu comentário com ironia: “Abraço, do Congresso Faz de Conta da UNIR, em São Salvador, Bahia, Eulália Moreno”. A Agência Lusa por sua vez publicou em 4 de maio que o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Antônio Braga, “não conhece” os portugueses supostamente envolvidos no esquema de venda de sentenças judiciais desbaratado pela Polícia Federal na Operação Hurricane. Segundo a Lusa, Braga assegurou não ter “qualquer relação” com as acusações que são feitas pelo semanário português “Expresso”. “Não conheço nenhum desses protagonistas. Nunca tive nenhuma relação, a qualquer nível, com as referências que são feitas. Portanto, fico deveras admirado”, disse à Agência Lusa Antônio Braga, que se encontra em visita ao Brasil, em Salvador.O secretário, um dos três vice-ministros das Relações Exteriores de Portugal, ressaltou que a notícia da versão on-line do Expresso “não tem nenhum sentido”, acrescentando que já fez as mesmas declarações ao próprio Expresso. A Operação Hurricane, deflagrada no último dia 13, levou à prisão vários juízes, advogados e empresários, entre os quais os portugueses Licínio Bastos e Laurentino dos Santos, pelos motivos já expostos.»