Má sorte a dos madeirenses, em cima de quem caiu o «poder de deus» que, mais uma vez, veio demonstrar que, a existir, não é perfeito.
O comendador Berardo deu a entender que houve milagre, porque se destruir uma capela mas se salvou uma nossa senhora.
O Presidente da República, abalado como todos nós, foi à televisão apresentar as condolências que, seguramente, todos nós queriamos apresentar aos familiares das vitimas. O Governo voou para a Madeira e vai reunir amanhã para decretar um luto nacional de três dias.
Nem Chavez a Juan Carlos se callaram e ofereceram apoio às vitimas, no que foram seguidos pelo Benfica. O Banif, que é um banco madeirense, já abriu uma conta e começaram a multiplicar-se os apelos à solidariedade que se tem traduzido não só em pedidos de dinheiro como na rejeição da oferta de bens.
É o novo estilo da solidariedade, chocantemente transformada em indústria.
A indústria da solidariedade (que, por regra, gera enormes lucros e desfalques) já está em marcha, sem que se veja, mais uma vez, um simples sinal de controlo.
Estamos com um elevadíssimo número de desempregados e ninguém se lembrou de que eles poderiam ser a base para um projeto de voluntariado, visando a reconstrução da Madeira, pagos com um justo salário sem acumulação de mais valias.
Há pessoas que não têm dinheiro mas que estariam dispostas a desfazer-se de alguns dos seus bens, para ajudar os seus compatriotas, como sempre se fez em situações de catástrofe. Mas isso não é, nos nossos dias, politicamente correto., porque desprotege os negócios que uma catástrofe sempre potencia.
Vamos a ver como será...
domingo, fevereiro 21, 2010
Pouca vergonha
Sem comentários...
Um texto de Eugénio Rosa:
Orçamento do Estado para 2010
Um texto de Eugénio Rosa:
Orçamento do Estado para 2010
A EVASÃO E A FRAUDE FISCAL EM PORTUGAL EXPLICAM MAIS DE 3 000 MILHÕES DE EUROS DO DÉFICE DE 2009, E NÃO VAI DIMINUIR EM 2010
O GOVERNO CONGELA OS SALÁRIOS DOS TRABALHADORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MAS INSCREVE NO ORÇAMENTO 1. 319 MILHÕES € PARA ADQUIRIR SERVIÇOS A PRIVADOS
No quadro seguinte estão a verbas inscritas nos orçamentos dos diversos serviços e fundos autónomos do Estado destinado a aquisição de serviços a privados em 2010 Um discurso muito repetido pelo governo e por toda a direita é a necessidade de conter despesas do Estado. No entanto, essa contenção não se verifica em relação a despesas que beneficiam privados. A prová-lo está a inscrição no OE2010 de 1.318,9 milhões € apenas para aquisição de estudos, pareceres, projectos, assistência técnica, trabalhos especializados e outros serviços, ou seja, trabalhos que muitos deles podiam ser feitos por trabalhadores da Administração Pública.
Divulgar este estudo é contribuir para que a crise não seja utilizada para justificar tudo.
Eugénio Rosa – Economista – Mais estudos em http://www.eugeniorosa.com/
Tristezas e felicidades
Estou muito triste com o que está a acontecer em Portugal, mas não escondo um imensa felicidade por ter tomado, no dia 5 de Maio de 2005 a decisão de me demitir do Partido Socialista, do qual era militante desde 1975 .
Foram 30 anos em que acreditei que a democracia representativa passava, essencialmente, pelos partidos políticos, crença que fui perdendo progressivamente e cujas paredes desabafaram para mim, de forma irrecuperável, naquele dia.
No mesmo dia tomei uma outra decisão: a de que nem eu nem os meus colegas de escritório prestariam, doravante, quaisquer serviços ao Estado ou quaisquer entidades públicas.
Tenho seis filhos, nunca imaginei poder deixar-lhes uma fortuna, mas sempre ambicionei construir um património ético que os possa orientar na vida. E foi isso que me motivou a sair do único partido político em que militei durante 30 anos e a decidir não prestar, em nenhumas circunstâncias, serviços ao Estado ou a entidades públicas.
Era para mim claro que avançávamos a passos largos para um crise financeira sem precedentes, justificada pela vigarice generalizada relativa ao novos produtos que inundaram os mercados de capitais, pela má gestão dos dinheiros públicos e pelo artificialismo das principais políticas.
Já pressentia isso durante os governos precedentes e tinha alguma esperança de que um governo do PS pudesse mudar alguma coisa. Mas cedo me apercebi de que, tomado o poder, nada mudara para além das moscas, como se, para além dos partidos – ou independentemente dos partidos – existisse (como existe) uma classe política que tem como elemento essencial de coesão a falta de vergonha e a falta de seriedade.
A falta de vergonha e a falta de seriedade são os melhores catalisadores da ousadia que talvez seja a mais determinante qualidade para a tomada do poder.
Indivíduos sem nenhuma qualificação para ocupar cargos de direção intermédios podem chegar a ministros se tiverem ousadia e se se associarem a outros indivíduos com idênticas qualidades.
A partir deles gera-se uma cadeia de desvergonha e de falta de seriedade que corrói o país, com a cobertura da comunicação social e de oposições que, pela lógica do próprio sistema, tem pessoas da mesma laia, à espera da sua oportunidade.
O Estado ganhou uma opacidade que o torna, a ele próprio, suspeito. E por isso mesmo, não trabalhar para o Estado ou para entidades ou empresas públicas é, para quem o possa fazer, uma medida de higiene elementar.
Estou feliz por ter tido a coragem de fugir dessa engrenagem. Morreria de vergonha se o meu nome andasse nos jornais como anda o de alguns colegas, acusados de coisas horríveis na praça pública, alguns deles pela simples razão de que se encostaram a entidades onde a teia das máfias e a falta de verticalidade das pessoas geram situações inaceitáveis.
Instalou-se neste país a ideia de que ninguém vai preso.
Houve a exceção do Abílio Curto, é certo, talvez mas tentar mostrar que há justiça. Houve a exceção do Oliveira Costa, com aquele sabor a bode expiatório, que resulta do simples facto de ser membro de um órgão coletivo e de todos os outros terem ficado à solta. Mas a ideia geral é a de que se vive no país um ambiente de completa impunidade e de uma absoluta falta de transparência que a protege por sistema, só abalada de vez em quando por uma qualquer luta tribal como aquela a que estamos a assistir.
Não tenho grande consideração por José Sócrates, a respeito de quem já escrevi coisas bem desagradáveis. Nunca votei nele, porque não votei nas duas últimas eleições.
«Parece que foi ontem a virada do século e já passaram cinco anos.
Os meu filhos cresceram e eu amadureci.
Portugal continua a ser o país mais corrupto da Europa e eu sinto-me um marginal feliz, um conservador relapso, que insiste em não embarcar nessas modernices que sangram esta desgraçada nação.
Este ano perdi vários amigos da minha geração, essencialmente por isso: porque não suportam o que eles qualificam como a minha «malvada língua». Não importa: como amigos destes não vale a pena ter inimigos.
Finaram-se alguns dos mais velhos, de quem guardo gratas recordações, como é o caso de Emídio Guerreiro. Ganhei outros, de quem não deixo o nome, para os não os marginalizarem, também.
Outros passaram a olhar-me de soslaio, como seu eu fosse um polícia ou um inspector de uma coisa qualquer, quando me limito a ser um crítico.
Ainda num dia destes um desses se mostrou agastado quando, numa roda de amigos e conhecidos, questionei a política de comunicação da PT, a propósito dos negócios do sector de media e venda da participação na UOL.
A PT fez passar para os jornais a ideia de que foram fabulosos negócios, nomeadamente o da UOL, que lhe terá permitido realizar um lucro de 165 milhões de euros. Já ninguém se lembra que a participação da PT na UOL resulta da integração da ZipNet na companhia e que a ZipNet custou a módica quantia de 400 milhões de dólares, dos quais 50 milhões para pagamento a advogados e consultores.
Já ninguém se lembra, tampouco, de quanto custou a Lusomundo e é importa que tudo isso seja esquecido, para que os otários não voltem para a rua questioner a competência dos gestures e a limpeza dos negócios.
Um dos dramas deste país está em que a sua riqueza se esvai de um lado na corrupção e de outro na especulação e no engano dos investidores, sem que aconteça o que quer que seja.
Foi uma surpresa para mim a qualidade de José Sócrates como primeiro ministro. Mas todo o terreno está minado à sua volta. Por mais que ele queira é quase impossível dar a volta a isto.
E se Cavaco ganhar vai ser o fim: é o bloco central de interesses na sua melhor forma e o fim da ética como referencial na política, a benefício de um economicismo que apenas permitirá o enriquecimento dos grandes e de uma teia de oportunistas sem ética e sem escrúpulos que aproveita os benefícios do «centro».
É que a corrupção de que falo não tem nada de ilegal, bem pelo contrário.
Pagar 1.000 pelo que vale apenas 500 só se justifica por via de uma actividade corrupta; mas é de uma dificuldade extrema provar onde esta corrupção existe, porque ela respeita, de um ponto de vista formal, todos os requisitos legais.
Vimos o que aconteceu com a formação profissional, área em que se gastaram milhões sem nenhum resultado.
Ouvimos agora falar de negócios milionários, também eles absolutamente regulares, mas em que é impossível deixar de pensar que alguém está a ganhar muito dinheiro de forma legal mas eticamente reprovável.
Ainda recentemente o Tribunal de Contas publicou um relatório sobre a reforma consular que indicia, de forma espantosa, comportamentos deste tipo. Mas não acontece nada, porque a fronteira entre a má gestão e a corrupção é difusa e a má gestão não é punida.
O Plano Tecnológico promete ser fonte da nova onda de práticas corruptas.
São milhões de euros e ninguém parece interessado em que se implemente um sistema de auditoria rigoroso que anule esta sangria de recursos.
Há negócios que se situam no plano da burla pura e simples, mas não há sensibilidade para os censurar, em boa parte por ignorância das tecnologias que envolvem as realidades.
Campo fértil dessas realidades é o da informática, onde, de vez em quando, constatamos que se gastaram milhões em operações que não valem sequer centenas.
Nuns casos tudo terá acontecido por mero desconhecimento dos responsáveis. Mas noutros estamos perante vigarices no seu estado mais puro.
Nem se diga que o know-how justifica tudo. Hoje o know how é muito aberto e é determinável, com rigor, o tempo útil que um programa demora a construir, sendo, por essa via determinável o seu custo razoável.
Parece, porém, que essa e outras transparências não interessam. Como não interessa nem a transparência e a facilidade dos concursos, que continuam bloqueados com mecanismos indutores de concorrência desleal.
Uma empresa nova mas sem histórico pode ter a melhor tecnologia e o melhor pessoal, mas não conseguirá fazer nada perante a burocracia do Estado se não tiver «histórico» ou não tiver uma grande cunha.
Há vícios que não são apenas estruturais. São estruturantes…
Muitos passam, infelizmente, pelos escritórios dos advogados, a coberto de um conceito ultrapassado de segredo profissional.
Há quem sustente (e é política oficial da Ordem dos Advogados) que o segredo abrange a lista dos clientes de cada advogado, nomeadamente porque a respectiva divulgação prejudicaria os profissionais colocados em pior posição, servindo de instrumento de propaganda dos que estão melhor no mercado.
É um argumento absolutamente falacioso.
O que é importante, na sociedade dos nossos dias, é que o público possa verificar ele próprio a existência de conflitos de interesses, por via de um registo que deveria incluir não só o nome dos clientes como os assuntos tratados quando eles, de algum modo, impliquem uma relação com o Estado ou com uma entidade pública.
Ainda recentemente uma conhecida advogada dizia numa entrevista a um jornal que a sua sociedade tem relações privilegiadas com um conjunto de câmaras municipais e que isso a qualifica, de forma especial, para assistir os particulares que tenham relações jurídicas com tais câmaras. É, obviamente, um raciocínio perverso e completamente viciado. Como é possível sugerir que alguém que tenha um litígio com uma câmara possa confiar no advogado que presta serviços à própria câmara?
Os contratos de advogados com entidades públicas deveriam ser mesmo públicos, para que todos os possamos auditar.
Porque foram celebrados com aqueles advogados e não com outros?
Se se invoca experiência e qualidade na prestação de serviços, onde está ela?
Todos temos o direito de saber, ou este país continuará a ser um país de compadres.
É uma vergonha o que se está a passar, com escândalos escarrapachados todos os dias nos jornais, envolvendo gente que passou ou está na política.
Não faz nenhum, mesmo nenhum sentido, que um advogado que queira dedicar-se à política possa continuar a advogar enquanto é deputado. Mas, sobretudo, é chocante que dele não haja um registo público de interesses que permita aos cidadãos saber que relações têm que possam ser beneficiadas pela sua actividade política.
Ou José Sócrates tem a coragem de mexer destas coisas ou acabará por ser sufocado por esta pouca vergonha.
O perigo está no bloco central de interesses que se consolidará, de modo fortíssimo, se Cavaco Silva ganhar as eleições. Por isso até há pessoas no PS a quem incomoda a ideia de Mário Soares vir a vencer.
O objectivo principal de 2006 deveria ser o de tirar Portugal do topo dos países corruptos na Europa.»
Passaram quase cinco anos e o texto continua absolutamente atual, com a única diferença de que hoje escrevo no português moderno e antes escrevia no português antigo.
Lastimavelmente, há texto que, lidos depois, como lemos este, têm o sabor de profecias.
É para mim inequívoco que José Sócrates está a ser alvo de uma campanha demolidora que o ataca, essencialmente, no plano do caráter. O que, verdadeiramente, caracteriza essa campanha é que ela é uma campanha ad hominem, assente em suspeitas que não ataca nada de essencial das políticas, mas o procura destruir a ele (nem sequer ao governo) a golpes de bisturi, como se pretendesse não a instauração de uma nova ordem, mas apenas a substituição de alguns atores nesse teatro mafioso a que pacificamente nos habituamos.
Tudo indica que estamos a assistir apenas a uma espécie de reorganização da companhia, quando a crise potencia uma maior «unidade» dos partidos do arco do poder (o bloco central alargado) e justifica uma redistribuição dos lugares dos boys & girls das diversas cores.
José Sócrates, muito provavelmente, não vai resistir até porque tem anticorpos no seu próprio partido, desejosos de que ele parta. Mas nenhum indício há de que, se isso acontecer, alguma coisa mudará.
Tudo continuará na mesma… Porque convém.
Não imaginam o prazer enorme que é poder dizer que nada temos a ver com essa canalha.
sábado, janeiro 02, 2010
Perguntas sem resposta
Perguntas sem respostas...
Reproduzo, no estado em que as recebi:
«1- Por que é que a secretaria da saúde, Kathleen Sebelius, assinou um decreto dando total imunidade jurídica aos fabricantes de vacinas contra a gripe H1N1, em caso de perseguição jurídica (por parte das vitimas dessas vacinas, seja por Efeitos secundários indesejáveis, seja por falecimentos)? Isto não
parece mais uma licença para matar?
2- Por que, Madame Bachelot (ministra da saúde em França) pediu no inicio de Fevereiro de 2009, a um grupo de advogados constitucionais, um memorando sobre a seguinte questão: a instituição de um plano de vacinação para toda a população seria ilegal e inconstitucional? Ao que os especialistas reponderam, garantindo que uma situação excepcional e um estado de emergência sanitária justificava amplamente a remoção de todas as liberdades pessoais!
3- Por que que a OMS modificou, no dia 27 de Abril de 2009, a sua definição de pandemia? Antes, para declarar uma pandemia, os requisitos eram muito mais exigentes! Agora, basta que a doença seja identificada em dois países de uma mesma zona OMS!
Fonte: http://www.who.int/csr/disease/influenza/pipguidance09FR.pdf (ver pag. 13 do pdf e as explicações nas paginas seguintes)
4- Como é possível que a patente da vacina contra a gripe suína (H1N1) tenha sido apresentada em 2008 (muito antes da aparição do vírus desaparecido desde da famosa epidemia da gripe espanhola, em 1918)?
Fonte:
5- Por que obra do destino o presidente francês Sarkozy teve a intuição de ir assinar um contracto de investimento de um montante de 100 milhões de euros, no dia 9 de Março de 2009, para a construção de uma fabrica de produção de vacinas contra a gripe? E imagine onde! No México, precisamente
onde nasceu a gripe suína!
6- Por que, que nenhuma mídia e nenhum especialista nos diz que a gripe normal mata a cada ano entre 250.000 e 500.000 pessoas, ou seja, mais de 1.000 mortes por dia (são os números oficiais da OMS)?
Fonte: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs211/en/index.html (veja no texto por baixo de seasonal epidemics)
7- Por que, que toda a imprensa mundial diz repetidamente que o vírus da gripe A irá provocar uma batolada de mortes, quando os factos demonstram que não passa de uma gripezinha (muito menos grave que a gripe normal) que fez apenas 2.000 mortes em mais de 5 meses? A gripe normal faria, no mesmo espaço de tempo, 200.000 mortes !
Fonte: http://www.who.int/csr/don/2009_09_18/en/index.html (na tabela podemos ver 3.486 mortes até 13 de Setembro. Um numero ridículo comparado com a gripe sazonal (devo relembrar que o hemisfério sul está a sair do inverno! Deveríamos ter tido milhões de mortes na Argentina, no Chile, no Brasil e na Austrália, segundo as previsões da OMS! Onde é que eles estão?)
8- Por que, apesar destes números de mortalidade insignificantes (2.000 em vez de 200.000), a maior parte dos países fizeram encomendas monstruosas para centenas de milhões de doses de vacinas desde o mês de Junho de 2009?
Fonte: (Não é preciso, isso deu todos os dias nos telejornais. Apenas para relembrar, Portugal: 6 milhões de doses, França 94 milhões de doses, Canadá 50,4 milhões de doses, E.U.A 195 milhões de doses, Brasil: 40 milhões de doses e etc.)
9- Portanto, para quê tomar medidas excepcionais este ano, visto que a gripe é menos virulenta que os outros anos? Quais são os fatos que justificam tais decisões quando não existe nada de especial? Porquê as leis de emergência (lei marcial) já foram aprovadas na maioria dos países (sem revelar o
conteúdo)?
10- Por que o exercito americano foi implantado em todo o território dos E.U.A ?
Fonte: http://www.progressive.org/wx081209b.html (Este artigo menciona que o Pentágono quer aumentar o número dos seus efectivos para cerca de 400.000 no terreno. Mas a maioria dos militares já estão implantados).
11- Para quê mais de 800 campos de concentração foram instalados nos Estados Unidos, estes últimos anos (por enquanto, estão vazios)? Porquê que eles são geridos pela a FEMA (Federal Emergency Management Agency), que actua nas grandes catástrofes do território (como no furacão katrina)?
http://www.youtube.com/watch?v=1qQ4iFI5Np8&feature=player_embedded (este ultimo vídeo já foi removido (censura), só podia! Mas dizia o seguinte: Neste vídeo You Tube, uma mulher que pretende ser um soldado, explica como ela participou num exercício de repetição na Califórnia, praticando a colocação de barreiras e postos de controle, de modo que as autoridades possam verificar quem recebeu a vacina contra a gripe suína. Aqueles que tenham sido vacinados serão equipados com uma bracelete munida de um chip RFID, a fim de ser localizados e monitorados. Para aqueles que não tomaram a vacina, será lhes oferecida no local, caso continuem a recusar, eles serão transportados para um campo de internamento, de acordo com este testemunho.)
Fonte:
12- Por quê que nos escondem que em 1918, foram as pessoas vacinadas que morreram de gripe espanhola, e não as não vacinadas? Isso quer dizer que elas foram mortas pela a vacina e não pela a gripe?
13- Por que nos escondem que todas as epidemias do século 20 foram provocadas por campanhas de vacinação ?
Fonte: http://www.vaccinationdebate.com/web2.html (uma de muitas fontes)
14- Por que é que autorizam a adição de esqualeno na futura vacina contra a gripe H1N1, quando esse adjuvante foi explicitamente reconhecido como responsável pelo o síndrome da Guerra do Golfo que, adoeceu 180.000 GI?s (25% dos soldados) após a injeção da vacina contra o anthrax? Saiba que o
esqualeno foi proibido por um juiz federal em 2004!
15- Por que 50% dos médicos ingleses recusam-se a tomar a vacina contra o H1N1, será que eles não confiam no procedimento de preparação?
Fontes:
16- Por que nos apresentam o Tamiflu como um antiviral eficaz, quando todas as campanhas de utilização deste produto foram catastroficamente ineficazes? Mais, este medicamento provoca desordens psicológicas e neurais, provocando em alguns casos suicídios dos consumidores!
17- Por que que as autoridades sanitárias, que supostamente querem o nosso bem estar e protecção, autorizam que um novo tipo de vacina (segundo suas palavras) seja testado directamente em centenas de milhões de cobaias (ou seja, nós), sem que os protocolos normais de comercialização sejam respeitados, e sem nenhuma garantia de segurança da dita vacina ?
Fonte:
Para quê estas manobras todas? Quem está por trás disto?
A instauração de uma NOVA ORDEM MUNDIAL, com um único governo (ditador, claro!), será que já ouviu falar disso? Não? Então está com umas décadas de atraso na sua informação. Sinto muito pelo choque, para alguns. Mas isto está a acontecer agora. Tudo está pronto. Só faltava um pretexto para aplicar as leis marciais e a carta será jogada! E esse pretexto é uma pandemia mediática que precipitará o publico para as vacinas que ele verá como salvador, mas na verdade será essa arma biológica que acabará com ele (o público).
Repito. Esta vacina não tem nada a ver com as vacinas que conhecemos até hoje. É uma arma fabricada com a cumplicidade dos laboratórios. Não há nada a temer do vírus H1N1 (bastante contagioso, mas pouco virulento). A Austrália que está no fim do inverno já fez o balanço. Poucas mortes (88 mortes para uma população de 20 milhões de habitantes), porque eles não tinham vacinas. Será para o próximo inverno (Junho a Setembro 2010) que haverá muitas, quando a vacina estará disponível para eles também.
Perca um bocado de tempo a examinar as fontes. E, quando a campanha de vacinação estiver em obra, pergunte-se uma coisa: A pessoa que acabou de morrer será que tomou a vacina? Será que tomou algum antiviral (tipo Tamiflu)? Se a resposta for sempre sim, então você saberá, com certeza, qual
foi a causa da morte.
Um padre croata avisa seus fieis: "A vacina H1N1 contém um microchip, e destruirá toda a humanidade"
As declarações do sacerdote Bustruk Miroslav foi tema de grande controvérsia na Croácia. Na verdade, ele convidou os croatas a recusarem a vacinação contra a gripe suína. Durante uma cerimónia religiosa, as palavras do Padre Bustruk causaram grande polémica na Croácia.
O que disse ele?
"Peço-vos para não se deixarem vacinar sob qualquer circunstância, contra a suposta gripe suína. O mundo é o objecto de um plano de destruição massiva da humanidade. Com essa vacina, veremos novas doenças surgirem em toda a parte", disse ao jornal croata Jutarnji List. "A vacina H1N1 é uma arma muito sofisticada, incluindo um microchip que irá controlar a saúde de todos os seres humanos", acrescentou. O padre Jure Zubovik veio dar apoio ao seu colega e acrescentou que as observações feitas pelo padre Bustruk são defendidas pela Igreja. Ele também disse que "algumas pessoas estão actualmente na prisão porque ousaram falar, e advertiram contra a vacina." O Vaticano planeia enviar um comunicado a todos os governos do mundo.
Saberemos mais nessa altura.»
sábado, dezembro 26, 2009
É tudo a sacar...
O maior problema das finanças portuguesas não está na divida pública nem no seu crescimento mas no facto de tal crescimento se dever a um desperdício intolerável e e à má gestão dos recursos públicos, que não trará nenhum retorno e só agravará a situação dos contribuintes.
Os apoios ao investimento reprodutivo são são reduzidos e de tal modo sinuosos que poucos recorrem a eles, seja para instalar uma unidade comercial ou industrial, seja para difundir um serviço. O que se vê, nas leis e na prática, são apoios a atividades de efeito reflexo duvidoso, que custam milhões de euros e alimentam uma cadeia de entidades que só existe, literalmente, para sacar.
Ainda num dia destes me caiu na caixa do correio a oferta dos custos de 40% de uma viagem a um país do Oriente, sem que me fosse pedida qualquer garantia de que eu estava efetivamente interessado em investir nessa região.
Os subsidios servem, na maior parte das situações, para encobrir o subemprego e têm um efeito terrivbelmente injusto no plano da concorrência. Há empresas que produzem, não desperdiçam e pagam tudo dos seus cofres, enquanto há outras que vivem à conta do Estado, acumulando dividas ao fisco e à Segurança Social sem que lhes aconteça o que quer que seja.
Os subsidios servem, na maior parte das situações, para encobrir o subemprego e têm um efeito terrivbelmente injusto no plano da concorrência. Há empresas que produzem, não desperdiçam e pagam tudo dos seus cofres, enquanto há outras que vivem à conta do Estado, acumulando dividas ao fisco e à Segurança Social sem que lhes aconteça o que quer que seja.
Dramático é que vamos seu nós, contribuintes, a pagar todas essa asneiras e outras que ninguém denuncia.
Por exemplo: é por demais evidente que na situação atual não interessa ao Estado comprar o que quer que seja pelo menor preço, porque, com isso, se prejudica a ele próprio, uma vez que não arrecada tanto imposto.
Por mais paradoxal que seja, há n contratos onde as coisas são vistas ao contrário. Não há preocupação pela poupança decorrente de uma compra por mais baixo preço, mas preocupação em que o negócio gere lucros, de forma a incrementar a receita.
Coisa mais artifical que esta é dificil de encontrar.
A justificação está no título: é tudo a sacar...
sábado, dezembro 19, 2009
Uma acusação injusta...
Tem momentos em que se é preso por ter cão e preso por não ter cão.
Meia dúzia de amigos picou-me para que eu refletisse sobre se deveria ir ao jantar comemorativo da Câmara de Comércio Portuguesa, de São Paulo, alegando que era um escândalo que o preço do jantar fosse superior ao salário mínimo e que maior escândalo era ainda que só fosse assim porque o Presidente Lula estava presente.
Sou especialmente tolerante no Brasil, que é um país de que eu gosto muito mas que não é o meu país.
Havia esses argumentos e outros e acabei por decidir não ir e por escrever uma prosa neste blogue, que foi lida por meia dúzia de amigos em Brasília.
Agora tenho alguns dos outros a acusar-me de lhes ter estragado o jantar, porque só pagaram aquele valor na expetativa de poderem tirar uma fotografia ao lado do presidente.
Juro que não tenho nada a ver com a não presença de Lula no jantar.
Aliás, ao que apureir, já se sabia mais de uma semana antes que, com grande provabilidade, ele não iria.
sexta-feira, dezembro 11, 2009
Drones e «guerra justa»
O meu amigo José Fontão, um capitão de Abril, mandou-me esta excelente peça sobre os «drones»:
Ver filme
«Vejam no anexo como é a guerra moderna.
Os aviões sem piloto (Drones que são armados com bombas e foguetes ) estão no Afeganistão. Os pilotos estão nos Estados Unidos (Colorado), voando por controle remoto e vendo tudo o que se passa à sua frente.
Somente cento e poucos dos trezentos e poucos pilotos de caça formados pela USAF no ano passado foram voar realmente os aviões de caça. O restante recebeu treino em Drones e sentados, em algum lugar do Colorado, pilotam, real time, os Drones que estão a voar no Afeganistão.
" Controladores de Drones "
Estes controladores em Nevada, estão cada um "voando" remotamente um drone a milhares de milhas da zona de combate. A mão esquerda deles está no acelerador, controlando o motor do drone. Prestem atenção a todos os botões que executam várias tarefas sem precisar de retirar a mão do acelerador.
A mão direita está "voando" o avião. Bem vindos à ordem do novo mundo!
Isto é a parafernália da guerra moderna.
Cabeçalhos das notícias de hoje: Mísseis disparados de Nevada em um drone controlado matam líder do Talibã. Observem como é feito.
É impressionante o avanço tecnológico e a capacidade que ele confere aos EUA de gerir boa parte dos conflitos a partir do seu próprio território. Poderá parecer que esta superioridade é decisiva, mas não, e a prova é que estão agora a enviar mais trinta mil homens para o Afeganistão, fora outros contingentes.
Como homem da Infantaria, o que aprendi há mais de meio século, continua válido, o nosso papel na ocupação do terreno continua a ser imprescindível.
Como homem da Infantaria, o que aprendi há mais de meio século, continua válido, o nosso papel na ocupação do terreno continua a ser imprescindível.
Não deixa, porém de ser inquietante a superioridade cada vez maior do poderio militar americano, apesar de se viver já uma situação multipolar com a ascenção de outras potências regionais.
De um modo geral também confiamos na nova administração americana e Obama fez agora uma dissertação extraordinária e muito verdadeira, quer dos seus objectivos, quer das suas intenções.
De um modo geral confiamos nele, mas poderemos viver tranquilos para o futuro se Obama fracassar, do que já há sintomas inquietantes, ou tivermos réplicas graves da crise que lhe tirem o tapete, ou se o assassinarem, possibilidade nada remota?
O conservadorismo americano de sentido imperialista travado no Iraque, voltará à carga nuima situação dessas, tanto mais que do lado democrata há sectores que tambem gostam de policiar o mundo?
Que não nos faleça a esperança
José Fontão»
Ver filme
Uma questão de higiene...
Caiu-me na caixa do correio um convite para o jantar do 97º Aniversário da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, em São Paulo, em que figura como cabeça de cartaz o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
O jantar é na Hípica Paulista e o preço dos «convites» é de R$ 500,00 para os associados da Câmara e de R$ 600,00 para os demais.
Somos associados da Câmara e, por isso mesmo, beneficiaríamos de um fabuloso desconto de 16,6%, mas, pensando bem, decidi não participar no evento.
Se uma pessoa for a qualquer cabaret de luxo desta maravilhosa cidade de São Paulo, gasta isso, pela certa, e não conta com a presença do Presidente da República deste país maravilhoso, que é, para além do mais o presidente que foi eleito, até hoje em todo o Mundo, com a maior margem de votantes de sempre.
Talvez por isso mesmo se justifique a comparação, porque no nosso entendimento seria mais pornográfica a participação neste jantar do que num que, de semelhante, acontecesse em qualquer das mais famosas boates de programa paulistanas,
Uma câmara de comércio deve, antes de tudo, promover as relações económicas de acordo com critérios prudenciais de gestão. Não é razoável e toca as raias do saloio, a que aqui se chama brega, promover um jantar de homens de negócios (em que deve pretender-se a presença de bons gestores e não de pessoas que delapidem imprudentemente o património das suas empresas) por um preço que igual o salário mínimo no país.
Dá volta ao estômago de qualquer pessoa honesta participar num jantar com o presidente da república de um país pelo qual se pague um salário mínimo, tanto quanto muitos dos cidadãos que têm a sorte de ter emprego, neste país, ganham num mês. Mas a volta é ainda maior se pensarmos que esse presidente é um homem que veio da esquerda e que tem feito da luta contra as igualdades sociais uma bandeira.
Para além disso, participar neste ágape, que só tem este preço porque tem o Presidente Lula como cabeça de cartaz, é uma forma de aproveitamento desleal da imagem do mesmo, que Lula, um grande amigo de Portugal, não merece.
É absolutamente pornográfico o aproveitamento da presença do conhecido lider para fazer um negócio semelhante, no formato e nas dimensões, àqueles que algumas velhinhas organizam com a participação de gente do cinema para, alegadamente, arranjar fundos que permitam alimentar cães e gatos perdidos na rua, sem que disso se veja o resultado, porque depois do jantares eles continuam lá.
O registo, aqui e agora, deveria ser outro, especialmente neste tempo, tão propício ao desenvolvimento das relações económicas entre Portugal e o Brasil.
Uma vergonha, de que me demarco por simples razões de higiene política.
Por respeito para com os brasileiros e para com os portugueses.
sábado, novembro 14, 2009
A TAP continua...
O meu amigo Manuel Janeiro devia viajar para Fortaleza no passado dia 31 de Outubro.
Marquei-lhe uma reunião de negócios para as 21 horas desse dia no Hotel Grand Marquise.
O seu interlocutor esperou horas e acabou por não querer comparecer a uma outra reunião que tentei marcar.
Estava em causa um negócio da ordem dos 5 milhões de reais, muito vantajoso para o meu amigo.
Só que, antigamente, havia uma companhia aérea em que se podica confiar. E agora não há...
A TAP cancelou o voo do dia 31, porque, ao que parece não tinha clientes suficientes para Fortaleza.
Havia apenas, segundo o meu amigo, 13 pessoas. E por isso resolveram cancelar o voo e distribuir esta gente pelos diversos voos para o Brasil.
Já depois de feito o check-in (continua a má fé da TAP) informaram o Manel de que, afinal, o voo não ia para Fortaleza mas para Salvador.
Chegado a Salvador esperou 3 horas até que o mandassem para um hotel.
Pouco depois das 3 da manhã do dia seguinte, um taxista apareceu a procurá-lo para o levar para o aeroporto, iniciar nova saga.
Um voo para Recife e depois um voo para Fortaleza, onde o avião chegou às 8h40 do dia seguinte.
Isto chama-se irresponsabilidade e falta de respeito. E está a acontecer com demasiada frequência.
Depois de um período em que tudo parecia correr bem, esta administração da TAP parece determinada a estoirar com a companhia.
E eu digo: para bem de Portugal e do Brasil, que estoire o mais rapidamente possível, para ver se passam a ser mais fáceis as ligações entre os nossos dois paises.
Hoje, apesar de Lisboa estar mais perto de do Brasil do que qualquer outra capital europeia, é daqui que os voos são mais caros, mesmo que os passageiros viagem pela TAP.
Por isso é que os voos passaram a andar vazios, como este de Fortaleza, que teria 13 pessoasl.
Por mim, já decidi não volto a viajar na TAP para o Brasil.
Por uma questão de respeito por mim próprio, que não estou para ser tratado daquela maneira com que os brasileiros do exterior tratam os seus compatriotas. Como gado, porque eles não reclamam, são dóceis, aguentam tudo.
Petróleo: será que é tudo mentira???
Caiu-me na caixa do correio esta nova teoria.
Reproduzo-a, sem comentários, mas fico a pensar nela...
Foi-nos sempre dito que o petróleo é um combustível fóssil, que surgiu há 500 milhões de anos, tendo por origem a decomposição de plantas e animais mortos. Restos de organismos teriam sido aprisionados no fundo dos oceanos numa camada de lama e cobertos por outras camadas de solo, formando ao longo do tempo o petróleo.
Foi-nos sempre dito que a energia do sol é captada pelos seres vivos e que podemos libertar novamente essa energia armazenada há centenas de milhões de anos através da combustão do petróleo.
É-nos dito que as reservas de combustíveis fósseis, especialmente o petróleo, duram, no máximo, até cerca de 2060.
Outro factor, para além da extinção das reservas petrolíferas, é o momento em que a produção de petróleo atinge o seu cume, começando então a decrescer. Este ponto máximo da extracção petrolífera é chamado de "Peak-Oil" [Pico Petrolífero]. Como é em função deste pico que varia a oferta e a procura, este pode ter um papel crucial nos preços do petróleo.
O ponto máximo da extracção petrolífera ou "Peak-Oil" é o instante em que a taxa de extracção petrolífera atinge o seu máximo absoluto em todas as bacias petrolíferas. Este momento é alcançado quando tenha sido extraído metade de todo o petróleo passível de ser explorado.
O Pico Petrolífero
É afirmado que o ponto de extracção máximo já foi alcançado no passado e que vamos de encontro a uma crise energética. A prova desta esta afirmação, dizem-nos, é o aumento contínuo da cotação do petróleo, de 25 dólares o barril em 2002 para 134 dólares em 6/6/2008 (este artigo foi escrito nesta data).
O Pico Petrolífero
É afirmado que o ponto de extracção máximo já foi alcançado no passado e que vamos de encontro a uma crise energética. A prova desta esta afirmação, dizem-nos, é o aumento contínuo da cotação do petróleo, de 25 dólares o barril em 2002 para 134 dólares em 6/6/2008 (este artigo foi escrito nesta data).
Por este motivo, dizem-nos que a esperada lacuna energética deve ser suprida através de menor consumo e pela procura de outras alternativas, tal como energias renováveis. Devemos abandonar o petróleo o mais rapidamente possível, pois ele irá acabar em breve.
É-nos afirmado que o petróleo se formou há centenas de milhões de anos, que existe em quantidade fixa, e que quando tivermos extraído a última gota, terá acabado para sempre a era do petróleo.
Mas o que é que aconteceria se toda esta história não tiver nenhum fundamento e tudo não passar de uma lenda? O que seria se o combustível petróleo não fosse de origem fóssil, não proviesse de organismos extintos, mas fosse de outra natureza? E se o petróleo, afinal, existe em abundância e continua a ser formado ininterruptamente pela Terra? E se não existir nenhuma crise energética e nenhum "Peak-Oil"?
A afirmação de que haveria um ponto máximo na extracção do petróleo foi divulgada em pânico, já em 1919, embora nesse tempo ainda não se chamasse "Peak-Oil" (este é somente um novo rótulo).
Naquele tempo, foi afirmado pelos "especialistas" que o petróleo só chegaria para os próximos 20 anos. O que aconteceu na realidade? Desde então, a data do fim do petróleo foi sempre impelida para o futuro, e hoje, 90 anos depois, temos ainda petróleo, embora a extracção e o consumo tenham vindo a aumentar todos os anos.
O Petróleo Abiótico (não fóssil)
De onde veio, no fim de contas, a história de que o petróleo teria surgido de fósseis de organismos vivos e seria, portanto, biótico? O geólogo russo Mikhailo Lomonossov teve esta ideia pela primeira vez em 1757: "o petróleo surge de pequenos corpos de animais e plantas, enclausurados em sedimentos sob alta pressão e temperatura e transformam-se em petróleo após um período inimaginável".
Não sabemos que observações o levaram a afirmar isso, simplesmente esta teoria nunca foi confirmada e é aceita sem provas há mais de 200 anos e ensinada nas universidades.
A teoria da origem do Petróleo como resultado da decomposição de restos de de plantas e animais.
A teoria da origem do Petróleo como resultado da decomposição de restos de de plantas e animais.
Porém, nunca foram encontrados fósseis de animais ou plantas nas reservas de petróleo. Esta falta de provas mostra que a teoria do combustível fóssil é unicamente uma crença sem qualquer base científica. Os geólogos que espalham a teoria do combustível fóssil, não apresentaram ainda qualquer prova da transformação de organismos em petróleo.
Um dos elementos mais presentes sobre a Terra no nosso sistema solar é o carbono. Nós, seres humanos, somos formados em grande parte por carbono, assim como todos os outros seres vivos e plantas do planeta. E em pelo menos 10 planetas e luas de nosso sistema solar foram observadas grandes quantidades de hidrocarbonetos, a base para o petróleo.A sonda espacial Cassini descobriu, ao passar próximo de Titan, a lua de Saturno, que ela está repleta de hidrocarbonetos líquidos. Mas não havendo lá vida para produzir os hidrocarbonetos, estes devem ser fruto de alguma outra transformação química. Devido à sua particular configuração atómica, o carbono possui a capacidade de formar moléculas complexas e apresenta, entre todos os elementos químicos, a maior complexidade de ligações químicas.
Daily Telegraph - Lagoas de hidrocarbonetos no planeta Titan
Daily Telegraph - Lagoas de hidrocarbonetos no planeta Titan
Aqui na Terra, as placas continentais flutuam sobre uma inimaginável quantidade de hidrocarbonetos. Nas profundezas do manto terrestre surgem, sob determinada temperatura, pressão e condições adequadas, grandes quantidades de hidrocarbonetos. A rocha calcária anorgânica é transformada num processo químico. Os hidrocarbonetos que daí resultam, são mais leves que as camadas de solo e rocha sedimentares, e por isso sobem pelas fendas da Terra e acumulam-se sob camadas impermeáveis da crosta terrestre.
O magma quente é o fornecedor de energia para este fenómeno geológico. O resultado dá pelo nome de petróleo abiótico, porque não surgiu a partir da decomposição de formas biológicas de vida, mas antes por um processo químico no interior da Terra. E este processo acontece ininterruptamente. O petróleo é produzido continuamente.
Eis alguns dos argumentos mais relevantes que comprovam que o petróleo é de origem abiótica (não fóssil):
- O petróleo é extraído de grandes profundidades, ultrapassando os 13 km. Isso contradiz totalmente a tese dos fósseis, pois os restos dos seres vivos marinhos nunca chegaram a tais profundidades e a temperatura (elevadíssima) teria destruído todo o material orgânico.
- As reservas de petróleo, que deveriam estar vazias desde os anos 70, voltam a encher-se novamente por si mesmas. O petróleo fóssil não pode explicar este fenómeno. Só pode ser explicado pela produção incessante de petróleo abiótico no interior da Terra.
- A quantidade de petróleo extraída nos últimos 100 anos supera a quantidade de petróleo que poderia ter sido formado através da biomassa. Nunca existiu material vegetal e animal suficiente para ser transformado em tanto petróleo. Somente um processo de fabricação de hidrocarbonetos no interior da Terra pode explicar esta quantidade gigantesca.- Quando observamos as grandes reservas de petróleo no mundo é notório que elas surgem onde as placas tectónicas estão em contacto uma com as outras ou se deslocam. Nestas regiões existem inúmeras fendas, um indício de que o petróleo provém do interior da Terra e migra vagarosamente através das aberturas para a superfície.
- Em laboratório foram criadas condições semelhantes àquelas que predominam nas profundezas do planeta. Foi possível produzir metano, etano e propano. Estas experiências provam que os hidrocarbonetos podem formar-se no interior da Terra através de simples reacções anorgânicas - e não pela decomposição de organismos mortos, como é geralmente aceite.
- O petróleo não pode ter 500 milhões de anos e permanecer tão "fresco" no solo até hoje. As longas moléculas de carbono ter-se-iam decomposto. O petróleo que utilizamos é recente, caso contrário já se teria volatilizado há muito tempo. Isto contradiz o aparecimento do petróleo fóssil, mas comprova a teoria do petróleo abiótico.
Em 1970, os russos começaram a perfurar poços a grandes profundidades, ultrapassando os 13.000 metros. Desde então, as grandes petrolíferas russas, incluindo a Iukos, perfuraram mais de 310 poços e extraem de lá petróleo. No último ano, a Rússia ultrapassou a extracção do maior produtor mundial, a Arábia Saudita.
Os russos dominam a complexa técnica de perfuração profunda há mais de 30 anos e exploram inesgotáveis reservas de petróleo das profundezas na Terra. Este facto é ignorado pelo Ocidente. Os russos provaram ser totalmente falsa a explicação dos geólogos ocidentais de que o petróleo seria o fruto de material orgânico decomposto.
Nos anos 40 e 50, os especialistas russos descobriram, para sua surpresa, que as reservas petrolíferas se reenchiam por si próprias e por baixo. Chegaram à conclusão que o petróleo é produzido nas profundezas da Terra e emigra para cima, onde se acumula. Puderam comprovar isso através das perfurações profundas.Entretanto, nos anos 90, a Rússia estava de tal modo à frente do Ocidente na tecnologia de perfuração profunda, que Wall Street e os bancos Rockfeller e Rothschild forneceram dinheiro a Michail Chodorkowski com a missão de comprar a empresa Iukos por 309 milhões de dólares, a fim de obter o know-how da perfuração a grande profundidade.
Pode-se agora perceber por que é que o presidente Wladimir Putin fez regressar a Iukos e outras petrolíferas novamente para mãos russas. Isso era decisivo economicamente para a Rússia, e Putin expulsou e prendeu alguns oligarcas russos.
Entretanto, os chamados "cientistas", os lobistas, os jornalistas a soldo e os políticos querem que acreditemos que o fim do petróleo está a chegar, porque supostamente a produção já atingiu o seu pico e agora está a decrescer. Naturalmente, a intenção é criar um clima que justifique o alto preço do petróleo e com isso obter lucros gigantescos.
Sabe-se agora que o petróleo pode ser explorado praticamente em toda a parte, desde que se esteja disposto a investir nos altos custos de uma perfuração profunda. Qualquer país se pode tornar independente em matéria de energia. Simplesmente, os donos das petrolíferas querem países dependentes e que paguem caro pelo petróleo importado.
A afirmação de que existe um máximo na extracção de petróleo é, de facto, um golpe e uma mentira da elite global. Trata-se de construir uma escassez e um encarecimento artificial. Tudo se resume a negócios, lucro, poder e controle.
Aliás, é absolutamente claro para todos que o Iraque foi invadido por causa do petróleo. Somente, não foi para extrair o petróleo, mas, pelo contrário, para evitar que o petróleo iraquiano inundasse o mercado e os preços caíssem. Antes da guerra, o Iraque extraía seis milhões de barris por dia, e hoje não chega a dois milhões. A diferença foi retirada do mercado. Saddam Hussein ameaçou extrair quantidades enormes de petróleo e inundar o mercado.
Tal significou a sua sentença de morte, e por esse motivo o Iraque foi atacado e Saddam enforcado.
Agora os EUA têm lá tropas permanentemente. Ninguém tem licença para explorar o petróleo do país com a segunda maior reserva petrolífera do mundo. Por isso, o Irão, com a terceira maior reserva petrolífera do mundo, é agora também ameaçado por querer construir «armas de destruição massiva».
sexta-feira, novembro 13, 2009
A TAP é nociva para o país
É urgente que o Governo se liberte da TAP.
Ela prejudica o país e prejudica-nos a todos nós, que pagamos os seus incompreensiveis prejuizos.A TAP é uma das companhias mais caras do Mundo.
Atualmente, para além da perda de qualidade, lesa-nos todos os dias, na medida em que nos impede de viajar por preços razoáveis.
Alguns exemplos concretos e objetivos:
a) Para viajar de Lisboa para Nova Iorque é mais barato (quase metade) ir a Frankfurt e apanhar o avião da Lufthansa;
b) Para viajar para São Paulo, é mais barato ir a Nova Iorque (pagando um bilhete Lisboa-Nova Iorque e outro Nova Iorque São Paulo) do que voar direto para São Paulo.
Para além disso, é mais barato ir apanhar um voo da TAP a Londres e viajar de Londres, via Lisboa para São Paulo do que viajar direto de Lisboa para São Paulo.
Hoje, um voo de Londres para São Paulo pela KLM com regresso no dia 14 de Novembro custa 722,00 €. Se for pela TAP custa 1.348 €.
Um voo Lisboa-São Paulo pela TAP, para as mesmas datas, custa 1.573 € (pelo terminal A, que foi a mesma fonte em que recolhemos os dados anteriores.
Por mim vou deixar de viajar na TAP, até porque nos começaram a tratar muito mal.Vale a pena planificar com tempo e planificar bem escolhendo outras rotas para chegar ao destino.
Na minha próxima viagem paa São Paulo, viajo por Nova Iorque e ponto 300 € por relação ao voo direito Lisboa-São Paulo.
Lastimável é que a administração brasileira da TAP contribua para uma exploração tõ chocante dos emigrantes brasileiros na Europa, que são os principais utentes da companhia.
Nem os portugueses nem os brasileiros merecem ser tratados assim...
Acho que quando as contas forem devidamente auditadas... vai haver grandes surpresas.
Para já, importante é que o Governo se desfaça da TAP, para que possamos viajar à vontade a partir de Lisboa.
quinta-feira, novembro 12, 2009
Porque é que os jornais atacam os famosos (I)
Uma das coisas mais fantásticas do nosso tempo é a facilidade com que se consegue destruir alguém famoso ou próximo de um centro de poder.
O fenómeno não é novo, mas tem vindo a ganhar um sofisticação progressiva.
A primeira vítima, após o 25 de Abril de 1974, foi Edmundo Pedro. Um homem com um notável curriculum de luta contra o anterior regime, com mais de quinze anos nas prisões da ditadura, figura de topo do Partido Socialista, foi literalmente liquidado, com a conivência do seu próprio partido, após o lançamento na imprensa de notícias que o davam como personagem central de uma rede de contrabandistas.
Veio mais tarde a apurar-se que era tudo falso e que Edmundo Pedro, então administrador da RTP, limitava a sua ação ao cumprimento do dever cívico, que tinha assumido, de recolher as armas que os militares lhe haviam confiado para distribuir às hostes do Partido Socialista antes do 25 de Novembro.
As mais altas personalidades políticas do país tinha conhecimento desse facto e ninguém ousou falar a verdade.
Uns anos depois assistimos à liquidação de Duarte Lima. Uma fonte judiciária comprometida com o seu próprio partido colocou nas mãos de um jornalista de esquerda documentos que pareciam irrefutáveis para a prova de uma série de operações que implicavam movimentos irregulares de capitais e fuga ao fisco. O jornalista, de boa fé, publicou num jornal um conjunto de noticias que implicaram o fim político desse dirigente social-democrata.
Mais tarde tivemos o caso Casa Pia, que afetou terrivelmente o bom nome de Paulo Pedroso e que liquidou profissionalmente Carlos Cruz, uma das mais populares figuras da televisão portuguesa, no momento em que ele se preparava para coroar de glória e de fortuna o esforço que fez para a conquista por Portugal do Euro 2004.
Nenhum dos primeiros dois escândalos resultou em condenação para os acusados.
Edmundo Pedro, em vez de condenado foi absolvidos com louvores e, depois disso, muitos anos depois, como se se arrependesse da injustiça, o país tem feito a justiça de o reconhecer como um exemplo de político impoluto.
Duarte Lima não sofreu nenhuma condenação mas foi obrigado a fazer uma vida discreta, ofendido na sua honra e na sua imagem.
Paulo Pedroso, inocentado pelos tribunais superiores, tem procurado, sem nenhuma hipótese de sucesso, afirmar-se na luta política. Mas nunca ninguém lhe tirará o handicap que resulta do terrível envolvimento naquele estranho processo.
Carlos Cruz, se for julgado inocente, morrerá sem que a sua imagem seja reparada, porque é impossível reparar uma imagem tão marcada pela suspeita.
Que me lembre, houve apenas dois políticos, envolvidos em escândalos mediáticos, que compreenderam o que é a comunicação social. Um foi António Vitorino e outro foi Jorge Coelho.
António Vitorino foi acusado por um jornal de se ter furtado aos impostos numa operação de troca de uma propriedade, em termos que eram, na época, muito comuns e tolerados pelo fisco.
Desmentiu que tivesse fugido ao fisco e demitiu-se, porque percebeu que só o atacavam por ser ministro, residindo o problema nessa qualidade. Deixando de o ser, deixava de ser interessante para a comunicação social continuar o folhetim.
Jorge Coelho, quando alguns jornais suscitaram suspeitas relativamente ao seu ministério em matéria de negligência na conservação da ponte de Entre-os-Rios, foi mais longe e, antes que o acusassem, saiu do governo, usando o mesmo mecanismo de defesa.
As primeiras conclusões que estas observações importam são muito lineares.
Há uma relação permanente de tensão entre a comunicação social, o poder e a sociedade que conduz a que a relevância social que marca os factos que são notícia dependa, em alto grau, do poder dos protagonistas. O mesmo facto que seria notícia, durante dias e dias, se o ator principal é um agente do poder, deixa de o ser se ele deixar de sê-lo.
Dias Loureiro esteve no centro dos noticiários até se demitir do Conselho de Estado. Agora, apesar de lhe terem sido assacadas responsabilidades de milhões de contos, ninguém fala dele, como se já tivesse sido absolvido das acusações contra ele dirigidas.
No caso mediático mais recente, que envolve o nome de Armando Vara, ele foi cabeça de cartaz em todos os jornais e noticiários de televisão até ao dia em que se demitiu de vice-presidente do Banco Millenium. Depois disso ninguém terá interesse em atacá-lo e provavelmente entrará no esquecimento, porque deixou de estar numa cadeira de poder.
É notável o editorial de Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios de 4/11/2009:
«E ao fim de seis dias na fritadeira, Armando Vara pediu a suspensão do seu mandato no BCP. Sai pelo seu próprio pé. Depois de lhe terem posto um par de patins. Vara teve compreensão lenta: só percebeu ontem o que para todos era evidente há uma semana… Vara pode queixar-se do tribunal popular dos últimos dias. Da devassa da sua vida pela violação do segredo de justiça. Foi cilindrado, sem hipóteses de defesa, o que o próprio deixou agravar pela demissão tardia.»
Gostei especialmente da expressão «fritadeira» e da lembrança que ela nos traz do campo de concentração do Tarrafal; e não posso deixar de lhe associar a ideia, com que se fica depois da leitura do escrito, do gozo pessoal do jornalista relativamente à tortura a que aquele personagem foi sujeito.
Estamos, claramente, perante jogos de poder e este não é mais do que o gesto mimético de um vencedor, semelhante ao do outro soldado, que vimos há dias na televisão, a cumprir a missão histórica de disparar as duas rajadas de metralhadora que mataram o ditador Nicaolae Ceausescu e sua mulher Elena[1].
O sistema mediático constitui um poder autónomo, por relação ao poder político e ao poder judiciário, conluiando-se como um e com outro, conforme os interesses de circunstância. Mas, para além dos interesses particulares de cada grupo detentor de meios de comunicação, o sistema tem interesses próprios num mercado concreto e real que tem regras que, sendo embora muito próprias, não deixam de ser regras de mercado.
Uma delas, talvez a mais importante, é a de que a notícia é, antes de tudo, uma mercadoria, que deve ser adequada a satisfazer as necessidades dos consumidores.
Para a produção dessa mercadoria associam-se múltiplos fatores. Mas um dos mais importantes é, sem dúvida, o da qualidade dos atores da vida que são alvo da notícias.
Os atores da vida real que são famosos dão muito melhores noticias do que os cidadãos anónimos que, por regra, não são objeto de notícia, mesmo que mordam o seu próprio cão.
O fenómeno não é novo, mas tem vindo a ganhar um sofisticação progressiva.
A primeira vítima, após o 25 de Abril de 1974, foi Edmundo Pedro. Um homem com um notável curriculum de luta contra o anterior regime, com mais de quinze anos nas prisões da ditadura, figura de topo do Partido Socialista, foi literalmente liquidado, com a conivência do seu próprio partido, após o lançamento na imprensa de notícias que o davam como personagem central de uma rede de contrabandistas.
Veio mais tarde a apurar-se que era tudo falso e que Edmundo Pedro, então administrador da RTP, limitava a sua ação ao cumprimento do dever cívico, que tinha assumido, de recolher as armas que os militares lhe haviam confiado para distribuir às hostes do Partido Socialista antes do 25 de Novembro.
As mais altas personalidades políticas do país tinha conhecimento desse facto e ninguém ousou falar a verdade.
Uns anos depois assistimos à liquidação de Duarte Lima. Uma fonte judiciária comprometida com o seu próprio partido colocou nas mãos de um jornalista de esquerda documentos que pareciam irrefutáveis para a prova de uma série de operações que implicavam movimentos irregulares de capitais e fuga ao fisco. O jornalista, de boa fé, publicou num jornal um conjunto de noticias que implicaram o fim político desse dirigente social-democrata.
Mais tarde tivemos o caso Casa Pia, que afetou terrivelmente o bom nome de Paulo Pedroso e que liquidou profissionalmente Carlos Cruz, uma das mais populares figuras da televisão portuguesa, no momento em que ele se preparava para coroar de glória e de fortuna o esforço que fez para a conquista por Portugal do Euro 2004.
Nenhum dos primeiros dois escândalos resultou em condenação para os acusados.
Edmundo Pedro, em vez de condenado foi absolvidos com louvores e, depois disso, muitos anos depois, como se se arrependesse da injustiça, o país tem feito a justiça de o reconhecer como um exemplo de político impoluto.
Duarte Lima não sofreu nenhuma condenação mas foi obrigado a fazer uma vida discreta, ofendido na sua honra e na sua imagem.
Paulo Pedroso, inocentado pelos tribunais superiores, tem procurado, sem nenhuma hipótese de sucesso, afirmar-se na luta política. Mas nunca ninguém lhe tirará o handicap que resulta do terrível envolvimento naquele estranho processo.
Carlos Cruz, se for julgado inocente, morrerá sem que a sua imagem seja reparada, porque é impossível reparar uma imagem tão marcada pela suspeita.
Que me lembre, houve apenas dois políticos, envolvidos em escândalos mediáticos, que compreenderam o que é a comunicação social. Um foi António Vitorino e outro foi Jorge Coelho.
António Vitorino foi acusado por um jornal de se ter furtado aos impostos numa operação de troca de uma propriedade, em termos que eram, na época, muito comuns e tolerados pelo fisco.
Desmentiu que tivesse fugido ao fisco e demitiu-se, porque percebeu que só o atacavam por ser ministro, residindo o problema nessa qualidade. Deixando de o ser, deixava de ser interessante para a comunicação social continuar o folhetim.
Jorge Coelho, quando alguns jornais suscitaram suspeitas relativamente ao seu ministério em matéria de negligência na conservação da ponte de Entre-os-Rios, foi mais longe e, antes que o acusassem, saiu do governo, usando o mesmo mecanismo de defesa.
As primeiras conclusões que estas observações importam são muito lineares.
Há uma relação permanente de tensão entre a comunicação social, o poder e a sociedade que conduz a que a relevância social que marca os factos que são notícia dependa, em alto grau, do poder dos protagonistas. O mesmo facto que seria notícia, durante dias e dias, se o ator principal é um agente do poder, deixa de o ser se ele deixar de sê-lo.
Dias Loureiro esteve no centro dos noticiários até se demitir do Conselho de Estado. Agora, apesar de lhe terem sido assacadas responsabilidades de milhões de contos, ninguém fala dele, como se já tivesse sido absolvido das acusações contra ele dirigidas.
No caso mediático mais recente, que envolve o nome de Armando Vara, ele foi cabeça de cartaz em todos os jornais e noticiários de televisão até ao dia em que se demitiu de vice-presidente do Banco Millenium. Depois disso ninguém terá interesse em atacá-lo e provavelmente entrará no esquecimento, porque deixou de estar numa cadeira de poder.
É notável o editorial de Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios de 4/11/2009:
«E ao fim de seis dias na fritadeira, Armando Vara pediu a suspensão do seu mandato no BCP. Sai pelo seu próprio pé. Depois de lhe terem posto um par de patins. Vara teve compreensão lenta: só percebeu ontem o que para todos era evidente há uma semana… Vara pode queixar-se do tribunal popular dos últimos dias. Da devassa da sua vida pela violação do segredo de justiça. Foi cilindrado, sem hipóteses de defesa, o que o próprio deixou agravar pela demissão tardia.»
Gostei especialmente da expressão «fritadeira» e da lembrança que ela nos traz do campo de concentração do Tarrafal; e não posso deixar de lhe associar a ideia, com que se fica depois da leitura do escrito, do gozo pessoal do jornalista relativamente à tortura a que aquele personagem foi sujeito.
Estamos, claramente, perante jogos de poder e este não é mais do que o gesto mimético de um vencedor, semelhante ao do outro soldado, que vimos há dias na televisão, a cumprir a missão histórica de disparar as duas rajadas de metralhadora que mataram o ditador Nicaolae Ceausescu e sua mulher Elena[1].
O sistema mediático constitui um poder autónomo, por relação ao poder político e ao poder judiciário, conluiando-se como um e com outro, conforme os interesses de circunstância. Mas, para além dos interesses particulares de cada grupo detentor de meios de comunicação, o sistema tem interesses próprios num mercado concreto e real que tem regras que, sendo embora muito próprias, não deixam de ser regras de mercado.
Uma delas, talvez a mais importante, é a de que a notícia é, antes de tudo, uma mercadoria, que deve ser adequada a satisfazer as necessidades dos consumidores.
Para a produção dessa mercadoria associam-se múltiplos fatores. Mas um dos mais importantes é, sem dúvida, o da qualidade dos atores da vida que são alvo da notícias.
Os atores da vida real que são famosos dão muito melhores noticias do que os cidadãos anónimos que, por regra, não são objeto de notícia, mesmo que mordam o seu próprio cão.
[1] Quem não viu pode consultar o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=XKyO2G8kGM0
quarta-feira, novembro 11, 2009
Portugal está parado e distraido...
A primeira ideia com que se fica quando se chega a Portugal vindo do exterior, depois de uma mês de distância, é a de que o País está parado e completamente distraído.
A comunicação social diverte-se com estranhas histórias de corrupção, que talvez até não o sejam, para serem meras chacinas de pessoas, votadas por interesses ocultos de alguma oligarquia.
Agora, a vítima principal é um obscuro self-made man da política, que veio do nada e chegou na vice-presidente do segundo banco do país. E o que se discute – e para o país à hora dos telejornais – é uma bagatela de 10 mil euros, menos do que o homem ganha numa semana, recebida de um sucateiro que ele terá apresentado a alguns amigos.
Não alcanço, sinceramente, onde pode estar o crime, num país onde tudo gira em torno das amizades e das influências e onde não há normas que o proíbam.
As pessoas, em Portugal, conquistam lugares não pelo seu valor pessoal, mas pela capacidade que têm de influenciar negócios em razão das amizades que cultivaram. Nessa matéria, nenhuma regra mudou com o 25 de Abril, porque, tendo embora mudado os agentes do poder, não mudou o seu relacionamento com as pessoas nem o relacionamento das pessoas com eles.
Talvez uma das áreas mais escandalosas em que isso se verifica é da do mundo jurídico e, especialmente, da advocacia, por razões que são congénitas ao funcionamento do próprio sistema.
Um desgraçado de um contínuo que tire um curso de direito não pode inscrever-se na Ordem dos Advogados. Mas um deputado pode, passando por cima do mais elementar do sagrado princípio da separação dos poderes e sentando-se, ao mesmo tempo, nas cadeiras do executivo e do judiciário.
É por demais evidente que simultaneidade da qualidade de deputado de uma qualquer bancada parlamentar e de deputado e da qualidade de advogado potencia um conúbio mafioso de uma atividade pública com uma atividade privada e uma traficância de influências que nos choca mas que está institucionalizada.
No nosso mundo, há advogados talentosos, com anos de barra que não conseguem nunca passar da cepa torta de uma advocacia que se transformará, como a agricultura, em arte de empobrecer alegremente. Mas, como contrapartida, descobrem-se todos os dias jovens advogados que, por virtude do sangue, do conúbio ou, simplesmente da pertinância a um qualquer partido político, vêem ofuscado o seu analfabetismo pelas luzes da ribalta e da fortuna, acumulando milhões nos pareceres que vendem ou nos negócios que patrocinam.
Apenas porque estavam lá, porque se situaram, porque pertencem a uma família que o erário alimenta e que nós, contribuintes, pagamos.
É o sistema… Um sistema em que se multiplicam as leis porque legislar virou um negócio obscuro, em que se oculta inclusivamente a autoria, mas logo se anuncia à boca calada quem são os autores, para que eles possam sobre as ditas produzir opiniões. Um sistema em que tudo se mercadeja às escondidas, porque o segredo – até o profissional dos que se escondem sob o estatuto de advogado – é a alma do negócio.
Por isso mesmo, há muito que defendo, o retorno a um quadro de advocacia pública para a defesa do interesse público, devolvendo ao Ministério Público ou a entidade afim a defesa dos interesses do Estado, com completa proibição da contratação de advogados privados para o efeito.
Com isso ganharíamos todos e ganharia a livre concorrência em que muitos de nós ainda acredita.
No que respeita ao que chamam de corrupção – tema por onde comecei – só há um caminho: descriminalizá-la e sujeitá-la ao juízo ético, sobretudo, à reação das instituições, catalizada por uma comunicação social ainda mais ativa, que ouça todas as partes, em vez de ser um mero condutor de recados de um marketing judiciário perverso.
A comunicação social diverte-se com estranhas histórias de corrupção, que talvez até não o sejam, para serem meras chacinas de pessoas, votadas por interesses ocultos de alguma oligarquia.
Agora, a vítima principal é um obscuro self-made man da política, que veio do nada e chegou na vice-presidente do segundo banco do país. E o que se discute – e para o país à hora dos telejornais – é uma bagatela de 10 mil euros, menos do que o homem ganha numa semana, recebida de um sucateiro que ele terá apresentado a alguns amigos.
Não alcanço, sinceramente, onde pode estar o crime, num país onde tudo gira em torno das amizades e das influências e onde não há normas que o proíbam.
As pessoas, em Portugal, conquistam lugares não pelo seu valor pessoal, mas pela capacidade que têm de influenciar negócios em razão das amizades que cultivaram. Nessa matéria, nenhuma regra mudou com o 25 de Abril, porque, tendo embora mudado os agentes do poder, não mudou o seu relacionamento com as pessoas nem o relacionamento das pessoas com eles.
Talvez uma das áreas mais escandalosas em que isso se verifica é da do mundo jurídico e, especialmente, da advocacia, por razões que são congénitas ao funcionamento do próprio sistema.
Um desgraçado de um contínuo que tire um curso de direito não pode inscrever-se na Ordem dos Advogados. Mas um deputado pode, passando por cima do mais elementar do sagrado princípio da separação dos poderes e sentando-se, ao mesmo tempo, nas cadeiras do executivo e do judiciário.
É por demais evidente que simultaneidade da qualidade de deputado de uma qualquer bancada parlamentar e de deputado e da qualidade de advogado potencia um conúbio mafioso de uma atividade pública com uma atividade privada e uma traficância de influências que nos choca mas que está institucionalizada.
No nosso mundo, há advogados talentosos, com anos de barra que não conseguem nunca passar da cepa torta de uma advocacia que se transformará, como a agricultura, em arte de empobrecer alegremente. Mas, como contrapartida, descobrem-se todos os dias jovens advogados que, por virtude do sangue, do conúbio ou, simplesmente da pertinância a um qualquer partido político, vêem ofuscado o seu analfabetismo pelas luzes da ribalta e da fortuna, acumulando milhões nos pareceres que vendem ou nos negócios que patrocinam.
Apenas porque estavam lá, porque se situaram, porque pertencem a uma família que o erário alimenta e que nós, contribuintes, pagamos.
É o sistema… Um sistema em que se multiplicam as leis porque legislar virou um negócio obscuro, em que se oculta inclusivamente a autoria, mas logo se anuncia à boca calada quem são os autores, para que eles possam sobre as ditas produzir opiniões. Um sistema em que tudo se mercadeja às escondidas, porque o segredo – até o profissional dos que se escondem sob o estatuto de advogado – é a alma do negócio.
Por isso mesmo, há muito que defendo, o retorno a um quadro de advocacia pública para a defesa do interesse público, devolvendo ao Ministério Público ou a entidade afim a defesa dos interesses do Estado, com completa proibição da contratação de advogados privados para o efeito.
Com isso ganharíamos todos e ganharia a livre concorrência em que muitos de nós ainda acredita.
No que respeita ao que chamam de corrupção – tema por onde comecei – só há um caminho: descriminalizá-la e sujeitá-la ao juízo ético, sobretudo, à reação das instituições, catalizada por uma comunicação social ainda mais ativa, que ouça todas as partes, em vez de ser um mero condutor de recados de um marketing judiciário perverso.
quinta-feira, outubro 08, 2009
A lição da Diáspora
Foram ontem publicitados os resultados das eleições legislativas nos círculos da Diáspora.
Não sabemos quantos são os portugueses residentes fora do País.
Mas sabemos, da nossa experiência e do contacto permanente com os que residem fora de Portugal que, por regra, são mais atentos ao desenvolvimento da realidade portuguesa que o cidadão médio residente em Portugal.
É raro encontrar um português residente no estrangeiro que não nos coloque questões de grande atualidade relativamente à política portuguesa e à vida real em Portugal.
Os portugueses residentes no estrangeiro são, pelo menos 4 milhões, segundo as estimativas mais prudentes. Não se sabe, por razões obscuras, quantos têm identificação e passaporte e há números diversos sobre as inscrições consulares.
Sabe-se, porém, que foram enviados aos eleitores recenseados 166.707 boletins de voto, segundo informação da DGAI e que votaram apenas 26.000 cidadãos, com cerca de 3.000 votos brancos e nulos.
A taxa de abstenção foi, assim, de 84,4%.
Importa que nos questionemos sobre as razões de semelhante taxa de abstenção.
Adianto algumas:
a) Não houve notícia, nestas eleições, de operações de «caça ao voto», como as que ocorreram noutras eleições, de forma mais ou menos organizada. O caso mais conhecido ocorreu em eleições precedentes e teve como cenário um jantar no Rio de Janeiro, em que pessoas influentes pediram, publicamente, aos eleitores que lhes entregassem a cartas com os boletins de voto, pois que os administrariam da melhor maneira. Consta que os promotores foram subsidiados em razão dessa ação cívica. É obvio que a inexistência deste tipo de operações influencia a abstenção;
b) As comunidades no exterior amadureceram a têm hoje uma posição mais crítica, relativamente à política portuguesa, em boa parte por influência das gerações mais novas. Já ninguém atura o discurso paternalista e colonialista dos enviados de Lisboa, que só chegam nas vésperas das eleições;
c) Toda a gente hoje entende que os movimentos em torno das eleições na Diáspora têm, essencialmente, a ver com um certo tráfico de influências na disputa de lugares públicos, que vão desde a gestão dos professores até a gestão dos consulados;
d) Toda a gente já percebeu que os partidos políticos têm uma postura que é simultaneamente graxista e humilhante por relação aos portugueses imigrados. De um lado, adulam-nos como se fossem heróis de um passado que já não existe e, do outro, exploram-nos anulando-lhes a mera hipótese de escolherem candidados que, verdadeiramente, os possam representar.
As eleições na Diáspora só podem ser vistas como uma enorme fraude, que merece, justamente, como resposta a abstenção.
Não podendo os emigrantes indicar os seus candidatos, não faz nenhum sentido votar em candidatos impostos que, na generalidade dos casos, nada têm a ver com as comunidades da Diáspora, perante a quais se afirmam como pedintes de um voto sem sentido.
Parece-me indispensável proceder a uma profunda reforma do sistema eleitoral, visando a criação de condições de representatividade efetiva dos portugueses da Diáspora.
Em primeiro lugar, é isdispensável lançar uma grande campanha de recenseamento, que seja simultaneamente de recenseamento da população e dos eleitores, para que saibamos quantos somos e quantos temos direito de votar.
Em segundo lugar, é indispensável criar condições para que os emigrantes possam apresentar candidaturas independentes dos partidos políticos. Não nos parece sequer que se justifique que haja dois circulos eleitorais (um da Europa e outro de fora da Europa) devendo existir um circulo eleitoral único.
Em terceiro lugar, parece-nos essencial que o sufrágios seja uninominal, sem prejuizo de os candidatos poderem apresentar-se sob a legenda de um partido político.
Os partidos politicos não têm qualquer atividade que possa considerar-se minimamente séria nas comunidades da Diáspora. Os seus representantes aparecem esporadicamente, organizam uns almoços e têm por regra, todos, a mesma clientela.
Toda a vida das comunidades da Diáspora se desenvolve ou numa relação direta do indivíduo com a comunidade nacional, por via dos nos meios de comunicação ou no seio da associações, onde, por regra, os conflitos partidários não chegam, por prevenção da crispação.
A defesa dos interesses próprios dos portugueses da Diáspora não passa pelos partidos políticos, que não têm capacidades para os entender.
Passa por questões muito objetivas, relativamente às quais os cidadãos têm diferentes pontos de vista que, porém, não coincidem necessariamente com os dos partidos.
Estes continuam a ter uma visão saloia das comunidades da Diáspora e dos portugueses que, de forma isolada, sem inserção em comunidades locais, integram a nação, sem que esta lhes dê uma atenção mínima ou tenha por eles um mínimo de respeito.
É chocante a ignorância dos nossos políticos, que reduzem a sua visão aos aspetos folclóricos das comunidades do exterior, esquecendo o que elas têm de essencial, que é a maneira portuguesa de estar no Mundo.
Alberto da Ponte, o CEO da Sociedade Central de Cervejas, dizia recentemente numa entrevista:
«Nós não somos um país composto de 10 milhões de habitantes e sim de 14,8 milhões, dos quais 4,8 milhões vivem fora do território português, mas são tão portugueses como os outros. Apesar de continuarem a viver lá fora continuam muito agarrados aos valores e à tradição do seu país e eu pessoalmente acho que tanto a marca “Sagres” como a marca ”Luso” são coisas boas que Portugal tem porque são genuinamente portuguesas».
De Janeiro a Junho de 2009, o saldo das remessas de emigrantes/imigrantes em Portugal apresentou um valor positivo de 1.049 mil milhões de euros, segundo o Banco de Portugal.
Só no Brasil, onde tudo tem sido feito pelos nossos representantes no sentido de ocultar o peso efetivo da comunidade portuguesa, fontes idóneas estimam que os portugueses e os luso-descendentes até à segunda geração (que são titulares de um direito subjetivo à nacionalidade portuguesa) serão no mínimo 20 milhões. resultantes, essencialmente, da reprodução de 1.391.898 emigrantes, entrados no país entre 1884 e 1958.
As autoridades italianas reconhecem que há no Brasil cerca de 4 milhões de italianos, enquanto os portugueses consideram existir apenas 213.203 cidadãos portugueses, incluindo os bi-nacionais, ou, no máximo 500.000 e 700.000, segundo cálculos dos Serviços do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
No mesmo período, os italianos entrados no Brasil (que não são mais prolíferos que os portugueses) foram poucos mais do que nós, mais precisamente 1.507.695.
O primeiro problema da nossa Diáspora reside no facto de os governantes, ao contrário do que acontece com outros países, como a Itália ou o Japão, apoucarem as suas comunidades, procurando que elas se dissolvam nas comunidades de acolhimento e que percam a sua personalidade própria e os vinculos de solidariedade entre si.
É, tragicamente, nestes tempos de networking, uma visão ultrapassada, assente numa lógica catastrófica (e claustrofóbica) dominada por um medo de regresso de uma turba de miseráveis às origens.
É nessa mesma lógica que assenta um sistema eleitoral que, à partida, oculta a realidade populacional, com receio de que se questione a proporcionalidade e, à chegada, impede, na realidade, estes cidadãos de escolher quem legitimamente os represente.
Daí que os 84,4% de abstenções se tenham que interpretar como uma resposta sensata e adequada.
Não há, nesta matéria, uma grande diferença entre o PS e o PSD.
Mas há diferenças importantes.
O PS insiste na substituição do voto por correspondência pelo voto presencial, que ainda agravará mais as dificuldades de votação dos emigrantes.
O PSD defende o voto eletrónico, que constitui, pelo menos um método mais clean de ultrapassagem das questões essenciais e que pode abrir portas a grandes desafios no que se refere ao exercício dos direitos políticos por parte dos portugueses residentes no estrangeiro.
A simples adoção do voto eletrónico implica a aceitação das novas formas de comunicação, com todas as consequências, e faz um apelo às novas gerações que pode sair muito caro a quem olhar para o lado.
Sobretudo quando o cartão de cidadão - projecto cuja conclusão tarda tanto - for uma realidade efetiva.
quinta-feira, setembro 24, 2009
Promiscuidade
Aníbal ARaújo - o Zé das Medalhas da última campanha - pôs a boca no trombone.
Cito o que me caiu no e_mail:
Cito o que me caiu no e_mail:
«
José Lello e António Braga acusados de negociarem cargos em troca de financiamento partidário
Hoje às 16:25
Os socialistas José Lello e António Braga são acusados de negociarem cargos em troca de financiamento partidário com o empresário português Licínio Bastos que chegou a ser detido no Brasil. O antigo cabeça-de-lista do PS pelo círculo Fora da Europa, Aníbal Araújo, fez estas acusações numa entrevista à TSF.
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· Reportagem de Nuno Amaral com as declarações de Aníbal Araújo sobre este caso
José Lello e António Braga são acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário com o empresário Licínio Bastos, que chegou a estar detido no Brasil.
A acusação partiu do cabeça-de-lista socialista pelo círculo Fora da Europa nas legislativas de 2005, Aníbal Araújo, que também teve a sua campanha financiada por empresário que foi detido após a Operação Furacão que desmantelou a Máfia dos Bingos.
O deputado socialista e o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas diziam, em 2007, desconhecer se o empresário financiou o PS, contudo, em declarações à TSF, Aníbal Araújo afirmou que os dois socialistas negociaram directamente com Licínio Bastos.
Ouvido pela TSF no sábado, o ex-candidato socialista que, em 2007, afirmou não haver qualquer promiscuidade no processo, mas explicou agora que decidiu falar por causa da existência de «muito mentira que se diz e da reposição da verdade que não foi feita».
Aníbal Araújo revelou ainda o conteúdo de uma reunião que envolveu o empresário, José Lello e António Braga e onde se falou de assuntos relativos às Comunidades Portuguesas, mas também da «nomeação de Licínio Bastos para a parte das Águas de Portugal e para a Vivo».
O ex-cabeça-de-lista acusou José Lello de oferecer o consulado honorário em Cabo Frio, um lugar da administração da empresa de telecomunicações Vivo e o controlo da Águas de Portugal também em Cabo Frio e que foi alienada em finais de 2007.
Licínio Bastos, que aguarda o seu julgamento em liberdade, chegou a ser nomeado pelo secretário de Estado António Braga, em 2006, cônsul honorário de Portugal em Cabo Frio, uma cidade perto do Rio de Janeiro, acabando por ser exonerado meses depois de a sua nomeação ter sido publicada em Diário da República.
Apesar de lhe terem sido prometidos também os cargos na Vivo e na Águas de Portugal, o empresário acabou por também nunca exercer qualquer destes cargos.
Aníbal Araújo disse ainda que quer José Lello quer António Braga privaram com Jaime Garcia Dias, outros dos implicados na Máfia dos Bingos.
Numa escuta telefónica interceptada pela Polícia Federal brasileira, este elemento que faria os contactos para a extensão do negócio dos bingos e casinos no estrangeiro dizia estar em Portugal e citou os nomes de António Braga e José Lello.
A TSF tenta desde segunda-feira sem sucesso reacções de José Lello e António Braga, tendo apenas conseguido uma reacção do gabinete de imprensa do PS que, na quarta-feira à noite, fez saber que não comenta insinuações delirantes a 48 horas do final da campanha.
ESCUTE A REPORTAGEM EM WWW.TSF.PT».
José Lello e António Braga acusados de negociarem cargos em troca de financiamento partidário
Hoje às 16:25
Os socialistas José Lello e António Braga são acusados de negociarem cargos em troca de financiamento partidário com o empresário português Licínio Bastos que chegou a ser detido no Brasil. O antigo cabeça-de-lista do PS pelo círculo Fora da Europa, Aníbal Araújo, fez estas acusações numa entrevista à TSF.
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· Reportagem de Nuno Amaral com as declarações de Aníbal Araújo sobre este caso
José Lello e António Braga são acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário com o empresário Licínio Bastos, que chegou a estar detido no Brasil.
A acusação partiu do cabeça-de-lista socialista pelo círculo Fora da Europa nas legislativas de 2005, Aníbal Araújo, que também teve a sua campanha financiada por empresário que foi detido após a Operação Furacão que desmantelou a Máfia dos Bingos.
O deputado socialista e o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas diziam, em 2007, desconhecer se o empresário financiou o PS, contudo, em declarações à TSF, Aníbal Araújo afirmou que os dois socialistas negociaram directamente com Licínio Bastos.
Ouvido pela TSF no sábado, o ex-candidato socialista que, em 2007, afirmou não haver qualquer promiscuidade no processo, mas explicou agora que decidiu falar por causa da existência de «muito mentira que se diz e da reposição da verdade que não foi feita».
Aníbal Araújo revelou ainda o conteúdo de uma reunião que envolveu o empresário, José Lello e António Braga e onde se falou de assuntos relativos às Comunidades Portuguesas, mas também da «nomeação de Licínio Bastos para a parte das Águas de Portugal e para a Vivo».
O ex-cabeça-de-lista acusou José Lello de oferecer o consulado honorário em Cabo Frio, um lugar da administração da empresa de telecomunicações Vivo e o controlo da Águas de Portugal também em Cabo Frio e que foi alienada em finais de 2007.
Licínio Bastos, que aguarda o seu julgamento em liberdade, chegou a ser nomeado pelo secretário de Estado António Braga, em 2006, cônsul honorário de Portugal em Cabo Frio, uma cidade perto do Rio de Janeiro, acabando por ser exonerado meses depois de a sua nomeação ter sido publicada em Diário da República.
Apesar de lhe terem sido prometidos também os cargos na Vivo e na Águas de Portugal, o empresário acabou por também nunca exercer qualquer destes cargos.
Aníbal Araújo disse ainda que quer José Lello quer António Braga privaram com Jaime Garcia Dias, outros dos implicados na Máfia dos Bingos.
Numa escuta telefónica interceptada pela Polícia Federal brasileira, este elemento que faria os contactos para a extensão do negócio dos bingos e casinos no estrangeiro dizia estar em Portugal e citou os nomes de António Braga e José Lello.
A TSF tenta desde segunda-feira sem sucesso reacções de José Lello e António Braga, tendo apenas conseguido uma reacção do gabinete de imprensa do PS que, na quarta-feira à noite, fez saber que não comenta insinuações delirantes a 48 horas do final da campanha.
ESCUTE A REPORTAGEM EM WWW.TSF.PT».
terça-feira, setembro 01, 2009
A rejeição dos emigrantes
Há umas duas semanas gerou-se uma enorme polémica por causa de um artigo de um obscuro jornalista que escreveu uma crónica sobre os emigrantes, acusando-os de ser um fantasma da miséria e da incultura do antigo regime.
Com o coração ao pé da boca, o rapaz disse coisas que não são politicamente corretas mas que, sobretudo, são terrivelmente injustas.
Não sei se é filho de algum emigrante, mas, mesmo que não o seja, provavelmente, é daqueles jovens que, obnubilidados por uma nova «cultura» tem vergonha dos próprios pais.
Será um ser como tantos outros da nova geração, desses que põem os pais no asilo, alegando falta de tempo para os acompanhar na velhice, não porque o tempo não lhes sobre mas porque, literalmente, têm vergonha deles.
Seja como for, o que o referido jornalista pensa dos emigrantes não é nada de novo. Bem pelo contrário, faz parte de um modelo oficial em que os mesmos são classificados como uns broncos, uns alarves, uns incultos.
Só porque eles vivem no estrangeiro, distinguem-nos de forma negativa dos da mesma igualha que, com menos coragem, cá ficaram, sem reparar no absurdo de que não são diferentes.
A ignorância e o analfabetismo com que a ditadura brindou gerações também deixou vestigios em Portugal.
Só que esses vestígos, à falta de aculturação em sociedades mais desenvolvidas, morreram mais cedo, sob a míngua ou a cirrose.
Só que esses vestígos, à falta de aculturação em sociedades mais desenvolvidas, morreram mais cedo, sob a míngua ou a cirrose.
É, em boa parte, essa mentalidade que justifica uma postura colonialista relativamente aos portugueses da diáspora.
Se por cá tivessem ficado, talvez o seu atrevimento os tivesse conduzido à presidência de autarquias ou à liderança de empresas municipais, onde pautam muitos senhores e senhoras, moldados pelo mesmo sacrificio e com iguais deficiências culturais.
Mas como partiram, porque são, na generalidade, vencedores, gente que tem as suas contas em ordem, gente que acumulou fortuna, o melhor é que não voltem e não perturbem a concorrência.
É uma tristeza que, em vez de catalizar a reunião à Pátria, que envelhece, em vez de se desafiar essa gente a voltar, a investir, a renovar o país, lhe digam que o importante é que se integrem nas sociedades de acolhimento, contando com os políticos portugueses para isso, como se fosse lícita um tão grande ingerência nos assuntos de estados terceiros.
Não passam de parvoice essas promessas eleitorais.
Mas o grave não está na parvoice. Está em que tal insistência na integração nas sociedades de acolhimento não passa de uma afirmação de rejeição como a do tal jornalista que tem vergonha dos emigrantes e provavelmente dos próprios pais.
quarta-feira, agosto 12, 2009
PS - continua a mentalidade colonialista
É uma pena que o Partido Socialista continue a ter uma postura colonialista relativamente às comunidades da diáspora.
É essa uma crítica que repito há anos, porque nada se tem alterado, sempre que aproximam as eleições.
De um lado parece que há um eterno medo de que os emigrantes portugueses (que já não são o que eram, porque os portugueses continuam a emigrar) possam ter representantes no Parlamento.
Do outro afirma-se a mesquinhez e a falta de visão que conduz a que se elevem ao lugar de representantes pessoas que, por natureza, não estão aptas a representar.
Continua, no fim de contas, o mesmo vício que Salazar afirmava com mais sinceridade e clareza: o de tratar todas e cada uma das comunidades da diáspora como «colónias sem terra». É a colónia do Rio, a colónia de São Paulo, a de Boston ou a de Paris.
Antes eram os cônsules, nomeados pelo governo, que as representavam. Hoje são ou funcionários partidários de Lisboa ou políticos para quem não havia lugares das outras listas.
Há depois um engodo...
Incluem-se nas listas pessoas respeitáveis, mas que têm longínquas possibilidades de vir a ser eleitas.
Aconteceu antes como Manuel de Melo, da Suiça, pelo círculo da Europa. E acontece agora com Dora Moutinho, da Alemanha e Carlos Ferreira, da Suiça, pelo circulo da Europa e com José Duarte de Almeida Alves, do Brasil, e José Rocha Dinis, de Macau.
Um plantel de luxo, mas em que os candidatos verdadeiramente importantes (os que estão integrados nas comunidades da diáspora e que conhecem o seu pulsar e as suas aspirações) não têm grandes hipóteses de ser eleitos, porque colocaram outros na sua frente.
É cada vez mais urgente acabar com este sistema eleitoral e substituí-lo por um sistema de voto uninominal, em que cada eleitor possa escolher o seu candidato, sendo eleitos os mais votados.
Acredito que uma das principais razões pelas quais o nível do absentismo nos círculos da emigração é tão elevado reside no facto de os eleiotores terem a perfeita noção de que os candidatos elegíveis não são mais do que caçadores de votos, sem nenhumas condições para os representar.
Mesmo que atrelem à carruagem personagens prestigiadas, que toda a gente sabe que não serão eleitas.
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