domingo, fevereiro 04, 2007

O PS e a Emigração...

Acabo de chegar do Brasil. Tenho no meu e_mail uma mensagem do Adé Caldeira que diz o seguinte:

«Hoje a Federação de França teve uma reunião com Paulo Pisco.
Fiquei surpreendido com duas afirmações :
- A federação de São Paulo não é legal porque "teria" lá gente no Secretariado Ncional que nem militantes são !
- A federação da Suiça já "haveria" 10 anos que não faz eleições !
Quem proclamou tais afirmações foi o nosso Director do Departamento Comunidades.
Como gosto de saber as verdades directamente pelos envolvidos, gostaria que me dissessem o que pensam disto ?
É verdade ?
Isto é sem polémicas, mas é uma curiosidade pessoal como militante de França ... sou curioso e gosto de saber !»


Respondi-lhe assim:


Meu Caro Adé:

Quero esclarecer, antes de tudo, que não sou a pessoa indicada para responder.
Não tenho nada a ver com o PS, do qual me auto-exclui há quase um ano.
Não conheço esse Pisco e tenho dele as piores referências, nomeadamente através do meu amigo Joaquim Magalhães, que faleceu no passado dia 22.
Só te respondo porque, na hora da morte, o Joaquim me pediu para evitar que procurasse evitar que o Pisco lhe mijasse na cova…
Não mija, em primeiro lugar , pela simples razão de que lhe preservamos as cinzas.
Não mijará sobre a memória de Joaquim Magalhães porque há evidências, há fotos e há pessoas envolvidas, a todos os niveis, que hão-de evitar que um ordinário qualquer possa faltar ao respeito de quem deu uma boa parte da sua vida dos últimos anos pelo Partido Socialista.
O Sr. Pisco ( que eu não conheço), a ser verdade o que reproduzes , é (literalmente) um ordinário, que envergonha o Partido Socialista e deve ser repudiado pelos que tiveram que abandonar o País para ganhar o pão no estrangeiro.
A única coisa que posso recomendar aos meus amigos do PS que militam no Brasil é que façam como eu: demitam-se e mandem o PS bugiar, porque o que o dito Pisco afirmou em Paris, seguramente com o apoio da direcção do PS, é uma ofensa a todos os que estiveram envolvidos na constituição da Federação do Brasil.
A verdade nua e crua é que sem uma intervenção do tipo da que tinha Joaquim Magalhães, que gastava várias horas, todos os dias, com o trabalho partidário, o PS não tem nenhuma hipótese no Brasil como partido sério. Claro que tem hipóteses como mercador de comendas ou negociante de influências, como já ocorreu em momentos passados. Mas toda essa história passada nos merece nojo, por não ser própria do escol de pessoas que Joaquim Magalhães arrebanhou para o PS.
No Brasil tenho que dar os meus parabéns ao Caldas (PSD). Se tiver alguns juizo e for sensato elimina o PS da cena política.
A grande vantagem do PSD sobre o PS, na área da emigração, está em que o PSD respeita a autonomia dos seus dirigentes locais e o PS não respeita sequer o período do nojo…
Parafraseando o meu amigo Emidio Guerreiro, sugiro-vos que se o Pisco aparecer no Brasil o recebam com merda…
Saí do PS, por razões que conheces, mas é aí que tenho os meus melhores amigos.
Nunca pensei apoiar outro partido. Mas se a canalhice evoluir podes ter a certeza de que terão que me encarar como inimigo.
Não conseguirei ficar silencioso perante ordinarices deste tipo...
Prometo escrever mais sobre a matéria.

Miguel Reis



2 comentários:

Adé CALDEIRA disse...

Caro Miguel,
Agradeço-lhe pela resposta que me fez.
Assim ficam as coisas mais claras.
Confirmo que foi exactamente o que ouvi ... e como eu, ouviram outras dezenas de camaradas e simpatizantes na dita reunião de hoje em Paris (Dom. 04/02/2007).
Aliàs um camarada até gravou a reunião ... Se ficou bem gravado, serà simples de verificar o que lhe pedi como esclarecimentos.
Obrigado por me ter esclarecido.
Com aquele respeitoso abraço de sempre,
Adé CALDEIRA
PS/Federação de França

Gabriel Fernandes disse...

Meu caro Miguel Reis


Confesso que ainda não tive a oportunidade de aquilatar o profundo teor das afirmações do funcionário do PS e ex-deputado Paulo Pisco na reunião que promoveu em Paris recentemente. Li a estranheza do Adé Caldeira, que é uma pessoa honesta e correcta, e tomo-a com um facto insufismável.

É por de mais evidente que ao fazer tais afirmações, esse senhor Pisco quis deliberadamente enveredar por um tipo de investida grosseira e repugnante, própria de um rapazola sem vergonha e sem escrúpulos, ultrapassando os limites tolerados por qualquer pessoa de bem. Fê-lo “com as costas quentes”.

É infame sobretudo a sua alusão ao Brasil, poucos dias depois do falecimento de uma figura que me dizem ter sido ímpar nas estruturas do PS na Emigração. Infelismente não conheci Magalhães. Se o tivesse, aprenderia, estou certo, muitos dos conceitos de nobreza que abundantemente compartilhou com os seus amigos.

A investida de Paulo Pisco é premeditada. Quis atingir ainda a Suiça e fazer um ajuste de contas com Manuel de Melo. É uma táctica cobarde que lhe vai sair cara, porque, polémico, irreverente ou mesmo controverso, Manuel de Melo é um homem culto, inteligente e acutilante que não vai cruzar os braços na hora da verdade.

Como também dizia o Miguel Reis, eu vou voltar ao assunto, porque tenho algumas histórias interessantes para contar sobre a reunião que este nefasto funcionário do PS está a tentar organizar em Londres, com militantes “fantasmas” arranjados à saida das tascas mais reles que se podem frequentar. Simpatizantes do PS? Eu conheço-os!

Socorro-me de um texto que li algures num bloque qualquer e guardei nos meus artigos favoritos. Dizia assim a propósito de Pisco.

Gabriel Fernandes
Delegado do PS pela ex-Secção de Londres ao Congresso de 1983 onde defendeu a Moção de Mário Soares

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Para reflexão:

O pisco é um passarinho pequenino, enfezado, de pena parda e piar manso. Não canta como o rouxinol. Nem voa como o pardal. Esconde-se e esgueira-se em voos curtos, irregulares e baixos. Saltita nos girasois, de galho em galho, à procura dos insectosmais repugnantes para seu sustento. Dá-se bem com os girasois que não precisam de ser regados. São besuntas.

O pisco é um passarinho subalterno. Recebe ordens dos outros pássaros. Submete-se mas é assim que sobrevive.