Estamos a assistir, ao vivo e a cores, à decapitação da Afinsa e do Forum Filatélico.
É simplesmente espantoso.
Não há notícia de que estas entidades tenham deixado de cumprir os seus compromissos. Bem pelo contrário, todos os clientes se dizem satisfeitos com os rendimentos que recebem pontualmente, há cerca de 25 anos.
São fortes os sintomas de que estamos perante uma operação destinada a destruir um potentado financeiro, para proteger interesses de outros potentados financeiros.
Todos os argumentos usados são falaciosos.
Diz-se, por exemplo, que os selos não valem o que a Afinsa e o Forum dizem que valem.
Mas as acções, na maioria dos casos, também não valem e só se cotam como cotam porque as empresas fazem a sua propaganda e os consultores as inflacionam. O caso mais evidente é o das tecnológicas, em que o valor das empresas é infimo por relação ao do conjunto das acções.
As coisas valem o que dão por elas e havia dezenas de milhar de pessoas a entender que os selos valiam o que pagavam por eles.
Agora vem uma autoridade pública a dizer que não assim...
Imaginemos que, usando o mesmo método, aparecia o Ministério Público a dizer que as acções da companhia X ou da companhia Y não valem, no seu conjunto, o que valem as empresas mas apenas 20 ou 30 por cento...
Seria a desordem total do mercado.
Imaginemos que a mesma autoridade diria - o que é uma verdade e uma evidência - que o banco X não tem dinheiro para pagar o montante dos depósitos.
Nenhum banco tem os fundos necessários para pagar o montante dos depósitos e por isso mesmo o banco que foi referido iria inevitavelmente à falência.
O que a justiça espanhola está a fazer é provocar a falência de duas empresas que tinham até agora a melhor informação mercantil e que solviam pontualmente os seus compromissos.
Curiosamente (ou talvez não) essas empresas são de capital português e parece que nada foi feito apra lhes dar protecção.
Bem pelo contrário, assistimos impunemente à golpada, quando seria caso para enviar um aviso a Espanha.
1 comentário:
Penso exactamente o mesmo. Mas o mais curioso é poucas vozes se terem erguido para denunciar o que, afinal, parece óbvio (à excepção de alguns ecos avulsos na blogosfera, como este impagável post no Blasfémias). A própria comunicação social demonizou de tal forma as empresas envolvidas (apresentando, com honras de grande escândalo, actividades que vêm sendo desenvolvidas por outras entidades e instituições há décadas sem problemas) que me pergunto se pura e simplesmente é ingénua ou se estava envolvida no auto-de-fé.
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