domingo, abril 21, 2019

O português assassinado no Sri Lanka e outras explorações da desgraça


         Um atentado no Sri Lanka – antigo Ceilão e a ainda mais antiga Taprobana – justificou o ridículo da abertura de um telejornal com a notícia de que morreu um português e com entrevistas não só do secretário de Estado das Comunidades como de algumas pessoas que conheciam a vítima.
O secretário de Estado das Comunidade aproveitou para fazer uma operação de propaganda miserável, dizendo que o Estado ofereceu apoio ao regresso da viúva e do cadáver, como se isso não fosse discriminatório para os demais portugueses que morrem no estrangeiro.
É óbvio que a  noticia não é a morte de um português – é a morte de mais de 200 pessoas e  existência de mais de 500 feridos.
É óbvio que a oferta do funeral do noivo a um casal que foi de viagem de núpcias para o Sri Lanka não passa de uma proposta indecente, destinada, exclusivamente a aproveitar a onda da desgraça, difundida pelas televisões.
Só falta o Marcelo anunciar que vai ao Sri Lanka para acompanhar o cadáver.
             Logo a seguir às entrevistas,  um pseudojornalista, pôs-se  botar opiniões sobre o que foi o atentado, de um ponto de vista técnico,  operacional e político.
A opinião é marcada por expressões do tipo “temos claramente”, “é inequívoco”, vai “haver uma vingança”, tudo coisas que ninguém pode afirmar por não serem passiveis de conhecimento.
A falta de investigação e a a distância não permitem tirar quaisquer conclusões; nem sequer é admissível falar de tendências relativamente ao que aconteceu ou ao que irá  acontecer.
Estamos perante  exercícios que nada têm a ver com jornalismo, mas, exclusivamente, com manipulação de mensagens.
Após o intervalo, o telejornal continuou com a informação de que o motorista do acidente da Madeira vai ter alta e com uma longa entrevista ao meu homónimo Miguel Reis, jovem médico que dirigiu as operações de socorro.
Anunciou a TV que os procedimentos foram homenageados além fronteiras.
Depois disto, o telejornal continuou com a informação de que um individuo não identificado tentou agredir quatro pessoas em Guimarães, tendo assassinado uma mulher com 5 filhos, segundo dizem.
Foram esfaqueados o filho e a nora; e o alegado homicida entregou-se à polícia.
Não sou capaz de ouvir mais…
Desligo.
Era o telejornal de 21 de abril.

Vamos retomar...


Há neste blog muitos textos que é importante reler. Mas, mais do que isso, parece-me importante retomar este espaço para publicar pensamentos sobre Portugal.
Vou tentar retomar essa atividade.

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

A falta de medicamentos indicia uma prática criminosa

Em Portugal as farmácias valiam milhões e parece que agora valem tostões.
Faltam medicamentos e há pessoas que morrem porque vão à farmácia e a farmácia não tem os medicamentos.
O velho brocardo que diz que "há de tudo como na farmácia" é uma grosseira mentira.
E não há nenhuma razão para isso.
Porque é crime que os farmacêuticos não diligenciem no sentido de ter todos os medicamentos.
Devem ser severamente punidos, nomeadamente com o encerramento da farmácias se não cumprirem as suas obrigações.

Veja-se o

DL n.º 28/84, de 20 de Janeiro (infracções antieconómicas e contra a saúde pública)

Podia ser pior

Ouvi a história do saudoso Professor Emídio Guerreiro e lembrei-me dela agora, a propósito do desastre de Brumadinho.
Um dia foi o Professor visitar o Cónego Melo, assessor do arcebispo de Brafa, levado por uma beata que o queria converter, porque não compreendia que uma pessoa tão bondosa pudesse ser maçónica e não acreditar em deus.
- Veja lá, senhor cónego. É deus que nos dá tudo, que nos dá a saúde, os alimentos e até a vida eterna. Faça a graça de o senhor Professor passar a acreditar?
- E as catástrofes, os terramotos, os temporais que matam milhares de pessoas? - questionou o maçónico.
- Podia ser pior - respondeu ao Professor.
- Deus acima de tudo - diz Bolsonaro.
Aí está a primeira graça do mandato. Para castigo.
Porque sou ateu não sou capaz desse exercício lógico.