sábado, outubro 22, 2005

Porque não se faz um recenseamento?

Nunca percebi porque razão nenhum governo de Portugal tomou a iniciativa de fazer um recenseamento dos portugueses no estrangeiro nem porque, bem pelo contrário, tudo tem sido feito no sentido de reduzir o número dos emigrantes.
A Embaixada de Portugal no Brasil diz que há 213.000 portugueses naquele País incluindo os binacionais, calculando-se entre 500 e 700.000 o número real.
A ideia que tenho é a de que nenhum dos números tem o minimo de credibilidade.
Nem as autoridades brasileiras sabem quantos portugueses vivem no Brasil; nem as autoridades portuguesas sabem quantos são os portugueses naquele pais.
Não há nenhum sistema de contagem que seja idóneo.
Qualquer português minimamente inteligente, desde que tenha o cadastro limpo, sabe que o que lhe interessa, se quiser viver no Brasil, é adquirir a nacionalidade brasileira por naturalização. Com isso manda bugiar os serviços portugueses, que são geralmente de má qualidade, porque não precisa deles para nada.
Se precisar de tratar de alguma coisa em Portugal contrata um advogado e nem sequer dá cavaco às autoridades portuguesas.
Seria muito interessante mudar este estado de coisas...E seria ainda mais interessante ter a coragem de fazer um levantamento cuidadoso de quantos somos fora das fronteiras.

1 comentário:

Anónimo disse...

O Consul Legendário... (105)


® “CATRAMONZELADAS” (105)... Um optimista vê uma oportunidade em cada calamidade; um péssimista vê uma calamidade em cada oportunidade! (Anônimo) ... ultimamente eu tenho explorado os meus recônditos mais distantes, e apenas encontrei um pouco de altruismo que não me deixa enxergar muito bem, e cada dia fico mais anônimo... Silvino Potêncio - Emigrante Português em terras do novo mundo.

De: S POTENCIO

Citando o articulista António José Machado, e isto vem a propósito de algumas recentes "escaramuças " de carácter puramente ideológico, as quais foram mencionadas e acontecidas aqui no PortugalClub a respeito de consulados e nomeações, eu gostaria de transcrever apenas isto:
"Em Portugal, onde tão rápidamente se criam herois para todos os gostos, Aristides de Sousa Mendes continua a ser quase desconhecido"...
- Me vem isto a propósito da tendência natural das pessoas, em buscarem o melhor método de poderem se mostrar e aparecerem na midia de qualquer forma possível, de preferência boa ou menos má, na pior das hipoteses disponiveis!...
- Depois de ler alguns desses depoimentos, de confrades e patricios que escrevem aqui do portal, e outros argumentos de leitores eventuais, eu me lembrei de uma outra situação bastante comum aos nossos patricios, enquanto cidadãos emigrantes.
- As saudades nos levam tantas vezes ao imaginário inconcebível que acabamos por escrever o que queremos mas não devemos, e esquecemos o que deviamos mas lembramos o olvidável.... ou, como diria o meu Amigo Leote Menau, o "Sete", lá da tertúlia do Café Bahia na avenida marginal de Luanda;
não interessa o que dizem de mim!,... o importante mesmo é falarem algo a respeito... depois, se necessário, se dá o dito por não dito e as afirmações caem todas em saco roto!
Acontece que; Uns porque utilizam o léxico de forma extremante ortodoxa e não aceitam modismos, outros porque "á moda da sua terra" as coisas deveriam ser cozidas e costuradas assim e assado; feitas, ditas, escritas e escarrapachadas, "para todo o mundo ver"! - Afinal vivemos em democracia e no final do banquete desordenado da babilônica torre da lingua dos PALOP, nós todos acabamos por nos sentirmos no direito de reinvidicar, cada um a sua dose individual de patriotismo. - O que eu chamo mais popularmente " todos nós semos baons carago!,... à boa moda tripeira!" - Se somos do povo então nos expressamos à moda do povo.
Todavia: cada um a seu jeito tenta, e alguns conseguem, o seu lugar ao sol ainda que virtual!
Contudo, as estrelas, quando as enxergamos, elas não brilham por acaso, e nem tão pouco porque a gente lhes pede para o fazerem. Elas, todas!, todas elas tem a sua luz natural, e o que tivér que ser, será!
As estrelas do campo celestial são infinitas mas estão lá todas!, ... há muitos e muitos anos, a ponto de nem as maiores cabeças pensantes, terem ainda um denominador comum para lhes determinar a idade real - cada um que as descubra e as mostre a seu jeito, se esse for o seu projecto individual de se mostrar a si mesmo como tal! - E esse é o desafio!
- (de volta à crónica de hoje)
- O cidadão Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches nascido ainda nos finais do século dezanove (XIX) lá pelas berças da Beira Alta, quem sabe?!... palmilhou os mesmos velhos caminhos das fragas de Viriato e de Sertório. Ali nasceu e construi o seu carácter extremamente altruista e despojado de pretensos benesses, ou sequér o reconhecimento público da sua coragem pessoal frente ao colectivo descomunal da desordem maquiavélica em que se havia transformado a Europa da década de "córenta" do século passado!
Nisso ele empenhou todo o seu potencial, todas as suas prerrogativas e muito sorrateiramente desobedeceu ao governo central.

O Estado através da mão pesada do homem de Santa Comba Dão (tudo de graça!...) o lançou no estrelato do anonimato dos milhares que escaparam dos fornos da cremação do holocausto. ... Sim!, parece um paradoxo porém, o facto de ele desobedecer às leis estatuídas, que se faziam cumprir por serem leis, e como tal eram exercidas para serem respeitadas. Com todo o embargo em cima das costas e com doze (12) filhos para criar, o Estado si plemente o postergou ao desprezo, a ponto de a maioria dos portugueses, de então e de hoje, emigrantes ou não, sequer lhe saberem o nome completo.
- Ele foi um cidadão do mundo que com um simples gesto de desobediência às ordens de Lisboa salvou milhares de vidas as quais estavam inexorávelmente condenadas à morte. Contudo, porém ele ficou apenas registrado nos anais e nas atas do Conselho de Ministros como um funcionário que desobedeceu a lei, e por conseguinte à sua pátria.
Desconhecido e condenado ao quase anonimato, só mais tarde, geralmente o reconhecimento dos erros do passado, porque a história não perdoa, nem esquece mas, ... chega sempre qunado já é tarde demais. Ele, o Senhor Consul, de lá de onde Deus o guarda na sua eterna benevolência lhe permitiu serem reconhecidos os seus talentos, infelizmente não por nós, seus devedores morais e intelectuais. Lhe permitiu que a sua estrela brilhasse com uma vela em milhares de lares Israelitas acesas quem sabe solenemente e diáriamente. E, o seu amor à vida em detrimento do amor à Pátria a quem deveria ter servido como dever, se constitui assim um bem maior sobreposto aos interesse materiais dos homens do seu tempo.
Penso que, o resto desta história, já é do conhecimento de muitos. Porém nunca é demais lembrar que, Deus escreve direito por linhas tortas...
Falar do homem de Santa Comba Dão (tudo de graça!...) é uma forma mais ou menos pessoal de podermos rir hoje das situações do passado completamente olvidáveis.
- Falar do homem que desobedeceu frontalmente às ordens do Presidente do Conselho de Ministros e salvou milhares de vidas, demora um pouco mais para abrirmos um sorriso ou qualquer louvação em seu nome. Que Deus o tenha Senhor Consul!... nem por isso deixou de honrar o nome de Portugal!
VIVA PORTUGAL!!!..

Silvino Potêncio/Natal-Brasil

- ® “CATRAMONZELADAS” são reproduzidas originalmente em:

http://groups.msn.com/silvinopotencio e/ou http://groups.msn.com/caravelas-potencio

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